Is she a Barbie girl?
15 Capítulo 15
Notas iniciais
– Vou pedir.
– Pedir o que, velho?!
– Pedir a Mari em namoro, cara.
– Ah, decidiu virar homem?
– Não sei se mando você se fuder ou o que.
– Dá na mesma.
– Aham. Vai se fuder então. — ele riu
– Mas, sério mesmo que vai fazer isso?
– Vou. Por quê? Acha que ta cedo?
– Não sei. Não tenho nada a ver com isso.
– Na moral, Gabriel. O que você acha?
– Na moral? — assenti — Eu acho que vocês dois estão muito apaixonados um pelo outro e, sinceramente, não sei se vai durar. Não me leve a mal, mas eu te conheço e sei que você cansa rápido. Eu quero muito que vocês dêem certo, de verdade, mas não sei se você está pronto pra isso, entende?
– Aham. — abaixei a cabeça, pensando
– Olha, não fica bravo comigo, só to falando isso porque não quero que vocês se iludam com uma coisa que não existe.
– Ta de boa, cara. Agradeço a honestidade.
Não tive tempo de pensar muito, já que meu celular começou a tocar.
– Alô? — atendi sem ver o número na tela
– Rafa? — meu coração se acelerou ao ouvir aquela voz
– Fala, Mari.
– Ãhn, ta ocupado?
– Não, pode falar.
– Então, ãhn, eu to indo viajar pra praia com o meu irmão, e... Ãhn...
– E... — a incentivei
– Bom, ele disse que se você quisesse ir, seria bem-vindo. — senti um sorriso se abrir em meu rosto
– Uau, sério? Achei que ele não gostasse de mim... — falei, como quem não quer nada
– É, bom, parece que você o convenceu daquela ultima vez que conversaram.
– E vocês se acertaram?
– Pode-se dizer que sim. Ele me chamou pra viajar pra se redimir, então acabei saindo na vantagem. — ela riu e eu a acompanhei
– Quando vocês vão?
– Em dois dias.
– E vão ficar quanto tempo?
– Três dias. Ãhn, bom, você pensa e me fala depois, ok?
– Nem preciso pensar. Eu vou.
– Sério? — ela pareceu animada
– Com certeza. — ri
– Bom saber. Hum, te vejo amanhã?
– Até amanhã.
– Beijos. — e desligou
Acho que nunca fiquei tão feliz por causa de uma mulher na vida. A Mari é uma garota especial, me faz bem e me faz feliz. Mas, será que o Gabriel está certo? Quer dizer, eu poderia ser assim, tão idiota, a ponto de magoar alguém como ela? Me conhecendo do jeito que eu me conheço, sei que sim.
– E aí? Vai me contar o que acabou de acontecer ou vai ficar encarando a porra da minha parede branca suja?
– Ah, foi mal. Ãhn, era a Mari...
– Percebi pelo seu jeito todo gay.
– Vai tomar no cu. Quer saber ou não?
– Fala logo.
– Ela me convidou pra ir para a praia com ela e o Victor. Depois de amanhã. Passar 3 dias lá.
– E você, com certeza, aceitou.
– Logicamente. — ri
– Vai pedir ela em namoro?
– Você, como um amigo cuzão, me confundiu e agora eu to em dúvida.
– Cara, só fui sincero.
– Eu sei, relaxa. Mas, tipo, eu gosto mesmo dela, sabe? Eu sei que sou um idiota com total capacidade de iludi-la, mas eu sinto algo que nunca senti por ninguém. Ela me atrai de um jeito surreal e eu adoro tudo nela.
– Então vai fundo. Tem que tomar cuidado, mas se não arriscar, nunca vai saber o que poderia ter acontecido.
Sorri e me deitei no colchão que estava no chão, justamente por minha causa.
O pedido de namoro tem que ser algo épico, certo? Com certeza. Quer dizer, não é todo dia que você declara sua adoração por uma pessoa. Especialmente se você for eu.
Acho que vou pedi-la durante a viagem. Quem sabe na areia da praia, com o pôr-do-sol ao fundo. Ou em um jantar à luz de velas, quando voltarmos?
Ah, e se for no próximo jogo de basquete, em duas semanas? Eu podia parar no meio do jogo, pegar a caixinha com as alianças e me ajoelhar no meio da quadra, olhando diretamente para ela...
Merda! As alianças! Precisa de alianças, né? Lógico. Quero fazer bem feito. Não pode ser qualquer coisa. Acho que vou sair amanhã a tarde pra procurar... Preciso falar com a Cintia antes. Descobrir o tamanho do anel da Mari. Ih, bosta, será que ela vai me dedurar? Espero, sinceramente, que não.
Mari... Ah, Mari... Por que tão apaixonante? Essa coisa de gostar de alguém vai acabar fudendo com a minha reputação. Mas, quem se importa? Desde que a Mari esteja do meu lado, eu to é pouco me lixando pra minha reputação.
Adormeci pensando nela. E acordei com o mesmo pensamento.
– Cara, acorda. Preciso de um favor! — sacudi o ombro de Gabriel para ver se ele despertava
– Hum... — ele resmungou — O que foi? Onde é o incêndio?
– Lugar nenhum. Preciso de um favor.
– Às seis e meia da manhã?
– Não precisa fazer agora. Mas me escuta.
– Ta, fala aí. — ele disse, se sentando na cama
– Olha, pergunta pra Cintia o tamanho do anel da Mari.
– Quê?! Quer que eu pergunte assim, do nada?!
– Por favor! Eu fico te devendo uma!
– Velho, o que eu não faço por ti?! Aff.
– Se tu não fosse um homem, eu te beijava. — falei, animado por conseguir o que eu quero
– Ih, sai dessa. — ele riu e me empurrou
Colocamos o uniforme e fomos em direção ao colégio. Cintia saiu de casa na mesma hora que nós, então ela nos acompanhou.
– Cintia?
– Fala, Gabriel.
– O Rafa quer te perguntar uma coisa. — olhei para ele confuso e logo vi que ele não iria me ajudar
– O que foi, Rafa?
– Ah, ãhn, sabe o que é... — parece que um bolo se formou na minha garganta, me impedindo de perguntar o que queria
– Aff. Se está assim com ela, imagina com a Mari! — ele me falou — É o seguinte, Ci, o machão aqui quer pedir a Mari em namoro-
– Ah, sério?! — Gabriel foi interrompido pelo grito agudo que Cintia deu
– É, pois é. Continuando. Só que ele não sabe o tamanho do anel dela. Você sabe qual é?
– Putz, fica difícil assim... Não tenho nem ideia! Mas, sem desespero, hoje mesmo eu descubro.
– Não! — praticamente gritei — Vai ficar muito na cara se você perguntar!
– Relaxa Rafa. Eu tenho minhas técnicas.
– Ta. Jura que ela não vai ficar sabendo que sou eu que quero saber?
– Juro.
– Ok.
No colégio, nada de surreal aconteceu. Conversei com meus amigos. Beijei a Mari. Senti olhares fulminantes da Jéssica sobre nós. Voltei pra casa com a loira ao meu lado, segurando sua mão.
"Ela disse que o anel dela é 17. Faça uma boa compra."
Sorri comigo mesmo. Cintia é incrível.
– O que foi? — Mari me perguntou, provavelmente estranhando meu sorriso repentino
– É só que algumas pessoas são fantásticas. — respondi vagamente
Ela arqueou as sobrancelhas e eu dei de ombros. Parece que ela aceitou minha desculpa esfarrapada. A deixei em sua casa e fui para a minha, almoçar e trocar de roupa. Saí antes mesmo de minha irmã chegar.
Fui andando calmamente, observando os carros andando nas ruas movimentadas de São Paulo. Cheguei rapidamente ao shopping e fui direto para a Vivara. Fiquei parado por um tempo, olhando a vitrine, mas nada me chamou a atenção. Decidi entrar e ver se tinha algo a mais.
– Pois não? — a vendedora me atende
– Ãhn, alianças de namoro, você só tem as da vitrine?
– Ah, não, temos algumas que não estão expostas. Vou pega-las para você. Sente-se. — disse, enquanto ia até os fundos da loja
Me acomodei na cadeira acolchoada do lugar e tentei não ficar muito nervoso. Quer dizer, eu estava comprando alianças de namoro! Quem diria...
A vendedora (muito bonita, por sinal) voltou pouco tempo depois, com uma bandeja almofadada, cheia de anéis. Colocou a bandeja em cima da mesa na minha frente e se sentou atrás dela.
– Bom, por que não me diz um pouco sobre como gostaria que fosse a aliança?
– Honestamente, eu não tenho a menor ideia. É a primeira vez que vou pedir alguém em namoro e quero que seja especial porque é com ela. Minha princesa merece algo bonito. — finalizo com um fio de voz
– Ah, entendi. Bom, acho que esta daqui é a aliança perfeita então.
Ela pega um par de alianças em formato de coroa. Os anéis são feitos de prata e são idênticos. São perfeitos.
– Serão essas mesmo!
– Você sabe o tamanho do anel dela?
– Pelo que eu soube, é 17.
– Ok, e o seu? Sabe?
– Na verdade, não. Podemos medir agora?
– Claro.
Ela colocou a aliança que segurava em meu dedo anelar e me senti estranho por esse ato. Não parecia certo com alguém que não fosse a Mari. Quer dizer, eu sei que não significa nada agora, mas ainda não me sinto bem.
– Perfeito. É esse mesmo. Já vai querer levar essas duas?
– Ãhn? Ah, sim. Com certeza.
Ela me cobra um valor que é mais barato do que eu esperava pagar. Não que o custo tenha importância, afinal de contas, pagaria qualquer preço para ver minha princesa sorrir.
Saí da joalheria com um sorriso bobo estampado no rosto e duas alianças em uma caixinha de veludo vermelha. Antes de ir para casa, passei em uma loja de um amigo da minha mãe e pedi-lhe para que gravasse uma frase em cada uma das alianças. Eu tenho certeza que ela vai rir assim que ler essas frases.
Cheguei em casa já ouvindo o sermão de minha mãe.
– Custa avisar que vai sair?! — ela soa irritada
– Desculpa mãe, tive que resolver umas pendências.
– E custa avisar?
– Já pedi desculpas, está bem?!
– Olhe como fala comigo, moleque!
Bufei e comecei a subir para o meu quarto. Não queria discutir agora com a dona Camila, mas já percebi que alguém estava de TPM.
– Rafael! Quer me falar para onde foi? — essa pergunta foi mais como uma ordem
– Fui até a Vivara.
– Pra quê?!
– Comprar alianças de namoro. — falei, com descaso
O grito que minha mãe deu, foi de estourar os tímpanos. Tampei os ouvidos e fiz uma careta, prevendo a dor de cabeça que se seguiria.
– Ai. Meu. Deus! Meu filhinho vai começar a namorar! — ela parecia quicar no lugar
– Pois é, mãe. E eu espero que você goste da sua nora.
– É a Mari, não é?
– Aham.
– É lógico que eu gosto dela, Rafa. A menina é perfeita! Ai querido, que bom que você está tomando a decisão certa! — ela parecia até mesmo mais contente do que eu — Mas, me diga, como vai fazer a proposta?
– Ah, por falar nisso mãe, posso viajar com ela e o irmão? Para a praia? Por três dias?
– Vai sair quando?
– Amanhã.
– Quer ajuda com as malas? — eu ri do seu jeito fofo de me expulsar
– Pode deixar, mãe. Obrigado.
– Então... Vai pedi-la na viagem?
– Não sei... Ainda estou pensando. Estou entre o cenário da praia no por-do-sol, um jantar à luz de velas quando voltarmos, ou meu campeonato de basquete em duas semanas... O que você acha?
– Ah, filho, acho que desde que seja feito com o coração, ela com certeza vai amar, qualquer que seja o cenário.
– Não me ajudou, mas tudo bem. Valeu. — comentei rindo e ela riu comigo
– Não tente planejar muito. Acredite em mim, nada vai sair como planejado!
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