Irmãos
1 Capítulo Unico
Notas iniciais
Boa leitura!
Sentia a brisa gélida da noite balançando de leve seus cabelos negros. Andava a passos calmos, respeitando o ritmo do seu corpo, que estava exausto depois do jogo difícil que tivera. O hotel em que estava hospedado ficava a alguns quarteirões do estádio em que ocorria os jogos da Winter Cup.
Seirin e Yosen, o primeiro se baseando no ataque, tendo o “Run&Gun” como especialidade, ataques com passes rápidos e destrutíveis, encantadores de se ver. O segundo, especializado na defesa, o famoso “Shield of Aegis”, que acabava por tirar o folego dos espectadores pela defesa bem elaborada, um espetáculo para se apreciar.
Ambos os times eram fortes. Muitos concordavam que dos times que disputavam a Winter Cup, Seirin tinha o ataque mais forte, mas Yosen não ficava atrás, era conhecida por ter a defesa impenetrável do campeonato. Seria um jogo difícil, lança contra escudo, mas não menos empolgante para os espectadores ali presentes naquele momento. Ninguém ali esperava menos de um jogo das quartas de final.
Mas o jogo havia terminado, e a lança havia levado à melhor naquela vez. Seirin sairá vitoriosa, tinham bons motivos para se animarem, além de irem para a semifinal, haviam ganhado uma disputa que fora acirrada do começo até o apito final do jogo.
Não conseguia deixar de se orgulhar. Afinal, um dos jogadores que havia sido de grande valia para Seirin era seu irmão mais novo, de consideração, diga se de passagem, mais anda assim eram irmãos. Era pelo menos até aquela aposta.
Apertou o anel no bolso suspirando, sentindo a cabeça latejar, mais do que o próprio estomago que fora chutado, por um infeliz que não queria fazer questão de lembrar o nome ou o rosto, já estava feito afinal, não poderia voltar lá e mostrar para aquele metido a “badboy” o que era realmente uma briga. Não que quisesse se gabar, mas já havia passado por algumas, e ganhado experiência o suficiente para deixar o outro no chão, mas mesmo assim, era uma pessoa de bom coração.
“Cabeça fria, coração quente”
Pensou fechando os olhos e suspirando, logo os abrindo e chutando com força uma latinha que estava em seu caminho. Certo que era um cara calmo e gentil, mas não podia negar que sentia o sangue ferver ao lembrar-se do chute que havia levado.
Sentiu o celular vibrar no bolso da blusa do uniforme, levando o aparelho mecanicamente ao ouvido, nem se dando o trabalho de ver quem o ligava:
- Alô.
- Himuro. Cara, onde você ‘tá’? – Reconheceu a voz do vice capitão do time.
- ‘To’ indo para o hotel, chego aí daqui a pouco. Aconteceu alguma coisa?
- Ah, nada demais. Só a técnica que ‘tá’ ameaçando o chaveiro com aquela espada de bambo, que ela bate na gente ás vezes sabe, para o homem abrir logo a porta do banheiro. Acredita que o Murasakibara conseguiu se trancar no banheiro? Agora não consegue sair mais. Eu falei pra ele, “Cara, não tranca a porta”, mas vê se ele me escutou. Agora ‘tá’ preso no banheiro.
Não conseguiu deixar de sorrir ao ouvir a risada do outro. Fukui Kensuke era o tipo de homem que não esquentava a cabeça à toa. Haviam perdido o jogo, mas ele com certeza não perderia seu jeito descontraído.
- E os outros, como estão?
- O Liu ‘tá’ do meu lado assistindo. Já o Okamura ‘tá’ na frente do banheiro, tentando acalmar o Murasakibara. Você sabe que pra ele vocês novatos são como filhos.
- Sei sim. – Comentou sorrindo, era melhor apressar os paços. Já começava a se arrepender por não ter acompanhado os amigos na volta para o hotel. Queria ficar sozinho por um tempo.
- Conseguiu falar com o Himuro, Kensuke? Faz meia hora que a gente chegou e nada dele.
- Okamura, você não vai acreditar cara. Eu liguei pra ele, mas agora ‘to’ falando com um recepcionista do hospital, ele ‘tá’ dizendo que o Himuro foi atropelado por uma bike, e não resistiu aos ferimentos.
Não conseguiu segurar a risada. Poderia imaginar a cena, Fukui comentando com um olhar sério, Okamura prestes a ter um colapso nervoso, Liu e Masako-san revirando os olhos, enquanto Atsushi ainda estava preso no banheiro.
- Como assim? Vamos para o hospital agora. Minha nossa, sabia que não devia ter deixado o menino ir sozinho. – Escutou o capitão berrar desesperado, logo ouviu Fukui reclamando.
- Himuro. Onde tu estás?
- Olá Liu.
- Tu pares de enrolação, e venhas logo.
- Himuro não está morto? – Ouviu o capitão perguntar ao outro, ao fundo ainda escutava as reclamações de Fukui.
- Sinceramente. Não sei quem és mais idiota. Se é tu, Fukui, por inventar tal baboseira, ou se és tu capitão, por se deixar levar por ele. Seja como for, venhas logo pra cá, antes que Okamura tenha um ataque do coração.
Guardou o celular no bolso depois de encerrar a ligação, indo em direção ao hotel. Chegando lá fora recebido por um Okamura preocupado, que lhe passou um sermão. Logo indo se sentar junto a Fukui e Liu, que assistiam tranquilamente, enquanto Masako-san ainda ameaçava o chaveiro, Atsushi ainda preso no banheiro reclamando de fome e sono, e Okamura tentando acalma-lo e convencer Masako-san que violência não ajudaria em nada. Um dia normal.
Deitado na cama do beliche, no quarto do hotel, não conseguiu deixar de pensar nas palavras de Taiga.
“Depois a gente conversa, Tatsuya.”
Suspirou se virando novamente na cama, estava inquieto. Sabia que ele queria conversar sobre a relação deles como irmãos. Mas não conseguia deixar de se achar um idiota pelo que havia feito ao irmão.
Fora infantil e tolo. Agiu de cabeça quente ao notar que Taiga não tinha jogado pra valer naquela vez nos Estados Unidos, e não viu outra solução a não ser dizer ao outro, que ganhando ou perdendo deixariam de serem irmãos, alegando que seu orgulho como irmão mais velho estaria em jogo se o mais novo ganhasse.
Em partes sim, mas também havia outras coisas. Sentia orgulho por Taiga ter se tornado um grande jogador. Mas queria jogar sério com ele, para ver quem era o melhor ou algo parecido com isso. Ora, eram irmãos, e irmãos competem entre si às vezes. Sabia como o outro era. Não conseguiria separar o lado emocional do racional se não o pressionasse ao extremo, e foi o que fez no jogo de hoje.
Por mais que sua atitude no passado lhe parecesse exagerada agora. Depois da breve conversa com Alex depois do jogo, conseguia ver isso claramente, mas não estava arrependido.
Estava feliz, poderia descansar quase tranquilamente, primeiro teria que se resolver com Taiga. Agora que conseguiu o que queria, ensinar Kagami a separar o seu lado emocional do racional nos jogos, poderiam voltar a se falar como antigamente, já que quando fosse pra jogar a sério, ambos fariam isso sem problemas.
- Vou resolver isso. – Verbalizou seus pensamentos em tom baixo.
- Tenho certeza que sim, cara. Agora para de se mexer ai em cima idiota, quero dormir.
Depois da reclamação de Fukui, e de um pedido de desculpas, se virou na cama e foi dormir.
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Havia se passado alguns dias desde o jogo. E lá estava ele e Taiga, frente a frente, notou o outro levemente nervoso, usando a corrente com o anel.
- Desculpa te chamar de repente. A gente precisa conversar sobre o que eu iria te dizer naquele dia, Tatsuya.
- Sei, naquele dia que aconteceu aquela briga com o Haizaki. – Respondeu calmamente olhando o nervosismo do outro. Sentiu o sangue aquecer por dizer o nome do homem que havia lhe chutado, ainda não havia superado isso.
- Sim, quero me desculpar, Tatsuya. – Notou a hesitação do outro para o que falaria a seguir. Porém conhecia Taiga, sabia que ele falaria de jeito direto. – Assim podemos voltar a ser irmãos como antes, certo?
Ficou em silêncio, apenas fitando os olhos vermelhos que demonstrava diferentes emoções, mas em nenhum momento notou um pingo de arrependimento ou frustação por tê-lo chamado ali.
- Quem deve se desculpar sou eu Taiga. – Notou a surpresa do outro. – Fui idiota e egoísta. Acabei pensando só em mim, não considerei seus sentimentos. Precisei da Alex para me dizer algumas coisas para que eu entendesse o que fiz.
- Tatsuya...
- Está tudo bem. Vamos voltar a jogar juntos, como irmãos e rivais, Taiga. – Murmurou segurando de leve o anel que trazia na corrente pendurada em seu pescoço. Logo se aproximando do outro, e apertando levemente seu ombro. – Boa sorte na final hoje, vou estar torcendo por você, irmão.
- Sim, obrigado. Vou me esforçar, irmão. – Viu o alivio nos olhos de Taiga, antes de se retirar daquela quadra a passos calmos.
Afinal, ainda era irmão mais velho de Taiga, e não importa o que acontecesse, sempre estaria torcendo por ele, menos em jogos que fossem adversários, pois é isso que irmãos mais velhos fazem.
Notas finais
Desculpe os erros, e até a próxima o/
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