Ironic
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Notas iniciais
Acordei com a claridade da janela invadindo meus olhos, a luz saltava a janela indo direto para mim, pisquei algumas vezes com dificuldade para abrir os olhos até conseguir o tal ato totalmente. Levantei-me e uma pontada aguda de dor percorreu minha espinha até a cabeça, onde já estava latejando, suspirei. Não é legal ficar assim logo no dia de uma viagem que pelo visto vai ser cansativa e tediosa, eu havia dormido como pedra no meio da Rua, estava toda dolorida. Fui ao banheiro e tomei um banho rápido, minha cabeça estava a mil, pensamentos atingiam-me de formas bruscas, pensamentos antigos já habitavam em mim outra vez, havia poucas memórias de minha mãe, e me lembrara apenas de uma que acontecera perto de sua partida.
~ flash back on ~
Vai mamãe, mais rápido – Gritava para Vanessa e sentia a intensidade do balanço aumentar, estávamos em um parque e eu devia ser muito nova, pois as memórias eram vagam, lembrava de poucas coisas e ainda sim, não queria lembrar-me de nada, deixava essa parte de mim em um lugar mais afastado.
– já é o mais rápido filha – ela gargalhava e me sentia protegida, achava que nada de ruim poderia acontecer, decididamente hoje vejo o quanto estava errada. Meus cabelos vermelhos balançavam de acordo com meu corpo, havia fios grudando em minha testa por culpa do suor, fazia um calor adorável e o vento era fresco, o outono se aproximava e com ele, uma tragédia.
~ Flash back off ~
Sai do banheiro e me veio na cabeça um vestido fresco, mas lembrei que no Canadá estava fazendo frio, decidi botar algo mais quente. Uma calça de couro colada preta, bota de salto e uma blusa com a frase “Kiss me”, me olhei no espelho e MEU DEUS QUE CARA DE BUNDA É ESSA? Iria tacar pó, ri comigo mesma e ainda sim passei uma maquiagem simples. Desci para comer algo e encontrei papai na cozinha, ele estava fazendo ovos, o cheiro estava realmente bom. Sentei-me na cadeira e o observei enquanto ele os fritava. Ele cantarolava algo e eu não fazia idéia do que era, pois ele cantava muito mal. se entender papai cantando pode se considerar um gênio, o ato é praticamente impossível.
– o cheiro está muito bom – pensei alto
–obrigo filha, nem vi você chegando – ele virou para mim e trazia com ele a frigideira
–percebi – segurei o riso o Maximo que pude e ele entendera o recado, só arqueou a sobrancelha e sentou ao meu lado. Esperei alguns segundos e então perguntei – que horas vamos? – o olhei fixo
– em 15 minutos, seu vôo sai em 45 minutos e não quero chegar La em cima da hora, você sabe, ainda temos que confirmar tudo e vai ter os fotógrafos e blá, se formos mais tarde vamos acabar se atrasando – assenti e ele levantou-se. Terminei meu café e subi pra o quarto, peguei minhas malas e desci novamente
– papai? – não obtive resposta e pensei estar sozinha, dei de ombros e me deitei no sofá, TV estava ligada, mas não fazia som algum. Ele tinha essa mania de ligar a TV e deixá-la no mudo, papai desceu as escadas 5 minutos depois com uma calça colada e blusa gola “V”, usava óculos escuros e um topete, ri da situação
–GATOOOOOOOOOO, GATÃÃÃO! –gritava em meio a assovios e gargalhadas, e a cada grito papai fazia uma pose diferente como se estivesse em um ensaio fotográfico, o joguei uma almofada e ele riu indo em direção a porta, suspirei e estava na hora de ir, olhei ao redor e sussurrei: adeus, eu to indo... Mas eu volto -ri pelo nariz comigo mesma .
–FILHA... VAMOS – ouvi papai gritar do jardim e passei pela porta a deixando bater atrás de mim. Pus malas no banco de trás do carro Entrei no banco do passageiro, liguei o ar-condicionado e ele deu partida. A viagem até o aeroporto foi rápida, não havia fotógrafos então desconfiei de papai não ter avisado a mídia de que eu iria fazer uma viagenzinha. Os check-ups também, chamaram nosso vôo 15 minutos mais cedo, pois todos os passageiros já estavam organizados pra embarcar, meu coração batia mais forte a cada minuto. E meu coração? Ele estava saindo pela boca.
– eu amo você papai – o abracei forte deixando minha testa contar seu peitoral, era bem definido e qualquer mulher piraria naquilo. Solucei algumas vezes e não senti vontade de obrigar a mim mesma de parar.
–também amo você filha, não se esqueça das instruções que eu lhe dei e pelo mo de Deus, não mate Vanessa — ele riu baixo e me separou de seu corpo, por meus olhos escorriam lagrimas, nós sempre viajávamos juntos e mesmo que não fosse assim, eu não ficava tão eufórica quanto naquele momento, mas ali era diferente, eu iria enfrentar meu passado sozinha, não conhecia ninguém, e o pior que seria obrigada a conviver com tais pessoas, não sabia nada sobre eles, agora seria diferente porque eu não teria um ombro amigo pra chorar quando tudo desse errado ou quando estivesse triste, eu não poderia correr pra longe de todos, teria que ser fria e forte, não poderia gritar nem fazer birra, agora será diferente porque estarei perto de algo que lutei para deixar longe minha vida toda.
–não esquecerei –sussurrei e me direcionei fila de entrada, me virei mais uma vez para me certificar que ele ainda estava ali, e de fato estava
–qualquer coisa me liga – ele gritou e chegou minha vez, dei os papeis para o senhor que estava recolhendo e entrei no avião, limpei as lagrimas bobas que insistiam em cair, pensei comigo mesma. “hora de ser forte, hora de ser forte” repetia toda hora essas palavras, não consegui dormir nem sequer um minuto durante a vigem toda, a vista era linda, mas não estava muito a fim de apreciá-la, na verdade já estava meio acostuma com aquele cheiro e avião, com viagem entediante e com todos aqueles velhinhos dormindo de boca aberta e babando sobre a perna, cada minuto que passava eu tinha mais certeza de que estava eu fazendo uma grande burrada em ir atrás de algo que me fez mal, algo que me abandonou. Sabia que seria difícil e que eu teria que agüentar tudo sozinha. Ate onde você seria capaz de ir por alguém que te abandonou? No momento eu estou atravessando o mundo
–quer algo pra beber ou comer senhora? – uma moça se aproximou, ela usava uma roupa bem elegante e comportada, andava devagar e empurrava um carrinho com uma toalha vermelha, sorri simpática.
–um copo de água, por favor – ela retribuiu o sorriso e foi pra o fim do corredor. Ela voltou em 5 minutos
–obrigado, desculpa perguntar, mas... Já está perto? – a olhei com uma cara de dó
–sim, mais uns 10 a 15 minutos e chegamos – ela riu baixo, assenti e ela foi servir o resto das pessoas
Passaram-se 17 minutos e nada, vi outra moça com o mesmo uniforme passando e já iria chamar sua atenção e perguntar se estava perto quando um alto-falante começou:
“Senhores passageiros, por favor, mantenham-se calmos que iremos descer, é um momento que precisa ser feito com atenção. Obrigado a todos e boas vindas ao Canadá”
Aleluia- falei comigo mesma suspirando, não sabia como iria encontrar os garotos, mas tinha que encontrar. Eu realmente espero que eles gostem de mim já que não tenho outra opção, iria ter que tentar ser amiga deles. Papai havia dito que tinha um muito simpático então espero que ao menos ele goste de mim. Não consigo socializar muito bem com as pessoas... Na maioria das vezes eu fico suando frio e muito corada, abaixo a cabeça e fico parecendo uma retardada a fila estava se direcionando pra a porta do avião e eu fui uma das ultimas, as malas irão estar em uma maquina com nosso nome , ainda teria que ir procurar minha bolsa. Sai do avião devagar e avistei minhas coisas, fui o encontro delas e as peguei, levantei a cabeça e havia dois garotos com uma placa
“Senhorita Alisson Muller”
Automaticamente odiei aquilo, não fazia parte daquela família, não gostava daquele nome, não me edificava com aquele nome e ele não me pertencia.
Havia um garoto alto e de cabelo preto, blusa colada branca marcando seu abdômen nada definido (mentira), uma calça meio solta, mas linda. Seu olho era azul e lindo “me dei bem” pensei comigo mesma e ri pelo nariz, havia outro garoto, loiro e muito Lindo. Ele usava uma calça com um sinto preto, esquisito porque a calça mesmo assim estava quase em seu joelho, uma blusa gola “V” e estava de óculos escuros. Vi-me o encarando e logo depois desviei o olhar para a placa novamente.
–vocês são os sobrinhos da Vanessa? – falei olhando para o moreno, pois o outro estava com óculos e acho isso irritante, sabe-se La pra onde ele pode estar olhando enquanto olha pra você.
–Sim, você é a Alisson? – ele me fitou de cima abaixo, mas não notei nenhum tipo de malícia em sua voz, pelo contrario... Era bastante sincera e calma
–sim, sou eu mesma – falei olhando pra o chão
–então, da pra gente ir logo? Eu não quero ficar aqui pra sempre! – o loiro falou tirando os óculos, seus olhos verdes passearam pelo meu, mas ele os tirou de mim rapidamente, assenti.
–espera qual o nome de vocês? –perguntei apenas para confirmar meu pensamento.
–eu sou Brian e esse aqui é meu irmão, Justin – ele apontou para o irmão e eu já sabia, o loiro tinha cara de abusado, Brian já era mais simpático.
–ah, imaginei –deixei escapar
–o que? – Justin perguntou
–nada de mais – respondi e Brian pegou minha mala –ah não... Pode deixar, eu levo, obrigado –ele estava tentando ser gentil comigo
–não que isso... Você é garota, eu levo – ele nem me deu tempo pra falar e saiu nano com a mala na mão arrastando pelo chão
–eu dirijo – Justin falou quando chegamos ao carro. Pronto, é hoje que eu morro.
–contando que não me mate –Brian deu de ombros, não havia olhado muito bem para o carro mas que belezinha é essa em! Entramos no carro e eu fui atrás, Justin dirigi bem, mas tão bem que me dava até medo. Em toda esquina ele virava com tanta velocidade que eu ia parar do outro lado do banco, não respeitava sinal e ia atropelando 2 pessoas, entre elas uma velhinha.
–JUSTIN VAI MAIS DEVAGAR! – saiu sem querer e eles gargalharam auto, pareciam se divertir com isso. Então Justin acelerou mais um pouco indo para um lado e para o outro n pista. Ah, viado! Suspirei
Paramos em frente a um portão que depois de cinco segundos se abriu, sai do carro e PUTA MERDA, QUE CASA É ESSA?
Continua...
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