Notas iniciais
E aiiii galera?! Tudo bom? Ó, muito obrigada pelos reviews!! Fico super feliz que vocês estejam gostando da história... COMUNICADO IMPORTANTE: minha vida anda muito corrida agora, mas eu não vou parar de postar a fic... Queria só dizer que decidi que só consigo postar uma vez por semana, então me aguardem nos sábados por aqui, ok? Espero que gostem

Não preciso nem dizer que estou suando frio, né? Nos beijamos ontem à noite pela primeira vez. E hoje vamos nos ver novamente. O único detalhe é que ela vai ao shopping comigo só para ver seu irmão militar.

Não sei se eu devia me sentir intimidado, mas com certeza não estou confortável com a situação. Talvez seja porque eu gosto dela e eu sei quanto irmãos mais velhos são protetores. Ou talvez porque ele é militar. Ou, ainda, talvez porque eu queria sair só com ela. Sei lá.

Saí de casa às 14h50 e fui para a casa dela. Toquei a campainha e ouvi passos vindo em minha direção. Um homem alto, forte, perto dos seus 50 anos abriu a porta para mim.

– Você deve ser o Rafael. — sua voz rude falou

– Sim, senhor. A Mariana está?

– Entre. Ela já vai descer.

Droga. Eu já estava nervoso por sair com o Victor, mas por ficar no mesmo ambiente que o pai dela, comecei a suar frio.

– Com licença. Obrigado. — falei ao entrar

– Sente-se.

O obedeci e me sentei, tenso.

– O que você é da minha filha, exatamente?

– Hum? Desculpe, eu não tenho certeza se entendi a sua pergunta, senhor Leite.

– Vocês são namorados? Amigos? Ficantes?

– Ah, ãhn...

Merda, eu não tinha falado sobre isso com a Mari. Não sei o que ela falou para o pai.

– Pai, já falei que somos amigos. Que coisa! — por sorte, ouvi aquela voz doce me salvar

– Não custa perguntar...

– Custa, pai. Custa a minha dignidade.

– Ta bom, filha. Desculpa.

– Vamos, Rafa. Tchau, pai.

– Cuide bem da minha filha, viu?

– Sim, senhor. — respondi

Saímos da casa dela e fomos em direção ao shopping, que ficava em torno de dez minutos de lá. Eu não sabia como começar uma conversa com ela. Não sei se devia falar sobre o beijo, se devia ignora-lo, se devia esquecê-lo...

– Então... — ela começou

– Sim?

– Ãhn, sobre ontem... Eu, ãhn... — ela gaguejava e percebi que eu devia interrompe-la

– Não se preocupe. Eu fingirei que não aconteceu nada.

– Ah. Ta. Ta certo então. Estamos entendidos. — ela fechou a cara e fez um bico

Eu não sei porque ela ficou assim. Não era isso que ela queria? Ignorar o beijo? Quer dizer, ela já tinha deixado claro que não gosta de mim e não quer nada comigo. O beijo aconteceu pelo calor do momento, certo?

Droga, talvez eu tivesse acabado de estragar totalmente minhas chances (já quase nulas) com ela. Tenho que arrumar isso. Mas, como?

– Mari? — chamei, o mais doce que consegui

– O que você quer, Rafael?

A situação está pior do que eu pensava. Se ela não me chamou de "Rafa" ou "Gutenberg", significa que ela está puta da vida.

– Qual é o problema? O que eu fiz?

– Quer saber o problema, Rafael? Você me beijou. Esse foi o problema, mas você já resolveu ignorar mesmo, então ta tudo resolvido.

– Não, Mari, não faz isso. Não é isso que você quer? Fingir que nada aconteceu?

– Não interessa o que eu quero, Rafael. Vamos só ignorar e voltar ao que éramos antes.

– Amigos?

– Colegas de classe. Quer saber, volta pra tua casa. Eu me viro com o meu pai.

– Não vou te deixar na mão. Disse que iria te ajudar, e vou mesmo.

Ela bufou e andou mais rápido. Fui atrás e puxei seu braço. Não pensei exatamente no que eu estava fazendo, mas no momento em que ela virou para soltar seu braço, eu colei nossos lábios.

No início, ela tentou se soltar, mas segurei sua nuca e sua cintura. Depois de alguns segundos ela parou de lutar e, finalmente, se entregou ao beijo.

Suas mãos envolveram meu pescoço e me puxaram para mais perto, como se isso fosse humanamente possível. Passei minhas mãos para seu quadril. Minha língua pediu passagem e a boca dela cedeu prontamente. Nossas línguas dançavam juntas e um calor subiu por meu corpo. Seus lábios são macios e suas unhas arranhavam minha nuca e minhas costas por baixo da camisa. Me arrepiei e agarrei mais firmemente suas costas.

Ela começou a ofegar então passei meus lábios para seu pescoço. Beijei seu maxilar, seu pescoço, sua clavícula, mordi o lóbulo de sua orelha. Mari estremeceu em meus braços.

– Rafa... — ela sussurrou, ofegante

– Hum? — respondi com os lábios ainda em sua pele

– Estamos em público, Rafa... — ela ainda sussurrava

– Uhum.

– Rafa, sério... — ela foi interrompida por um gemido baixo — Ai, Rafa. Vamos.

Ela me empurrou e ficou me olhando, ofegante ainda. Vi um sorrisinho brotar no canto de seus lábios e sorri também. Minhas mãos ainda estavam em sua cintura. Me aproximei um pouco e dei-lhe um selinho.

– Temos que ir. Não quero meu irmão bravo contigo.

– Tem razão. — dei-lhe mais um selinho e soltei sua cintura

Voltamos a andar lado a lado, mas ela tomou iniciativa e segurou minha mão. Sorri com isso e apertei sua mão contra a minha. Chegamos ao shopping e fomos direto para a praça de alimentação, encontrar o Victor. O vi de longe. Mari sorriu, soltou minha mão e foi correndo abraçá-lo. Fui andando atrás dela.

– Que saudades, Vic!

– Eu também, pequena! — eles se soltaram e Victor se virou para mim — Obrigado por trazê-la.

– Imagina. — sorri — Bom, com licença. Quando quiser ir embora, Mari, me avise, está bem?

– Você vai ficar aqui o tempo todo? Não prefere que eu a leve para casa?

– Não tem problema. Vou ficar no shopping, de qualquer maneira.

– Eu te escrevo, Rafa. Obrigada. — Mari deu um passo a frente e me deu um selinho

Victor arregalou os olhos, mas antes que ele pudesse dizer alguma coisa, Mari o puxou para longe.

Fiquei estático por um tempo. Minha boca se levantou em um sorriso e andei em direção ao cinema. Comprei um ingresso para um filme de terror qualquer e fui comprar pipoca. A sessão começaria em 20 minutos, então já fui para a sala.

Me sentei em meu lugar, no canto da sala e comecei a comer minha pipoca. O filme começou pouco tempo depois. As pessoas ao meu redor gritaram, de susto provavelmente. Mas minha mente estava aérea, eu não prestava atenção ao filme. Pensava em Mariana.

Droga, essa garota não saía da minha cabeça. Seus lábios são tão macios... Já quero beija-la de novo.

O pior é que na minha frente está sentado um casal. Daqueles bem melosos e barulhentos. A menina parecia estar tendo um orgasmo só com os beijos e carícias dele.

Tentei me concentrar no filme, mas Mari realmente não saía da minha cabeça. Mas, e agora? Namoramos? Ficamos? Sei lá...

Talvez eu possa pedi-la em namoro, só para deixá-la feliz. Mas, se eu pedisse ela em namoro, queria que fosse pra valer. Queria pedi-la por causa do meu amor por ela, não só para deixá-la feliz.

Nem percebi quando o filme acabou. Fui me tocar só quando as luzes acenderam e as pessoas começaram a se levantar. Fui para a saída do cinema também, ainda meio atônito devido aos pensamentos envolvendo Mari.

Meu celular começou a tocar. Falando no diabo...

– Oi, Mari.

– Oi, Rafa. Está no cinema?

– Não, né. Senão, não teria te atendido.

– Tem razão. Bobeira a minha. — ela riu

– Já quer ir embora? — perguntei, surpreso

– Não, não. Não é isso. Ãhn, você não quer... Sei lá... Jantar com a gente?

– E o Victor?

– Por isso mesmo falei "a gente". Ele é quem está te convidando, na verdade.

– Sério?

– Aham. Então, quer?

– Ta bom. Onde encontro vocês?

– Na praça de alimentação. Na frente do Outback, ok?

– Estou indo para lá agora mesmo.

– Até já. — e desligou

Não sei se deveria estar nervoso, mas não estou com tempo para raciocinar direito. Quando a ficha caiu, eu já estava sentado na mesa com Mari e Victor.

– Então, como se conheceram? — Victor perguntou

– Estudamos na mesma sala. — respondi automaticamente

– Hum, interessante... — ele parece estar me examinando

– Victor, pare já com isso! — Mariana o repreendeu

– Com o quê?

– Não se faça de tonto. Pára de procurar um defeito em cada cara que eu beijo. Me deixa. Eu sei me virar.

– Qual é, maninha. Eu não te vejo frequentemente e, a cada vez que te vejo, você está com um cara diferente.

– Até parece que são muitos.

– E não são? Qual é, Mari. Esse é o quê? Terceiro? Quarto?

– Em cinco anos?! Sei lá. Não faço as contas.

Eu fiquei em choque. Ela já havia ficado com tantos caras assim? Quer dizer, não são muitos em comparação com as outras meninas, mas eu achei que fossem menos. Que, talvez, ela nunca tivesse ficado com ninguém. Vejo que me enganei.

– Então, Rafael-

– Chega, Victor. Já basta meu pai ficar me constrangendo. — Mari o cortou

– Não, tudo bem. Pode me perguntar o que quiser. — me pronunciei

– Tem quantos anos? — parece que a conversa aconteceria apenas entre Victor e eu

– 17.

– Repetiu de ano?

– Não, meu aniversário é em fevereiro.

– Mora com seus pais?

– Moro com a minha mãe e minha irmã mais nova. Meu pai mora com a namorada, do outro lado da cidade. Mas nos vemos frequentemente.

– Qual é sua media de notas na escola?

– Mais ou menos, 6.

– Que faculdade pretende fazer?

– Ano que vem? Nenhuma. Vou me concentrar no basquete.

– Não, não, não, não. Mariana, não. Um atleta?! Pior, um aspirante a atleta?! Ah, por favor. Você arranja melhor que isso.

– Victor, é o seguinte: eu não me importo com o que você fale. Além do que, nós não estamos em um relacionamento sério. Estamos ficando. Não significa que vamos casar e formar uma família. Pelo amor de Deus, pare de ser assim. Você é meu irmão, entendo que queira me proteger, mas pára com isso. Te amo, mas sei o que estou fazendo.

– Mari, me deixa cuidar de você.

– Não, ta bom? Não. Você me deixou. Não tem mais o direito de tentar cuidar de mim. — ela se levantou e saiu, pisando firme, mas com os olhos marejados

– Bosta. — ele xingou, baixo

– Victor, me desculpe. Não queria ser motivo de desentendimento.

– Não se preocupe. Ãhn, é minha culpa. Eu sei que é. E me desculpe por ser rude. Não foi a intenção.

– Eu entendo. Como disse, tenho uma irmã mais nova também. — dei um meio sorriso

– Então, vai entender se eu perguntar o que você quer com a minha irmã?

– Sim, vou entender. Eu... Honestamente, eu não sei. Gosto de conversar com ela, gosto da companhia dela, gosto do sorriso dela. Apesar da minha fama de galinha, eu não quero simplesmente beija-la ou levá-la pra cama. Quero a companhia dela. Mas não posso garantir que vou namora-la ou algo assim. Não sei se eu tenho maturidade o suficiente para isso.

– Eu entendo. Mas não a machuque, está certo? Deixe suas intenções claras, para ela.

– Não vou magoa-la... — um momento de silêncio — Bom, é melhor eu ir procurá-la. Não quero deixá-la vagando sozinha durante a noite, mesmo sendo dentro do shopping. — ele assentiu

– Até mais, Rafael.

– Até.

Me levantei e fui pelo mesmo caminho que a vi seguir. Pensei um pouco. Para onde ela iria? Mulheres normalmente vão para o banheiro chorar... Mas eu não posso entrar lá para garantir. Peguei meu celular e passei uma mensagem para ela.

"Mari, onde você está?"

"Não quero conversar, Rafael."

" Mari, vamos lá. Me diga onde está."

"Não."

"Você está me deixando preocupado. Onde você está?"

"O Victor está com você?"

"Não. Eu vim sozinho. Mas ele também está preocupado contigo."

"Estou na livraria."

Guardei o celular no bolso. Cheguei na porta da livraria menos de cinco minutos depois. Do lado de fora já a vi, sentada em um dos pufes, lendo um livro.

– Ei. — a chamei

Ela levantou o rosto, me olhou, arqueou as sobrancelhas e voltou sua atenção para o livro que está lendo. Cheguei perto dela, peguei seus braços e a puxei para cima, fazendo-a ficar de pé.

Peguei o livro de suas mãos, o fechei e o coloquei em uma prateleira qualquer. Entrelacei meus dedos nos seus e a puxei para um banco do lado de fora da livraria.

– Vem aqui. — a sentei do meu lado e abracei seus ombros

Apoiei meu queixo no topo de sua cabeça e acariciei seus braços. Senti suas lágrimas molharem meu pescoço e a apertei mais forte contra mim.

– Está tudo bem, Mari. Não se preocupe.

– Sabe, eu só... — ela fungou — Eu só queria que ele me entendesse. Que ele me apoiasse, pelo menos.

– Ele só está preocupado com você, Mari. Eu entendo a posição dele.

– Faria isso com Miranda?

– Sim, faria. Por mais que ela me irrite, não quero que um idiota a machuque. E Victor só estava tendo certeza que eu não iria te magoar.

– E você vai? Me magoar?

– Nunca. — beijei o topo de sua cabeça — Mas, quero que você saiba... Eu não posso te pedir em namoro. Não por enquanto, de qualquer maneira. Mas você não é só mais uma, porque eu não quero só te beijar e transar contigo. Quero te conhecer, quero te fazer sorrir, te ouvir falar, te sentir... Nunca achei que eu seria tão clichê assim, mas é verdade.

Ela se afastou um pouco, de modo que pude ver seus olhos verdes me analisando. Depois se aproximou novamente e me deu um selinho. Sorri e me perdi em seus lábios.

Notas finais
E aí? O que acharam?? Não se esqueçam de comentar... Beijos, até a próxima