Notas iniciais
Espero que gostem!!!

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— Cassie, olha!

Na piscina que tem no meu prédio, a água é transparende e está sempre aquecida. Tom adorou, e então eu percebi que ele não sabia nada. De vez em quando, eu o solto e o menino tenta boiar. Já faz alguns minutos que sou eu que estou deitada olhando para o teto iluminado. A água lenta me faz passear pela piscina, enquanto Tom se senta na beirada e fala da sua vida.

— O que foi? – Pergunto, levantando um pouco a cabeça, mas não o suficiente para que meu peso me me afunde. – Viu alguma coisa que te assutou?

— Não estou assustado. – Percebo que ele levanta e passeia pela borda. Em algum momento, o garoto para de andar. – São gatinhos tão bonitinhos. Mas mamãe nunca me deixaria ter um... Ela diz que gatos são trasoeiros, nojentos, asqueirosos e interesseiros.

— Muitas caracteristicas péssimas. – Mergulho e chego perto de onde ele está. Consigo ver um gato branco e um marrom. – Gatos são animais. Animais são diferentes, não importa de que espécies são. Existem os bons, e os maus.

— No Outro Lado também, Cassie. Uma espécie não é geneticamente boa. Então, para de falar que não gosta da gente. Somos diferentes. – Ele faz carinho da cabeça do gato branco. – Apesar de eu achar que você está certa em não gostar do Tico e Teco... Os gêmeos são sempre... Qual é a palavra que a mamãe usou? Petulantes!

— Você sabe o que significa isso, Tommy? – Ele nega. Já esperava. Me apoio na beirada e levanto. Assim que me cubro com a toalha, sento no banco perto dos gatos. – O que é aquilo ali? – Aponto para um buraco na parede de tijolos. Parece ter alguma coisa...

— Não vou colocar a mão ali! – Ele sai de perto do tijolo e eu tento me aproximar.

— Parece alguma planta. Palha. Ou folha seca... Isso com certeza foi feito com teia de aranha! – Toco com cuidado, e percebo que tem um ovo do tamanho de um ovo de galinha, mas tem algumas manchas mais escuras na casca. – Nossa, isso ainda está quente. Os passaros que ficam aqui por baixo são os bico-de-lacre, mas nunca vi um ninho deles... Mas passaros costumam ter medo de predadores...

— Deve ser por isso que o ovinho foi deixado para trás. – Tom toca no ovo e parece ter levado um choque. – Não é premonissão nem nada, mas se o deixarmos aí...

— É, eu sei... – Coloco o ovinho enrolado em uma das toalhas secas. – Vou pedir ao meu irmão para me deixar cuidar do ovo até chocar. Se não me engano é bem difícil... Dizem que depois de abandonados estão mortos, mas...

— Se você teve uma segunda chance, por que não ele? – Exato. Na verdade, me pergunto em qual chance estou. Não seria na terceira? — Tudo bem! Nunca tentei ter um passarinho, por que faz barulho e Amon tem ouvidos sensiveis.

— Então, acha que vai dar certo? Será que meu irmão não vai brigar? – Coloco a minha roupa e tento secar meu cabelo com a toalha.

— Eu não sei... Ele pode dizer que ainda não está vivo e fazer um ovo frito. – O garoto parece bem sério, mas quando encontro seus olhos negros, percebo que está apenas brincando.

Olho para Tom e seu cabelo está quase se encostando aos ombros, por estar molhado. E apesar de ser bagunçado, é realmente bem lisinho. Ele vai ao banheiro e volta com a roupa certa e uma toalha no pescoço. Eu forro minha mochila com a toalha seca e coloco o ovo bem protegido lá dentro. Agora só preciso ter cuidado. Pego a câmera que eu trouxe e aponto para Tom que está bosejando.

— Vou tirar algumas fotos daqui também. – Ele sorri e concorda com a cabeça. Tiro foto dele com os gatos, de nós dois, da piscina.

— Eu gosto de ter essas fotos, mas não gosto do motivo para tirarmos. – Não gosta de saber que vou esquecer...

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— Você ainda não falou nada, Carrie.

Paro de olhar para dentro da mochila e passo a dar atenção ao menino. Tom está certo, ainda não falei para o Billy sobre o ovo. Demora em torno de vinte dias para um ovo de galinha chocar normalmente. Não sei quanto tempo demorará para esse passarinho. Sem contar, que não sei a quanto tempo ele está aqui fora.

— Vamos ficar com ele um pouco mais... Vai me dizer que não quer vê-lo nascer? — Tom senta ao meu lado na cama e olha o ovo enrolado na toalha.

— Eu nunca tive um animal de estimação antes. Mas considerando que eu já li a respeito, o que é que tenha ai dentro vai morrer se não ficar em um lugar mais quente do que isso. – Ele toca no ovo e depois me olha. – E nem podemos contar ao Matt.

— É verdade. Ele é todo certinho, e não me ajudaria.

— Não é isso. Estou dizendo que não podemos pedir ajuda nisso. O dom dele em relação ao fogo, não é físico. Ele só é mais rápido e agil que um humano normal. – Tom se encolhe na cama. – O que vamos fazer?

— Said pode saber de alguma coisa! – Digo me levantando e pegando o celular. Mas eu não sei o número dele. Volto a me sentar e me apoio no menino. – Isso é mais complicado do que eu esperava.

— Cade Cê? Eu achava que ele não desgrudava de você... – Tom pega uma almofada fofinha e coloca em baixo do abaju. Tira o ovo da minha mochila e o coloca lá.

— Acho que a luz precisa ficar mais perto. Não podemos apagar nunca... E eu também achei isso. Mas desde ontem a noite, não o vi. — Voltamos a sentar na cama e encarar o pequeno ovo de longe. — Agora parece que ele cresceu, não é?

— Mas um ovo cresce assim? Como é que funciona? – Tom vira a cabeça de lado, de uma forma fofa e infantil.

— Não está me perguntando como eles são feitos, está? – Pelo amor de Deus, diz que não! Não seria certo explicar isso para uma criança.

— Eu sei como eu nasci, Cassie. Não me trata como um bebê! – Tom puxa o travessero e o apoia na parede. – Eu já falei que leio livro de adultos. – Eu não pensei que seria nesse nível, Tom! Ele aponta para o ovo. – Eu só pensei que depois que sai da galinha, não cresce mais...

— Sinceramente, eu não tenho certeza. Mas também acho que não deveria crescer, pois quebraria a casca, não é?

Tento perceber alguma mudança sutil, mas não vejo nada mais. Acho que por ter entrado nesse mundo eu tento ligar tudo para o paranormal. Pego o travesseiro com o ovo e coloco dentro do armário de Tom. Levo o abaju e o acendo, posicionando-o ao lado do bicho de pelucia que o Tom comprou.

— Assim não vai atrapalhar na hora de dormir e ninguém vai o perceber. – Sorrio, fechando a porta. – Se ninguém perceber até ele chocar e crescer, estaremos com sorte.

Tom me olha da cama e agarra o travesseiro.

— Nunca fui um garoto de ter sorte, e você?

Escorrego, apoiando as minhas costas na porta, e sento no chão. Seguro o cordão que recebi dos meninos. Se eu pensar em desde o acidente, acredito que foi mais que sorte. Pode não ter sido como o esperado, mas estar viva quando eu poderia estar morta... Eu penso exatamente o oposto do que eu disse ao Matthew. Mas antes disso... Eu poderia não ter muitas pessoas na minha vida, e ter poucas memórias longas, mas eu tinha. E isso sempre me bastou. Se nada desse mundo fosse real, eu ainda estaria bem.

— Eu sempre fui alheia à sorte e ao azar. Nunca pensava nisso. Se eu queria muito alguma coisa, eu ia atrás e tentava. Se eu não conseguia, eu apenas continuava tentando. Eu não estou acostumada métodos irreais para me salvar. – Solto o pingente e Tom está com a cabeça inclinada, como se não soubesse do que eu estou falando.

— Antes da gente, você tinha a sua vida. As coisas mudaram, desde que você veio morar aqui? Não tem nenhum outro parente te esperando? Ou uma amiga? – Ele fala com a boca escondida pelo travesseiro e eu não consigo escutar muito bem. — Ou alguém que está preocupado?

— Na verdade, eu tenho. – Minha resposta o surpreende e o menino chega a bater com a cabeça na parede.

— Mas você disse que veio sozinha para esse país e que mora sozinha e que...

— Eu moro. Quer dizer, sem contar os inquilinos que eram invisíveis. Eu fiquei muito tempo no Canadá. Tenho alguns amigos por lá, apesar de não ter mantido contato. Quando eles passam pelos Estados Unidos, sempre me visitam e contam as novidades. Algumas garotas que moravam comigo lá, odiavam o interior e queriam ver o brilho desse país. Então, tem algumas que estão em escolas próximas ao meu prédio.

— Então, estamos roubando você dos seus amigos? – Ele parece triste e isso é fofinho. Tom é muito amável e apesar de não querer que eu vá embora, está com pena de quem ele acha que me perdeu.

— Não se preocupe com isso. Quando as aulas voltarem, não devo ficar muito tempo em casa. Tenho minhas coisas para fazer. Apesar disso, virei dormir aqui, já que Matthew precisa me curar... Eu preferiria que outra pessoa tivesse essa função. Ele é sempre grosseiro comigo. – Dou de ombros. – O único que deve ter me perdido é o senhor que é meu visinho. Os filhos dele nunca estão em casa então eu sempre passava por lá para saber se ele estava bem.

— Por que não o visitou quando eu fui hoje? – Tom pega o bichinho de pelucia que comprou com o dinheiro do Caleb, e fica o sacudindo. O pobre lobo parece com aquele grande que estava na jaula.

Bem... Eu quero que menos pessoas possíveis saibam que minha vida mudou. Meus pensamentos voam para Prime. Ela não me ligou desde o acontecimento na biblioteca. Eu não faço idéia o que está passando pela a cabeça dela e como o corpo dela está. Se teve tantas feridas quanto o meu, significa que ela talvez esteja no hospital. Se ao menos Said tivese ligado para a minha amiga, inves de me socorrer de imediato. Desde sabado tem uma coisa me incomodando a respeitos dos fantasmas. Assim que Said voltar, eu quero falar com ele!

— Eu achei que iria atrapalhá-lo. A essa hora da noite, o senhor costuma estar ocupado. Ele tem a idade dos meus falecidos pais. É bem idoso no momento e precisa de atenção, no entanto aquele velho está sempre se divertindo pela a rua. Como se a idade não influenciasse a vida dele.

— Ah... É verdade. A vida dos humanos passa muito rápido. Amon sempre diz que assim que terminar o que está fazendo, vai voltar para o Outro Lado. Ele não quer ficar ligado a um mundo que acaba tão rápido. Afinal, humanos são frágeis demais. Eu ouvi papai e mamãe conversando, e acho que meu irmão matou a namorada humana sem querer. Isso aconteceu antes deu nascer. E desde então ele é tão... Estranho. Por isso, nem tento chegar perto dele.

O que Tom me conta, parece ridículo. Humanos podem não se regenerar, nem ter mágica. Porém, Amon não mataria uma humana. Afinal, ele vive indo a faculdade, então ele está ligado a essa vida. De uma forma ou de outra. E a garota ainda era namorada dele. Eu não consigo pensar em uma garota gostar de um idiota como ele, mas talvez ele tenha chame de lobisomem. Não sei.