Ironies Of Fate
26 ... O começo de um elo
Notas iniciais
Ela tamborilou os dedos – Ainda sou egoísta demais para querer entregar minha vida. – a ruiva murmurou para a loira que a olhou compreensiva – Acho que é isso que todos estão esperando de mim, é isso que todos me cobram, mas... – cortou a fala para fechar os olhos e encostar a cabeça na cabeceira de cama – Simplesmente não consigo Darcy, simplesmente não consigo abrir mão da minha vida agora. – sorriu tristemente – Estou num lugar ótimo, com as melhores pessoas e não posso abrir mão disso. – abriu os olhos para encontrar à loira já sentada ao seu lado.
– Não sei por que acha isso tão anormal. – acariciou os cabelos úmidos da amiga que havia acabado de sair do banho – Olhe para você mesma Jess, é a primeira vez em anos que a vejo tão feliz. – sorriu suavemente – Olhe para essa casa, olhe para a quase família que temos. – sussurrou – Isso é muito mais que Edward, é muito mais... Eu posso... Sentir. – murmurou confusa consigo mesma – É estranho, mas isso é importante para todos nós. – quando ela dizia ‘nós’, as duas sabiam, se referia também a família Cullen, que se sentia aparentemente liberta.
– Acha que Bella... – começou olhando os olhos verdes impacientes que rapidamente a interromperam.
– Não devemos achar nada a respeito de Bella, ora Jéssica, quer mesmo ser a mulher que está prestes a destruir a família inteira por um capricho? – levantou da cama indignada.
– Não seja idiota. – revirou os olhos e se afundou mais nas cobertas – Claro que não. – bufou – Só queria saber se você acha que Bella está tramando alguma coisa. – explicou com falsa calma.
– Ah, claro. – sorriu amarelo – Bem, pelo que Jazz estava falando, ela seria capaz de tudo para ter sua família de volta, mas não sei exatamente o que isso significa. – mordeu os lábios rosados – Quero dizer, sei o que ‘capaz de tudo’ significa, mas não sei o que, para ela, seria tudo. – tentou explicar.
– Entendi. – apertou a ponta do nariz entre o polegar e o indicador – Não tenho ideia alguma do que pode ser. – mordeu os lábios – Droga. – urrou depois de alguns minutos em silêncio.
– Precisamos da ajuda de pessoas que pensam como ela, para saber o que pode estar acontecendo. – Darcy sorriu envergonhada, pois a ideia parecia longe de ser real; todos os Cullen foram terminantemente proibidos de revelar qualquer dos planos de Bella para as duas humanas, e consequentemente, qualquer Denali também.
– Claro, vamos contatar o papai Noel. – revirou os olhos tentando pensar em alguém que pudesse ajudá-las, e sorriu após alguns segundos – É isso. – gritou jogando as cobertas azuis para o lado e pulando para fora da cama.
– Hm, okay... – olhou confusa para a mulher que corria com seus cabelos úmidos para o closet – Isso o que? – perguntou correndo atrás da pequena que quase quicava.
– Quem exatamente está disposta a nos ajudar a descobrir tudo e qualquer coisa, sem exceção alguma? – sorriu para Darcy que logo se juntava a ela; estavam sendo burras não pensando em ninguém, quando havia alguém pronto para tudo.
– Carmen. – estalou o dedo e correu para o telefone enquanto Jess se arrumava – Vou ligar para ela vir nos encontrar, se apresse. – gritou do quarto da ruiva enquanto já digitava a sequencia de números.
Minutos depois a campainha tocava estridente, seguida por batidas leves na porta de Jess, fazendo a mesma caminhar calmamente até ela, abrindo-a, obviamente, em seguida; um sorriso espontâneo pintou seus lábios quando observou as pessoas que estavam de pé a sua porta – Olá. – abriu espaço para as duas loiras – Tanya e Kate – e a única morena – Carmen –, todas lhe ofereciam sorrisos gentis e despreocupados – Entrem, por favor. – apontou para o interior da casa, notando que as três entrariam apenas com permissão, e foi exatamente o que fizeram.
– Bela casa, querida. – Carmen lhe ofereceu um sorriso corajoso, recebendo como resposta um sorriso relaxado de Jéssica.
– Obrigada. – guiou as três até a sala, onde cruzou o cômodo e sentou-se próxima a Darcy.
– Então... – Tanya, a mais direta, começava enquanto caminhavam para a sala – Qual o motivo do chamado? – sorriu sentando-se no sofá, sendo acompanhada por todos os presentes, inclusive Darcy.
– Bem, sei que vocês não tem nenhuma obrigação quanto a isso, tanto que entenderemos se não quiser nos ajudar. – Cycy começou com uma confiança que imaginava não ser totalmente dela – Mas sabemos que nenhum dos Cullen, ou Benjamin, irão nos deixar agir com vocês. – prosseguiu calmamente.
– Mas como isso diz respeito não apenas a Edward, como também a mim, gostaria de receber a ajuda das três para acabar com tudo isso de uma vez. – disse firme e calma, anulando qualquer tipo de fala lenta e cuidadosa de Darcy; achava que se queria algo, deveria ir atrás, sem delongas, sem voltas, deveria ir direto ao ponto, mesmo sabendo que havia uma grande chance de suas primas do Alasca não colaborarem.
– Já esperávamos por isso. – a voz melodiosa de Kate soava gentil, pela primeira vez desde que se referia a Jess, não estava sendo áspera ou ardilosa, notara que, para todos os efeitos, a culpa não era de Jess por Edward ser idiota e não saber controlar seus instintos ou sentimentos, guiando-os para um caminho errado, e esse seria, como sempre, Isabella – Mas preciso saber de uma coisa antes de lhe apoiar nessa loucura. – frisou a última palavra com diversão, nunca vira outra humana tentar tomar as rédeas de um clã vampiro, mas aquela ruiva minúscula parecia ter não apenas a falta de juízo, como a coragem necessária.
– De que? – a ruiva rebateu a pergunta com determinação, quase revirando os olhos para a dúvida explicita no rosto de Carmen, coisa totalmente desnecessária; Jess sabia o que fazia, sempre soubera, e quando seguia seus instintos, os seguia totalmente.
– Se Isabella disser pessoalmente que deixará todos nós livres, mas que em troca quer sua vida, aceitará? – arqueou as sobrancelhas num gesto claro de interrogatório, enquanto cruzava as penas longas e pálidas, esperando a resposta da loira que apenas a encarava com o mesmo sorriso relaxado, como se nada nem ninguém pudesse abalar sua paz.
– Amo Edward e tenho a certeza disso, assim como já sinto que vocês e os Cullen são minha família. – cruzou as pernas curtas – Mas minha vida, ao menos para mim, obviamente, é preciosa demais, então a resposta é não, nunca daria minha vida por um capricho inútil. – completou enquanto encostava as costas no sofá tranquilamente; sabia que, infelizmente, devia pensar na possibilidade de morrer, e não devia estar tão tranquila com toda aquela situação, mas se havia um por cento de chance de dar certo, os outros noventa e nove seriam a força de vontade dela, e, se tudo desse certo, no fim das contas, ela estaria viva, mas caso o contrário, ela morreria tentando, o que, particularmente, lhe parecia uma forma menos assombrosa de morrer.
Kate lhe ofereceu seu sorriso mais sincero e singelo, admirada com a resposta prática da mulher a sua frente; quando olhara Jéssica pela primeira vez, pequena e indefesa, tivera a certeza de que seria outra humana que eles – os vampiros – teriam de lutar e prezar pela vida dela, mas estivera totalmente errada, a força e determinação com que lidava com os fatos, o modo como ela controlava um clã, não o contrário, lhe mostrava que a primeira impressão nem sempre era a que contava; suspirou levantando – Estamos com você. – estendeu a mão pálida para a pequena que rapidamente levantou de seu lugar e tocou sua mão gélida com seu toque macio como seda e delicado como rosa, apertando, ela imaginava, firmemente; ali, ela sabia, era o começo de um elo.
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