Iridescent
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Deixo-vos mais um, esperando que gostem!
Não levou muito tempo até o meu corpo começar a tremer. Sentia todo o meu interior congelado naquele momento; devia ter ouvido as palavras sábias da minha mãe.
- Olha, Luís. Uma rapariga tão linda… — enquanto falava, o homem atrás de mim obrigava-me a encará-lo de frente acariciando o meu rosto. As suas mãos estavam sujas, quentes, nojentas. – Aqui sozinha a esta hora. Temos de a proteger.
Podia ouvir os risos sádicos que vinham das suas gargantas enquanto me olhavam como um predador olha a sua presa. Um dos meus headfones estava agora caído sobre o meu peito, e eu apenas conseguia apertar o meu IPod na mão, como se isso me salvasse. Nos meus ouvidos, Jimmy The Rev. Sullivan cantava uma estrofe de Fiction. Parecia destino e, logo aí, soube que morreria.
- Sabes, João, acho que ela quer vir connosco até a nossa casa. – O outro homem que se encontrava junto àquele que entendi ser Luís falou, olhando-me de alto a baixo como se de um pedaço de carne se tratasse. Sentia-me asquerosa.
Senti uma mão ser colocada debaixo do meu tão estimado hoodie, correndo as minhas costas. Uma grossa lágrima escorreu pelo meu rosto abaixo, ao aperceber-me do fim que aquela noite teria. Rezava para que tudo acabasse depressa, para que me deixassem inconsciente para impedir-me de relembrar aquele momento.
- Não te preocupes, linda. – Falou o tal João ao meu ouvido, fazendo-me estremecer uma vez mais, temendo o pior. – Seremos rápidos.
Encostando-me bruscamente a uma das paredes que se encontrava perto do parque até onde caminhava, o homem beijou o meu pescoço com gosto, levando-me a chorar compulsivamente.
- Cala-te! – Gritou apertando-me o pescoço depois disso. Sentia-me sufocar, o meu rosto tomava uma cor vermelha bem carregada, apertava as mãos a implorar por ar, mas ele apertava ainda mais a mão.
Um vulto apareceu do nada, a passo apressado. Pedi a Deus para que não fosse outro homem para me atormentar durante aquela noite.
- Hey! – Gritou uma voz que podia jurar que conhecia. Parecia irritado, descontrolado e até ofegante. – Larguem-na, agora!
João largou o meu pescoço e comecei a tossir de forma violenta e desesperada. Todos os homens á minha volta se riam da coragem que aquele desconhecido demonstrava. Tentava ver a sua face, mas não conseguia.
- Vai embora! – Gritaram eles, determinados a acabar com a minha vida ali mesmo. O meu salvador riu-se e chegou-se perto deles.
- Chega! Ou saem, ou chamo a polícia. E não se esqueçam que a delegacia é mesmo aqui ao lado. – Ameaçou com voz firme, seguro do que falava. Eles olharam o edifício policial com as luzes todas ligadas e um deles deu uma leve pancada no ombro de outro.
Começaram todos a correr como se não fosse existir um amanhã quando o defensor deu um passo em frente, determinado a acabar com tudo aquilo. Amaldiçoei-me por não me ter recordado que estava perto de policiais.
Caí no chão, insegura e assustada, num choro compulsivo e exaustivo. O rapaz, depois de ver que eles tinham ido de vez, aproximou-se de mim e abraçou-me com força.
- Tudo bem, estou aqui. – Falou junto ao meu ouvido num sussurro. – Estás a salvo.
Encostei a cabeça ao seu ombro e deixei as lágrimas cair, absorvendo o silêncio da noite ali mesmo. Nesse mesmo momento, a música terminou.
**
Encontrava-me sentada numa das cadeiras metálicas em frente ao mais recente Starbucks da zona. As minhas mãos ainda tremiam, ainda mais agora que conseguia analisar o rosto do meu salvador.
- Porque estás em Portugal? – Quebrei o silêncio que se tinha instalado desde que o meu choro tinha parado. Ele não sabia que mais me dizer, nem eu sabia o que falar a não ser agradecimentos depois de ele me ter salvado.
Sorriu-me, bebendo um pouco do seu café.
- Viemos de férias, ninguém sabe que cá estamos. – Podia vê-lo a analisar atentamente o meu hoodie, e senti-me orgulhosa.
Talvez fosse um fã da banda, não o podia culpar se fosse.
- Também tenho um vosso, mas este é-me especial. – Lembrei-me do aniversário em que o meu irmão mo tinha oferecido e não consegui evitar um sorriso.
- Tens bom gosto. – Falou de imediato.
Sorri e assenti. Olhei o relógio e afirmei que teria de me dirigir a casa. Após andarmos um quarteirão até à porta da minha casa, parámos ali. Tinha medo de andar sozinha e, enquanto caminhávamos, olhava para os lados de segundo a segundo. O medo falava mais alto.
- Obrigada por tudo. Nunca conseguirei agradecer-te totalmente pelo que fizeste. – Disse-lhe uma vez mais.
Ele negou com a cabeça.
- Fiz o que qualquer um faria. Já agora, como te chamas?
Era uma pergunta pertinente, visto apenas eu saber o seu nome.
- Ariana. – Revelei o meu nome com um sorriso tímido estampado no rosto. Ele sorriu e eu abri a porta de casa, sabendo que a minha mãe ainda estaria acordada.
Antes de entrar olhei para trás.
- Espero ver-te de novo, um dia. – Falou ele, talvez apenas me tentando confortar após todo o drama.
- Eu também, Chester. Boa-noite.
Sem dizer mais uma palavra, entrei dentro de casa, dando a noite por acabada.
Notas finais
Espero que gostem e beijinhos!
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