Num Universo como aquele, a felicidade já se esgotava pouco a pouco. Alguns homens – muito inteligentes, mas que haviam se esquecido do verdadeiro significado de ‘ser humano’ -, tentaram construir máquinas e dispositivos para controlar o psicológico dos habitantes de Iridium, visto que não seria possível fazer nada para voltarmos à Era de Ouro do Cosmos.

— Irmã, irmã! – A pequena Clarisse corria em minha direção. Seu sorriso de criança era uma das poucas fontes de alegria daquele lugar. Mostrei-lhe o melhor sorriso que consegui fazer, e tomei-a nos braços. – O papai está lá no céu, sabia? Ele foi ver as estrelas. Por que ele foi ver as estrelas, irmã?

Seria difícil... Mas ela precisava saber da verdade.

— Clarissezinha. – Sentamo-nos no chão, e a pus em meu colo. Acariciei seus cabelos castanho-avermelhados, delicadamente. – O tempo aqui passa rápido demais.

— Não entendi!

— Vê aqueles pequenos pontos de luz no céu? Aquilo são estrelas. Agora não temos muitas... Na verdade, só conhecemos cerca de 1000 que ainda perduram. Mas numa época, muito, muito distante, havia mais estrelas no espaço do que pessoas nesta nave.

— E as estrelas fugiram, irmã?

Não contive um sorriso. A ignorância devia ser mesmo uma coisa ótima nessa situação.

— Elas não fugiram, pequena. Você, eu, tudo e todos à nossa volta são restos estelares. Somos verdadeiros Filhos das Estrelas. Quando elas morrem, deixam como presente para Deus os seus corpos. Ou seja, as partículas que serão usadas para formar outras coisas, como planetas e seres vivos.

— Então eu sou uma estrela, mana? – Ela apontou para um foco de luz vermelho no céu.

— Todos somos. O problema é que falta material para formar novas estrelas. Esse material se chama ‘hidrogênio’. Ele está acabando, e as estrelinhas não conseguem nascer. Sem elas, não existimos.

— Então... Se as estrelinhas não nascem e nós somos estrelinhas, quer dizer que vamos parar de nascer também?

— É sim.

Ficamos em silêncio, observando um mundo que em pouco tempo se acabaria.

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— Senhor Portbell, não recebemos nenhum sinal de ataque. Por que estamos aqui, então?

— Gerand, será que não percebe? Não importa mais. Muitas pessoas, pouca energia, poucos suprimentos... O cenário perfeito para uma guerra. Mas do que adianta lutar, se tudo vai ser destruído do mesmo jeito? Deveríamos aproveitar o pouco tempo que temos para passar o tempo com nossas famílias, para passearmos e vivermos tudo o que desperdiçamos no passado.

— Eu entendo, e concordo... Mas, de alguma forma, ainda resta esperança em mim. Esperança de que esse Universo ainda poderá ser salvo.

— Os antigos já previam isso tudo. Agora é inevitável. – O homem suspirou. – Vamos voltar. Não há energia suficiente para passarmos mais do que 30 minutos aqui.

Os dois homens voltaram para a nave-mãe Iridium. Num canteiro próximo ao local de lançamento, duas jovens garotas estavam sentadas, conversando alegremente. O mais alto foi até elas, com um sorriso e os olhos tristes.

— Aimée, Clarisse! Minhas filhas. – As duas meninas correram e abraçaram o pai, que as amava mais do que tudo.

— É por isso que ainda tenho esperança. – Disse o belo jovem, que observava a família amorosa de seu companheiro de pilotagem.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.