Irreal
1 Único
Notas iniciais
Irreal
Dê-me mais, dê-me mais! Um único comprimido, liberta-me dessas algemas invisíveis, envenena minha essência com uma agonia apática. Mostra-me o quão libertador o torpor pode ser, enganoso e sublime.
Acalenta-me com esse perfeito malfeito, me apaixona novamente por algo tão surreal, engana-me mais uma vez. Sob o efeito de um comprimido quase mágico, estarei preso eternamente nesse paraíso imperfeito? Abre meus olhos por esse sorriso simplório mais uma vez, dê-me o seu amor inexistente, acalma-me com uma nova mentira.
Não me deixe acordar desse sonho perfeito, esse efeito miserável e ligeiro. Mantenha-me aqui como seu escravo, obedecendo seus piores desejos, acate meu desejo uma única vez. Não dê um sorriso trajado de um falso sentimento, esse mundo fantasioso é apenas meu? Ou outros além de meu espírito sujo também o profanam com seu toque obsceno?
Deixe-me dizer quantas vezes for necessário, deixe-me declarar meu amor genuíno, deixa-me repetir quantas vezes eu puder! Eu te amo, eu te amo! Não ignoras minhas lamúrias, aceita-as, segura meu amor puro uma única vez.
Um único comprimido pode me mostrar tudo. O meu mais profundo amor e meu pior lado, adormece meu corpo carnal e meu espírito propaga-se por aí. Num sonho quase perfeito, onde estou nos braços daquele que roubou meu coração insano.
Minha loucura está presente também – mesmo que quando meus olhos se abrirem, eu não saberei distinguir o real do irreal –, eu não saberei se ele é real ou não, contudo permita-me nesta penumbra da alma segurar suas mãos, ignorando todos os meus íntimos sonhos fantasiosos, não matando dragões ou brincando com fadas em uma distante campina verde e florida. Fugirei da chuva e das flores primaveris, segura minha mão com força, serei seu cavaleiro enquanto você virá ver minha verdadeira essência, onde sou apenas um pobre coitado dominado pela insanidade.
Dopado por comprimidos e um sonho, um demente, uma casca vazia que alimenta sonhos impossíveis. Não sei se com essas mesmas mãos que seguras com tanta força sangue inocente já foi derramado, não sei se com este corpo carnal terminei uma vida precocemente, não conseguirei lembrar de seu rosto quando tudo acabar, então deixa-me declarar esse amor impossível mais uma vez.
Temo não acordar mais desse sonho sublime, não retornarei ao aconchego de seus braços cálidos, dói profundamente ter conhecimento disso. Morrerei um momento, e isso se aproxima cada vez mais, eu sei. Não poderei me livrar dessas fantasias fantásticas, não poderei mostrar-lhe o mundo externo desse sonho esplendoroso – e por mais que esse mundo onde vivo tristemente seja regado de tragédias, gostaria de ir atrás das belezas que ele poderia esconder e mostrá-las somente a você –, na esperança de ver-te sorrir com sinceridade, com carinho e amor.
Mesmo que meu corpo carnal definhe, eu perca a consciência e nunca volte aos seus braços, sonharei e sonharei, desejarei tão forte que você escute minhas últimas confissões e deixarei em meu testamento imaginário nossas histórias de amor irreais.
Notas finais
(Também vamos comemorar que foi minha primeira fic betada, uhuu, Duda aka Deku da minha vidinha que betou sz)
Fato aleatório: O personagem (sim, é ele, um total ser sem nome) que "narra", meio que é isso, é um paciente de um hospital psiquiátrico que fica boa parte do tempo dopado por fortes medicações, e assim criou um mundo perfeito e imperfeito, onde ele se apaixonou por sua primeira criação nesse mundo.
Era só isso mesmo! Tenha um excelente dia pq estou sem ideias para uma boa despedida ♥
Fale com o autor