Notas iniciais
Aaaaaai meu Deus!! Esse é o melhor cap de todos, até agora!!! Sem spoilers por aqui, mas na moral, eu gostei demais!! Espero que vocês também gostem

– Manhê! — gritei do meu quarto

– Ai meu Deus, menino. O que foi? — ela apareceu, exasperada, na minha porta

– To bem? To bonito?

– Ta lindo, filho. Ta nervoso?

– Um pouquinho.

– Ah, Rafa, primeira namorada é assim mesmo.

– Mãe, ela ainda não é minha namorada...

– Mas vai ser?

– Sei lá. Acho que sim.

– Você acabou nem me contando como ela é... Fala agora.

– Ah, mãe, já to nervoso o suficiente.

– Desembucha, moleque.

– Ta. Ela é mais baixa do que eu, magrinha, cabelão loiro, olhos verdes, sorriso branquinho...

– Uma Barbie?

– É, fisicamente parece mesmo. Hum... Tem um gênio forte, é inteligente. Ah, mãe, sei lá. Ela é um amor de pessoa. Você vai gostar dela.

– To ansiosa, filhão! Meu bebê ta apaixonado... Que emoção! — ela fingiu limpar uma lágrima

– Sua falsa! — eu ri e ela me acompanhou — E, mãe, pára de falar com o Gabriel, viu? — ela me olhou, desentendida — Só ele te falaria que eu to apaixonado.

Ela riu novamente e eu sorri.

– Acha mesmo que eu to bonito?

– Rafa, sempre acho que você ta um gato. Sou suspeita pra falar. Pergunta pra tua irmã.

– Ela vai falar que eu to feio.

– Não acredita nela.

– Olha, mãe, me ajuda. Como eu apresento ela pro meu pai? Minha amiga? Minha namorada?

– Você sabe que teu pai vai te encher o saco se você falar que é "amiga". Ele vai insistir que você ta comendo ela, e o jantar vai acabar ficando desconfortável.

– Mas o que ela vai achar se eu apresentá-la como minha namorada?

– Não sei, filho. Vai de você.

– Ta bom. A campainha toca e minha mãe me olha.

– É ela?

– Não. Falei que eu ia buscá-la.

– Ah, boa moleque! — ela me deu um soquinho no ombro e riu — Vou lá abrir pro teu pai. Não acha melhor já ir na casa dela?

– É, já vou sair.

Passei meu perfume e desci atrás da minha mãe. Ela abriu a porta e logo vi meu pai.

– Boa noite, Pedro. Sheila. — minha mãe os cumprimentou

– Boa noite, Camila.

Meu pai e sua namorada entraram na casa depois de cumprimentar minha mãe.

– E aí, pai. Oi Sheila.

– Fala, garoto. Eita, onde vai todo engomadinho?!

– Não enche, pai. Vou buscar uma pessoa que vai jantar com a gente. Até já. — me despedi de todos e andei até a casa de Mariana

"To no caminho pra tua casa."

"Já desço."

Guardei o celular. A noite estava agradável. Dois minutos depois, eu já estava na esquina da rua da Mari e a vi sair de casa.

– Oi, Mari. — a cumprimentei

– Boa noite, Rafa.

Dei um beijo no canto da boca dela. A vi corar e abaixar a cabeça.

– Aliás, está linda.

– Obrigada. Você também não está nada mal. — ela piscou para mim e voltou a andar, em direção à minha casa

– Ah, obrigado pelo elogio. — eu ri, sarcástico e ela riu de mim — Olhe, preciso te alertar... Não ligue nem acredite no que minha irmã fala, viu? Ela tem uma imaginação fértil e faria de tudo pra fuder com a minha reputação.

– Ta bom. — ela riu novamente

– Ãhn, Mari?

– Sim?

– Você se importa se eu te apresentar como minha namorada pro meu pai? É uma longa história...

Ela parou de andar por um segundo, mas logo se recuperou. Acho que ouvi sua respiração se descompassar.

– Ah, ãhn, aham. À vontade. — ela respondeu, meio sem graça

– Não se preocupe. Não precisa me beijar nem andar de mãos dadas comigo. É só que ele vai perguntar quem você é, e se eu falar que é uma amiga, ele vai insistir que eu to te pegando... Enfim, só é mais fácil se eu mentir dessa vez.

– Ta tudo bem, Rafa. Pode me usar como namorada essa noite.

– Obrigado. — eu sorri e ela me retribuiu

Chegamos à minha casa e eu abri a porta, deixando-a passar primeiro. Entrei também e fechei a porta atrás de mim. Ouvi a voz de minha mãe na cozinha.

– Oie?! — chamei

– Já voltou, filho? — minha mãe falou, vindo para a sala — Ah, olá. — ela sorriu, simpática para Mariana

– Mãe, esta é Mariana. Mari, esta é minha mãe, Camila.

– É um prazer te conhecer, senhora Gutenberg.

– O prazer é meu, querida. Me chame de Camila, por favor. — elas sorriram uma para a outra e meu pai, sua namorada e minha irmã apareceram na sala também

– Pai, Sheila, Miranda, esta é Mariana.

– Achei que você traria sua peguete. Jéssica, né? — minha irmã comentou

– Cala a boca, Miranda. — a repreendi

– Mas que isso, menino?! Pegando duas de uma vez?! — meu pai perguntou, surpreso

Pelo rabo do olho, vi Mariana sorrir de leve. Ela deve estar se divertindo ao ver essa situação.

– Não, pai. Jéssica não é minha "peguete". — fiz aspas com os dedos

– Mas Mariana é?

– Pai, Mari é minha namorada, está bem? Podemos jantar, agora?

Todos ficaram em silêncio por um instante, me encarando. Minha mãe sorriu. Meu pai e Miranda estão boquiabertos. Sheila não se importou com a minha falsa declaração. E Mari... Ah, Mari... Esta me impressionou. Entrelaçou seus dedos aos meus. Senti uma corrente elétrica passar por meu corpo e minha mão formigou. A puxei para a cozinha, passando por todos ainda em choque.

– Obrigado. — sussurrei em seu ouvido, quando já estávamos na cozinha

– Não tem de quê. — ela respondeu no mesmo tom de voz

Nos sentamos à mesa assim que os outros chegaram. Eu, à minha direita, Mari, na minha frente, meu pai, ao seu lado, Sheila. Minha mãe e irmã estavam cada uma em uma ponta da mesa.

– Há quanto tempo estão namorando? — meu pai perguntou

– Pai... — eu o repreendi, mas fiquei surpreso por ouvir uma voz doce por cima da minha

– Duas semanas.

– Já disseram "eu te amo"? — Sheila se intrometeu com cara de sonhadora

– É muito cedo né, Sheila?! — eu falei ficando corado

– O coração que diz se é cedo ou não.

– Na verdade, eu acho que o coração já sabe o que sentimos um pelo outro. O problema é o cérebro decifrar esse sentimento. Porque é como se o coração e o cérebro falassem línguas diferentes. O cérebro tem que traduzir esse sentimento para um pensamento racional. E é isso que leva tempo. — Mari e suas teorias loucas

– Ótima explicação, Mari. Concordo plenamente! — minha mãe se manifestou

– Alias, a comida está uma delicia, Camila!

– Ah, obrigada! Pelo menos alguém gosta da minha comida. — minha mãe me fuzilava

– Nem vem, manhê. Sempre elogio seus dotes culinários.

Mariana deu uma risadinha. Continuamos comendo sem dizer nada. Até minha irmã interromper esse sossego.

– Como está a Jessica?

– Ela está bem. Somos grandes amigas. — Mari respondeu por mim, com um sorriso no rosto

Eu ri baixinho. Até mesmo quando ela é rude com alguém, ela é um amor.

Acabamos de comer e minha mãe se levantou para lavar a louça. Mari foi logo atras e desapareceu na cozinha. Eu imaginei que Sheila ou Miranda iriam junto, mas me enganei. Ao invés, eu mesmo me levantei e fui ajudá-las.

Cheguei na porta da cozinha e elas estavam rindo. Parei por um instante para ver do que falavam.

– Me fale a verdade, Mari. Vocês estão namorando? — minha mãe perguntou

– Não... Por quê? Dá pra ver que é mentira?

– Não, não. Justamente o contrário. Antes do Rafa sair daqui pra ir te buscar, perguntei a ele se vocês estavam mesmo namorando. Ele disse que não. Mas, sei lá, a química de vocês é tão evidente que eu até achei que ele tivesse mentido para mim.

– Ah. — ela corou e se concentrou em secar a louça

– Você é a primeira garota que ele traz aqui em casa, sabia? — ela negou e minha mãe continuou — Bom, você sabe a reputação dele... Até eu sei. Mas ele nunca trouxe ninguém aqui. Conheço algumas das garotas de vista, mas nunca conversei com nenhuma delas. Na verdade, acho que elas nem sabem onde ele mora.

Isso ai, mãe! Me ajuda nessa situação!

– Por que você acha que ele me convidou?

– Eu achei que você já teria entendido. Pelo que ele disse, você é inteligente, não? Já deve saber o motivo de estar aqui.

– Ah, mas... Sei lá. Sem ofensas, mas eu não quero ser só mais uma que ficou com o Rafael.

– Você já não é só mais uma. Ele já te trouxe aqui. Você é mais especial do que as outras. Além do que, se ele te tratar como "só mais uma" eu acabo com a raça desse moleque. Não foi assim que eu o ensinei a tratar as mulheres. Ele aprendeu isso com o traste do pai dele.

– Ele raramente fala da família.

– É. A nossa família não é perfeita como ele gostaria. Ele já te contou do primo militar?

– Não. O que aconteceu?

– Eles eram praticamente irmãos, desde criança. E, um dia-

– Oi mãe, quer ajuda? — a interrompi

Não gosto desta história. Se a Mari vai ouvi-la, sou eu quem vai contar.

– Ah, você me assustou, Rafa! Claro, pode guardar a louça.

Ficamos em silêncio enquanto trabalhávamos. Quando acabamos, fomos todos para a sala e nos sentamos nos sofás. Eu estou entre minha mãe e Mari. No sofá da frente, meu pai está entre Miranda e Sheila.

Não encostei em Mari, por respeito à ela mesma. Por mais que meu pai achasse que ela é minha namorada e por mais que eu quisesse estar abraçado à ela, não posso desrespeita-la desse jeito. Meu pai ficou nos encarando, assim como minha irmã. Eles sabiam que algo estava errado. Como um casal de adolescentes não está grudado um no outro?

– Vocês brigaram? — Miranda perguntou

– Não. — Mari respondeu e se acomodou mais perto de mim, segurando minha mão

Sorri internamente com esse ato. Minha irmã deu de ombros e meu pai arqueou as sobrancelhas.

– Então, Mariana, você quase não falou sobre você. Mora com seus pais? Tem irmãos? — meu pai parece interessado demais na minha "namorada"

– Meus pais são divorciados e eu moro com meu pai-

– Viram só, Rafael e Miranda?! Por que não morar comigo?

– Minha mãe mora em Nova York. Ela é estilista. — Mari continuou, apesar da interrupção de meu pai — Tenho um irmão mais velho.

– Ele mora com você e seu pai?

– Não. Ele é médico do exército. — ela abaixou o olhar, contendo as lágrimas, tenho certeza

Soltei sua mão e passei meu braço por seus ombros, puxando-a para mais perto de mim. Virei o rosto e dei-lhe um beijo no topo da cabeça. Ela me olhou nos olhos e um sorriso brincou em seus lábios vermelhos.

– Bom, está ficando tarde. Acho melhor eu te levar de volta para a sua casa. — falei alto o suficiente para todos ouvirem, porém me dirigi à Mari

Ela simplesmente assentiu e se despediu de todos. Avisei minha mãe que voltava logo e segui com Mariana para a casa dela.

– Obrigada por me convidar, Gutenberg. Foi legal.

– Me desculpe por qualquer coisa, sério! Me desculpe pelo meu pai e pela minha irmã!

– Sem problemas. — ela sorriu de leve para mim

– Como vai seu irmão? Conseguiu se encontrar com ele?

– Eu o vi uma vez depois do meu pai expulsa-lo de casa. Não é fácil fugir do meu pai.

– Quer ir ao shopping amanhã?

– Nossa, mudança brusca de assunto. Ãhn...

– Não, não é isso. Você fala pro seu pai que vai comigo ao shopping, mas na verdade vai encontrar seu irmão.

– Já pensei nisso. Mas meu pai insiste em me levar. Ele é muito desconfiado.

– Então eu venho te buscar, vamos ao shopping e você pede ao Victor para te encontrar lá. Aí vocês ficam juntos e na hora de voltar, eu te trago para casa.

– Mas você vai perder seu sábado.

– Lógico que não. Estarei fazendo minha boa ação do dia e ainda posso ir ao cinema.

– Sério mesmo? Tem certeza que quer me ajudar?

– Claro que sim. Passo para te pegar às 15h.

Senti seu corpo magrinho se chocar ao meu, num abraço. Ela apertou seus braços em meus ombros e eu a segurei pela cintura.

– Obrigada! — ela sussurrou no meu ouvido

Estremeci. Apertei mais seu corpo contra o meu e afundei meu rosto na curvatura de seu pescoço. Suas unhas acariciavam minha nuca, o que me fez estremecer novamente. Virei o rosto e deixei meus lábios acariciarem a pele macia de seu pescoço.

Nos afastamos depois de alguns segundos, mas não tirei minhas mãos de sua cintura, assim como ela manteve as mãos em meu pescoço. Seus olhos estão brilhantes.

Me aproximei lentamente até quase encostarmos nossos narizes, então parei. Não sei se ela quer me beijar. Não sei se esse momento significa para ela, o mesmo que significa para mim. Não me afastei, mas não me aproximei mais. Alternava olhares entre seus olhos e seus lábios.

Mari lentamente se aproximou mais de mim e roçou seus lábios nos meus. Não me aguentei e devorei sua boca ferozmente. Sua língua é macia e o gosto de seu beijo é melhor do que eu imaginava.

Sei que agora ela se tornou minha droga. A cada minuto que passo com ela, preciso de mais. Nunca estarei satisfeito de sua companhia, muito menos de seus beijos.

Notas finais
Awwwwwwwwwn, quem gostou??? Não se esqueçam de comentar! Beijos, até a próxima