Iron Girl
65 65 ▬ Rebirth
Notas iniciais
" Cooling breeze from a summer day
Hearing echoes from your heart
Learning how to recompose the words
Let time just fly "
[ Rebirth — Angra ]
— Ela tá muito quieta, não acham ? — Roy perguntou e ouvi murmúrios de concordância. Era para eu estar berrando de dor mas eu não estava, eu estava aguentando tudo calada para não os assustar. A primeira parte do processo que iria me livrar do domínio da Amora era extremamente dolorosa, parecia que cada pedacinho do meu corpo estava em chamas, que cada osso estava sendo quebrado. Sei lá quanto tempo fiquei naquele estado horroroso e desumano mas comecei a me sentir mais forte, as coisas estavam mais nítidas ao meu redor, eu podia ouvir melhor os sons que me cercavam: o bipe irritante de um monitor cardíaco, passos pelo o corredor e alguém roncando baixinho perto de mim.
Abri os olhos e pisquei várias vezes para me acostumar com a claridade que preenchia o quarto, mexi primeiramente meus dedos, depois as mãos e por fim os braços, tudo certo. Mexi os dedos dos pés, depois os pés e por fim as pernas, tudo nos conformes. Me ergui com certa dificuldade e vi que os dono dos roncos era Ian, ele dormia todo torto em uma cadeira na frente da maca onde eu estava acomodada. Eu reconheci o ambiente, era a ala hospitalar da Eichen House, era um lugar deprimente e escuro.
— Ian ? — O chamei baixinho. Ian acordou de um pulo e olhou para os lados, então fixou o olhar em mim.
— Megan ? finalmente acordou ! — Exclamou enquanto se aproximava da maca. Me sentei devagarinho, uma tontura muito grande e um forte enjoo me acometeram, tudo rodava e o enjoo aumentou. — Meg, você está bem ? tá muito branca.
— T-tá tudo ... — Não completei a frase, me curvei para a frente e vomitei uma gosma preta. Ian me olhou assustado por alguns minutos porém ficou segurando o meu cabelo. Enquanto eu vomitava eu sentia uma dor horrível na barriga que fez meus olhos se encherem de lágrimas. Depois de vários minutos eu parei de vomitar, a dor tinha ido embora. — Qu-que merda foi essa ?
— Acabou Megan, acabou — Ian disse e eu, depois de alguns minutos tentando processar o que ele tinha dito, abri um sorriso vacilante. Tinha acabado enfim, eu estava livre da Amora e do fardo de carregar seu bebê demoníaco. Me recostei contra os travesseiros fofos e agora sorri mais abertamente, o alívio era tão grande que parecia que eu estava flutuando. — Vou chamar uma enfermeira e fazer uma ligação, vai ficar bem ?
— Vai lá, eu vou ficar bem — Disse, minha voz estava mais firme. Ian se retirou do quarto e eu fiquei ali, sozinha, refletindo sobre a minha vida, agora tudo estava entrando nos eixos novamente. Me sentei na maca e me examinei mais atentamente: meus cabelos escuros estavam uma desgraça, cheios de nós, sem vida e sem corte. Eu continuava branquela apesar de ter um hematoma ou outro nos braços e pernas. Ian voltou depois de alguns minutos na companhia de uma enfermeira. A enfermeira carrancuda limpou a gosma preta e logo saiu resmungando.
— Seu pai e Thor estão a caminho, logo vai estar em casa.
— Ótimo, mal posso esperar.
— Como está se sentindo Meg ?
— Bem, lúcida, ainda meio dolorida na região da barriga. Aquilo foi um ... aborto Ian ?
— Foi Meg, foi a coisa mais esquisita que já vi, ainda bem que o Thor me avisou desta parte. Bom, agora irei te examinar, ainda é minha paciente – Rimos e deixei Ian me examinar, ele constatou que eu estava bem de saúde apesar de ter sofrido um aborto, que nenhuma faculdade mental minha havia sido prejudicada e que eu estava pronta para sair dali, tudo o que eu queria era ir para casa, ver meus filhos, abraçar a mamãe, encher o saco do papai, ficar deitada na rede com o Thor.
Após algumas horas de espera que foram preenchidas com desenhos e cantorias da minha parte, papai e Thor chegaram, eles me encontraram cantando It Must Have Been Love da Roxette.
— Baby girl ! — Papai me abraçou apertado, comecei a chorar.
— Ei lata velha, que saudades — Lhe dei tapinhas afetuosos. Papai se afastou e jogou uma mochila na minha direção.
— Trouxe uma muda de roupas, vou lá na secretaria fechar a conta. Ian meu chapa, venha comigo, vamos deixar os pombinhos sozinhos por uns minutos — Papai empurrou Ian para fora, me deixando sozinha com o meu noivo.
— Oi grandão.
— Meu amor — Ele me abraçou apertado e suspirei alto enquanto me deixava ser esmagada.
— Senti sua falta grandão, quanto tempo fiquei apagada ?
— Quatro dias — Ele se sentou na maca e afagou a minha bochecha com carinho. — Você foi uma verdadeira guerreira Meg, não gritou nenhuma vez, aguentou tudo calada e isso é para muito poucos, eu te amo tanto minha vida.
— Eu também te amo grandão, muito.
Nos abraçamos mais uma vez antes de eu ir trocar de roupa, me livrei rapidamente daquela camisola horrível e vesti algo que era a minha cara, quando eu chegasse em casa daria um jeito no meu cabelo, por hora me contentei em amarra-lo em um rabo de cavalo. Thor me acompanhou até o meu quarto e eu recolhi minhas coisas, as enfiando na minha mochila, antes de irmos Thor me devolveu meu colar de coração e o meu anel de noivado.
A viagem de volta foi extremamente diferente da que eu fiz para ir a Eichen House, eu ria o tempo todo, implicava com o meu pai, beijava o Thor e passava a mão na sua cabeça, eu tinha gostado do novo corte de cabelo dele. NY continuava a mesma mas para mim parecia que eu a estava vendo pela a primeira vez, foram três meses duros no qual eu quase perdi a vida e fiquei afastada daqueles que eu amava. Chegamos na torre e eu saltei do carro no momento em que ele foi estacionado, corri até o elevador que estava estacionado no térreo e apertei o botão da cobertura, eu estava ansiosa demais para encontrar os meus bebês.
— J.A.R.V.I.S ?
— Senhorita Stark ?
— Sentiu minha falta ?
— Confesso que sim, a torre não é a mesma sem a presença da senhorita.
— Valeu J.A.R.V.I.S, estão todos em casa ?
— Sim menos os Vingadores, eles saíram em missão ontem.
— Ah tudo bem, tenho tempo para abraçar eles — Falei com um sorrisinho. O elevador me deixou na cobertura e saí aos pulos dele. Roy estava vendo tevê cercado pelos os sobrinhos, mamãe estava cozinhando algo que cheirava muito bem. — E aí povão, sentiram minha falta ? — Perguntei de forma descontraída. Mamãe deixou cair a colher que segurava e Roy arregalou os olhos, Allison foi quem esboçou uma reação, ela veio engatinhando até onde eu estava e abraçou minhas pernas. — Oi gatinha, mamãe sentiu sua falta, você tá tão linda, o chaveirinho do seu pai — Me aproximei de onde estava o meu irmão e peguei Milo que estendia as mãozinhas na minha direção. — Oi bebê, que cabelão é esse ? tá parecendo o seu pai — Enchi suas bochechas de beijos. — Oi mano, continua gatinho.
— Boboca, não me assuste mais desse jeito — Reclamou e eu ri divertida, beijei sua testa e fui até onde mamãe estava. Ela estava linda com a sua barrigona.
— Oi mãe.
— Ah meu anjo — Ela começou a chorar e me abraçou com cuidado. — Droga de hormônios, sempre me fazendo chorar — Eu apenas ri e beijei sua barriga carinhosamente.
— Oi mano, deu trabalho para a mamãe ?
— O Sean é quietinho, ao contrário de você e do seu irmão.
— Alguém tinha que puxar você mãe — Ri e beijei sua barriga novamente. Eu estava em paz e em casa, eu tinha voltado a ser eu novamente, ser apenas a Megan e isso era bom demais.
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