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O tempo se ausentou, tudo para Siggy aparentava-se paralisado, menos ela mesma, já que apenas sentia as batidas intensas de seu coração. Tal coisa lhe havia ocorrido duas vezes neste mesmo dia, porém ambas possuíam uma diferença, no entanto ela não sabia como, mas a dessemelhança estava presente. Seu palpitar acelerou-se, como a uma raposa após a fuga de um galinheiro protegido por um feroz cão. A jovem guerreira de longos cabelos platinados, dona de olhos carregados de coragem ao mesmo tempo enigmático, simplesmente não se movia. Siggy parecia envolvia em um apertado casulo de vespa que lhe sufocava. Quando as palavras saíram dos lábios de Torvi, para ela assemelhava-se a levar um baque de escudo bem acima de seu estômago. O respeitado Bjorn Ironside, cujo o nome lhe diz que possuí uma incrível capacidade de sobreviver a batalhas sangrentas, estava diante de seus olhos devolvendo-lhe um olhar parecendo estar frente a seu pior pesadelo, que muito inconveniente lhe veio saudar. Siggy por anos esperou este presente momento, imaginando-se a dizer tudo que estava lhe apertando a garganta. Entre tantas, finalmente faria a pergunta que lhe atormentava todos os dias e que lhe parecia sussurrar nas noites silenciosas. Por que me odeia tanto?

—- Mãe, ela é a moça que falei.- disse Erik a Torvi, mas ao ver o rosto de Bjorn, o menino manteve-se acanhado. Sua voz fez Siggy sair de seu choque, fazendo-a olhá-lo com infelicidade. Querendo ou não o menino em óbvio pensamento era filho de Bjorn, que tratou de formar uma família com a específica ausência de Siggy. Com esta observação, ela sentiu angústia em seu coração. A rejeição de seu pai era distinta, no entanto para Siggy tudo apresentava-se injusto, mesmo que não admitisse.

—- O que ela faz aqui?- perguntou Bjorn desviando-se para Torvi. Seu rosto virou-se muito duramente e em sua voz havia um grande peso, pois arrastou-se e intensificou-se. Siggy tentara ler cada parte do semblante de seu pai, mas o homem lhe demonstrava nada além de indiferença.

Ela, a palavra ecoara em sua mente.

Aquela fora a primeira vez que Siggy havia escutado a voz de seu pai referindo-se a si, sabendo quem realmente estava em sua presença. Ela estava ciente desde que atingiu maturidade de moça que este momento não seria em nada agradável, mas em seu interior muito nebuloso, havia uma pequena, quase minúscula esperança de ao ser reconhecida por Bjorn, ele ficaria feliz em vê-la. Claramente nada disto aconteceu e para ela fora claro que muito provavelmente jamais acontecerá.

—- Sua mãe a trouxe e...- Os olhos de Torvi estavam em Siggy transbordando em pena. Com isso Siggy sentiu o ódio irradiando-se em seu corpo e mente. A ideia de Torvi ousar mostrar compaixão por ela como se fosse uma desafortunada, lhe era insuportável. -- Ela irá para a expedição, provavelmente.- disse por fim. Torvi não parecia segura de suas palavras, seus olhos se alternavam em Siggy e Bjorn freneticamente. Ao lado do marido a mulher parecia minúscula e delicada, mas pela primeira vez, Siggy notou que sua barriga havia um pequeno relevo e ficou claro que Torvi carregava uma criança em seu ventre. Antes não fora notado por ela, pois a mesma quis excluir a existência da mulher de seus primórdios pensamentos.

Bjorn caminhou de volta para onde estava assentado, pegou sua tigela de ensopado e começou a tomá-lo. Quando terminou de engolir, limpou sua barba e encarou Torvi em um vagaroso movimento.

—- Minha mãe não virá conosco.- começou ele, voltando seu olhar para a tigela de ensopado. Seus olhos movimentavam-se de uma ponta a outra do recipiente, parecia muito pensativo, mas ainda indecifrável. -- E ela não vai a minha expedição, voltará para Hedeby.- disse ele calmamente, permanecendo com seu olhar longe de Siggy. Bjorn referia-se a ela como se a garota não estivesse bem em sua frente, encarando-o.

Ela...

A raiva já lhe tinha tomado, pois Siggy caminhou lentamente até Bjorn encarando-o com mais intensidade, ainda que não fosse planejado. Ele por sua vez não se atrevia a olhá-la, coisa que fez despertar mais a sua fúria. Siggy desesperadamente buscava no rosto do homem algum vestígio de paternidade, mas nada lhe foi revelado. Apenas percebera que ele não era o homem que vira com Lagertha no dia em que chegou a Kattegat. Bjorn irradiava intimidação só em seu falar de voz paciente. Apesar de possuir um severo olhar em breves momentos, o homem possuía uma bruta beleza.

—- Não recebo ordens de você.- disse Siggy. Sua voz irradiando inquietação. Os olhos de Bjorn lentamente ergueram-se para ela. Finalmente. Com o olhar fixo um no outro o ar transbordava tensão. Torvi mantinha-se apreensiva. -- Eu vim até aqui com Lagertha, ficarei ao lado dela.- Siggy pareceu cuspir as palavras. Havia tantas coisas que queriam escapar de seus lábios, mas por alguma razão não saíam. Bjorn permanecia com olhar neutro em sua filha e foi neste momento que Siggy encontrou uma pequena semelhança com o homem, mas lamentou por isso. Ele levantou-se e caminhou até sua frente e Torvi pareceu aflita com a aproximação. A cada passo do homem lhe causava um tremor dentro de si. Os olhos de Bjorn a encaravam serenamente, mas em um ligeiro vislumbre, Siggy pareceu enxergar um pequeno e sombrio sorriso.

—- Acha que ela é a sua mãe?- perguntou Bjorn, fazendo Siggy sentir-se atingida novamente por um baque se escudo. -- Sua mãe foi embora.- Sua voz serena transformou-se em pura impiedade. -- E para mim você é o meu passado viscoso que não consigo me livrar.- com isso, o rosto de Bjorn contorceu-se em repugnância. A crueldade em suas palavras chegaram em Siggy como uma afiada lamina envenenada em seu coração, trazendo a sensação lenta de morte. Forçadamente, Siggy começou a sentir-se aflita, seus joelhos mostravam intuito de tremer dentro se suas calças de linho. Havia em si dificuldades para saber o que realmente estava acontecendo com seu corpo no presente momento, e com isto, tal sensação pareceu aumentar. Insanamente em um flutuar de sussurro ouvira a voz de Ragnar.

Não se pode escapar da rejeição... Abrace-a, faça dela sua maior aliada ou deixe-a lhe consumir em desgraça.

—- Bom,...- Siggy sentia sua garganta apertando-se em um nó inconveniente, a luta para dizer as palavras havia começado -- Isto de achar que sou um passado grudento mostra que significo alguma coisa para você, mas para mim quando olho em seu rosto não vejo nada.- Siggy solta um pequeno riso de desgosto e desvia seus olhos para Torvi que mantém Erik envolvido em seus braços. Siggy engoliu o seco e tentara controlar sua respiração, que já mostrava-se pesada e muito audível. -- Você está certo, minha mãe se foi, mas quem pode culpá-la, a coitada não conseguira suportar a ideia de conviver com um maldito feito você que se esconde no meio das pernas de uma mulher quando as coisas dão errado!

Após vociferar com toda sua raiva, Siggy sentiu tão rápido uma imensa dor em seu rosto. Seu corpo cambaleou para trás fazendo-a cair em um baque. Seus olhos arregalaram-se ao perceber que tinha sido acertada por Bjorn com um pesado murro. Sangue quente começou a escapar de seus lábios. Ela levou sua mão até a boca, passando-a e ao retirá-la encarou o vermelho em sua mão. Siggy começou a levantar-se, ao erguer seus olhos a Bjorn viu o homem sem vestígio de arrependimento. O rosto de Torvi mostrava sua total surpresa passando Erik para trás de si.

—- Você é rápido, mas- perguntou Siggy a Bjorn com provocação. -- Eu me enganei, minha mãe te deixou por não saber dar um soco melhor que o dela.- o peito de Bjorn subia e descia tão rapidamente que trouxe temor em Siggy, mas ela não quis deixar se intimidar, a luta já estava travada. O sangue que ainda escorria foi cuspido de sua boca, mas depois disto, ofereceu um sorriso amargo com os dentes manchados do vermelho. -- Ela foi atrás de um homem de verdade!

Bjorn avançou em Siggy tão rapidamente que a mesma não teve a chance de reagir. A mão do homem estava em seu pescoço elevando-a do chão. A surpresa de não ter previsto o movimento de Bjorn estava estampado em Siggy, junto com o desespero. Ele lhe apertava o pescoço com a firme mão, seus olhos pareciam em chamas.

—- Você devia ter morrido, não há nada para você aqui. Tudo acabou quando sua mãe se foi.- disse ele entre os dentes. Saliva espumava-se nos cantos de sua boca, o homem estava enfurecido. Os pulmões de Siggy gritavam por ar, em desespero agarrou o braço estendido de Bjorn, na tentativa de livrar-se dele. No entanto, Bjorn finalmente a soltou. Siggy caiu no chão fortemente, levou suas mãos ao pescoço onde lhe queimava, puxou o ar para si desesperadamente. A fúria de Bjorn ainda estava ali, ele agachara indo a Siggy agarrando-a em seus cabelos para erguer sua cabeça aos seus lábios. -- Fique longe.- rosnou.

A imensa dor em seu couro cabeludo lhe afligira, e Siggy lança sua cabeça para frente bruscamente onde atinge Bjorn em cheio no rosto. Ele a solta e ela vira o rosto para olhá-lo, mas seus voltam estar em posse de Bjorn, que agarra-os e impulsiona sua cabeça para o chão fazendo-a bater seu rosto com força. Siggy não solta um gemido ou grito, mas seu rosto lhe trás uma grande dor. Antes de Bjorn repetir o que acabara de fazer, Torvi agarra seus braços impedindo-o.

—- Pare com isso, Bjorn!- grita ela.

Bjorn encontra os olhos de Torvi assustados, desvia-se para Erik que se encontra no mesmo estado que a mãe. Ele larga Siggy no chão rapidamente e caminha para longe apertando seus olhos com força. Ele se detém de costas para ela com as mãos entre a cintura e deixando sua cabeça baixa. Bjorn ainda apertava seus olhos com força, parecia buscar algo dentro de si. Sua respiração brevemente era a única coisa ouvida na casa.

—- Pegue suas coisas e saia.- disse ele finalmente. -- Não apareça em minha frente de novo.- dito isso, Bjorn se vai para outro cômodo de sua casa caminhando lentamente ecoando abafado no chão forrado de tapetes de palha.

Siggy ergueu-se lentamente, mas permaneceu com as pernas dobradas no chão, o olhar baixo encarando o nada. Permaneceu assim por um momento, sem fazer um único gemido. Ela sentia o sangue descer por seu rosto, estando ciente do corte abaixo de seu olho. Havia dor, mas a que realmente permanecia destacada era mais profundo. Siggy não se sentia envergonhada, pensou que deveria, mas tudo que sentia era tristeza e raiva. Após um pequeno tempo se estender, vagarosamente ela levantou-se por completo. Ela caminha para o quarto que amanheceu, ao entrar localiza seu baú, mas só pega em mãos seu machado e o enfia em seu cinto fino de couro. Depois agarra sua pele mais quente e a joga por cima de seus ombros, então retirando-se do quarto, ela passa por Torvi e Erik na sala sem dizer nada. Siggy abre a porta da casa e a fecha atrás de si.

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A noite estava quase em seu inicio e tudo ao redor de Siggy parecia sem importância. Ela não sabia exatamente para onde deveria ir, mas não cessou seu andar. Quando deu-se conta, estava no caminho para os estábulos, com intuito de cavalgar em Harvert sem destino. Não possuía amigos em Kattegat, era certo que tinha seus tios, mas ao pensar recordou-se de Ivar e ausentou-o-os de ser seu refúgio. Não sabia o paradeiro de Lagertha, e muito sincera tampouco queria realmente saber. Inicialmente pensou em exigir o motivo de lhe ter contado as mentiras que descobriu ao encontrar Bjorn, mas sua mente parecia cansada para pensar em uma discussão com sua avó. Todas as miseráveis coisas de Bjorn lhe dissera repetiam-se muitas vezes enquanto caminhava a passos pesados e apressados. O chão estava com sua costumeira fina lama, por conta da neblina que sempre pairava pela vila. Mesmo com a aproximada da noite, ainda se podia ouvir os berros dos numerosos comerciantes de Kattegat. Alguns pareciam pertencer a terras distantes, por ver de suas roupas e tons de pele, pois grande maioria dos habitantes eram pálidos, beirando a parecer doentes. Siggy notara que a vila estava mais povoada do que a última vez que passara por ali, mas o pensamento fora destruído, pois imaginou que estava tão alheia que em todo caso isso seria uma impressão enganosa.

Quando finalmente avistou os portões do estábulo, Siggy rapidamente tratou de apressar mais seus passos, indo em uma carreira. Ao andar pelo lugar, vira muitos cavalos, todos um do lado do outro, em maioria possuíam a pelugem amarelada ou um marrom sujo, mas ela sem a mínima dificuldade encontrou Harvert. Era impossível confundi-lo, o garanhão possuía mais altura que os outros cavalos, também era dono de uma pelugem negra e brilhante, sem falar de sua patas musculosas. Harvert por muitas vezes sofrera tentativas de roubo, ora, quem poderia culpá-los? O cavalo evidentemente forte e belo, mas nestas muitas tentativas, Harvert livrou-se dos ladrões em cabeçadas e coices violentos. Apesar de tanta beleza, o cavalo era selvagem, mas a única pessoa que permitia lhe montar era Siggy. Quando menina, encontrou o pobre cavalo na beira de um rio, extremamente doente e abandonado por seus donos. Siggy estava pulando as pedras na margem do grande rio quando avistou algo parecendo guinchar em agonia. A menina não perdeu tempo e correra em direção ao guincho, quando chegara assustou-se ao encontrar um pequeno cavalo negro lutando para respirar. No primeiro momento esperou, achou que deveria acabar com o sofrimento do cavalo, mas não havia feridas que indicavam ser um caso perdido. Então, ela se foi deixando-o, mas rapidamente voltara com um longo tapete que pertencia a seu quarto. Ela o embrulhou e muito cuidadosamente o arrastou para casa. Em seus pensamentos só havia a vontade de ajudar o cavalo e dar a ele pelo menos mais um dia de vida. Ela o lavou, alimentou e pediu ervas para a curandeira antiga da vila. Semanas depois quando fora lhe levar comida o pequeno Harvert estava de pé com os olhos na menina. Desde então ambos tornaram-se inseparáveis.

Ao se aproximar de seu cavalo, Harvert imediatamente alegrou-se ao ver sua jovem amiga, mas ainda assim o garanhão parecia estar a reclamos com Siggy por deixá-lo tanto tempo sem sua companhia. Ela ergueu sua mão até a cabeça negra de Harvert com uma doce carícia.

—- Desculpe.- disse ela simplesmente. Harvert pareceu notar que a voz de Siggy estava abatida, pois balançara sua cabeça sem parar. Ela por sua vez havia entendido o cavalo. Como não poderia?! Harvert aproximou do rosto de Siggy onde havia o corte com um fino rastro de sangue. -- Presente de boas vindas — respondeu ela para a pergunta silenciosa do cavalo com seu sorriso desalegre.

Siggy levou seu olhar para fora das portas do estábulo, a noite havia caído juntamente com a brisa gelada. Sua mente estava turva, não sabia onde poderia passar a noite. Pensou em passar no estábulo, mas o lugar era apertado até para os cavalos. Ela suspirou desanimada com sua falta de opções quando um jovem rapaz surgiu entrando pelos portões do lugar, não podia vê-lo muito bem, pois a escuridão estava envolvendo-o. Quando o jovem se aproximou das luzes das tochas nas paredes do estábulo, Siggy finalmente conseguiu ver seu rosto. O jovem parecia muito distraído, aparentemente procurando por seu cavalo. Ao ver Siggy seu rosto mostrou uma pequena surpresa, seguida de constrangimento. Ele curvou levemente sua cabeça para ela saudando-a, Siggy retribuiu e virou-se para Harvert que ainda estava a mercê de suas carícias.

O jovem aproximou-se dela lentamente observando-a disfarçadamente, mas quando Siggy virou-se outra vez a ele, o rapaz desviou seu olhar para Harvert não querendo demonstrar que fora pego olhando-a. Ele pigarrou e pôs as mãos em seu cinto de couro escuro, onde havia um machado simples.

—- É um belo garanhão.- disse ele com uma voz gentil e embaraçada. Siggy apenas lhe ofereceu um pequeno sorriso em resposta. Mesmo assim não impediu o jovem em estender a conversa. -- Ele tem nome?

—- Harvert.-respondeu ela rapidamente. Os olhos azuis do jovem não estavam mais em Harvert, mas sim em Siggy. O rapaz possuía uma longa e volumosa cabeleira dourada. Seus ombros largos e fortes lhe davam uma boa aparência, mas seu rosto era extremamente belo que muito chamava a atenção de qualquer um. Parecia ter a mesma altura de Ubbe, pensou Siggy.

—- E você?- perguntou ele de repente. -- Como se chama?

Siggy virou-se para Harvert que observava o jovem atrás dela. Pensou em não respondê-lo, não havia ânimo de conversa, mas não quis ser rude, afinal ele lhe parecia uma pessoa agradável.

—- Siggy.- respondeu ela, apenas. O jovem aguardou em breve momento Siggy perguntar seu nome, mas não aconteceu. Ela parecia estar tomada por uma nuvem negra espessa de melancolia.

—- Bom, me chamo Olaf.- disse ele com um sorriso encantador. Olaf esticou seu braço apontando para um cavalo que comia seu feno muito pacatamente. Sua pelugem era amarelada com manchas brancas em suas costas. -- Este é Mancha. Eu estou de partida em breve, espero que ele fique bem sem mim.- Siggy pensou que Harvet também ficaria sem sua presença quando ela fosse para a expedição, mas após o encontro com Bjorn tudo estava incerto agora.
Apesar de ouvi-lo, sua mente iniciou uma longa viagem para o distante. Seus olhos se foram para as portas do estábulo, pensou em ir com Harvert para qualquer lugar, mas seria egoísmo de sua parte. Não haveria comida e possivelmente nem abrigo. O cavalo estaria melhor no estábulo. Foi então que Siggy decidira deixá-lo.

—- ... Se você estiver precisando de ajuda é só me dizer.- a voz de Olaf ainda era presente quando Siggy voltou sua atenção a ele. Observou seu rosto com atenção. Ela teve de admitir, o rapaz trazia consigo simpatia e uma vasta beleza. -- Meu pai é amigo de Bjorn Ironside, viemos de nossa fazenda mais ao sul de Kattegat.- No exato momento Siggy pareceu congelar. -- Estamos esperando a frota de barcos de Harald e seu irmão.

Siggy desviou-se de Olaf, os pensamentos desagradáveis vieram outra vez e lhe trouxe desgosto absoluto. O jovem loiro pareceu notar a brusca mudança no semblante de Siggy, mas permaneceu calado quanto a isso. Olaf mais uma vez olhou-a de sua cabeça até a ponta de seus pés. Ela não notou, mas o olhar de fascínio em Olaf transbordara. Ele sabia que Siggy não era escrava de alguém, pois sua vestimenta e as tranças extremamente elaboradas em seu cabelo lhe alertaram de tal coisa. Ela sentiu o demorado olhar em si vindo de Olaf, quando levou seu observar a ele, o jovem encontrava-se com brilhantes olhos.

—- É uma pena que partirei para o distante, pois me veio um desejo de conhecê-la.- Siggy imediatamente surpreendeu-se com a declaração de Olaf. -- Você é casada?-perguntou ele um tanto atrapalhado. -- Claro que é, que pergunta idiota. Olha só pra você.- Siggy tinha um olhar no rapaz de pura dúvida, não sabia se ele estava a brincar. Ao ver o rosto pálido do rapaz corar, teve a resposta. Com isso, repentinamente Siggy sorriu genuinamente com o comportamento de Olaf. Ele muito acanhado lhe retribuiu o sorriso, mas a espera de Siggy negar seu estado era quase insuportável. Infelizmente para Olaf, Siggy acariciou a cabeça de Harvert por uma ultima vez, então andou em direção aos portões do estábulo passando pelo rapaz que a seguira com seus olhos de cor semelhantes a de um lago congelado.

—- Eu preciso ir.- disse ela levantando sua mão em um pequeno aceno. -- Obrigada, mas não prciso de nada. Até breve, Olaf.

Em seguida Siggy atravessou os portões sumindo do alcance dos olhos de Olaf, que o mesmo mantinha seu semblante surpreso e cheio de encanto.

Não havia destino, Siggy apenas confiava em suas pernas para levá-la a qualquer lugar ao redor de Kattegat. Achou tolice perambular em terras que não se recordava muito bem, mas ela sabia que estava a vagar pelos vales para esvaziar a mente que lhe pesava de tanta amargura. Mesmo tendo conhecimento de que o encontro com Bjorn seria um desagrado, não esperava que fosse atingida por uma onda de sentimentos tão profundos e infelizes. Amaldiçoou o dia em que concordou partir para Kattegat deixando Hedeby para trás.

Sua caminhada era obscura, pois não tinha em mãos uma tocha para iluminar o caminho, já que caminhava para longe das casas e comércios. A vila era extensa, não só pertencendo a moradias e comércio, havia bosques, fazendas, lagos, montanhas e a praia. Siggy então decide seguir o caminho aleatório rumo próximo ao bosque. O chocalhar da grama em seus pés e sua respiração cansada eram as únicas coisas a se ouvir conforme a noite ficava mais densa. A luz da lua era distante, mas Siggy conseguiu ver um belo monte banhado por sua fina iluminação. Rapidamente seguiu caminho até o monte, onde em seu topo havia uma grande árvore. Ao se aproximar, o som de corvos estava irradiando da árvore. Em poucos passos de distancia, a luz da lua iluminava um homem pendurado em um dos grossos galhos. Ao desconfiar de que o homem já estava sem vida, o rosto de Siggy contorceu-se em uma careta.

—- Este dia está cada vez...- Ao ouvir o grunhido do homem que sufocava com seu pescoço enrolado em uma corda, ela deu naturalmente um passo para trás em súbito. Semicerrando seus olhos para uma melhor visão do homem, Siggy o reconheceu. Rapidamente ela retira o machado de seu cinto, então o arremessa em direção a corda no galho da árvore. O homem cai no chão em uma pancada. -- ...melhor.

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Notas finais
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