Notas iniciais
Oiiii, tudo bem?? Ebaaa, leitores novos!! Reviews das minhas queridas!! Que maravilha. Hahahaha Obrigada pelo apoio, lindas! Espero que gostem

– Ouvi dizer que você levou um fora.

– Cala a boca, Gabriel. Aquela garota vai ver só.

– Cara, quer, por favor, deixar a Mariana quieta?

– Por que te interessa o que eu faço ou deixo de fazer com ela?

– Porque a Cintia não vai ficar feliz se você continuar com essa palhaçada. Ou seja, ela vai me culpar e eu te mato se ela não ficar comigo por culpa da tua incompetência!

– Quer dizer que agora eu sou incompetente?

– É lógico. Você não consegue ganhar aquela gata com seu charme de segunda categoria, mas não aceita isso.

– Gabriel, cala a boca. Já ganhei todas, ela é só mais uma.

– Ela não é igual as outras, idiota. Não sei se você percebeu, mas ela não quer ficar com ninguém; não quer transar com ninguém. Não sei nem se aquela garota não é mais virgem.

– Se ela for, quer apostar que vai perder comigo?

– Você ta apostando a porra da virgindade da menina?! Seu otário. Não, não vou apostar contigo porque eu não sou cuzão.

– Você não vai apostar comigo porque tem medo que eu consiga.

– Cara, sério, cala a boca. Larga a mão de ser estúpido.

– Ui, bravinha.

– Me chupa, Rafael.

– Gosto de outra fruta, gata. Desculpa.

Gabriel veio pra cima de mim e eu me defendi. Não estamos realmente brigando, porque ambos rimos. Mas os socos de brincadeira dele, doem pra valer.

– Ai caralho! Vai ficar roxo agora! — eu sei que pareço uma menininha reclamando por ter recebido um soco no braço, mas não foi intencional

O problema é que na hora que eu falei isso, Mariana estava passando do meu lado com Cintia. Elas começaram a gargalhar e me zoar. Até perderam o fôlego. Lógico que Gabriel não ficou atrás na zoação e foi falar pra todo mundo que eu sou viado.

Virei as costas e saí batendo o pé. Senti um braço puxar o meu e me virei, dando de cara com Gabriel.

– O que que você quer agora, cacete?

– Eita, relaxa aí. Disse que ia te ajudar no negócio da Mariana. Ta lembrado?

– É, mas logo depois discutiu comigo pelo mesmo motivo.

– Eu sei, mas não deixo um amigo na mão. E aí? Quer ajuda ou não?

– Ta, fala aí.

– Dorme lá em casa hoje. Cintia convidou as meninas para uma festa do pijama, e todas vão. Todas.

Cintia é vizinha do Gabriel. Literalmente, a janela do quarto dele tem a visão do quarto dela. Desgraçado sortudo.

– Todas mesmo? Mariana inclusive?

– Lógico que sim, idiota. Por que mais eu te chamaria?!

– Sei lá, não pensei antes de falar. Enfim, só vou pra casa pegar umas coisas e depois passo lá na tua casa, falou?

– Fechou.

Comecei a andar de volta para casa. Não moro muito longe da escola, uns 20 minutos a pé, mais ou menos. Eu nunca presto atenção nas pessoas durante o caminho, gosto de olhar os prédios e os carros. A não ser que tenha uma menina linda de morrer passando por mim. Isso sim chama a minha atenção.

Ouvi uma voz fina cantar baixinho à minha frente. Me distraí um pouco dos carros passando e olhei para a dona da voz. Ela estava com uma calça jeans escura, justa em suas pernas e bunda esculturais. Usava um Vans vermelho, uma mochila azul escura. E uma camiseta do uniforme do meu colégio. Olhei bem para aquela figura à minha frente e percebi seus cabelos loiros, que mais cedo estavam soltos, agora em um coque (acho que esse é o nome, pelo que ouvi minha mãe dizer uma vez).

Ela está cantando "Dark Paradise" da Lana Del Rey. Reconheci a música do iPod de minha irmã mais nova.

Everytime I close my eyes

It's like a dark paradise

No one compares to you

I'm scared that you won't be waiting on the other side

Sua voz é bem bonita, na verdade. Afinada. Gostei.

Me aproximei dela e percebi que estava com os fones de ouvido no último volume, então não me ouviria falar. Me arrisquei e puxei um de seus fones.

– Puta que pariu! — ela gritou dando um pulo de susto

– Desculpa te assustar. — me desculpei

– Ta louco?! Isso não se faz, seu idiota! — ela puxou seu fone de volta e tirou o outro do ouvido — O que você quer agora? Ta me seguindo?

– Eu não. To indo pra casa. Mas nunca te vi por aqui.

– Sorte a minha. — ela voltou a andar e me deixou sozinho

– Ei, espera aí, Mariana! — corri atrás dela e puxei seu braço

– O que você quer, Rafael?

– Posso te acompanhar até sua casa? Já que, pelo visto, é o mesmo caminho.

Ela me olhou de cima a baixo e pensou um pouco, depois deu de ombros e voltou a andar. Aceitei isso como um "tudo bem" e fui atrás dela. Andamos por um tempo sem falar nada, até que ela voltou a cantarolar, bem baixinho, mas eu ouvi.

– Sua voz é muito bonita. — comentei como quem não quer nada

– O quê?

– Ouvi você cantar.

– Ah. — ela corou — Ãhn, obrigada, eu acho.

– Foi um elogio.

– Eu sei.

Incrível como ela consegue acabar com o assunto tão facilmente.

– Por que você não gosta de conversar comigo?

– Não é isso, Rafael. Eu não sou de conversar com ninguém que não tenha intimidade. Não é pessoal.

– E como você cria intimidade sem conversar?

– Eu analiso a pessoa. Suponho o que posso e o que não posso contar a ela.

– Você analisa a pessoa?! — perguntei, arqueando uma sobrancelha

– Sim.

– E o que você analisou sobre mim? — falei, malicioso

– Eu quis dizer que analiso a personalidade da pessoa, idiota. O que significa que não deu pra te analisar. Já que você não tem uma identidade própria.

– Ai, essa doeu.

– Mais do que o soco do Gabriel? — ela começou a rir da minha cara

– Nossa, to me sentindo ofendido.

Ela não parou de rir. Na verdade, acho que meu comentário piorou seu ataque de risos. Passou alguns minutos rindo e logo ficou ofegante, parando de andar e apoiando as mãos nos joelhos para recuperar o fôlego.

– Ai caralho. Nunca achei que fosse tão engraçado zoar com a sua cara. Se soubesse, teria feito isso antes. — ela comentou, voltando a andar ao meu lado

– Bom saber que eu te divirto. — falei e sorri amarelo

– Quer saber o que eu analisei sobre você? — assenti e ela continuou — Você é o pegador da sala. O cara que toda menina quer ficar, se ainda não ficou. Vive de aparências. Nunca enfrentou um desafio na vida. Acredita que tudo vem facilmente só porque tem dinheiro e é bonito-

– Espera, você falou que eu sou bonito? — a interrompi

– Não caio na sua, mas não sou hipócrita.

– E, toda menina quer ficar comigo?

– A grande maioria sim.

– E você faz parte desse grupo?

– Nem fudendo. Como eu disse, não caio na sua. Você é superficial e eu gosto de conteúdo. — ela piscou e dobrou a esquina, entrando em uma das primeiras casas da rua

Pisquei, atônito. Ela tinha me xingado, então me elogiado, então me xingado de novo. Voltei a andar, ainda meio confuso, e cinco minutos depois estava em casa.

Fui para o meu quarto, coloquei uma roupa mais confortável, arrumei uma mochila para passar a noite na casa de Gabriel, escrevi um bilhete avisando onde estaria e deixei na geladeira, então saí de casa novamente.

Pensei em passar na casa de Mariana e acompanha-la até a casa de Cintia, mas achei melhor não. Mas mesmo que eu fosse fazer isso, não seria necessário, porque dois minutos depois, ouvi sua voz cantando "Dark Paradise" de novo.

And there's no remedy for memory

Your face is like a melody

It won't leave my head

Your soul is hunting me and telling me

That everything is fine

But I wish I was dead

Ela passou por mim e nem me notou. Estava correndo. Mas não como se estivesse atrasada para um compromisso. Estava correndo para se exercitar.

"Ah, então é assim que ela mantém esse corpinho escultural!"

Pensei em ir atrás dela, mas fiquei na minha. Ela com certeza acharia que eu estava a perseguindo, o que era verdade, mas ela não precisava saber.

Notas finais
E aí? Gostaram? Não se esqueçam de comentar! Beijos, até a próxima