Is she a Barbie girl?
18 Capítulo 18
Notas iniciais
Acabei de me arrumar, me olhei no espelho e fui para o quarto ao lado. Bati na porta e a abri.
– Mari? Está pronta?
– Só um minutinho. Me espere lá na sala.
– Ta bom.
Desci e encontrei Victor sentado no sofá, já pronto para sair também.
– E aí? A madame vai demorar muito? — ele perguntou, irônico
– Ela disse que já vinha.
– Sei...
– E a menina que você conheceu ontem?
– Que que tem?
– Ela vai com a gente hoje? Encontro duplo? — ri, sarcástico, mas quero saber mesmo
– Sim. — ele riu também — Ainda não me acostumei com vocês dois juntos.
– Ué, já estávamos juntos antes.
– Não assim. Ficar é uma coisa, mas vocês estão namorando agora. Coisa séria, né?
– De certo modo, é. Mas eu meio que já sentia que estávamos juntos, mesmo sem estarmos.
– Não vai magoa-la, certo?
– Não, se eu puder evitar.
– E se não puder?
– Olha, Victor, vou falar a real aqui pra você, ta bom? — ele assentiu — Eu to apaixonado pela Mari, entre magoa-la e me magoar, eu prefiro me fuder mesmo. Honestamente, ela é uma das pessoas mais importantes pra mim e, por mais babaca que eu seja e tudo mais, eu realmente quero cuidar dela.
– Bom saber. — ele sorriu
Mari desceu nessa hora e, como sempre, fiquei boquiaberto com sua beleza. Estranho pensar que aquela garota era minha namorada. Sorri comigo mesmo e me levantei, andando até ela.
– Está maravilhosa. — falei e ela corou
– Obrigada. — ela respondeu, abaixando o rosto
– Aê, pombinhos, vou na frente pra encontrar com a Bruna, viu? — ouvi Victor se pronunciar atrás de mim
– Falou. — respondi, ainda olhando para Mari
Ouvi a porta se fechar, mas não me mexi. Nem ela.
– Rafa... Ta ficando estranho isso. Se você não demonstrar reação, vou chamar uma ambulância. — ela falou, corando novamente
– Me deixa admirar minha namorada, por favor?!
Seu rosto se iluminou. Ela abriu um sorriso enorme, branquíssimo, para mim. A puxei pela cintura e grudei nossos lábios. Senti seus dentes puxando meu lábio inferior e não contive um gemido. Ela riu e se afastou de mim.
– Vamos.
– Tem certeza que não quer ficar em casa? Afinal de contas, estaremos sozinho... — falei, malicioso, me agarrando mais à ela
– Vamos! — ela falou rindo, me deu um selinho e me puxou pela mão para fora de casa
Fomos em direção ao restaurante que jantaríamos com o Victor e a Bruna. Estamos de mãos dadas e eu posso sentir a aliança em seu dedo entrelaçado aos meus. Sorri com esse pensamento e mexi na minha aliança.
– Se arrepende? — ela me perguntou e vi que ela olhava para meus dedos mexendo em minha aliança
– De jeito nenhum. Foi a melhor coisa que já fiz. — sorri e ela me retribuiu
Chegamos ao restaurante cinco minutos depois. Olhei para frente e vi que tinha um palco lá. Karaoke. Ri comigo mesmo.
– O que? — ela me perguntou
– Karaoke?
– Não gosta?
– Nunca cantei na frente de ninguém.
– Não precisa ir lá. Mas eu vou! — ela falou sorrindo
– Amo ouvir você cantar.
– Então eu cantarei sempre.
Beijei seus lábios novamente, com minhas mãos em sua cintura e as suas em meus cabelos.
– Eita, não conseguem deixar as mãos longe um do outro?! — a voz sarcástica do Victor apareceu ao fundo
– Idiota. — Mari o xingou, ainda com a mão em minha nuca, me fazendo carinho — Oi, você deve ser a Bruna. — ela falou, me soltando e dando um beijo na bochecha da garota que está ao lado de Victor
– Oi. — ela respondeu, tímida
– Não sei se esse idiota te falou. Meu nome é Mariana, a irmã dele. Esse é meu namorado, Rafael.
Bruna sorriu e me cumprimentou. Ela deve ter uns 19 anos, é morena com olhos castanhos, mais baixa do que a Mari. Bonita, não posso negar.
Mari pigarreou, parecendo desconfortável.
– Vamos sentar? — falou, impaciente
– Claro. — respondi e abracei sua cintura
Ela está com ciúmes da Bruna? Impossível. Beijei seu ombro à caminho da nossa mesa. Ela tentou me afastar, então tive minha confirmação. Ciúmes.
– Você é linda, sabia? — falei em seu ouvido
– Ah, agora eu sou linda?! — ela deu ênfase no "eu" — Vai lá elogiar a Bruna. — sussurrou essa ultima parte
– Vish Bru, acho que estamos presenciando a primeira DR do casal. — Victor, que está sentado na minha frente, comentou sarcástico
– Victor, se você valoriza o que você guarda dentro das calças, é melhor calar a boca. — Mari o ameaçou
Victor riu, mas se manteve quieto. Passei meu braço pelos ombros de Mari, mas ela o tirou de lá.
– Com licença. — falei levantando e puxando Mari comigo — Mari, o que foi?
– Nada. Vai lá, admirar a Bruna.
– Mari, que ciúmes besta. Sério. Só tenho olhos pra ti.
Ela suspirou e abaixou a cabeça.
– Desculpa. Não me importo se você olhar para outras mulheres, mas sei lá. A Bruna é tão... Acessível.
– O que quer dizer?
– Quero dizer que se uma mulher passar do seu lado no meio da rua, não vou me importar se você olhar porque sei que a probabilidade de você ficar com ela é quase nula. Mas não é assim com a Bruna. Ela ta muito perto de ti, muito fácil. Se você quiser, é só estender a mão e pronto, pegou ela. Sabe?
– Não sei se entendi exatamente o que você quer dizer.
– Ta, imagina que quando a gente sair do restaurante, vai ter um cara super gato passando na rua. Eu olho. Agora imagina que eu fique olhando pro Lucas. Entende a diferença agora?
– Entendo. — suspirei e abri um sorriso de lado, abraçando sua cintura — Desculpe. Não quis te desrespeitar.
Mari sorri e se inclina para me dar um selinho. Sinto seus dedos em minha nuca, acariciando novamente.
– Isso é muito bom, sabia? — comentei de olhos fechados
– Que bom que gosta. — ela riu
– Podemos voltar para a mesa?
Ela assentiu, envergonhada. Voltamos de mãos dadas e nos sentamos.
– Resolveram? — Victor perguntou, sarcástico
– Sim. Me desculpem pela cena. — Mari se desculpou
O garçom chegou e fizemos nossos pedidos. Conversamos sobre banalidades, conhecemos mais uns aos outros. Descobri que Bruna também canta, mas tem vergonha.
– Vai lá! Sobe lá no palco! — eu a incentivei
– Ah, não...
– Vai, Bru! Tenho certeza que sua voz é linda e você vai arrasar! — Mari também está tentando convence-la
– Eu não quero ir sozinha.
– A Mari vai com você então. — Victor se pronunciou
– Ta bom. Se quiser que eu vá junto, eu vou. — minha garota sorriu
– Vamos então?
– Claro! Quer cantar o quê?
– Ãhn... Sugestões?
– Sabe "Summertime Sadness" da Lana Del Rey?
– Sim! Amo essa música!
– Então, vamos lá.
Mari me dá um selinho e se levanta, andando toda animada para o palco. Olho ao redor e vejo que a maioria dos homens do restaurante está olhando para a bunda dela. Meu sangue ferve e eu fecho as mãos em punho, tentando me controlar.
– Ciúmes? — Victor me perguntou
– Você já viu o tanto de macho olhando pra elas?!
– Já, cara, e sinto em te dizer que você não pode fazer nada a respeito. Concentra aí só na Mari e esquece o resto.
Respiro fundo e tento fazer o que ele mandou. Bruna começou cantando e Mari tinha razão; a voz da garota é espetacular. Não tanto quanto a da minha namorada, mas é bonita sim. Gostosa de se ouvir.
Oh, my God, I feel it in the air
Telephone wires above
All sizzling like you stare
Honey, I'm on fire
I feel it everywhere
Nothing scares me anymore
Assim que ouvi a voz de Mari, me acalmei e abri um sorriso enorme. Seus olhos estão nos meus e parece que ela está cantando só para mim, o que me alivia. De repente, nada mais importa. Só eu e ela. Só nós.
I just wanted you to know
That baby your the best
I got that summertime, summertime sadness
Got that summertime, summertime sadness
I got that summertime, summertime sadness
Realmente amo quando ela canta. Amo sua voz, amo sua paixão por cantar evidente em seus olhos... Amo absolutamente tudo.
Reflito, por um momento, sobre "amar" algo. E decido que é isso. Talvez seja mais do que paixão com a Mari. Talvez seja amor, de fato.
I'm feeling electric tonight
Cruising down the coast
Going 'bout 99
Got my bad baby by my heavenly side
I know if I go, I'll die happy tonight
Sorrio novamente e brinco com a aliança em meu dedo. Sim, serei seu sapo, seu príncipe, ou o que quer que ela precise que eu seja. Por ela, vale a pena essas pequenas mudanças.
Kiss me hard before you go
Summertime sadness
As garotas acabaram de cantar e nós nos levantamos para aplaudi-las em pé. Assobiei, aplaudi e gritei, tudo para a minha garota. O restaurante inteiro está em pé, aplaudindo as duas. De longe, vi que Mari corou e veio direto para a nossa mesa.
– Vocês foram ótimas! — Victor elogiou quando as duas estavam de volta
– Foram mesmo! Maravilhosas! Parabéns! — falei, abraçando a Mari — Você foi perfeita. — sussurrei em seu ouvido e ela estremeceu em meus braços
– Só pra você. — sorriu para mim
Me inclinei e encostei meus lábios naquela boca vermelha e carnuda.
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