Ironias Do Destino
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Beijos
-Tio Lorenzo o que aconteceu com a Lia?
-Não foi nada Fatinha.
-Como assim não foi nada, a minha prima ta chorando desesperadamente e não foi nada?
Nesse instante a porta da frente se abre e por ela entram Tata e Raquel, mãe das meninas e imediatamente a garota entende o que aconteceu. Ao ver a prima Tata corre pra abraça-la.
-Fatinha quanto tempo que saudade.
-Oi pirralha como você ta?
-Muito feliz agora que a minha mãe voltou.
-Oi tia.
-Nossa como você cresceu! Vem cá dar um abraço na sua tia.
Fatinha sorriu e foi abraçar a tia.
-Tio eu vou lá ver como a Lia tá.
-Vai sim Fatinha, ela vai precisar de todos do lado dela.
Fatinha foi pro quarto da prima e encontrou ela dormindo.
-E ai Ju?
-Ela tava muito nervosa, dei um calmante pra ela dormir. Ela não quis me dizer o que aconteceu e você sabe de alguma coisa?
-Sei sim, a mãe da Lia voltou.
-Mas ela não tinha ido embora quando a Lia era pequena?
-Você não sabe dessa historia direito ne?
-Não, na epoca eu já era amiga da Lia, mas ela não gosta de falar sobre isso e eu preferi não forçar.
-Ju eu vou precisar de você pra ajudarmos a Lia e pra isso eu vou te contar a historia toda, mas não aqui. Vamos deixar a Lia descansando.
-Vamos então.
As duas saíram, Ju estranhou o fato de Fatinha nem ter falado direito com Raquel, mas não comentou nada. As duas resolveram conversar no apartamento de Ju, já que a mãe de Fatinha teria plantão hoje e ela iria dormir na Lia, mas com o clima que estava na casa da prima preferiu ir pra casa, mas Ju disse que não deixaria a amiga dormir sozinha e a convidou pra dormir na casa dela. Fatinha aceitou e foi em seu apartamento apenas pegar um pijama e alguns produtos de higiene pessoal. Chegou na casa de Ju e novamente foi Bruno quem atendeu.
-Ta virando coincidencia eu tocar aqui e você atender.
-Pois é, a Ju tá no banho, entra.
Fatinha entrou e sentou no sofá, apesar de parecer calma, a garota estava inquieta, pois não sabia como iria ficar a vida de Lia agora que Raquel voltou. Bruno percebendo o estado da garota resolveu puxar papo, pra ver se ela se acalmava.
-Tá tudo bem Fatinha?
-Tá sim, por que?
-Sei lá, você me pareceu aflita com algo, te certeza que você esta bem?
-Na verdade eu to preocupada com a Lia, a mãe dela voltou depois de tanto tempo e eu não sei o que ela vai fazer, eu não quero ver a minha prima sofrer de novo.
A garota começou a chorar, Bruno olhava pra ela surpreso de ver como ela se importava com a prima, levantou do lugar onde estava e abraçou a menina que ficou surpresa, mas correspondeu.
-Obrigada Bruno, eu já estou melhor. – disse Fatinha saindo do abraço do moreno.
-Tem certeza?
-Sim.
Os dois sorriram e continuaram conversando até Ju sair do banheiro.
-Eu to começando a me acostumar com essa cena.
-Que cena Ju?
-Chegar na sala e ver você e a Fatinha conversando como velhos amigos.
Os três sorriram e Ju chamou Fatinha e Bruno pra jantar, durante o jantar os três conversaram e riram das encrencas que Fatinha já tinha se metido em Brasília, depois do jantar Ju e Fatinha tiraram a mesa e lavaram a louça, depois foram pro quarto de Ju.
-Então Fatinha você vai me contar de quando a mãe da Lia foi embora?
-Vou sim Ju. Você é amiga de infância da Lia, então você deve saber que ela não era desse jeito fechadona antes.
-Sei sim, ela era mais espontânea e descontraída feito você. Mas o que aconteceu?
-Quando a tia Raquel foi embora eu lembro que a Lia ficou muito mal e chorou por horas quase entrando em depressão, foi quando o tio Lorenzo levou ela pra passar alguns dias na minha casa. Eu me empenhei em fazer a Lia esquecer o que tinha acontecido e voltar a ser a criança alegre que sempre foi.
-E você conseguiu, pois eu lembro que a Lia voltou da sua casa muito mais alegre.
-Consegui, mas conforme a Tata foi crescendo e sofrendo a ausência da mãe delas a Lia começou a sentir raiva da minha tia e se fechou, mas não por raiva e sim por medo.
-Eu não entendo, por que medo?
-Medo de amar alguém e esse alguém fazer como a mãe e abandona-la, medo de ser feliz e essa felicidade ser apenas uma coisa superficial, a Lia sofreu muito por não ter a mãe perto dela nos momentos que ela mais precisou e eu entendo como ela se sente.
-Como assim Fatinha?
-Eu cresci sem meu pai, a Lia ainda lembra da infância com a Raquel por perto, mas eu, eu não tenho nada pra lembrar do meu pai, nem uma foto, uma carta, uma lembrança, eu passei 17 anos da minha vida sendo criada pela minha mãe, sem meu pai.
A menina chorava muito, Ju vendo o estado da nova amiga a abraçou.
-Calma amiga, eu sei que esse assunto é chato, mas por que a sua mãe nunca te disse quem é seu pai.
-Ela nunca me disse o nome dele, mas falou dele pra mim. A minha mãe é dez, sabe, mas eu sinto aqui no coração uma necessidade de saber quem é ele, o rosto, a cor dos olhos, o jeito de ser, se eu puxei alguma coisa dele ou sou igual a minha mãe. Quando eu era pequena eu via as meninas chegando na escola com os pais e queria isso pra mim.
-Mas como sua mãe conheceu seu pai?
-Eu não sei, eu só sei que ele foi embora sem saber que a minha mãe estava gravida e ela nunca conseguiu falar com ele.
-Poxa amiga, eu sinto muito.
-Tudo bem Ju, eu jurei pra mim mesma que um dia eu vou encontra-lo, só não sei como vou me apresentar.
-Por que Fatinha?
-Imagina a cena: eu descubro que é o meu pai, vou até a casa dele onde ele esta jantando com a esposa e filhos, eu chego, toco a campainha e quando ele abre pergunta quem sou eu e eu digo, prazer me chamo Maria De Fatima e sou sua filha.
As duas riram, seria uma cena no mínimo confusa, resolveram dormir, pois no outro dia teria aula. No meio da noite Fatinha acordou com cede e foi ate a cozinha beber agua, mas ficou surpresa ao encontrar Bruno estudando, quando ele a viu, sorriu.
-Oi Fatinha.
-Oi Bruno, estudando ainda?
-Pois é, eu tenho muita coisa da faculdade pra revisar.
-Ah, você faz faculdade de que?
-Arquitetura.
-Legal, mas você não acha que tá muito tarde pra ficar estudando, pode ser ruim perder noites de sono.
-Preocupada comigo Fatinha?
-Claro, você é meu amigo né?
-Sou sim e você tem razão ta muito tarde é melhor eu ir dormir.
-Ok.
-Boa noite Fatinha.
-Boa noite Bruno.
Fatinha voltou pro quarto de Ju e logo voltou a dormir, sonhando com certo moreno que não saia de seus pensamentos.
Notas finais
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