Irmãos Orange - Segunda temporada
5 Conselhos de Fugaku e a revolta de Itachi
Notas iniciais
No outro dia, Akemi ficou sobre os cuidados de Mikoto já que a ruivinha não teria aula. Itachi foi trabalhar pra deixar de ser vagabundo e o resto da galera foi pra faculdade.
A aula foi aquela coisa clichê de sempre que todo mundo já está de saco cheio... O mais importante que aconteceu, foi quando Naruko ligou para o namorado falando de sua nova peça de teatro.
–Romeu e Julieta?!
–Aham! Legal, né? — Riu.
–E qual papel você pegou?
–Vamos fazer tipo uma peça de treinamento antes, as nossas melhores expressões irão nos dar o papel de acordo com elas.
–Que dia é esse treinamento?
–Agora.
–Tô indo aí! -Desliga.
Naruko não entendeu nada, ele parecia super preocupado, mas logo percebeu que tratava-se algo simples, porém complexo: ciúmes.
–Nem pensar você vai atuar esse papel!
–Afe! Por que?! Eu queria tanto esse!
–Pra beijar outro homem?! Nem pensar que você vai ser a Julieta!
–Afe, Itachi! Eu não pedi sua opinião! Eu vou atuar e pronto! Não é como se eu estivesse te traindo...
–Afe, tô nem ai! Se quiser atuar, atua! — Bufa se retirando.
–Você vai vir na apresentação?
–Não sei. — Suspira. — Quem é o seu par?
–Aquele garoto ali. — Aponta. — Tobi.
O rapaz era alto, da mesma altura de Itachi, tinha o cabelo repicado, olho ônix e um sorriso maravilhoso. Resumindo: Lindo demais para Itachi e o sinal de ciúmes disparou.
–Hum. — Foi tudo o que "falou", virou as costas e saiu.
–Itachi, precisamos conversar.
Sabe aquele momento em que alguém chega e fala pra você "Precisamos conversar" e você pensa em todas as merdas que você fez na vida? Foi isso que aconteceu com Itachi.
–Fala.
–O que há com você?
–Comigo? Nada.
–Ah, então o problema sou eu?
–Meu Deus, tá na TPM?
–Não é isso. — Bufa. — Desde que eu entrei para o curso de artes cênicas nós apenas brigamos, tem alguma coisa te chateando? Fala comigo, eu sou sua namorada.
–Não é nada de mais, esquece isso.
–Não dá! — Reclama. — Me fala agora!
–Eu só estou com ciúmes, desculpa. É a sua profissão, tenho que me acostumar com isso. — Suspira.
Ela dá uma risadinha e o puxa para um beijo rápido. — Tenha um bom trabalho.
–Terei, boa sorte na atuação. — Se retira.
Quando Itachi chegou ao serviço, se tocou de que se ela seria a Julieta e teria que atuar as cenas do beijo, sem contar a apresentação real, seriam muitos beijos que ela daria em outro cara! Se um beijo era muito, imagina dois, três, quatro...!
–O que foi meu filho? — Fugaku se aproximou do Uchiha.
–Ah pai, as mulheres são loucas!
–Concordo. O único ser vivo que sofre mutações a cada segundo... — Suspira. — Tendo problemas com a namorada?
–Mais ou menos... Ela é muito inocente e não enxerga malícia nas coisas, os caras se aproveitam disso.
–Filho, o nome disso é ciúmes. — Ri.
–Afe! — Revira os olhos.
–Me escuta, porque eu já passei por isso e não tinha ninguém pra me informar e agora eu posso te falar por experiência própria. — Itachi assente. — Às vezes parece que ela se torna chata, inocente e parece que te evita, né?
–É tipo isso...
–Isso se chama carência. Você acha que ela não está te dando todo o carinho que você dá a ela... Acha que ela é mais carinhosa com outro homem do que com você.
–Isso mesmo!
–Seu ciúmes é que nem o meu então. — Ri. — Quando estava casado com sua mãe, eu a sentia afastada, mas era só por causa do serviço que eu dava a ela, que era muito puxado. Cheguei a pensar que ela amava mais ao trabalho do que a mim... Fiquei carente e acabei cometendo adultério, confessei a Mikoto o meu erro e ela chorou muito... — Suspira pesadamente. — Já fez sua namorada chorar amargamente?
–Já... Quando Shisui a beijou. Eu não a vi chorar desesperadamente na minha frente, mas consegui ouvir os soluços e o grito do outro lado...
–Você chorou ao ouvir?
–Sim... — Suspira ao lembrar-se.
–Quando eu vi que sua mãe chorava em minha frente, eu percebi o quanto ela me amava e o quanto eu a decepcionei e magoei. Tudo o que fiz, foi chorar ao lado dela desesperadamente. Que se Deus estivesse me escutando, me matasse naquele momento, eu já não aguentava mais ouvir e vê-la daquele jeito por minha causa. Eu queria abraçá-la e não soltar nunca mais, mas percebi que era tarde demais.
Itachi ouvia tudo calado, raramente conversava sobre relacionamentos com seu pai, sempre o considerou superficial nesses assuntos, mas percebeu que era muito profundo aquele sentimento que era perfeitamente bem descrito.
–Eu pedi divórcio uma semana depois, pois eu nunca mais a faria sorrir e estávamos tendo muitas brigas, entramos num acordo e nos divorciamos. Naquela noite quando eu te deixei uma carta de despedida, eu estava ali para dizer adeus a você e a Sasuke. Foi duro, mas eu tinha que me redimir primeiro para tornar a falar com vocês.
–Então, você não nos deixou por causa de outra mulher?
–Não, foi por minha causa. — Levantou-se e bagunçou seus cabelos.
–Pai, você ainda ama a mamãe?
–A questão não é essa... A questão é que você não pode cometer graves erros como eu cometi. Se você falhar nem que seja apenas 1cm, pode prejudicar todo o relacionamento de ambos. Portanto, controle seu ciúmes para que não se torne uma catástrofe. — Ia se retirando.
–Obrigado pai. — Levantou-se e abraçou Fugaku. — Faz muitos anos que queria ter uma conversa assim com você...
–Eu também meu filho, eu também. — Retribui o abraço.
–Agora, responda minha pergunta. — Se afasta e o encara. — Você ainda ama a mamãe?
–Itachi, em toda a minha vida, a partir do momento que conheci a sua mãe, eu nunca deixei de amá-la.
Itachi ficou impressionado com a resposta do pai, mas de um jeito confuso.
–Então por que? Por que traiu a mamãe?
–Eu disse que estava carente, sabe como os homens ficam quando sua mulher não te dá atenção... Ficamos sem chão.
–Mesmo assim! Não é motivo para traí-la! Mamãe não merecia isso!
–Sei que foi egoísmo da minha parte, mas já aconteceu, não tem mais volta.
–Não tem pois você foi fraco por não conseguir levar seu relacionamento adiante! Tem ideia do estado que ela ficou?! Ela ficou tão abatida, nem cuidava mais da própria aparência!
–Eu sei disso Itachi, trabalhamos juntos têm muitos anos... — Suspira.
–Você foi muito fraco pai, fugir dos seus erros só piorou a situação. Se você os cometeu, levante a cabeça e os enfrente! — Franze o cenho.
–Nós brigávamos muito Itachi, não iria mudar nada, ela iria continuar me odiando...
–A conquistasse de novo, ora essa! Ela ainda era muito apaixonada pelo senhor quando vocês terminaram! Ela vivia chorando por sua causa, tudo por você!
Fugaku abaixou a cabeça e suspirou antes de sua voz ficar trêmula.
–Eu não sabia disso...
–Agora que você saiba, faça algo para mudar isso.
Chora levemente. — Filho, isso já é passado.
–Então vai deixar a mamãe ser conquistada por aquele cara? Hiashi-san? Não que eu não goste dele, mas... Você é o MEU pai, é óbvio que quero que você volte com a mamãe!
Suspira enquanto seca o rosto. — Você sabe por que sua mãe me furou?
–Você tava transando no escritório dela.
–Quê? Eu não tava transando!
–Foi o que ela falou.
–Eu tava dando uns pegas numa mulher, mas a gente não estava transando! Como que transa de roupa?!
–Você sabe que mamãe é exagerada, né? — Bufa.
–Sei. — Ri. — Bem, se ela viu isso, que não aconteceu, ela com certeza nunca mais vai olhar pra minha cara. Eu aceito que ela me odeie, sou culpado pelos meus atos.
–Hum...
–Não faz esse "Hum..." pra mim! — Bufa. — Se ela é feliz ao... Ao...
–Hiashi-san.
–Esse cara. Se ela é feliz com ele, não posso fazer nada a não ser olhar o sorriso dela de longe e torcer para que ele nunca acabe.
–Você tem que ser mais orgulhoso pai.
–Não, foi meu orgulho que afastou a sua mãe de mim. E se você não controlar o seu, Naruko vai se afastar de você. — O alertou.
–ah, lembra quando eu era pequeno e perguntava como você a pediu em casamento?
–Sim.
–Você disse que ao lado da pessoa que amamos, até as trevas se tornam belas... — Sorriu. — Eu disse isso para a Naruko.
–Por que fez isso? Eu sou a última pessoa do mundo que você poderia usar como exemplo.
–Mas é que essa frase é muito bonita... — Suspira.
–E o que você quis dizer com isso? Digo, eu entendi... Mas e ela?
–Entendeu.
–Eaí?
–Ela aceitou. — Sorri.
–Mesmo? Parabéns meu filho! — O abraça.
–Obrigado. — Retribui.
–Mas não acha que está cedo demais para isso? — Se afasta.
–Tem uma frase que responde essa pergunta. É da dona Mikoto...
–"Para o amor, não existe tempo ou lugar, simplesmente é amor."... — Sorriu Fugaku.
Itachi mostra um sorriso enorme. — Essa mesma...
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