O plano (parte 1)

Chegara o dia, o prazo para entregar o olho de dragão se encerraria ao pôr do sol, caso o contrário, haveria uma guerra contra os soldados de Malla e a tensão... a pressão era tanta que você quase poderia vê-la no ar junto a fria brisa do inverno que chegara.

Infelizmente, era um péssimo dia para voar, dava pra sentir a tamanha tempestade que estava por vir e Áster a usaria a seu favor. Ele mal conseguira dormira na noite anterior preocupado pelo o que sua Sardie estava passando, cada segundo com ela por lá poderia ser fatal.

Áster sabia as chances de Sardenta estar sofrendo, mas ele mal sabia o tal estado da mente da garota, suas emoções... seus sentimentos estavam morrendo, se apagando aos poucos e a mudando. Quem é uma pessoa sem as suas memórias? Lembranças constroem a sua personalidade e te impedem de ser um vazio...

Quando o sol se levantou, Áster não poderia esperar mais, arrumou suas coisas, afiou seu machado e montou na Tempestade, sua amiga de confiança e preparou-se para lutar.

Tagarela e Stone o acompanhariam, mas ele negou, Berk não deveria ficar só com os vigias de Malla por aí.

— Traga minha filha de volta – pediu Stone segurando sua mão.

— Pode deixar – ele tentou mostrar confiança.

— Boa sorte, garoto – Tagarela dá um tapinha em suas costas que doera mais do que Áster poderia admitir.

O rapaz acariciou seu dragão em sinal de partida, Tempestade abriu as asas e se lançou no ar, rápida como um raio.

***

— É xadrez! – repetiu Cabeça Dura pela milésima vez.

— Do que estamos falando mesmo? – Perguntou Cabeça Quente.

— Eu não si, mas eu estou ganhando – Cabeça Dura responde.

— Não dá para vocês dois ficarem quietos? – bufou Melequenta.

Ficar naquela cela há dois dias em péssimas condições, sem muito do que comer ou beber, rezando para serem regastados e irem para casa finalmente.

Antes que eles continuassem a discussão, Victória se aproximou da cela com um sorriso vitorioso, finalmente as coisas voltaram ao seu controle. A melhor sensação existente no mundo era esta, a do absoluto controle, era viciante para Victoria.

— Ora, ora, ora... – exclama Victoria – Eu não posso dizer que não estou feliz com a estadia de vocês, é sempre bom ter a lembrança viva de que se está ganhando.

— Você não vai conseguir se dar bem com isso! Áster irá nos salvar! – Gritou Hunter.

— Ora, mas que garotinho irritado! – Brincou Victoria – Deixemos bem claro: Áster só está livre porque eu quis assim. Ele é o único que conhece bem aquela garota para saber onde está o olho de dragão – Victória inclinou-se chegando bem perto da cela – E quando eu o conseguir, voltarei aos meus negócios sem um bando de adolescentes me atrasando, a minha vida voltará ao auge dos negócios, ao auge dos negócios e da riqueza... e a de vocês acabará.

Victória partiu com um sorriso no rosto e queixo erguido, tão triunfante que estava cega.

Tão cega que se esquecera de que certa garota gostava de vigiá-los de vez em quando e esta não estava nem um pouco contente com as suas memórias. Sardenta estava tão confusa, tão brava, não sabia de que lado estava, mas estava cansada de ser conduzida a fazer decisões, ela começaria a fazer as próprias decisões.

E, misteriosamente, a porta da cela se abriu sozinha...

***

Tempestade pousou numa linda floresta de pinheiros que começava a ganhar tons de branco com a neve gelada e um nevoeiro. O solo ainda era fácil de andar, não havia tanta neve ainda, os soldados de Malla estariam esperando na base dos pilotos em algumas horas e precisava salvar a todos ao mesmo tempo.

Estava com frio na barriga, mas não desistiria. Cada passo parecia mais pesado assim como cada segundo...

— Tempestade, fique aqui – disse ele – se precisar eu chamo, se esconda.

A Nadder obedeceu, lambendo Áster antes de partir, como numa brincadeira ocasional de esconde-esconde.

Em alguns minutos de caminhada, ele avistou uma pequena tropa o esperando na neve, estavam parados como estátuas, Victória discutia com um deles sobre assuntos menos importantes e não havia sinal de Sardenta em lugar algum.

Victória ouviu os passos de Áster se aproximando na neve e sorriu.

— Finalmente, achei que você tinha ficado com medo e fugido.

— Acho melhor lembrar que sou viking, não fujo com medo – Áster ri.

— Trouxe o que eu pedi?

Espontaneamente, Áster tirou o olho de dragão do bolso e começou jogá-lo e pegá-lo no ar com um sorrisinho no rosto.

— Você parece bem contente para alguém na situação que está, me entregue o olho de dragão.

— Ah, ah, ah – Áster levantou o dedo indicador em sinal de pausa – Eu não vou te entregar...

— Perdão, mas acho que não entendi direito, você está na desvantagem aqui. Agora, me dê isso logo se quiser ver seus amiguinhos de novo.

— Ouça meus termos, Victória. Eu vou te entregar o olho de dragão, mas não diretamente.

— Explique...

— Simples, eu entregarei para Sardenta – ele deu de ombros.

— Você não desiste mesmo, a memória dela não vai voltar. Ela me serve agora, já entrei muito na mente dela, não é mais a garota que você conhecia.

Áster suspirou.

— Eu ainda quero vê-la pela última vez, Victória. Conceda-me isso, por favor.

— Meu caro, eu conheço bem um jovem apaixonado quando vejo um – Victória saca sua espada – E não confio em um, meus homens podem tirar o olho de dragão de você na minha ordem...

Áster joga o objeto no chão e põe o pé sobre o mesmo.

— Então acho que é o fim – ele ameaça pisar.

— E quanto aos seus amigos, Áster? Ou até mesmo a Sardenta? Pode ser minha, agora, mas eu não ligo em descartá-la facilmente.

— E valerá a pena? Eu posso seguir vocês, libertar os meus amigos e causar a maior bagunça e perda do nosso tempo enquanto os soldados de Malla nos esperam armados ou a Sardenta pode vir até aqui e pegar o olho de dragão da minha mão. Você escolhe! – Áster pegou o machado, o pressionou no chão e se apoiou relaxadamente com um sorrisinho sarcástico que deixaria Sardenta orgulhosa.

Victoria suspirou, no fundo estava cansada disso.

— Pois bem, considere o seu dia de sorte e o último favor que presto a vocês – ela rosnou – Tragam a garota, tragam rápido.

E em alguns minutos, você poderia ouvir o rosnado de um fúria da noite. Áster sorriu com a sensação familiar e com frio na barriga, passara tempo demais longe de sua amiga.

Ela pousou e desceu de Banguela, o acariciando antes de partir.

— Eu volto logo – sussurrou ela.

Sardenta andou na direção deles, Victória a chamou e os soldados fizeram uma barreira entre elas e Áster que tentava vê-la desesperadamente preocupado.

— Sardenta, preciso que faço um favor para mim – pede Victoria – Sei que se lembra do rapaz loiro ali, ele está com aquele objeto que lhe falei...

— O olho de Dragão — Diz Sardenta retirando o capacete de voo.

— Isso, mas com a nossa rivalidade, ele quis por um fim com “estilo”- Ironizou Victória – Você sabe, “vikings”, gostam de drama.

— E o que eu tenho a ver com isso?

— Digamos que a rivalidade de vocês dois é a mais intensa da nossa batalha, não é rapazes?

Todos fingiram concordar.

— Havia dias que apostávamos para ver quem ganhava nas batalhas de vocês – disse um deles.

— Eu sempre ganhava, cabeça de peixe.

— Já basta, rapazes! – Disse Victória – Então, o loirinho ali diz que só entrega se for para você, em respeito ás batalhas que travaram. Pode fazer isso?

Sardenta respirou fundo e vestiu o capacete novamente, andando lentamente até o loirinho. Quando seus olhos se encontraram ao sair da multidão, ele não podia ver, mas ela sentiu algo palpitar em seu coração. Áster estava pronto e estendeu o olho de dragão para ela com aquele olhar, um olhar verdadeiro.

Ela sacudiu a cabeça e continuou em frente, suas mãos se tocaram quando ela pegou o olho de Dragão e uma eletricidade percorreu o seu corpo, algo quase como uma lembrança veio, mas ela não quis aceitá-la.

Quando ela puxou de volta, ele revidou. Áster puxou Sardenta pela cintura até que seus rostos se aproximassem o suficiente num movimento rápido, ele só podia ver os olhos dela os podia ver os olhos dela através do capacete o encarando surpresa.

Se Sardenta tivesse permitido a lembrança, teria se recordado do primeiro beijo deles, fora exatamente naquelas circunstâncias... porém, ela negou se lembrar e sacou sua adaga o ferindo, mas não a tempo de fugir.

Áster passou para o plano B, ele virou Sardenta de costas para ele roubando sua adaga deixando o olho de dragão cair no chão ao seu lado.

— O que está fazendo? – Sardenta tentou lutar, mas Áster foi forçado a pôr a adaga contra sua garganta.

— Pode pegar, Victória. Ela é descartável mesmo, não é?

— Bem jogado, Áster – Victoria elogiou – Espero que viva o bastante para ver esse seu plano fracassar... Peguem-no!

— Me ajude! – Sardenta gritou.

Áster assobiou o mais alto que pode quase ensurdecendo a pobre menina e um rugido ecoou-se nos pinheiros, com um movimento rápido dos pés ele pegou o olho de drago com os pés jogando-o para o alto e pegou no ar.

Tempestade surgiu da floresta pegando os dois e os levando para longe desviando das flechas envenenadas de Victória.

— Você vai pagar por isso, Áster! – praguejou Victória – Pegue ele, Sardenta!

Sardenta tentava lutar, mas ele usou o resto de suas forças para fazê-la desmaiar sem muita dor. A última visão no céu era uma Nadder Mortal conduzindo o casal através da nevasca que estava prestes a chegar.

Victória fervia de raiva, mas se divertia ao mesmo tempo, pois sabia que estava prestes a acabar com isso de uma vez por todas. Ela andou pela neve sangrenta e sentiu o peso do machado de um viking.

— Isso vai ficar divertido...

Notas finais
Isso vai ficar divertido... >:)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.