Isabella e o Duque
1 Capítulo 1 INVASORA
Isabella
Lá estava eu, Isabella Marie Swan, numa carruagem em direção à Sheffield, uma cidade do interior da Inglaterra. Eram 3 dias e 3 noites de viagem de Londres, minha amada cidade, até Sheffield. Uma pequena, pacata e provinciana cidade inglesa. Meus queridos tios Mary e John Swan moravam em Sheffield, com seus 6 filhos, meus primos.
Meus pais haviam morrido há 2 mês, num acidente, quando voltavam de Paris. Como estava com 17 anos, precisava ficar com meus tios, até completar 18 anos. O que aconteceria em 6 meses. Apesar da imensa dor que sentia pela perda dos meus pais, acalentava-me a alma, saber que não ficaria sozinha. Precisava muito do apoio dos meus tios e primos...
A paisagem era linda. Belos campos, algumas casas ao longe, o início do verão. Estávamos em 1808 e levava comigo meus lindos vestidos, muitos livro, pois amava lê-los, um baú repleto de tecidos, para presentear minhas primas. Minha mãe era uma estilista da alta sociedade londrina. Tinha um talento nato para criar peças magníficas. Muitas senhoras da côrte inglesa eram clientes de Renee Swan. Meu pai, por muitos anos, fez de tudo para que minha mãe não trabalhasse. Pois achava que uma mulher casada deveria ser sustentada pelo marido e cumprir com todas as obrigações de boa esposa. Felizmente lady Swan era uma mulher à frente do seu tempo. Era inteligente, doce, alegre e, com muita persistência, conseguiu convencer meu pai a ter seu próprio atelier.
Já Charlie Swan era funcionário do judiciário. Um homem metódico, rigoroso com as regras e sério que vivia para família. Haviam planejado viajar à Paris, a fim de uma segunda lua de mel e, claro, para minha mãe, comprar tecidos parisienses. Fico ao menos feliz por eles terem aproveitado a viagem... Viveram 20 anos juntos e tenho certeza que foram muito felizes. Eram almas diferentes que completavam-se. Meu pai, apesar de toda a educação rigorosa, aprendeu a respeitar minha mãe na sua arte, e ela soube ser paciente para fazê-lo ver que os tempos estavam mudando...
Quando a carruagem estava aproximando-se da propriedade onde meus tios moravam, pude ver os lindos campos... plantações de trigo dominavam a planície... o leve vento acariciava os ramos dourados, parecendo ondas... lindo. Mais ao norte via-se uma casa ampla com janelas altas e tijolos aparente. A casa era simples, assim como a vida dos Swan em Sheffield. Meu tio era o responsável pelas terras do Duque de Sheffield há muitos anos. Ele administrava os empregados, as plantações e os animais que a propriedade possuía. Todos trabalhavam muito, inclusive meus primos. Eram pessoas honestas, pessoas de bem.
Pude avistar ao longe um rapaz de cabelos loiros, parecia Eric. Faziam 2 anos que não os encontrava. Eles tinham ido passar o Natal em nossa casa e foi o Natal mais divertido de todos. Imaginem uma família de 3 pessoas, recebendo uma família de 8 pessoas para passar uma semana. Meu pai quase infartou... Ao contrário de Charlie, tio John era muito extrovertido, adorava música, adorava dançar. Já tia Mary era uma mulher muito simples. Vinha de uma família humilde de Sheffield. Era amorosa, excelente cozinheira e seu maior sonho era ver suas filhas casadas com homens da côrte, homens nobres, aliás esse era o maior sonho da maioria das jovens daquela região. Fazer um bom casamento.
Pude ver que o rapaz louro, correu para dentro da casa e logo várias pessoas vieram à porta. Fiquei olhando para eles e quando dei conta já estava com os olhos marejados. Estavam todos lá, meus tios, Anie, Eric, Emmie, Willian, Sophie e Greg. Mal a carruagem parou, a porta foi aberta por Eric, logo fui puxada e recebi um abraço caloroso.
- Nossa Bella como você está linda?
- Como você demorou para chegar.
- Bella estava com tanta saudade.
- Bella seu cabelo está deslumbrante.
- Vem aqui minha linda sobrinha, deixe-me abraçá-la.
- Bella você viu como eu cresci.
- Bella que vestido lindo.
Todos falavam quase que ao mesmo tempo. Enfim, apesar das lágrimas, senti meu coração aquecido pelo carinho daquela doce família e deixe-me fazer parte daquele grupo.
Depois das lágrimas, dos sorrisos e dos abraços finalmente entrei na espaçosa sala. Era ampla, arejada, com sofás, poltronas e móveis de madeira escura. Uma cristaleira com vários objetos de porcelana e cristal. Minha mãe sempre enviava à minha tia, que amava colecioná-los. Um piano antigo próximo a uma janela que dava para o imenso jardim. Várias almofadas bordadas á mão por minhas primas davam o colorido ao rústico que ali existia.
Anie e Emmie eram gêmeas e estavam para completar 19 anos. Eric tinha a minha idade, 17. Willian 15, Sophie 12 e Greg 10.
Depois de conversarmos um pouco, minha tia fez questão que eu tomasse um farto chá da tarde. Com biscoito e bolo caseiro... delícia.
Meus primos eram loiros, todos haviam puxado o lado da tia Mary. Loiros e de olhos azuis. Diferente de mim, que tinha os cabelos castanhos avermelhados e olhos verdes como minha mãe. Tinha muito cabelo, que de tão pesados, apesar de serem lisos, ondulavam nas pontas.
Anie e Emmie estavam animadíssimas pela Festa dos 18. Uma festa centenária, que ocorria todo o mês de Junho na mansão do Duque de Sheffield. A festa nada mais era, que a oportunidade das moças solteiras de 18 anos, serem apresentadas à sociedade londrina e arrumarem um bom casamento. Porque 18 anos, já era uma idade limite para a maioria das mulheres. Muitas jovens ficavam noivas já aos 16, 17 anos. Era a grande oportunidade. Pois o Duque convidada ilustres homens da sociedade de Londres, especialmente para essa festa. Eram nobres, altos funcionários e militares de alta graduação. É claro, que jovens solteiras com mais de 18 anos também seriam convidadas, porém com menos de 18, o que era o meu caso, não fariam parte da festa. No íntimo ficava feliz... sabia muito bem que essa festa não passava de uma tradição... e já tinha ouvido vários comentários depreciativos em Londres sobre tal evento. O comentário geral, era que dificilmente, um homem bem nascido casaria com uma camponesa, sem o perfil necessário, para os grandes salões londrinos. Resumidamente, para o sexo masculino presente, era uma festa tradicional, oferecida por uma família extremamente renomada e não passava de um divertimento. Já para as meninas de Sheffield era o sonho. Poder conhecer, enamorar e futuramente casar um homem rico e influente.
É claro que não fiz nenhum comentário. Anie, Emmie e tia Mary aguardavam ansiosas pela data. Aproveitei para presenteá-las com os tecidos. Nunca vi 3 mulheres tão felizes...
A maior novidade seria a presença do filho do Duque, Lorde Edward Cullen. Ele estaria presente e viria com vários amigos nobres participar da festa. Segundo Anie, todos solteiros. Soube que Edward já tinha 32 anos, viajava muito cuidando dos negócios da família fora do país e era bastante assediado pelas mulheres, pois além de ser um homem lindo, era riquíssimo.
Quando o jantar estava para ser servido, pedi desculpa à todos, explicando que estava muito cansada da viagem e tia Mary acompanhou-me até o quarto. Um bom banho e uma boa noite de sono era tudo que precisava. Combinei com Eric, que pela manhã andaríamos à cavalo, pelos campos e à tarde, tio John nos levaria até o centro de Sheffield para tomarmos chá.
...
Acordei cedo, como sempre fazia. Após estar devidamente vestida e penteada, desci para o café da manhã. Encontrei Anie preparando a mesa. Anie era muito doce, leve e graciosa. Dávamos muito bem. Emmie era diferente. Era durona, franca e tinha no seu inglês, um forte sotaque característico do interior. Quem não à conhecia, poderia imaginá-la com modos grosseiros, mas era um equivoco, era uma ótima pessoa. Apesar de serem gêmeas,não eram parecidas.
Logo todos foram chegando... a criada, Sra. White, trouxe os bules com café, leite e chá.
Depois de comer mais do que devia, fui trocar-me para andar à cavalo. Amava cavalgar. Era uma excelente amazonas. Vesti calças (que era uma grande novidade) e uma blusa de mangas longas e coloquei sobre a roupa uma capa verde oliva, que mamãe havia confeccionado para mim. A capa era longa e acinturada, vendo-me de pé, parecia um vestido, mas com recortes estratégicos, que ao montar facilitava os movimentos. Era á moda em Londres. Botas de cano longo e luvas de couro completavam o visual. Quando desci, vi minha tia, primas e até Eric abrirem a boca de espanto. Sorrindo expliquei a vestimenta. Tia Mary já imaginava fazer igual para as meninas.
Eric e eu fomos ao estábulo preparar os cavalos. Encontramos no caminho alguns empregados, que olhavam-me com admiração. Eric não escondeu o sorriso.
- Posso saber qual a graça, Sr. Eric Swan?
- Não é nada Bella. É que você é muito diferente de todos aqui.
- Diferente como? — Perguntei assustada.
- Você tem um porte ao caminhar, uma elegância ao falar, uma superioridade ao olhar... não fiquei chocada. Não é superioridade ruim, é um ar refinado que as moças daqui não tem.
- Nunca percebi isso Eric.
- Não pense nisso. Venha, vamos escolher seu cavalo.
Escolhi um garanhão chamado Máximo. Lindo, pêlo negro, alto, pernas longas e musculosas.
Eric apenas sorriu.
- Eu não disse, escolheu o melhor cavalo. É uma das recentes aquisições do Duque.
- Oh, espero que o Duque não se importe.
- Não claro que não. O Sr. Duque é um homem de 70 anos. Tem boa saúde, mas ultimamente não tem montado. Já chegou a Sheffield para as férias de verão. Logo o filho e os convidados estarão chegando também.
Logo estávamos galopando. Não conseguia parar de sorrir. O vento quente batia no meu rosto e logo meu coque soltou-se, deixando meus cabelos soltos ao vento. Uma sensação de liberdade, de leveza apoderou-se de minha alma...
Trotávamos agora, mais calmamente, quando ouvimos gritos:
- Sr. Eric Swan, Sr. Swan...
Um homem vinha galopando em nossa direção. Ao chegar, o homem esbaforido, diz:
- Sr. Swan, seu pai pede sua presença. Um potro está para nascer, ele precisa de ajuda.
- É Kara. Mas ainda não está na data... Bella vou ter que voltar as pressas.
- Não fique preocupado Eric. Sei voltar sozinha. Vá ajudar o tio John.
- Está bem. Mas se não voltar em 1 hora, mandarei alguém atrás de você.
Apenas sorri. Não havíamos nos distanciado muito. Tinha ótimo senso de direção.
Após Eric sumir no horizonte, resolvi voltar por outro caminho... galopei por 20 minutos e pude ver um majestoso rio, circundado por árvores frondosas... pude ler uma placa que dizia:
PROPRIEDADE PARTICULAR – NÃO ENTRE
Ignorei a placa e aproximei-me do rio. Maximo estava com sede.
Pude ouvir o trotar de cavalos, bem como um diálogo em francês que vinha das árvores.
- Realmente esses aldeões não sabem ler.
- Bom meu caro Edward, se a aldeã que vislumbro de costas tiver um rosto tão belo, como eu imagino que tenha, eu disponho-me a ensinar-lhe a ler.
- Hahahahahahaha meu caro Martin cuidado, que essa é um exemplar das caçadoras de maridos, que estarão na festa.
Eu já havia enrijecido todo meu corpo com tal diálogo. Que arrogância... mas eu era filha de Renee Swan, uma mulher a frente do seu tempo. E tinha aprendido muito com minha mãe. Não ia deixar por pouco.
- Senhorita? Não viu a placa? Aqui é propriedade privada. Terras do Duque Sheffield. – Falou o homem que havia rido anteriormente num inglês impecável.
Virei-me lentamente e olhei os 3 homens a minha frente, diga-se de passagem, com os ombros erguidos e o nariz empinado. Dois eram loiros, de olhos azuis e muito parecidos, provavelmente irmãos. Vestiam-se como os franceses. Gola e mangas com babados. Eram nobres sem dúvida. O outro tinha um porte imponente, ombros largos, o cabelo era de um ruivo escuro, os olhos verdes escuros, bem mais escuros que os meus. Montava um cavalo negro, assim como Máximo.
- Li perfeitamente a placa senhor. Falei no meu melhor inglês londrino. Assim que terminei a frase, a repeti em francês. Tinha estudado 10 anos de francês. Sabia ler e escrever perfeitamente.
- Prefere que nossa conversa ocorra em inglês ou francês, senhor?
Os dois homens loiros abriram a boca estarrecidos. Por essa eles não esperavam. Já o ruivo não teve qualquer reação. Olhou-me intensamente e após uma longa pausa, falou com a voz rouca e dura:
- Cara Senhorita, como deve ter percebido, estas terras são de propriedade particular. Terras do Duque de Sheffield, meu pai. Sou o Duque Edward Cullen III. Esses são amigos e convidados, Senhores Alan e Arthur Martin. E a Senhorita, qual seu nome?
Fiz um esforço para não corar e mantive-me altiva. Procurei falar pausadamente e da maneira mais clara possível:
- O meu nome não importa senhor Duque, sou apenas uma aldeã, uma plebéia, que apesar de ter lido a placa, ousei invadir tão preciosas terras, pois o cavalo que monto estava sedento. Mas como pude perceber, não somos bem vindos em sua gloriosa propriedade, e peço perdão, pelas marcas deixadas, pela minha montaria na sua terra, bem como pela água retirada do seu magnífico rio e pelo ar puro que estamos respirando das majestosas árvores de sua propriedade privada.
- Agora, caro Duque, estarei retirando-me, eu e minha montaria, e fique tranqüilo. — Nunca mais voltarei a pisar em suas terras novamente.
- Devo pressupor com essa afirmação, que não irá comparecer a Festa dos 18, já que não pretende pisar em minhas terras, estou certo senhorita? – Falou com a voz repleta de sarcasmo.
- Certamente senhor Duque. Felizmente tenho 17 anos, portanto não estou apta a comparecer ao baile. Mas mesmo que tivesse idade suficiente, saiba senhor Duque, que faria questão de não comparecer a casa de alguém que menospreza seus convidados. Chamando-me de exemplar de caçadora de maridos, mesmo dito em francês, não é nada educado, para alguém de tão nobre educação como vossa alteza.
Fiz todo o meu discurso olhando para o Duque, sem nunca desviar o olhar, e pude ver seu rosto empalidecer, seus traços ficarem ainda mais duros e suas mãos apertarem as rédeas. Apenas os olhos brilhavam intensamente. Fiz uma leve reverência com a cabeça, porém ao contrário do praxe, não abaixei os olhos, continuei olhando diretamente para o arrogante Duque.
Dei o meu melhor sorriso, aos irmãos Martin, ao Duque e antes de voltar-me e seguir meu caminho, disse:
- Au revoir senhores, senhor Duque.
E sai dali elegantemente. Porém minhas mãos tremiam e sentia o suor gélido escorrer em minhas costas.
Pensei ouvir um sussurro do Duque:
- É o que nós veremos senhorita.
Estava tão nervosa que deveria estar ouvido coisas.
Após sair do campo de visão dos três homens, galopei o mais rápido que pude, de volta a casa de meus tios.
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