Is she a Barbie girl?
8 Capítulo 8
Notas iniciais
– Eu não posso fazer isso, cara!
– Por quê?!
– Velho, namorada? Futuro?
– Foi o que a Cintia me falou.
– Você me conhece. Acha mesmo que eu sou capaz de namorar alguém?!
– Por que não, Rafael?
– Porque eu nunca fiz isso antes. Não sei como é. Não sei o que fazer.
– Tem uma primeira vez pra tudo...
– Não sei nem o que eu sinto por ela! E se tudo o que eu quiser é pegar a menina?! Vou me amarrar em alguém que eu não quero nada além de diversão. Pior: vou traí-la e ela vai sair magoada.
– Ah, ta pensando no bem estar dela?
– Lógico. Querendo ou não, ela ta se tornando cada vez mais especial pra mim. — pensei um pouco — Ta, vai, o que a Mariana falou pra Cintia?
– Falou que queria um namorado romântico.
– Literalmente?
– Não né, idiota. Já te falei tudo o que a Cintia me disse.
– Ta, ta.
– Você ta considerando isso, não ta?
– Hum?
– Ta considerando essa ideia de se tornar o namorado da Mari!
– Ah, cara...
– Não, não. Isso é uma coisa boa. Tu ta apaixonado, cara!
– Como pode dizer isso?!
– Velho, por qual menina você consideraria se tornar namorado, a não ser aquela que você ta apaixonado?
– E o que eu faço?
– Primeiro, admite pra si mesmo que ta apaixonado por ela.
– Eu to gostando dela. Feliz?
– Estonteante. Agora, prova pra ela que tu gosta dela.
– Como eu faço isso?
– Sei não, cara. Faz uma serenata, um poema, sei lá.
– Larga a mão de ser idiota! — ele riu
– Ta certo... Mas ela quer um cara romântico, velho. Jantar à luz de velas?
– Não pode ser só um cinema?
– Cinema não é romance. Sério. Por mais clichê que seja, não é romântico o suficiente pra Mari. Eu acho, né.
– Ta, eu penso em alguma coisa.
Olhei pela janela e tive a visão do quarto de Cintia, com duas garotas sentadas no centro do quarto, conversando. Mariana já estava de pijama, assim como Cintia, mas eu só olhava para Mari. Com seu shorts larguinho, mostrando praticamente a coxa inteira e uma parte da bunda. A camiseta justa, evidenciando sua cintura fina.
Ela, de repente, se virou e olhou para mim. Me pegou em flagrante. Droga. Me senti corar, mas não consegui desviar o olhar. E ela também não desviou. Depois de alguns segundos, ela sorriu e eu senti meus lábios se curvarem para cima, dando um sorriso amarelo.
– Você ta apaixonado. — ouvi Gabriel falar e me virei para encara-lo
– Como você sabe?
– Só por te ver sorrindo desse jeito bobo para ela.
– Ah, cara. Nunca pedi pra me apaixonar.
– É, mas agora aconteceu e você tem que lidar com isso. Prefere fazer isso com ela ou sem ela?
– Prefiro organizar meus sentimentos primeiro. Depois eu vejo o que vou fazer.
Paixão é uma coisa estranha. Se é que é isso mesmo que eu estou sentindo. Nunca senti nada parecido... Eu gosto de conversar com Mariana, quero falar mais com ela, quero ouvir sua risada, suas teorias, quero senti-la perto de mim, quero até mesmo sentir seus tapas e socos. Não posso dizer que dependo dela para viver, mas eu estou mais feliz desde que me tornei seu amigo. Até consigo me imaginar sem ela, mas com certeza ficaria mal humorado e ranzinza por alguns dias. Talvez semanas.
Isso é amor? Querer passar o tempo com uma pessoa? Gostar de ouvi-la falar, até mesmo as besteiras e coisas sem sentido? Querer sentir a pele dela na minha? É, talvez seja.
Meu celular tocou, me tirando de meus devaneios.
– Alô? — atendi sem ver o visor
– Oi filho, tudo bem?
– Fala, mãe. To bem.
– Olha, seu pai vai vir jantar aqui na sexta, viu?
– O quê? Por quê?
– Ele disse que está com saudades de vocês. Eu o convidei para vir aqui.
– Ah, mãe...
– O quê? Você não sente falta dele?
– Sinto, mas sei lá... A Sheila vai?
– Provavelmente.
– E você está bem com isso?
– Rafael, eu e seu pai nos divorciamos há anos atrás. Ele a conheceu depois disso. Não tem problema nenhum seguir em frente, filho.
– Ta bom, mãe... — tive uma ideia brilhante — Ah, mãe, posso levar alguém no jantar?
– Ah, Rafa... Eu sei que o Gabriel é da família, mas não podia ser só a gente dessa vez?
– Não é o Gabriel. Por favor, mãe!
– Quem é?
– Uma amiga.
– Não é a Jéssica, né?
– Ah mãe, até você?! Não, não é a Jéssica. Você não conhece quem eu quero levar.
– Rafael, você está namorando?! — sua voz subiu duas oitavas
– Ainda não, mãe. Mas eu gosto dela.
– Assim que você chegar em casa, vai me contar exatamente quem é.
– Ta bom, mãe. Mas eu posso levá-la?
– Tudo bem, pode trazê-la aqui. Quero conhecê-la hein?!
– Ok, mãe. Beijos.
– Tchau, filho.
Desliguei e virei para Gabriel, que me encarava com curiosidade.
– Vou levar Mariana para uma jantar na minha casa, sexta.
– Sério?! E qual é o motivo?
– Meu pai vai jantar lá, e vai levar a Sheila. Tive essa ideia e pedi pra minha mãe, que deixou. — eu sorria
– Vai apresentá-la como sua namorada?
– Acho que sim... Ainda estou pensando nisso.
– Quando vai falar com ela?
– Amanhã cedo. Dá um jeito de tirar a Cintia de perto da gente pra eu poder falar com ela a sós?
– Tranquilo.
– Valeu, cara.
Olhei novamente para o quarto da Cintia e vi Mariana rindo. Sorri comigo mesmo com aquela visão. Aquele sorriso era lindo e, no momento, um dos meus favoritos.
Ah, que idiota eu estou, apaixonado. Droga, essa coisa de sentimentos é uma bosta. Dormi pensando naquela loira que me mudou em tão pouco tempo.
Quando acordei, senti que não tinha dormido nem cinco minutos. Meu celular estava tocando novamente e eu amaldiçoei profundamente a pessoa que me ligava.
– Alô? — atendi com a voz embargada e irritada
– Oi amorzinho! — ouvi a voz fina e irritante da Jéssica
– O que você quer, menina?
– Ai amor, não me trata assim não. Queria te dar bom dia.
– Caralho, Jéssica, me acordou pra porra nenhuma?
– Rafa, não estou gostando do seu tom de voz comigo.
– Foda-se. Pára de me encher a porra do saco. — desliguei
Já fiquei estressado. Pressenti um dia longo. Ouvi meu celular tocar novamente e pensei em deixar tocar, mas talvez fosse minha mãe.
– Alô? — atendi, novamente com a voz irritada
– Bom dia, Gutenberg.
– Leite, o que você quer?
– Eita, nervosinho. — ela riu e eu tive que acompanha-la
– Fala, Mari. Por que está me ligando tão cedo?
– Ah, eu só queria te acordar em grande estilo... — ela deu mais um risinho
– Ah, é isso então? Não sabe que não pode acordar as pessoas em plena quinta-feira cedo?
– Nem com uma ligação de bom dia?
– Como é você, eu vou deixar quieto.
– Como assim como sou eu?!
– Se fosse qualquer outra pessoa, eu ficaria nervoso. Mas como é você, bom dia, Mari. — ela riu e eu a acompanhei
– Te vejo daqui a pouco?
– Até já.
Ela desligou e eu me peguei sorrindo. Vi que Gabriel me encarava.
– O quê? — perguntei
– "Como é você, eu vou deixar quieto". — ele falou, rindo e tentando imitar a minha voz
– Ah, cala a boca. — eu ri também
– Nunca achei que fosse te ver apaixonado, velho.
– Pois é. Nem eu... Mas, espera! E se ela não gostar de mim?
– Ah, ta inseguro é?!
– Cala a boca, cara. Isso é sério. Se fosse qualquer outra garota, eu não veria problema porque meu charme conquistaria ela, com certeza. Mas a Mari é diferente. Ela não liga pro meu charme, nem pra minha aparência. Ela se importa com a personalidade e eu não sei se a minha é boa o suficiente pra ela!
– Rafael, relaxa. Um passo de cada vez. Convida ela pro jantar amanhã e depois você vê.
– Ta. Ta bom.
Vesti meu uniforme, peguei minha mochila e nós saímos. As duas estão saindo também e vi Mariana sorrir ao me ver. Sorri de volta e fui para seu lado.
– Bom dia, Leite.
– Bom dia, Gutenberg. — ela me surpreendeu com um beijo na minha bochecha — Dormiu bem?
– Até às seis e meia da manhã, sim.
Ela riu e eu a acompanhei.
– Ô pombinhos, temos que ir. — ouvi Gabriel nos chamar
– Ah, me chupa, Gabriel. — respondi
– Gosto de outra fruta, gata. — ele repetiu o que uma vez eu disse e piscou para mim
– Idiota. — Mariana comentou e riu, junto com Cintia
Gabriel e Cintia foram na frente, conversando de mãos dadas. Eu e Mariana atrás, em silêncio e não encostamos um no outro.
– Mari? — chamei
– Diga.
– Faz um favor pra mim?
– Depende do que...
– Vai num jantar comigo amanhã?
– Está me chamando pra sair, Rafael?
– Mais ou menos... Meu pai vai jantar na minha casa amanhã, e eu queria que você fosse... — falei, corando
– Ah, você não mora com seu pai?
– Não... — hesitei
– Não precisa responder. Desculpe a intromissão.
– Não, não é isso. Ãhn, meus pais são divorciados. Eu moro com minha mãe e minha irmã. Meu pai mora com a nova namorada.
– Ah. Não sabia que você tem uma irmã.
– Pois é... Chama Miranda. É três anos mais nova e está se achando porque vai entrar no ensino médio ano que vem. — dei uma risada sarcástica e ela sorriu — Bom, agora você também sabe uma parte da minha história.
– Obrigada por compartilhar. — ela me deu mais um beijo na bochecha e eu corei, abaixando a cabeça — Você fica uma graça corado sabia? — ela riu de mim
– Engraçadinha. — eu ri e fiz cócegas nela
Minhas mãos estavam em sua cintura, cutucando suas costelas. Ela se contorcia e ria alto. Eu ria dela, pra falar a verdade.
– Pára, Rafa! Pára com isso! — ela gritou
– Shhhh, não grita às sete da manhã. — sussurrei em seu ouvido, parando com as cócegas
Ela virou o rosto e seus lábios ficaram a centímetros dos meus. Eu lambi meus lábios enquanto ela mordia os dela. Algo dentro de mim estalou e eu recuperei minha consciência.
– Ah, ãhn, deveríamos ir. Não podemos atrasar. — falei, me afastando e tirando as mãos de sua cintura
– Ãhn, é. É melhor. Vamos. — ela também voltou à si e recomeçou a andar
Por que eu fiz isso?! Por que estraguei minha chance de beijar aqueles lábios vermelhos? Droga, eu sou muito idiota mesmo.
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