Inverno Ardente
4 Vizinhos

Bucky Barnes estava parado na frente da porta de Savannah Devenport com o punho erguido, o punho de carne e osso dessa vez. Tinha deixado as roupas limpas no lugar e viera com a ansiedade correndo por suas veias.
O perigo iminente o deixava alerta e atento, uma parte de si estava sempre pronta para a luta, quase como se ansiasse por isso, mas a outra estava exausta demais de tudo aquilo. Bucky era uma contradição e odiava isso...
Depois de um longo suspiro, se preparando para o que viria como um dia havia se preparado para a guerra, ele finalmente bateu.
— Está aberta, pode entrar! — Ouviu a inconfundível voz de Savannah através da porta.
Não era bem o que esperava, por isso levou quase três segundos para enfim girar a maçaneta e dar um passo para dentro do lugar.
O apartamento era exatamente igual ao seu, exceto que tinha muito mais mobília: sofás confortáveis, mesa de jantar, espelhos, uma estante e uma grande televisão. O cesto de roupas limpas estava jogado no sofá e Savannah não estava na sala, mas a voz dela vinha do quarto, como se ela estivesse falando com alguém.
— Já disse pra usar a preta. — Ela tinha o tom contrariado, mas ainda assim divertido.
— Por quê? — Uma voz feminina respondeu e Bucky notou que era um tipo de chamada telefônica.
— Por que a preta deixa a sua bunda gostosa. — Savannah retorquiu e enfim apareceu na sala. Bucky não tinha certeza se devia estar ouvindo aquela conversa.
Ela ergueu o dedo pra ele pedindo um segundo e então começou a procurar algo nas gavetas de um móvel ao lado da mesa.
— Eu estou indo pra uma entrevista de emprego, Savy, não pra um encontro. — A outra garota respondeu e conforme Savannah se movia Bucky notou que ela estava em uma chamada de vídeo com a garota de cabelo roxo que ele viu atrás da janela no outro dia.
A ruiva revirou os olhos para a amiga, enquanto fazia uma bagunça de papeis, claramente procurando o bilhete.
— Se você não vai fazer o que eu falei, então por que pediu minha opinião? — Savannah respondeu naquele mesmo tom contrariado e então se virou para Bucky. — Eu tenho certeza que coloquei aqui, só mais um pouquinho e já acho.
Ele assentiu fazendo um gesto no ar como quem diz “não tem pressa”, mesmo que seu interior quisesse colocar logo as mãos no bilhete e acabar com aquele tormento.
— Com quem você está falando? — A garota do outro lado da linha perguntou.
— Meu vizinho está aqui. — Savannah respondeu daquele jeito casual de sempre.
— O Ryan? — A voz pareceu surpresa e até um pouco enojada.
— Jamais! Aquele filho da puta só entra no meu apartamento se for pra eu esconder o corpo dele no meu armário. — Bucky praticamente pode ver o ódio no olhar da ruiva e isso o surpreendeu.
— Você sabe que não pode esconder um corpo no armário, não é? Por causa do cheiro e tals. — A amiga devolveu e o Soldado concordou internamente.
— Eu só o deixaria escondido aqui até ligar pra você me ajudar com o corpo, sua nerd. — Savannah riu, voltando ao seu humor habitual.
Para Bucky era muito estranho ver alguém brincando sobre assassinatos daquele jeito, se perguntou quem era o tal Ryan por quem Savannah parecia nutrir tanta raiva.
— Mas agora tenho que desligar, Abby, a gente se fala depois, sua insuportável. — A ruiva se despediu da amiga. — Vai com a calça preta, é sério.
— Eu também te amo, vadia. — A outra, Abby, declarou pouco antes de desligar.
Era um jeito estranho de demonstrar amor... O fazia lembrar de Steve.
— Ah! Não falei que estava aqui! — Savannah balançou um papel no ar antes de o entregar a Bucky.
Ele examinou a dobradura desleixada, mas complexa e então bateu os olhos no “selo” que fechava o papel, uma figurinha de chiclete.
Uma figurinha do Capitão América, pra ser mais preciso.
Revirou os olhos contrariado, sabendo que tinha se preocupado com absolutamente nada, sequer precisou ver o “James B. B.” escrito com o pior dos garranchos, ou abrir o bilhete para saber de quem era. Sam...
— Problemas? — Savannah questionou de modo neutro.
— Não... na verdade não. — Bucky deu de ombros. Sam era um tanto idiota às vezes, mas não era um problema.
— Isso é bom, se não é um problema e nem a porra de um boleto, então são dois pontos positivos. — Ela riu e, quando o fazia daquela forma tão aberta e descontraída, uma adorável covinha aparecia em sua bochecha direita.
Bucky sorriu também, instintivamente, porque Savannah, aquele pequeno Sol de verão com longos cabelos ruivos, era contagiante.
— E aí, James? Uma cerveja? — Era sempre desconcertante e surpreendente o quanto ela podia ser natural e extrovertida.
James. O nome que Bucky definitivamente não gostava, por meia dúzia de motivos bobos, mas que ficava tão bem nos lábios de Savannah...
— Bucky. — Ele corrigiu automaticamente e a ruiva sorriu daquele jeito travesso.
— Vai querer a cerveja, ou não, James? — Ela nunca daria o braço a torcer.
Estava outra vez em dúvida sobre ser um convite sério ou apenas educação, já tinha aberto a boca para uma desculpa qualquer, mas o som de algo se quebrando, acompanhado do grito de uma mulher e do choro de uma criança o interrompeu.
Ficou tenso automaticamente, seu corpo entrando em estado de alerta, pronto para uma briga, mais algumas coisas foram quebradas e era possível ouvir um homem gritando alguns palavrões. Não era um ataque, era apenas uma briga comum no bloco da frente.
Savannah estava lívida, seus olhos castanho esverdeados opacos e perdidos, seu peito subindo e descendo. Outra coisa se quebrou no vizinho, o choro de uma criança ecoava por todo o condomínio. Savannah piscos três vezes antes de seu rosto tornar-se o retrato da raiva, ela sequer parecia enxergar o que estava em sua frente.
— Filho da puta! — Murmurou baixinho, dando alguns passos para a direita e pegando algo atrás do sofá.
Bucky quase não acreditou quando ela sacou um taco de basebol feito de alumínio.
— Já volto. — Declarou seca, deixando o apartamento antes que houvesse qualquer resposta.
Obviamente Bucky não ficou ali esperando, estava um passo atrás dela todo o caminho, curioso o bastante para não impedi-la, seja lá o que fosse fazer, mesmo que algo em si dissesse que era mais sensato impedir sim.
Savannah cruzou os blocos pisando duro, decidida. Muito mais vulcão em erupção do que Sol de verão naquele momento.
Ela parou em frente a porta de onde vinham os sons e atingiu a madeira com o taco de metal cinco vezes, furiosa. Bucky mantinha alguns passos de distância, mas estava perfeitamente atento e pronto para o que fosse.
— Ryan, abre a porra da porta, seu filho da puta do caralho! — O tom de Savannah era ameaçador e seco, era possível ouvir o ódio em cada uma das suas silabas.
Então era ali que morava o tal Ryan, Bucky constatou para si mesmo, curioso com o que exatamente aconteceria a seguir. Estavam no mesmo andar do apartamento dele, apenas alguns números a frente.
Uma mulher abriu uma fresta na porta, sua pele cor de chocolate estava marcada por um grande hematoma roxo que deixava sua bochecha inchada e redonda, seu lábio inferior tinha um fino corte que parecia ter sido limpo às pressas talvez com as costas da mão. Os olhos negros estavam vermelhos e carregados de tristeza e vergonha, os cabelos de ébano totalmente desgrenhados....
Bucky não precisou de muito mais que isso para saber exatamente o que estava acontecendo dentro daquela casa.
Savannah abaixou o taco, as duas se olharam por alguns poucos segundos como se compartilhassem algo profundo e triste, um segredo que não era bem um segredo.
— Savannah! — A mulher tentou um tom casual e alegre que não lhe chegou aos olhos. — Está tudo bem? Precisando de alguma coisa? Eu até te convidaria pra entrar, mas acabou de cair o armário da cozinha e a casa está uma bagunça. Olha até caiu no meu rosto.
Era mentira, claro que era, Bucky nem precisava conhecer a moça para ter certeza disso.
— Beverly... — O tom de Savannah era um misto de advertência e súplica.
— Savy, por favor... — Os olhos negros da moça eram puro pavor. — Não foi nada, sério.
Os dedos metálicos de Bucky estavam inquietos, abriam e fechavam como se conseguissem prever uma batalha. E ele queria aquela batalha, com certeza queria.
Savannah suspirou, aquele gesto cheio de diversas emoções que só podiam ser parcialmente decifradas, ela estava frustrada, irritada, contrariada, mas havia algo mais...
— Você tem que falar com a polícia, Bev. Já conversamos sobre isso. — Sua voz assumiu um timbre mais amigável, um tanto maternal até, o que era curioso, porque evidentemente a ruiva era a mais nova ali.
— Pra quê? Que besteira, foi só um armário. — Beverly riu como se não fosse nada demais, mas sua postura, e principalmente seus olhos, não escondiam seu temor. Ela sussurrou a próxima frase tão baixo que Bucky mal ouviu: — Eu não posso fazer isso, ele tem passagem.
Parecia uma situação complicada, de modo que Bucky não sabia como agir, era óbvio que a mulher chamada Beverly tinha problemas com o tal Ryan, provavelmente o marido... Mas ela não parecia querer ajuda, nesse caso era certo e prudente intervir? Bucky estava em conflito, porque uma parte de si parecia pedir por violência e ele ainda não conseguia decidir se o Soldado sedento de sangue era um lado seu que devia ser extinto ou apenas uma parte a ser aceita...
— Querida, entra, preciso de ajuda aqui! — Uma voz masculina veio de dentro da casa e os ouvidos atentos e treinados do Soldado notaram a embriagues no tom do homem.
Beverly tremeu, seus olhos assustados a respiração fora do ritmo.
— Melhor você ir agora... — O pedido que ela fez a Savannah era também uma súplica, o que deixou Bucky com ainda mais raiva do homem dentro da casa.
Savannah suspirou novamente, impedindo que Beverly fechasse a porta quando colocou o pé na frente do batente.
— Sabe que eu não posso fazer isso. — Ela declarou em um tom neutro. Bucky teve a impressão que as duas já tinham conversado sobre aquele mesmo assunto diversas vezes. — Um segundo Beverly, isso é todo o tempo preciso pra uma tragédia acontecer. Eu entendo que não queira chamar a polícia, mas pensa na Mike.
Bucky não sabia quem era Mike, mas a menção a esse nome fez com que Beverly cedesse finalmente, ela deu passo para trás e Savannah teve livre acesso a casa.
— Ryan, acho que precisamos ter uma conversinha amigável... — A ruiva declarou apoiando o taco de basebol no ombro, sem esconder seu tom irritado e cheio de sarcasmo.
Todos os instintos de Bucky diziam que aquilo não acabaria bem. Beverly estava encostada na porta, tremia, seus olhos redondos e negros ainda mais assustados, lá dentro Savannah dizia que estava na hora do Ryan dar uma volta por aí.
— Eu já estou de saco cheio de você se metendo na porra da minha vida, sua vadiazinha de merda! — Bucky ouviu o homem esbravejar e então o som de algo se quebrando. — Essa é a minha mulher e minha casa, sou eu quem manda aqui! Não mete o nariz onde você não é chamada.
Ele tinha tomado o taco da mão de Savannah, mas era sua mão erguida no ar para atingi-la. Bucky sabia disso porque já tinha entrado na casa sem sequer pensar ou pedir permissão. A raiva tinha se apossado de seu corpo em uma velocidade absurda, gelada e assassina.
O punho de Ryan desdeu em direção a Savannah, mas o Soldado Invernal segurou a mão do homem mais rápido do que qualquer um ali dentro poderia prever.
— Você não quer fazer isso... — O tom era uma advertência seca e vinha carregado do sotaque soviético que Bucky sequer se lembrava que tinha. Os olhos azuis gélidos estavam em Ryan e a mão direita, a de carne e osso, apertava o punho do homem com muito mais força do que o necessário.
— Mas que porra, só tem vizinho enxerido nessa merda?! — Ryan, claramente bêbado, resmungou, pronto para atingir Bucky, dessa vez com o taco.
O golpe foi impedido sem qualquer dificuldade pelo punho de vibranium. O alumínio cedeu sob os dedos metálicos como se fosse papel.
— Você. Realmente. Não. Quer. Fazer. Isso. — O Soldado tornou a repetir pausadamente, era como se o próprio inverno tivesse uma voz, era gelado e cortante, assassino. — Devia seguir o conselho que recebeu e sair.
Bucky tremia, o taco foi lançado em qualquer lugar, fazendo com que o ruído metálico se espalhasse pelo apartamento, mas o pulso de Ryan permaneci sob seu aperto, podia sentir os ossos dele rangendo, e sabia que poderia quebrar o homem no meio sem qualquer dificuldade, mesmo que não usasse o braço de vibranium. Esse era o motivo do tremor. Bucky estava tentando se conter, enquanto o Soldado Invernal murmurava, com requinte de detalhes, todas as formas de matar aquele idiota bêbado, ele queria isso... Queria e podia. Quem ali o impediria?
Respirou fundo, não podia ceder aos seus impulsos mais sombrios, o assassino treinado dentro de si tinha que permanecer adormecido, mesmo que naquele instante matar parecesse tão fácil e tão certo.
Soltou o punho de Ryan e o homem esfregou a própria pele, provando que o aperto de Bucky não tinha sido nada gentil. Ele lançou um olhar enviesado para a esposa e então para Savannah, mas nada disse antes de sair.
Barnes o acompanhou com olhos frios, sem sorrisos, sem piadinhas, nada o antigo Bucky do Brooklyn... totalmente o Soldado Invernal.
Silêncio. O apartamento ficou tão quieto que parecia vazio, mas Beverly ainda estava encostada no mesmo lugar, seus olhos negros ainda mais apavorados, só quando viu aquela expressão foi que Bucky caiu em si...
Merda. É claro que sua postura violenta tinha assustado as duas mulheres.
Procurou por Savannah com os olhos, temendo, mas já esperando e se preparando para o olhar amedrontado e julgador que a ruiva certamente teria para lhe oferecer...
— Nannah! — A voz infantil cortou o ar e Savannah desviou o rosto antes que Bucky pudesse ver sua expressão.
Um garotinho vinha do quarto correndo, não devia ter mais que seis anos, sua pele cor de cappuccino combinava perfeitamente com seus olhos redondos e negros, que estavam vermelhos denunciando seu choro. As bochechas gordinhas e inchadas se inflaram em um sorriso quando o garotinho se jogou nos braços da ruiva.
— Oi, Mike. — Savannah o abraçou de um jeito protetor e Bucky pode ver o rosto do menino afundas entre os fios alaranjado.
Barnes deu um passo para trás, se sentindo deslocado e errado ali dentro, uma parte de si dizia que ele tinha estragado tudo, que logo todos saberiam e que seus dias naquele prédio estavam contados...
Foi quando enfim os olhos castanhos esverdeados o encontraram e, diferente do que Bucky tinha previsto, Savannah não tinha medo ou julgamentos, ela parecia... agradecida?
— Hey, amorzinho. O que acha de fazermos uma noite de filmes lá em casa hoje? Eu você e a mamãe, hein? — Ela sorriu para o pequeno Mike enquanto fazia a proposta e era como se a sala fosse banhada pelo calor aconchegante do sol depois de um temporal.
— Eba! Vamos ter pizza? — O garotinho parecia totalmente esquecido do clima ruim.
— Com certeza. — Savannah respondeu, colocando Mike no chão.
O pequeno puxou a mãe pela mão, empolgado com a festa. Beverly lançou um último olhar, dessa vez menos assustado, para Bucky e saiu acompanhando o filho.
Savannah tinha um semblante calmo e assim o manteve até que Beverly e Mike sumissem de vista, mas ao mesmo tempo parecia tão preocupada...
Assim que ficaram sozinhos Bucky procurou algo para dizer, porém não encontrou nada, apenas esperou que os olhos castanhos esverdeados voltassem para si novamente, quase como se ansiasse por isso.
Não demorou muito, logo a atenção da ruiva caiu sobre ele em uma calmaria quase inapropriada para aquele momento.
— Obrigada por isso. — Savannah lhe ofereceu um sorriso pacifico. — A maioria das pessoas não se importa o bastante pra fazer alguma coisa...
— Mas você se importa. — Bucky constatou com uma ponta de admiração na voz.
Sua vizinha era alguém disposta a fazer o certo, não importando quão difícil ou arriscado fosse. Ela era como Steve...
— Os Porter não têm mais ninguém. — Savannah moveu os ombros e então balançou a cabeça de um lado para o outro em um gesto decepcionado. — Ryan vai e volta quando quer. Ele sequer esquentou lugar por tempo o bastante na cadeia. É complicado... Seria melhor que ele sumisse pra sempre, antes que algo pior acontecesse.
Bucky finalmente foi capaz de entender a conversa sobre “ocultar um cadáver” e, sua mente treinada por décadas para resolver tudo com violência lhe forneceu uma imagem detalhada do quão simples seria lidar com o problema chamado Ryan. O idiota sequer veria o que tinha lhe atingido... Podia ouvir o pescoço do homem quebrando sob seus dedos metálicos, podia sentir o cheiro de sangue e morte.
Não! Bucky rugiu para si mesmo, tentando afastar o pensamento de si. Não sou mais assim. Respirou fundo e apertou as pálpebras para recobrar o controle sobre si mesmo.
Quando abriu os olhos, os azuis frios encontraram os quentes e brilhantes castanho-esverdeados, Savannah franziu as sobrancelhas por um segundo, obviamente confusa com o comportamento do vizinho, mas nada disse, isso porque foram interrompidos por uma espevitado Mike Porter, vindo saltitante do quarto.
— Nannah! Eu vou levar meu Capitão América pra comer pizza também. — Bucky viu o pequeno balançar um boneco de Steve nas mãos e sorriu de canto.
Quem diria que um dia aquele garoto magricela e asmático do Brooklyn teria uma linha de brinquedos em sua homenagem?
— Parece perfeito, quem não gostaria de comer pizza com o Capitão América? — Savannah abriu um daqueles sorrisos de Sol de verão e mesmo Bucky se sentiu aquecido.
Beverly veio logo atrás do filho, com uma bolsa jogada nos ombros como se aquilo fosse algo que ela já tinha feito dezenas de vezes e assim foram deixando o apartamento. Enquanto Savannah e o pequeno Porter seguiam na frente.
O menino parou um segundo quando passava por Bucky e o olhou de uma forma... curiosa. Mas não durou muito, porque logo ele já tinha saído correndo atrás de Savannah.
Bucky lembrou de recolher o taco destruído e deixou que Beverly fechasse a porta, evitando o olhar da vizinha apenas para não ter que pensar no que ela podia achar dele.
Como Savannah estava em uma conversa paralela e animada com Mike, Bucky foi ficando para trás afinal morava naquele bloco, não tinha desculpa para seguir as duas moças e o garoto até o outro lado.
Ele tinha acabado de abrir a porta do próprio apartamento e colocado o taco amassado lá dentro, quando alguém lhe chamou de volta.
— James? — Ele se virou totalmente na direção da voz melodiosa a tempo de ver Mike e Beverly sumirem de seu campo de visão e apenas uma de suas vizinhas ficar ali parada no fim do corredor.
Talvez pudesse gostar de ser chamado de “James”...
— Savannah... — Respondeu, permitindo que seus olhos tocassem os dela.
Azuis e Avelãs; Frio e Calor; Inverno e Verão. Melancolia e Alegria. Uma dezena de contradições, mas apenas duas pessoas... Savannah e James.
Ela sorriu e ele praticamente pode sentir o Sol aquecer seu peito.
— Eu fico te devendo uma cerveja. — A ruiva deu uma piscadinha amistosa, então acenou uma despedida antes de se virar e seguir os Porter.
Bucky não fez o mesmo, não acenou ou se despediu, mas por algum motivo, que nem ele sabia naquele momento, ele sorriu... Calmo e leve.
Quando entrou em seu apartamento fechou a porta atrás de si e enfiou a mão no bolso, tirando de lá o bilhete nem tão misterioso. Deu uma longa revirava de olhos quando viu a figurinha do Capitão América selando a dobradura malfeita, Sam tinha um humor questionável...
Além disso, aquele “James B. B.” era obviamente alguma provocação infantil, porque Sam sabia que Bucky nunca usava o primeiro nome. Mas talvez pudesse rever isso quando se tratava de certa vizinha baixinha e ruiva, com uma coragem flamejante e um sorriso ensolarado...
Abriu o bilhete e finalmente leu as linhas, tendo que decifrar uma ou outra palavra da caligrafia garranchada de Sam:
“Caro Idiota semi-estável de cem anos...
Você sabia que as pessoas desse século têm celulares? Aquele aparelho eletrônico muito legal que serve para que outra pessoa (tipo um cara muito legal, bonitão e ocupado, vulgo eu), não tenha que parar tudo para ir se certificar que essa primeira pessoa (um cara chato e imã para problemas, vulgo você) não tenha se metido em encrencas ou morrido por aí.
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E me liga.
Furiosamente, Sam.”
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