Inverno
3 Capítulo 3
Notas iniciais
3 – Seize The Day
Aproveite o dia ou morra lamentando o tempo perdido
Está vazio e frio sem você aqui, tantas pessoas sofrendo.
Eu vejo minha visão queimando, eu sinto minhas memórias desaparecendo com o tempo
Mas sou tão jovem para me preocupar
Essas ruas em que nós viajamos sofrerão do mesmo passado perdido
Eu encontrei você aqui, então, por favor, fique por mais algum tempo
Eu posso me mover com você por perto
Eu te asseguro minha vida mortal, mas isto será para sempre?
Eu faria qualquer coisa por um sorriso, segurando sua mão até nosso tempo acabar
Nós dois sabemos que o dia irá chegar, mas eu não quero te deixar
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Synyster despejou a água sob o cubo de açúcar no copo de absinto pensando em como as coisas poderiam mudar tão rápido. A briga com Michelle tinha acabado como sempre. O vestido dela estava amassado sobre o chão do quarto e mais uma de suas camisas tinha sido inutilizada durante o sexo de reconciliação. Tinha que admitir que foi bom.
Mas quando acordou, ignorou o corpo enroscado em seus lençóis, colocou uma roupa quente, uma touca sobre o cabelo pra se proteger do frio e saiu de casa, seguindo para um barzinho obscuro e cheio de fumaça em que gostava de ir quando queria ficar sozinho.
Tomou todo o absinto da taça em apenas um gole e retirou o celular do bolso do casaco. Tinha olhado tantas vezes para aquele cartão que já tinha decorado o número de Jessica, mas estava hesitando em ligar.
“Por que diabos estou tão nervoso?! Ela é minha amiga!”
Depois de tomar mais um dose, juntou coragem pra ligar, mas antes que tivesse chance de discar o primeiro número, o celular em suas mãos começou a tocar e o nome de Matt apareceu no identificador de chamadas.
— Fala aí, Matt.
— E aí Syn? — a voz marcante respondeu — Queria avisar que eu não vou hoje pro bar, vou ficar na produtora pra dar uma força pro Jimmy e pro Zacky, então você a Val cuidam de tudo lá, ok?
O barman assentiu. Matt entendia muito de música e chegava a dar conselhos a Jimmy e a Zacky na produtora em que eram sócios, portanto não era surpresa que fosse a primeira opção quando precisavam de algum tipo de ajuda.
— O que aconteceu?
— Não sei bem, parece que houve um problema naquela reunião em que o Johnny foi e eles precisaram viajar. — ele riu — O Zacky ficou puto por ter que deixar a Jessye sozinha lá no apartamento.
Synyster se exaltou, pressionando os dedos no celular.
— Você quer dizer — começou tentando conter a ansiedade na voz —, o apartamento dele?
— É, ela está lá. Você não sabia?
— Err...não.
— Estranho. A Val me disse que ela deixou um cartão pra você.
— Você nem imagina o que aconteceu?
— Michelle?
— Exato.
— Entendo. Cara, eu tenho que ir, seu turno começa as sete hoje, você não tem permissão pra se atrasar, sacou?
— Sim chefe — ele riu, de repente estava mais animado —, pode deixar.
Ele desligou o celular e ficou girando o aparelho entre os dedos enquanto sua mente trabalhava. Ainda era cedo, não pretendia voltar pra casa e só tinha um lugar em que pensava naquele momento.
“Ah, foda-se!”
Sem se dar muito tempo para pensar mais, puxou algumas notas da carteira e as deixou sob a taça vazia na mesa antes de sair daquele lugar. Pelo menos meia hora depois de uma caminhada desconfortável e fria, seus olhos encontraram a fachada vermelha do prédio de dez andares. Sorriu sem querer pensando em como Zacky adorava coisas chamativas e seguiu para a entrada, abriu a porta de vidro espelhado assim como o de cada uma das janelas do edifício e cumprimentou os seguranças enquanto ia até o balcão da recepção.
— Olá senhor Gates. — Brandon, o recepcionista o recebeu com o sorriso formal de sempre. — Se veio aqui procurar o senhor Baker, ele não está.
— Eu sei, mas tem alguém no apartamento dele nesse momento?
— Bom... sim, a senhorita Howard. Mas ela pediu para não ser incomo...
— Obrigado. — ignorou os protestos do recepcionista e seguiu para o elevador.
Retirou o cachecol tentando se livrar de uma sensação estranha, algo parecido com nervosismo ou ansiedade. Sacudiu a cabeça tentando se livrar desses pensamentos e parou diante da porta para tocar a campainha. Alguns instantes depois, a maçaneta dourada se moveu e uma fresta se abriu na porta.
— Brian. — Jessica disse sonolenta.
— Posso entrar? — ele sorriu.
— Hm...Claro. — bocejou.
— Está tentando seduzir alguém, é? — brincou apontando para as roupas da amiga.
A garota respondeu mostrando a língua enquanto passava os dedos entre o cabelo desarrumado, era óbvio que tinha acabado de acordar. Usava uma camisa preta e larga aparentemente velha, shorts da mesma cor que mal cobriam um terço de suas pernas e meias azuis que iam quase até seus joelhos.
— Quer alguma coisa?
— Só conversar.
— Então senta aí. — ela indicou o sofá na sala — Por que não me ligou pra avisar que vinha?
— Você também não me ligou. — respondeu tentando mudar o rumo da conversa, não queria falar sobre os problemas com Michelle e o cartão era um deles.
— Eu achei que depois daquela demonstração da minha completa incapacidade de guardar segredos, você não estava querendo muito falar comigo. — respondeu meio constrangida enquanto se acomodava no sofá ao seu lado — Desculpe por aquilo.
— Não foi nada, tenho até que te agradecer por aquilo.
Meio sem pensar, ele retirou o casaco que o incomodava devido ao aquecimento do ambiente e percebeu os olhos da amiga atentos em seus braços amostra pela camisa branca de manga curta.
— Você não as tinha da última vez que a gente se viu. — com uma curiosidade quase infantil, Jessica segurou sua mão direita e começou a traçar os desenhos com as pontas dos dedos. — Posso ver melhor?
Ele cedeu ao pedido e retirou a camisa permitindo que a amiga se aproximasse olhando cada detalhe sem aparentar perceber a tensão que aquela situação provocava. A cintura fina ficou a alguns centímetros de sua mão quando a garota voltou sua atenção para o braço esquerdo e avançou um pouco sobre seu corpo.
Synyster escondeu o arrepio que sentia com o toque macio.
— Eu sou de carne e osso, sabe. É melhor você... — não precisou terminar a frase pra que os olhos azuis se encontrassem com os seus.
Ela tinha as duas mãos apoiadas sobre seus braços e o rosto próximo ao seu sustentando uma expressão um tanto confusa. O silêncio destacava o som da respiração suave que tocava seus lábios e Synyster não ousou se mover um centímetro sequer, sabendo que faria uma besteira caso tentasse.
O esquentar da pele sob suas mãos foi o gatilho pra que Jessica saísse daquela paralisia estranha e se afastasse corada para a outra extremidade do sofá.
— Me des...
— Quer sair? — ele a interrompeu — Vamos dar um volta.
— Err...ótima idéia, espera eu me arrumar rapidinho.
— Ok.
Assim que Jessica saiu da sala, ele respirou fundo tentando acalmar os hormônios agitados e os pensamentos a mil.
________xxx________
A luz pálida do sol de inverno refletia na grossa camada de neve que cobria a cidade, mas não era o suficiente para aquecer o dia nenhum grau sequer. As roupas não pareciam ser o bastante para reter o calor em seu corpo e as meias estavam cada vez mais encharcadas pela neve que entrava em seus sapatos, ainda sim, Synyster não se sentiu totalmente desconfortável enquanto caminhava ao lado de Jessica pelas ruas do centro.
— Depois daquela confusão na boate achei que teria mais cuidado ao andar na rua.
— Se eu ficasse andando por aí cercada de seguranças chamaria bem mais a atenção não acha? — Jessica disse ajeitando uma mecha dos cabelos que sobrava do gorro de lã preta que usava — Além do mais eu não sou o John Lennon pra algum maluco vir atrás de mim com uma arma.
— Deveria tomar mais cuidado.
— Preocupado comigo — ela o olhou de canto —, Synyster?
— Você pode me chamar de Brian.
Jessica tocou seu braço fazendo com que parasse.
— Sério que ela nunca percebeu? Digo, não está na cara que isso é o apelido que um adolescente narcisista daria a si mesmo?
— Valeu pelo narcisista. — disse irônico, mas recebeu um olhar de não “posso fazer nada” como resposta — Ela sabia que meu nome era Brian, só não sabia o resto.
— Hm...faz sentido. A gente passou tanto tempo naquele internato que quase ninguém nos conhecia. — ela voltou a andar e ele a seguiu — Não deve ter sido difícil virar outra pessoa.
— Quem sabe esse não seja eu?
— Se é assim Brian — ela se aproximou e passou o braço por sua cintura num meio abraço confortável —, por que você não parece mais feliz?
Synyster correspondeu, apertando o corpo da amiga contra o seu e não falou mais nada. No fundo, sempre se fazia essa mesma pergunta e ainda não tinha encontrado uma resposta.
— Vamos pra lá?
Seus olhos seguiram para a direção em que Jessica apontava animada com a mão livre e encontraram a fachada do New York Botanic Garden.
— Você sabe o tamanho daquele lugar?
— Você me convidou pra dar uma volta. Agora vai fazer corpo mole?
Synyster revirou os olhos, mas atravessou a rua e entrou no jardim. Seus pés afundavam na neve fofa enquanto observavam as árvores de galhos secos salpicadas de branco. Havia poucas pessoas no local devido ao frio e em alguns momentos, Synyster chegava a ter a sensação de que só havia eles dois em todo aquele lugar.
Depois de andar mais um pouco, encontraram um jardim completamente florido centralizado por um lago congelado. Não foi surpreendente, aquele jardim tinha sido planejado pra sempre haver algo florescendo em seu espaço.
— Sabe o que dizem? — Jessica murmurou encantada. — Que as flores do inverno são as mais bonitas.
Ele mirou a amiga que ainda admirava o jardim de inverno e disse num tom quase inaudível:
— Eu gosto.
— Vamos pra estufa de cristal? — os olhos azuis com toda atenção sobre si o fizeram voltar à realidade.
— Hm... claro.
Guiando-se pelos mapas espalhados pelo local, os dois encontraram o pequeno palácio em meio a um jardim de grama bem cortada ladeado por árvores de galhos secos devido ao inverno, mas ainda sim capaz de tirar o fôlego de alguém com sensibilidade para reconhecer coisas bonitas.
— Sabe, eu estou meio decepcionada. — a garota comentou enquanto subiam as escadas da entrada da estufa.
— Com o que?
— Você está noivo. — ela suspirou quando foram envolvidos pelo calor confortável do interior — Não vai mais poder casar comigo como prometeu.
— Hã?...Mas... — ele estava prestes a perguntar sobre o que ela falava, mas então se lembrou. — A nossa promessa.
Jessica soltou uma risada gostosa e se pôs a sua frente, entrelaçando seus dedos.
— Exato, quando a gente tinha sete anos você prometeu de mindinho que quando a gente crescesse ia se casar.
— Depois do que aconteceu no nosso baile de formatura, eu devia mesmo. — disse se divertindo ao ver a garota corar.
— Você ainda lembra daquilo?
— Como eu poderia esquecer aquela noite? — perguntou um pouco mais sério, mas logo completou mais leve — Além do mais foi quando descobrimos que você é fraca pra bebida.
Ela riu
— Verdade! — de repente Jessica parou de rir, assumindo uma expressão séria — Mas eu acho que sua noiva não ia ficar muito feliz se ouvisse isso, mesmo sendo brincadeira.
— Ela não fica muito feliz com nada ultimamente. — disse amargo
As bochechas de Jessica ficaram da mesma cor que a flor rosa choque observava.
— E eu tenho alguma responsabilidade nisso?
— Não, no fundo é culpa minha mesmo. — respondeu sem se conter. Jessica era uma das poucas pessoas com que podia ser completamente sincero e também uma boa ouvinte — Tenho que me esforçar muito pra ter paciência com a Michelle ultimamente.
— Não quero me intrometer, mas tem certeza que você fez a coisa certa ficando noivo dela?
— Sinceramente, não sei se foi o certo, mas não é o tipo de coisa em que se volta atrás com facilidade, entende?
Ela franziu as sobrancelhas
— Se não tinha certeza por que a pediu em casamento?
— Ela meio que me pressionou. “Ou a gente casa ou acaba por aqui”.
— Diz muito sobre você ter preferido ficar noivo. — comentou sincera.
— Mas... e você e o Zacky?
Jessica tirou os olhos da plaquinha que identificava a planta a sua frente sorriu para ele.
— Eu gosto muito dele. Nós temos química e...
— Já ouvi demais ontem! — ele a interrompeu e ouviu sua risada como resposta — O que eu quis dizer é... se você tem certeza, sobre vocês dois.
— Por que está questionando meu namoro?
— É só uma pergunta.
— Hm... — ela mordeu o lábio, refletindo — Eu me sinto bem ao lado dele, confortável, entende? Não tenho como dizer se vai ser pra sempre, mas falando sobre agora, sim, é com ele que eu quero ficar.
— Entendi. — murmurou meio pra si mesmo — Mas agora, o que acha da gente ir pra um lugar mais quente? — Jessica ergueu uma sobrancelha — Eu quis dizer um café que tem aqui perto, sua desconfiada.
— Eu não falei nada. — a garota ergueu as mãos se defendendo.
— Mas pensou.
Ela estreitou os olhos.
— Você por acaso lê mentes?
— Nunca te contei? Por exemplo, eu sei que agora você está desejando desesperadamente uma xícara de chocolate quente.
— Wow! — Jessica abriu a boca fingindo surpresa — Você tem o dom.
— É um poder e uma maldição. — ele suspirou fazendo-a rir e os dois saíram em direção ao café.
Notas finais
B-A: Será que alguém consegue adivinhar o que acontece agora?
Jack: Ah essa eu sei, eles vão...
H_A: Cala a boca Jack, eles tem que ler!
Jack: Mas...
B-A: E deixar reviews pra nós sabermos se estão gostando.
Jack: Eu só ia falar que...
H_A: Jack, se não você calar a boca, a gente vai lá pegar a foice.
B-A: Isso mesmo e.é
Jack: Ok, estou calado i.i
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