Notas iniciais
Muiito obrigada à NatyBC Por Recomendar a Fic!

Isabella Crouch POV:

O mês que se seguiu ao acidente foi incômodo, tenso, e irritante. Para meu desânimo, eu me tornei o centro das atenções dos trouxas estúpidos pelo resto da semana.

Tyler Crowley estava impossível, me seguindo, obcecado com a idéia de me recompensar de algum modo. Eu tentei convencê-lo de que o que mais queria era que ele esquecesse o que aconteceu — especialmente já que nada aconteceu comigo — mas ele continuou insistindo. Eu estava tentada a mandá-lo pular de algum penhasco ou entrar na frente de um carro e parar de me encher o saco, mas não podia ser tão rude assim e deixar cair o ato de trouxa boazinha.

Ele me seguiu entre as aulas e se sentou na nossa agora lotada mesa do almoço. Mike e Eric eram ainda menos amigáveis com ele do que um com o outro, o que me deixou irritada por estar ganhando outro fã indesejado.

Ninguém pareceu preocupado com Edward, apesar de eu ter explicado milhões de vezes que ele era o herói — como ele me tirou do caminho e quase foi atingido também. Eu tentei ser convincente. Jéssica, Mike, Eric e todos os outros sempre comentavam que eles nem sequer tinham visto ele lá até que a van foi tirada do caminho.

Eu pensei comigo mesma porque ninguém havia visto ele em pé lá longe, antes que ele estivesse de repente, impossivelmente salvando a minha vida. Com raiva, eu me dei conta da possível causa — ninguém estava tão consciente da presença do Cullen quanto eu estava, eu estava me tornando quase obsecada com o perigo que ele carregava, que era a chave para a minha liberdade. Ninguém mais observava ele como eu, porque nenhum dos trouxas estúpidos suspeitavam que eles eram sanguessugas malditos!

Edward nunca estava cercado de espectadores ansiosos pela sua atenção. As pessoas evitavam ele como sempre. Os Cullen e os Hales se sentavam na mesma mesa como sempre, sem comer,falando apenas uns com os outros. Nenhum deles, especialmente Edward, olhou mais na minha direção.

Quando ele sentava perto de mim na sala, tão longe de mim quanto a mesa permitia, ele parecia totalmente alheio á minha presença, o que eu sabia que era uma farsa. Só de vez em quando, quando os pulsos dele se apertavam em sinal de que meu sangue estava o afetando demais.

Na última vez que eu vi ele, fora da sala de emergência, nós dois estávamos tão furiosos. Eu ainda estava com raiva por ele não confiar em mim a ponto de dizer a verdade, eu queria sair dessa cidade estúpida, cheia de pessoas estúpidas, queria minha magia de volta, queria minha futura carreira de volta, e queria minha vingança de volta.

Ele já estava sentado quando eu entrei em Biologia, olhando diretamente pra frente. Ele não deu nenhum sinal de que sabia que eu estava lá.

- Olá Edward. — Eu disse agradavelmente, pra mostrá-lo que eu ia me comportar direitinho, ou pelo menos fingir.

Ele virou uma fração na minha direção sem olhar pra mim, balançou a cabeça uma vez, e então olhou pro outro lado. Isso inflamou minha raiva outra vez e eu pude sentir algumas paredes cedendo dentro de minha mente, por conta da minha raiva crescente, e sua proximidade, o que me rendeu uma enorme dor de cabeça.

Esse foi o último contato que eu tive com ele, apesar dele estar lá, a um passo de mim, todos os dias. Eu ficava observando ele, sem conseguir me controlar – á distância, contudo, na cafeteria ou no estacionamento. Precisava descobrir mais maneiras de me colocar em perigo, e fazer as barreiras caírem mais rápido. Eu estava aqui há quase cinco meses e as barreiras ainda continuavam ali. Embora algumas delas tivessem caído.

Eu observava como os seus olhos dourados ficavam perceptivelmente mais e mais pretos a cada dia. Mas na aula eu não dava mais atenção a ele do que ele dava pra mim, não iria mesmo me humilhar por causa daquele sanguessuga idiota.

Mike parecia estar satisfeito pela óbvia frieza entre mim e meu parceiro de laboratório. Eu podia ver que ele andava preocupado que o salvamento arriscado de Edward tivesse me impressionado, e ele parecia aliviado que pareceu ter o efeito o oposto. Ele ficou mais confiante, sentando na borda da minha mesa pra conversar antes da aula de Biologia começar, ignorando Edward tão completamente quanto ele ignorava, ou tentava, nós dois. Eu me divertia vendo-o se contorcer, e escutar nossas conversas com os punhos cerrados. Mike tentava flertar comigo constantemente, principalmente na presença do Cullen, e as vezes só para irritá-lo eu discretamente retribuía o flerte vendo o Cullen ficar rígido apertando os punhos ferozmente, seu ato de nos ignorar ficando óbvio de mais.

A neve foi embora de vez depois daquele dia perigosamente gelado. Mike estava desapontado porque não pôde fazer a sua briga de bola de neve, mas satisfeito que a ida á praia seria o mais breve possível. A chuva, porém, continuou pesada e as semanas foram passando.

Jéssica me alertou de outro evento despontando no horizonte, ela ligou na primeira Terça-feira de Março pra pedir minha permissão pra convidar Mike para o baile da escolha das garotas dentro de duas semanas. O que era ridículo. Eu não era dona dele, e não tinha culpa se ele era um cachorrinho de coleira.

- Tem certeza que você não se importa... Você não estava planejando convidá-lo? — Ela insistiu quando eu disse que não me importava nem um pouco.

- Não Jess, eu não vou. — Eu garanti pra ela. Se eu não conseguia andar direto com as restrições do velho, Dançar estava além do alcance das minha habilidades atuais.

- Vai ser muito divertido. — A tentativa de convite dela foi meio, ou melhor, muito falsa. Eu sabia que Jéssica gostava mais da minha inexplicável popularidade do que da minha companhia propriamente dita. Ah... Seria tão divertido torturá-la... Ou pelo menos humilhá-la alguma vez... Mas eu não precisava desse tipo de atenção. Eu sabia que precisava convencer não só esses trouxas do meu ato, mas os sanguessugas e o velho. Os sanguessugas para me ajudar a recuperar meu poder, e o velho para que eu pudesse voltar para o mundo bruxo, e talvez até enganá-lo com meu ato para me aproximar e atrapalhar seus planos.

— Se divirta com Mike. – Eu encorajei a Stanley irritante.

No outro dia, eu fiquei surpresa que Jéssica não estava sendo a mesma pessoa em Trigonometria e Espanhol. Ela estava quieta enquanto andava ao meu lado entre as aulas, e eu tinha certeza que sabia o porque. Provavelmente levou um fora do Mike, ah... Eu gostaria de ter visto o rosto dela no momento. Deve ter sido hilário.

Minhas suposições se confirmaram no almoço quando Jéssica se sentou tão longe de Mike quanto foi possível, conversando animadamente com Eric. Mike estava estranhamente quieto.

Mike ainda estava calado quando me acompanhou á aula, a expressão desconfortável no rosto dele era um mal sinal, embora eu apreciasse que ele mantivesse a boca fechada pelo menos uma vez. Mas ele não tocou no assunto até que eu estava sentada e ele estava curvado sobre a minha mesa.

Eu estava ciente da presença do Cullen ao nosso lado, mas o ignorei.

- Então... — Mike disse olhando pro chão. — Jéssica me convidou para o baile de primavera.

- Isso é ótimo. — Eu fiz a minha voz ficar contente e entusiasmada. Enquanto mascarava o sarcasmo e a diversão. – Você vai se divertir muito com a Jéssica.

- Bem... – Ele gaguejou enquanto examinava o meu sorriso, claramente descontentes com a minha resposta. — Eu disse a ela que precisava pensar.

- Porque você faria isso? – Eu disse me fingindo de ingênua, vendo o Cullen prender o riso pelo canto dos olhos.

O rosto de Mike estava vermelho quando ele olhou pro chão de novo. A piedade me deixou balançada... Mentira, eu queria rir até não ter mais fôlego.

- Eu estava imaginando se... Bem, se você estava planejando me convidar... – Quase estourei em risadas com isso, mas mantive a expressão séria. Isso me lembra do baile de inverno no começo do ano, quando um Lufano reuniu coragem para me convidar. Só não foi mais engraçado que o Weasley tentando pedir Fleur Delacour para ir ao baile com ele.

Vi pelo canto dos meus olhos, quando um reflexo fez o Cullen virar a cabeça na minha direção.

- Mike, eu acho que você devia dizer sim pra ela. — Eu disse em uma voz quase condescendente.

- Você já convidou outra pessoa? – Com certeza o Cullen percebeu os olhos de Mike na direção dele...

- Não. — Eu garanti pra ele. — Eu nem sequer vou ao baile.

- Porque não? — Mike quis saber.

Eu não queria falar sobre os perigos que dançar com as restrições feitas pelo velho representava para a minha moral, não iria me humilhar a esse ponto, então eu rapidamente inventei novos planos.

- Eu vou pra Seattle esse Sábado. — Eu expliquei. Eu precisava sair um pouco dessa vila mesmo de repente era o momento perfeito pra ir.

- Você não pode ir outra semana?

- Desculpa, não. — Eu disse. — Então você não devia fazer Jess esperar mais, é rude. – Disse escondendo a zombaria em minha voz.

- É, você está certa. — Ele murmurou, e se virou, arrasado, pra voltar pro seu lugar.

Eu fechei os meus olhos e pressionei os dedos nas minhas têmporas, tentando massacrar a vontade de rir alto. O Sr. Banner começou a falar. Eu suspirei e abri os olhos.

E Edward estava me olhando cheio de curiosidade, aquele mesmo olhar de frustração, ainda mais distinto agora nos seus olhos pretos. Resisti a vontade de bufar com isso, retribuindo o olhar friamente, esperando que ele desviasse a vista como fazia sempre ultimamente, me surpreendendo levemente quando ele continuou a me encarar da mesma forma.

- Sr. Cullen. — O professor chamou, querendo a resposta para uma pergunta que eu não tinha me preocupado o suficiente para ouvir.

- O ciclo dos caranguejos. — Edward respondeu, parecendo relutante enquanto ele virava pra olhar para o Sr. Banner.

Eu olhei para os meus livros assim que estava livre do olhar dele, tentando me encontrar.

Ignorando sua presença o melhor possível, assim como a continuação da aula, eu abri meu caderno começando a desenhar. Dessa vez o desenho que se formou foi um por do sol do ponto de vista da torre de astronomia da escola, mostrando muito pouco do castelo, apenas a ponta de algumas torres e um pouco dos picos das árvores da floresta negra, sendo o desenho mais focada no céu de crepúsculo, meio rosado, meio avermelhado (Eu tinha comprado uma caixa de lápis corridos para isso).

Quando o sinal finalmente tocou, eu me virei de costas pra ele pra juntar as minhas coisas, esperando que o Cullen fosse embora imediatamente, como sempre.

- Bella? — Eu virei devagar, sem vontade, principalmente porque queria gritar para ele ir para o inferno e nunca mais me chamar por esse apelido repugnante. Minha expressão era fria e impassível quando eu finalmente me virei pra ele, a expressão dele era ilegível. Ele não disse nada.

- O que? Você já está falando comigo de novo? — Eu finalmente perguntei, um pouco de petulância intencional na minha voz. Precisava manter o ato...

Os lábios dele se contorceram, lutando contra um sorriso, enquanto eu lutava contra a vontade de descobrir o que acontecia quando se socava um vampiro sem o auxílio de magia.

- Na verdade não. – Ele admitiu.

Eu fechei meus olhos e inalei vagarosamente pelo nariz, consciente de que os meus dentes estavam se apertando. Ele esperou.

- Então o que você quer, Cullen? — Eu perguntei, mantendo meus olhos fechados, para não mostrar o desejo assassino neles.

- Me desculpe. — Ele pareceu sincero, apenas pareceu. — Eu estou sendo muito rude, eu sei. Mas desse jeito é melhor, mesmo. – Ah por favor! Isso é patético.

Eu abri meus olhos, confiando em meu controle das minhas expressões. O rosto dele estava sério.

— Eu não sei o que você quer dizer. – Menti, minha voz não dando nenhuma emoção.

- É melhor se nós não formos amigos. — ele explicou. — Confie em mim. – Eu não quero ser sua amiga seu idiota! Eu quero usar você para ter meus poderes de volta!

Meus olhos reviraram. Esse papo era irritante e inútil.

- É uma pena que você não tenha descoberto isso mais cedo. — Eu falei entre meus dentes sabendo que o perturbaria. — Você podia ter se poupado desse arrependimento.

- Arrependimento? — A palavra e o meu tom obviamente pegaram ele de surpresa. Ahá otário! — Arrependimento pelo quê?

- Por não ter simplesmente deixado aquela van estúpida passar por cima de mim. – As vezes esse ato fica tão ridículo... Ou melhor, sempre.

Ele estava incrédulo. Ele me olhava em descrença. Quando ele finalmente falou, ele parecia com raiva.

- Você acha que eu me arrependo de ter salvado a sua vida?

- Eu sei que você se arrepende. — Desafiei.

- Você não sabe de nada. — Ele definitivamente estava com raiva. Não mais que eu, é claro, mas eu deixava isso muito bem escondido. Eu sei mais que você estúpido sanguessuga!

Resolvendo que voltar a ignorá-lo seria mais vantajoso. Eu juntei os meus livros, então me levantei e caminhei até a porta.

Eu planejava sair da sala dramaticamente da sala, mas é claro que eu bati a minha bota da porta e derrubei os meus livros. MALDITO DUMBLEDORE DO CARALHO. Eu fiquei lá por um momento, pensando em deixá-los.

Então eu suspirei e me abaixei para apanhá-los. Ele estava lá, eles já tinha os colocado numa pilha. Ele me passou eles, sua expressão dura.

- Obrigada. — Eu disse geladamente, em um tom que dizia claramente que eu não agradecia porra nenhuma e preferia que ele pulasse da janela com a esperança de que ele se matasse do que tê-lo a minha frente. Embora muito provavelmente pular da janela não fizesse nenhum dano a ele.

Ele revirou os olhos.

- De nada. — Ele devolveu.

Eu me levantei, dei as costas pra ele e fui pra aula de ginástica sem olhar pra trás.

A aula de ginástica foi uma merda. Jogando algum jogo tolo chamado basquete, no qual eu mal cheguei perto da bola que provavelmente era mais pesada que eu naquele momento, embora eu tenha caído várias vezes, mais do que eu achava ser possível em tão curto espaço de tempo, e sem nenhum obstáculo. Eu quase corri pro meu carro, haviam tantas pessoas que eu queria evitar, e algumas eu simplesmente desejava mandar um Crucio ou um Avada.

Eu quase tive um ataque do coração quando vi uma silhueta alta, escura encostada na lateral da minha caminhonete. Então eu me dei conta que era só Eric, embora não fosse tão calmante quanto parecia. Outro para me irritar mais ainda. Pensei começando a andar de novo.

- Ei Eric. — eu chamei.

- Oi Bella.

- O que foi? — Eu disse escondendo o tom rude e brusco da minha voz, enquanto destravava a porta da caminhonete. Eu percebia claramente o tom desconfortável da voz dele, mas ainda sim suas próximas palavras me pegaram de surpresa.

— Uh, eu estava só imaginando... Se você não gostaria de ir ao baile de primavera comigo. — A voz dele desapareceu na última palavra. Eu praticamente engasguei com o ar depois disso.

- Eu pensei que fosse escolha das garotas. — Eu disse, chocada demais pra ser diplomática.

- Bem, é... – Ele admitiu, envergonhado.

‘Então porque está me convidando idiota?’

Eu então recuperei minha compostura e tentei sorrir docemente. — Obrigada por me convidar, mas eu vou pra Seattle nesse dia. – Falei em um tom levemente arrependido, com uma máscara agradável e pesarosa enquanto usava a mesma desculpa que dei para Mike.

- Ah — Ele disse. — Talvez da próxima vez. – ‘Não haverá uma próxima vez!’ Rosnei mentalmente.

- Claro. – Disse em uma voz falsamente animada.

Ele foi embora, em direção á escola. Eu ouvi uma gargalhada baixinha.

O Cullen estava passando pela minha caminhonete, olhando diretamente pra frente, seus lábios pressionados. Imbecil!

Pulei pra dentro do carro antes que mais alguém me alcançasse, batendo ela com força atrás de mim.

Eu liguei o motor desafiadoramente e dei a ré saindo pelo corredor.

O Cullen já estava em seu carro, a duas vagas de distância, deslizando vagarosamente na minha frente, me atrapalhando.

Ele parou lá pra esperar sua família; eu podia ver eles caminhando nessa direção, mas ainda perto da cafeteria. MALDITO! ARGH! Eu pensei em arrancar o retrovisor do seu Volvo, mas haviam muitas testemunhas. Eu olhei no meu espelho retrovisor. Uma fila estava começando a se formar.

Diretamente atrás de mim, Tyler Crowley estava no seu Sentra usado, recentemente adquirido, acenando.

Enquanto eu estava sentada lá, olhando pra todos os cantos menos pro carro na minha frente, eu ouvi uma batidinha na minha janela do lado do passageiro. Eu olhei; era Tyler. Eu olhei de novo no meu retrovisor, confusa. O carro dele ainda estava ligado, a porta esquerda aberta. Eu me estendi pela cabine pra abrir a janela. Eu abri até a metade, depois desisti, a janela estava velha de mais para abrir mais.

- Desculpa, Tyler, eu estou presa atrás de Cullen. – Praticamente cuspi o ultimo nome como se fosse uma praga do Tartáro.

- Oh, eu sei, eu só queria te perguntar uma coisa enquanto estamos presos aqui. – Ele sorriu largamente.

MERDA! Outro não!

Isso não podia estar acontecendo.

- Você vai me convidar para o baile de primavera? — Ele continuou. Reprimi um bufar irritado, bastardo presunçoso!

- Eu não vou estar na cidade Tyler. — Minha voz pareceu um pouco aguda com a irritação, o que me fez parecer ridícula! Algo a mais para a lista de motivos para matar um velho filho da puta.

- É, Mike disse isso. — Ele admitiu.

- Então por que... – Ele interrompeu minha pergunta irritada o que só fez minha raiva crescer ainda mais.

Ele encolheu os ombros. — Eu estava pensando que você só não queria machucá-lo. – Como se eu me preocupasse com os sentimentos de um Trouxa estúpido!

- Desculpe, Tyler. – Disse colocando minha mascara pesarosa novamente escondendo a irritação feroz atrás dela. Embora eu tinha certeza que meus olhos pareciam duas esferas negras com puro ódio. — Eu estou mesmo saindo da cidade. – Falei com o mesmo tom que falei com Mike e Eric.

- Tudo bem. Ainda temos o baile de fim de ano. – Reprimi outro bufar, fechando minhas mãos em punhos me impedindo de tentar sacar uma varinha, ou mesmo tentar lançar um feitiço sem varinha. Então novamente amaldiçoei o velho maldito ao lembrar que não podia usar magia.

Antes que eu retrucasse mal educadamente esquecendo todas as etiquetas puro-sangue, ele desapareceu da janela caminhando de volta para seu carro enquanto eu deixava cair a mascara colocando uma expressão irritada e insatisfeita. Eu olhei pra frente pra ver Alice, Rosalie, Emmett e Jasper todos entrando no Volvo. No espelho retrovisor dele, os olhos do Cullen estavam em mim. Ele estava inquestionavelmente se balançando de rir.

‘Maldito sanguessuga fofoqueiro e inútil!’ – Praguejei mentalmente.

Meu pé se aproximou do acelerador... Um empurrãozinho não ia machucar nenhum deles, ninguém podia me acusar de nada... Eu poderia dizer que escorreguei, com minha atual situação desastrada todos acreditariam... , só estragaria aquela pintura prateada do Volvo. Eu acelerei o motor vingativamente.

Mas eles estavam todos dentro, e o Cullen estava indo embora. Eu dirigi pra casa devagar, cuidadosamente, praguejando pra mim mesma durante o caminho inteiro.

Quando eu cheguei em casa, eu resolvi fazer enchiladas de frango pro jantar. Normalmente eu não cozinharia de boa vontade apesar de ter tido aulas de culinária, mas era um longo processo, e me manteria ocupada. Enquanto eu estava picando as cebolas e o chili imaginando-as como a cabeça do Cullen, o telefone tocou.

Era Jéssica, e ela estava exultante; Mike alcançou ela depois da escola para aceitar o seu convite. Depois de anunciar isso em um tom presunçoso ela disse tinha que desligar. Ela tinha que ligar pra Ângela e Lauren pra contar a elas.

‘Trouxa fofoqueira!’

Eu sugeri — com uma inocência falsa e casual- que talvez Ângela, a garota tímida que tinha Biologia comigo, podia convidar Eric. E Lauren, uma Jessica II, que sempre me ignorava na mesa do almoço, não que eu me importasse, era menos um trouxa inútil para me contaminar, podia convidar Tyler; e eu tinha ouvido dizer que eles estavam disponíveis. Jessica achou que essa era uma ótima idéia. Depois que eu desliguei, eu tentei me concentrar no jantar cortando o frango especialmente, imaginando novamente a cabeça do Cullen.

- Pai? — Eu perguntei quando Charlie já estava quase acabando de comer o jantar.

- Sim, Bella? – Reprimi uma careta para o apelido

— Um, só queria te dizer que eu vou pra Seattle no próximo Sábado... Tudo bem?- Eu estava relutante em pedir permissão para ele, afinal ele não tinha nenhuma autoridade na minha vida, mas ainda sim era bom manter-me às boas graças dele, afinal nunca se sabe quando eu posso precisar de algo dele.

- Por quê? — Ele pareceu surpreso, como se ele não pudesse imaginar algo que Forks não pudesse oferecer. Rolei os olhos mentalmente, eu podia pensar em uma lista que daria milhares de rolos de pergaminho sobre o que Forks não pode oferecer.

- Bom, eu queria ir pegar alguns livros a biblioteca daqui é bem limitada e talvez algumas roupas. – Merlin sabe que eu preciso me livrar daquelas roupas que o velho me mandou, eu precisava de roupas novas, mais escuras, menos largas e talvez eu encontre alguns livros razoáveis para leitura.

- Você vai sozinha? — Ele perguntou estreitando um pouco os olhos, provavelmente tentando descobrir se eu tinha um namorado secreto ou talvez se ele só estava preocupado por causa do carro inútil.

- Sim.

- Seattle é uma cidade grande, você pode se perder. — Ele disse, ainda não convencido, o que me trazia grande irritação.

- Pai, Phoenix é cinco vezes maior que Seattle e eu sei ler um mapa, não se preocupe. – Eu não era estúpida! Podia muito bem ler um mapa ou pedir informação se precisar.

- Você quer que eu vá com você? – Quase rolei os olhos para isso. Eu não precisava de babá.

- Está tudo bem pai. Eu provavelmente estarei em provadores o dia inteiro. – Persuadi.

- Oh, OK. — O pensamento de passar o dia inteiro sentado em lojas de roupas de mulher acalmou ele imediatamente. Bruxo ou não, ele ainda era homem e isso horrorizava cada um deles... Bem, pelo menos boa parte deles.

- Obrigada. – Me forcei a agradecer.

- Você vai estar de volta á tempo pro baile? – ARGH! Mais um falando sobre esse baile inútil!

- Não, eu não danço pai. – Não era exatamente uma mentira, se eu tentasse dançar agora provavelmente tropeçaria em meus pés.

- Oh, tudo bem.

Na manhã seguinte, quando eu estacionei a caminhonete no estacionamento da escola, eu deliberadamente estacionei o mais distante possível do Volvo prateado. Eu não queria cair em tentação e acabar fazendo ele merecer um carro novo. Saindo da cabine, eu deixei acidentalmente as chaves caírem numa poça aos meus pés. Praguejando baixinho, enquanto eu me abaixava para apanhá-las, uma mão branca pegou-as num flash antes que eu pudesse tentar.

Edward Cullen estava bem na minha frente, encostado casualmente na minha caminhonete.

- Como você faz isso? – Bufei já sabendo a resposta. O que esse sanguessuga irritante queria a essa hora da manhã?

- Faz o que? — Ele me passou as chaves enquanto falava. Quando eu ia apanhá-las ele jogou elas na palma da minha mão.

— Aparece do nada. – Cuspi com raiva. Esse inútil! Eu é que tenho nojo de tocá-lo afinal não quero me contaminar com essa sua sujeira morta-viva!

- Bella, não é culpa minha que você não é particularmente observadora. – Aí é que você se engana seu maldito!

Eu olhei para o seu rosto escondendo meu nojo e irritação em uma mascara fria e indiferente. Os olhos dele estavam claros hoje de novo, uma cor dourada da cor do mel, profunda.

- Porque aquela palhaçada no tráfego ontem? – Eu perguntei mais uma vez já sabendo a resposta. — Eu pensei que você devia estar me ignorando e não me irritando até a morte. – Quase rosnei a ultima parte.

- Aquilo foi pro bem de Tyler, não pro meu. Eu tinha que dar uma chance a ele.- Ele riu silenciosamente.

- Idiota! – Murmurei com raiva.

- Eu não estou fingindo que você não existe. — Ele continuou.

- Oh então você é um louco que fala com pessoas que não existem? – Zombei com desdém. — O que você quer Cullen? Me irritar até a morte? Já que Tyler não conseguiu terminar o trabalho?

A raiva transpareceu nos seus olhos. Os seus lábios se pressionaram até formar uma linha fina, todos os sinais de humor tinham desaparecido. Me senti internamente exultante ao conseguir tirar o sorriso estúpido de seu rosto.

- Bella, você é muito absurda. — Ele disse, sua voz baixa estava fria. Mil respostas grossas, frias, desdenhosas e humilhantes passaram por minha mente, mas eu não queria estragar meu disfarce então optei pela melhor opção.

Eu dei as costas e comecei a caminhar ignorando-o.

- Espere. — ele chamou. Eu continuei andando, caminhando furiosamente pela chuva, imaginando centenas de cenários em que eu o matava ou ao menos o torturava.

Infelizmente seus genes vampiros permitiam que ele me acompanhasse facilmente.

- Me desculpe por ser rude. — Ele disse enquanto andávamos. Eu o ignorei. Tentada a mostrar ele como realmente alguém podia ser rude. — Eu não estou dizendo que não é verdade. – Reprimi o impulso de mandá-lo queimar nas profundezas da prisão de Cronos. — Mas mesmo assim foi rude.

- Porque você não me deixa em paz? — Eu cuspi em um sussurro. – Afinal eu não existo e você está agindo como um louco que fala com pessoas imaginárias, isso tudo é solidão? – Cuspi com ferocidade.

- Eu queria perguntar uma coisa, mas você me desconcentrou. — Ele riu ignorando meu comentário mal educado. Ele parecia mesmo ter recuperado o bom humor.

- Você tem algum complexo de múltipla personalidade? — Eu perguntei severamente numa imitação fria e assustadora de Snape.

- Você está fazendo de novo.

- Faça logo a pergunta maldita e me deixe em paz Cullen. – Rosnei, eu ainda planejava me aproximar dele, mas não iria tão baixo à me humilhar.

- Eu estava imaginando se no Sábado da próxima semana você sabe, no dia do baile de primavera... – Minha mente estava inundada de milhares de palavrões e insultos.

- Você está tentando ser engraçado? — Eu interrompi me virando pra ele com um brilho de morte que faria Snape sair correndo com o rabo entre as pernas.

Seus olhos estavam divertidos, me dando a vontade de espancá-lo até que ele não estivesse nem um pouco divertido. — Será que você pode me deixar terminar por favor? – Rosnei incompreensivelmente juntando as mãos, entrelaçando os dedos numa tentativa de me impedir de fazer algo estúpido.

- Eu ouvi você dizendo que vai pra Seattle nesse dia, e eu estava imaginando se você quer uma carona. – Perguntou.

- Com quem? – Perguntei fingindo-me de confusa.

- Comigo, obviamente. — Ele pronunciou cada sílaba, como se estivesse falando com alguém mentalmente incapacitado. O que me fez com vontade de deixá-lo mentalmente incapacitado.

- Por quê? – Perguntei desconfiada de sua súbita mudança de comportamento.

- Bom, eu estava planejando ir á Seattle nas próximas semanas, e, pra ser honesto, eu não tenho certeza se o seu carro agüenta. – Uma coisa que concordamos, mas eu não admitiria isso em voz alta de forma alguma.

- Não. – Rosnei em sua direção dando-lhe as costas e começando a caminhar novamente.

- Mas a sua caminhonete consegue chegar até lá com um tanque de gasolina? – Ele insistiu acompanhando meu passo de novo.

- Eu não vejo como isso pode ser da sua conta. — Estúpido dono do Volvo brilhante.

- O desperdício de bens findáveis é da conta de todo mundo.

— Honestamente, Cullen, essa foi a desculpa mais patética que eu ouvi em toda a minha vida. – Disse com um tom condescendente. – E eu não estou conseguindo te acompanhar. Eu pensei que você não queria ser meu amigo. – Falei conseguindo retornar a racionalidade e agir mais objetivamente.

- Eu disse que seria melhor se não fôssemos amigos, não que eu não queria ser. – Quase rolei os olhos para isso.

- Oh, obrigada, isso esclarece tudo – Disse com sarcasmo pesado. Estávamos sob o teto da cafeteria agora.

- Seria mais... Prudente se você não fosse minha amiga. — ele explicou. — Mas eu estou cansado de tentar ficar longe de você, Bella. – Sem esperar uma resposta ele continuou. — Você vai pra Seattle comigo? — Ele perguntou.

Reprimindo a vontade de negar veemente eu apenas assenti não confiando no que sairia da minha boca.

- Você realmente devia ficar longe de mim. — Ele avisou. — Te vejo na aula.

Ele se virou abruptamente e caminhou pra o lugar de onde tínhamos vindo.

‘Sanguessuga bipolar!’

Fim do Capitulo.