Invisível aos olhos
25 Capítulo 25
Notas iniciais
Concientemente ou não, Amon já preparou o terreno de trás da casa. As mesas e cadeiras de madeira que estavam por aqui, foram arrastada até o canto, deixando um bom espaço para o treinamento. Eu me lembro de fazer judô quando era menor, mas não era lá muito boa. Ou obediente. Espero que ao menos dessa vez seja diferente.
— Iremos nos alongar aqui e depois vamos correr pelo bairro. – Ele ainda não olhou em nossa direção, mas deve ter sentido nosso cheiro com o seu olfato de lobo. – Eu já fiz Capoeira, Kung Fu, Jiu-Jítsu, Caratê, Judô, Boxe, Krav Maga, Muay Thai, Tae Kwon Do, Aikido e MMA. Acredito que o mais eficiente seja o Krav Maga. – Amon pega alguns pedaços de corda e nos joga, por cima do ombro. – Alguns golpes podem matar na hora, então são só ensinados a policiais e militares. Por motivos, eu sei. Essa luta é a que melhor demostra defesa pessoal e ataque ao mesmo tempo. Então, se alguém chegar em vocês e...
Assim que nos olha, fica quieto. Amon na maior parte do tempo é quieto e sério, mas eu já havia percebido que foi por que se irritou comigo na primeira vez que vim aqui. No entanto, ele é maduro e não costuma ficar nervoso. Ao menos não com tanta frequência quanto eu estou vendo agora. O homem nos olha de cima a baixo, e não consigo me decidir o que achar disso. É estranho, sem dúvida.
— Vamos começar a pular corda para aquecer e depois vamos a alguns movimentos. Correremos por algum tempo e será apenas isso por hoje. – Sua voz volta e ele começa a pular.
O seguimos atenta a tudo o que ele pudesse fazer. Não quero mais ser um peso nas costas de Said. Precisar de alguém o tempo inteiro é muito ruim. Se eu conseguir aprender tudo o que Amon pode me ensinar, ficarei ao menos forte. Sei que ainda estarei dependendo de Gae. Mas não será ela que lutará sozinha.
Meu irmão não estava mais na sala, nem Tom. No momento que terminei de me arrumar para o treino, percebi a hora e liguei para Elisa. Não vou hoje ao trabalho, mas semana que vêm terei dose dupla. Ruim, mas não é a pior coisa que poderia acontecer.
Eu já estou cansada. Eu era boa em educação física, mas Amon está pedindo muito. Continuar pulando sem parar é exaustivo. Sinto meu coração bater, e isso só acontece quando estou chegando ao meu limite. Isso é péssimo. Coloco a corda no chão e me apoio no degrau da casa. Respiro com um pouco de difículdade e fecho os olhos. Minha cabeça está doendo muito.
— Você devia ter comido, Cass. – Minha familiar coloca a mão no meu ombro, e noto que ela nem está suando. Monstro. Amon até está, mas de uma forma bonita, diferente do meu estado acabado. – E também tem o fato de você não ter se curado direito. – Ela aponta para cima.
Olho para a única janela que é virada para esse lado da casa, e vejo Matt. Aqui em cima devia ser o quarto de Tom, não o dele. Por que ele está no quarto do irmão? E por que ele está nos encarando dessa forma? Olho para a garota do meu lado e percebo exatamente o motivo. Além do fato de Gaelle estar bem visível, seu rabo e orelhas estão se mexendo. Tento acenar, mas perco o ar e volto a me apoiar no degrau.
— Não devia fazer esforço, Cass. Eu estou aqui para isso. – Gaelle continua passando a mão nas minhas costas, como se o contato fosse melhorar, mas não ajuda em nada.
— Eu sei. Mas eu não quero ser inútil, Gae. E eu posso lutar. Só estou precisando de um ar. – Sento e olho para os nossos pés. Amon parece não saber o que fazer.
Anda até onde estamos e vira a mão para cima. Coloco a minha na sua e a dor do pulmão e a necessidade urgente de respirar somem. Olho nos olhos de Amon e sorrio. No entanto, o seu rosto parece endurecido. Como se a dor continuasse a existir. Nele. Rapidamente, tiro a minha mão da dele e volto a respirar com dificuldade, porém meu coração já está batendo ritmicamente de novo.
— Quando precisar de tempo é só pedir. – Ele olha de mim para Gaelle. – Você não, Gae. Apenas a Cass.
E eu sei por que disso. Por que sou humana. Por que sou frágil. Por que não consigo acompanhar. Eles voltam para onde estavam e continuam o alongamento. Esforço não vale a pena se eu não tenho um resultado. E isso me incomoda tanto. Se fosse antes, mesmo sendo humana, eu conseguiria seguir o ritmo. É só pular corda. Só alguns alongamentos básicos. Mas agora, eu entendo o que Matthew disse sobre a minha saúde.
— Ei!
Falando nele...
Ele se senta ao meu lado, no degrau. Coloca o meu cabelo para o outro lado do pescoço, segura na minha nuca, mesmo estando suada. E então me beija. Beijo cura. Toque cura. Isso é tão... Ah! Sua lingua espera tempo demais para tocar na minha. Meus olhos estão fechados, e minha respiração não está nem um pouco regulada. Consigo escutar Gaelle e sei que tanto ela quanto Amon estão vendo a cena. Mas, edai? Eu sei que Matthew faz isso para o meu bem. Ele me viu lá de cima. Viu como eu estava.
Eu ainda não tinha falado com ele de novo, depois da confução com a namorada dele.
Namorada...
Encosto nossas testas e paro o beijo. Como se isso fosse errado, ele nega com a cabeça e passa a me segurar mais forte.
— Matt, para. – Sussurro, por que minha voz não sai direito.
— Você ainda não está curada, Cass. Fica quieta – Ele me dá um selinho e volta a nos grudar.
Minhas pernas estão bambas e mal tocam o chão. Escuto passos, mas a batida dos nossos corações os escondem.
— Para, Matt. Estou bem.
— Ela disse para parar, Matthew.
E então ele está longe de mim. Deitado na grama. Com Amon em cima dele. Um soco. Outro. Eu escuto mais do que vejo. Estou sem reação. Gaelle também parece não acreditar no que vê. Os socos são nos braços de Matt e não no rosto. Ele está se defendendo. Não sei como, mas Matthew acerta o saco de Amon que rola para o lado com dor. Matthew sobre em cima do irmão mais velho e eu só vejo um emaranhado de cabelos negros e loiros. Eles estão se batendo.
Levanto e Gaelle coloca a mão na minha frente, me impedindo de separá-los.
— É assim que homens conversam.
Matthew tem poucos segundos de vitória. Logo em seguida, Amon está o machucando. É horrivel. Já vi luta antes, mas isso é tão sem sentido. Não tem motivo para isso.
— Amon, para! – Eu grito e ele me escuta. Saindo de cima, ele anda para trás e continua olhando o irmão de longe.
— Quando uma mulher lhe disser para parar, não force. – Amon vem até mim, coloca a mão em meu rosto e vira para o lado. – Ele machucou seu pescoço. – O loiro toca exatamente onde dói e eu fecho os olhos. – Não peça para eu parar de bater no meu próprio irmão. Ainda mais quando ele merece. Vamos sair.
Eu pensei que ele sairia irritado ou algo do gênero, mas parece que passou seja lá o que tinha na mente dele. Amon segura na minha mão e empurra Gaelle para fora do jardim. Passando pela porta, ele segura no ombro dela.
— Lembre-se de fazer seus membros “extras” ficarem escondidos.
Eu sei que esse tipo de mágica não acontece aos meus olhos. Para mim, tudo está bem visível. Mas Gaelle concorda com a cabeça e passa a mão onde tem que passar.
— Então, Cass. Qualquer coisa, ela é uma prima sua. – Amon me puxa e saimos pela rua até onde quer que ele queira nos levar. – Genética é realmente incrivel, não é?
—⟰-
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