Inveja
1 Capítulo 1
Notas iniciais
No final de uma pequena cidade, após um pequeno bosque e ponte sobre um riacho de águas plácidas, ficava Enbizaka.
Guardada pelos pinheiros e enfeitada por orvalhos, um pacífico e belo vilarejo a qual habitava poucas e boas famílias. Todas as quais, um habilidoso jovem se destacava dentre todos por sua maestria e êxito impecável em seu singelo trabalho.
Akashi Seijuurou, na flor de sua idade, gerenciava e tinha sobre sua posse uma alfaiataria a qual ele tecia e mostrava seu talento aos arredores. Passado de sua mãe, que era a alfaiate mais conhecida antes de murchar tão nova.
Com um trabalho que possuía e coordenava tão bem, era admirado e alvo de muitas conversas, sendo elogiado e como uma boa figura para o vilarejo, muito requisitado em eventos e apresentações.
Contudo, como a vida não era somente lindas orquídeas e belas lótus, algo andava a atormentá-lo durante seu empenho.
Um amor alimentado durante anos, mas que andava gerando insatisfações e dúvidas.
Sua pessoa amada, não voltava para casa, perdurando um bom tempo fora e sem mandar ao menos curtas notícias. Mesmo com o coração a transbordar de receio, não deixava isso abalar seu trabalho e sempre estava a continuar agradando todos no vilarejo o qual cresceu e vivia.
— Akashi-san, ficou belo. — A garota comentou, fitando o Kimono recém-tecido por ele, na coloração rosa pálido.
Levantou-se com o mesmo em mãos, colocando a frente do corpo e imaginando-se dentro dele.
Mulheres.
A loira sorriu ao ruivo que a fitava com um pequeno repuxar de lábios de satisfação. Nada que não esperasse ouvir como de praxe após mais um serviço ter seu termino por suas mãos. Ditaram o preço entre eles, afinal, era o jeito que Seijuurou tirava sua vida.
Logo a moça saiu de seu estabelecimento, dando acenos e logo sumindo do campo de visão dele.
Suspirou.
Como ele poderia não voltar para casa tendo alguém como ele? Tão dedicado ao emprego que era mais algo que gostava de fazer por lazer, belo, e sempre a ser companheiro.
Pegou a tesoura em mãos, abrindo e fechando, causando a sonoridade das lâminas de chocando e roçando uma as outras enquanto seus olhos focavam nas linhas e agulhas. Não era algo que Akashi deixaria se afetar.
Com uma postura correta e jeito formal, escutou o ecoar dos pequenos cristais à porta anunciarem a chegada de mais um cliente. Tinha que dar o melhor de si em seu trabalho, atendendo sempre com respeito e excelência no que iria tecer.
Assim, passava o restar do dia, divagando em pensamentos entre uma linha e outra, um corte e costura; sua mente sempre estava nos donos de cabelos azuis.
Com a tesoura em posse de suas mãos, a qual sua mãe usou até o último segundo de vida e enquanto ela tecia suas peças e afins, ela repetia vários mantras sobre o que significava a tesoura e o porquê dela ser desta forma.
Lembrava-se vagamente das mesmas, mas sempre recordaria do belo sorriso que ela tinha ao fazer seus trabalhos e ver pessoas felizes, ao lado acompanhada de forma breve de seu marido.
Perguntava-se se ela fora feliz ao tomar sua última decisão a respeito dele.
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Mais um dia acompanhado do clima ameno e da paz que era Enbizaka.
Todos exerciam suas profissões na maior plenitude enquanto outros apenas desfrutavam do tempo daquele começo de tarde.
Seijuurou caminhava distraído, uma vez e outra sendo cumprimentado pelos aldeões, sorrindo de volta em simpatia. Estava a andar para caminho de uma entrega numa casa vizinha.
O pedido lhe era em nome de uma bela moça do vilarejo que pedira um Kimono em coloração exuberante. Coincidência esse ser o mesmo de seus olhos.
Chegando à porta desta, deu leves batidas na mesma com o nó de seus dedos da mão esquerda, já que a outra segurava a encomenda. Não demorando a uma jovem vir recebê-lo.
— Akashi. — Fez reverência. Tinha curtos cabelos castanhos, parecia uma criada da casa por suas vestes. Olhou para as mãos do ruivo, pedindo permissão com os olhos a pegar a peça que logo foi consentido por ele. Tomou em suas mãos, abrindo ele e costumeiramente, colocando à frente do corpo. — Ela e o marido vão amar.
Os olhos carmesins de Seijuurou ganharam um brilho. Sabia que pela cor deveria ser para agradar algum rapaz das redondezas, senão a coloração seria mais fraca e delicada.
— Aposto que sim. — Sorriu a ela e logo se virou. Tinham pagado adiantado, então terminara com êxito mais uma vez. — Mande felicidades ao casal.
— Ah, Akashi. — Ela chamou, fazendo este retesar o olhar. — Pode fazer uma faixa verde? — Lembrou-se de que a sua superior pedira isso antes de sair de casa.
— Sim — concordou, e a jovem assentiu, podendo agora o ruivo tomar seu caminho, dessa vez, livremente para seu estabelecimento.
Distraindo-se com alguns aldeões que o chamavam para comer e beber algo, ele parou em seu trajeto novamente. Mas logo depois disto, passando algumas ruas, logo chegou à principal de onde alguns cochichos eram trocados por uma visão belíssima.
Uma jovem de cabelos rosa compridos usava o Kimono que entregara fazia alguns minutos – ou quem sabe horas por sua demora. Os olhos de Seijuurou caminharam por ela, parecendo examiná-la. Um simples motivo.
Ao lado desta, de pé, um homem de pele escura e cabelos azuis escuros acariciava suas madeixas longas e apreciava a visão da moça vestida naquela peça elegante.
Quem és esta a teu lado?
O Kimono vermelho o qual ela usava caia perfeitamente em seu corpo e curvas, causando olhares de cobiça de outros homens e garotinhas encantadas com a visão. O que ele estava a fazer?
Então era por isso que não voltava para casa? Tinha... Outra?
Não aguentando por muito tempo olhar aquilo que lhe estava a ser um tormento ou objeto de terror, as pernas tiveram uma pequena travada em seu lugar. Os olhos vermelhos arderam com a cena, e com lágrimas começando a rolar por seu rosto, Akashi tratou de sair às pressas daquele lugar o quanto antes.
As mais diferentes explicações ele poderia lhe dar a respeito do sumiço, mas não pensara que era isto.
Chegou rapidamente em casa, pulando o local de trabalho que deveria ter ido. Como tão pouco poderia abalá-lo? Derrubou pequenos vasos com camélias dentro, despedaçando as pétalas ao se chocarem ao chão e a água tornando o piso escorregadio.
A respiração estava irregular e de seus olhos não cessavam as lágrimas, rolando e caindo de sua face até às vestes e mãos.
Como ele podia?
Simplesmente não pode ficar assim, o vento soprou a seus ouvidos.
Recordou-se de que tinha um pedido ainda para aquele dia, olhando um pouco para a bagunça que tinha feito. Pegou em seu pequeno arranjo de materiais de madeira o que iria utilizar.
Sentou-se ao chão, em meio aos vasos quebrados e pétalas desprendidas de suas flores, olhando para aqueles pedaços enormes de panos a serem moldados.
Esvaziou sua cabeça, limpando o rosto das lágrimas e desembaçou os olhos destas, começando a tecer um Kimono sobre suas pernas.
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À noite, caminhava com a faixa verde em mãos, rumando para a entrega a ser feita.
Bateu calmamente na porta, esperando a dona dos olhos castanhos vir atendê-lo, mas aparecera uma pessoa ainda melhor do que ela.
A dona dos cabelos rosa, ainda vestindo o belo Kimono que ele havia tecido. Sorriu um pouco abertamente a sua presença.
— Caiu a ti muito bem — elogiou a moça, causando um rubor ligeiro em suas bochechas.
— Obrigada — agradeceu. — Não necessitava que tivesse que vir à tão tarde em minha residência. Dê-me um momento. — Pediu, logo voltando com certa quantia em mãos pela faixa, pegando a mesma e entregando o dinheiro.
— O que achas de um ajuste? Acabei por notar que ficou folgado aqui — comentou tocando ao colo desta, na linha de seu pescoço. Um empecilho.
— Não vou estar a incomodar? — indagou receosa.
— Jamais. — Repuxou os lábios ao notar o assentimento dela, vendo que deixara a faixa em uma pequena bancada da casa e logo voltou à porta, fechando-a.
— Não fazes ideia de como ele gostou — comentou com um sorriso e rubor bobo no rosto, tocando as laterais do mesmo, transparecendo estar envergonhada ao se recordar de algo.
Ah, sim, sei muito bem, sorriu por simpatia a ela, continuando a andar.
No antebraço esquerdo de suas vestes, estava sua ferramenta principal de trabalho, somente esperando que estivesse a hora certa para fazer o que lhe tinha em mente.
Passaram por um pequeno caminho de pedras que logo mais a frente era lugar de um jardim repleto de flores. A rosada abaixara para pegar uma das tantas que dispunham no local, dando uma chance ao ruivo.
Ruas vazias, ninguém ousava sair a esse horário devido às infantis lendas da aldeia, do espírito de Shiori que era cortante como o vento, mas sua lâmina passava como fogo a quem ferisse.
Desceu com o braço para que a tesoura caísse em suas mãos, realizando o processo de roçar as lâminas até mantê-las fechadas, agachando-se atrás da jovem.
Levantou o braço esquerdo, mirando ao meio das costas da rosada e cravando o objeto ao mesmo tempo em que abaixara o rosto dela para que o grito fosse abafado na grama verdejante e terra.
Girou a tesoura na costela dela, um local o qual deixava a pessoa sem a mobilidade do corpo, já a vendo parar de se mexer e apenas murmurar, esganiçando de dor.
Sua mão direita segurava os fios agora, emaranhados por seus dígitos entre eles, abaixando e levantando a cabeça a cada vez que ela ia ameaçar de proferir algo em mais alta tonalidade.
Queria ver seu sorriso agora, as bochechas ganhando cor por recordações que deveriam ser suas, a pessoa que ele amava. Ela não tinha direito de se intrometer de tal forma assim no caminho deles.
Quem achava que era?
Bom, agora, ninguém mais, só mais uma mulher qualquer à beira da morte e jogada como nada ao jardim de alguma residência.
Hora de voltar para casa, ainda ha arranjos a se fazer, a brisa acariciou seus fios e rosto, sorrindo a jovem e levantando-se enquanto essa dava seus últimos suspiros. Tirou a tesoura de suas costas, afinal, não era qualquer uma; não poderia deixá-la pregada às costas de alguém como essa mulher.
Levantou o rosto dela novamente, enfiando a tesoura em sua boca com força, girando o objeto de sua mãe até ambas as lâminas tocarem o céu da boca da rosada. Fez pressão ali, sentindo a tesoura afundar dentro da cavidade dela e essa perder seus últimos sentidos ainda que funcionavam.
Os olhos. Podia ver uma mudança nos olhos do alfaiate.
Um deles era amarelo antes?
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A manha seguinte estava um pouco agitada, causando um estranhamento ao alfaiate que acabara de acordar em seus aposentos. As pessoas pareciam inquietas nas ruas, várias conversas, mas todas com um único foco.
O ruivo levantou-se, fazendo a higiene matinal antes de sair para se informar do tal acontecimento.
— Quem pode ter feito tal absurdo? Ela era tão jovem. — Uma das pessoas a rua comentava tristemente, balançando a cabeça em negação. Seijuurou arqueou uma sobrancelha em curiosidade, olhando para todos enquanto andava um pouco para saber se ao menos ficava por dentro dos acontecimentos.
Estava a par. O que ocorreu quando todos estavam a dormir?
— Com licença. — Pediu ao ver um aglomerado de pessoas à frente de uma casa. Não desejava passar, mas queria respostas. Uma pessoa virou-se para si, com um olhar de luto. O que se passara?
— Akashi-san, você não sabe? —O ruivo balançou a cabeça em uma resposta negativa, fazendo uma expressão confusa e curiosa. — Parece que alguém matou Momoi-san.
O olhar duplicou-se por alguns segundos, sentindo algo errado com aquilo.
Fazia tempos que no vilarejo não ocorria algum crime. Por que agora? Por que a rosada? Era uma moça tão boa, bem criada pela família. Havia feito uma entrega a ela ontem e ela parecia tão feliz em seu Kimono. Quem pôde tal horror?
Tomou espaço entre as pessoas com cuidado e educação, botando-se à frente do local e a cena que deixava muitos enfraquecidos.
Havia sangue por suas costas e boca, e ela tinha uma feição dolorosa. Sofreu ao morrer.
As flores ao redor do corpo tinham a coloração escura do sangue seco, até as mais lindas sucumbiram ao delírio da morte, perdendo suas pétalas e murchando lentamente. Não era uma cena apreciativa, mais dolorosa impossível para aqueles que tinham afinidade com ela.
As mais belas se esvaem repentinamente, de forma até mesmo sorrateira, não sabendo de onde vinha o ataque furtivo certeiro, dando o ultimato à vida de um inocente.
Será que era mesmo?
Muitos choravam chamando o nome da pobre moça, tendo o corpo estirado sobre a grama e flores do jardim do quintal de uma casa. Ninguém tinha a coragem de tirá-la dali, todos eram de certa maneira próximos e admiravam-na por sua beleza e pessoa.
Seijuurou sentia uma tristeza que não era compara a dos outros. Não a entendia muito bem, mas era de maneira dolorosa, mesmo que não tivesse uma intimidade maior do que apenas de alfaiate e cliente. Sentia por ela. Era um horror sem tamanho.
Ficou durante um tempo observando-a, muitos cochichando as possibilidades de quem era o assassino.
Todos falavam de duas possibilidades, mas apenas uma de ambas, todos acreditavam qual poderia ser. A segunda era muito irreal. Era mesmo possível? Não. Não tinha nada a ver com aquilo.
Shiori...
— Vamos retomar todos à suas vidas, não há nada para ver aqui! — Um homem gritou em meio à multidão, tomando aproximação do corpo com nenhum pingo de educação, acompanhado de mais dois rapazes.
A coleta do corpo, claro.
Sem muito demorar, por não ser necessário brigar por aquilo, as pessoas começaram a se dispersar do local da morte, retomando suas rotinas. Ou ao menos tentando.
Akashi sentia-se incomodado com aquilo, e principalmente pelos comentários desferidos acusando um espírito. Acreditavam mesmo nessa possibilidade? Ela não existia realmente na atualidade, era apenas uma mulher simples em vida que teve um final trágico, por que a culpavam sempre que havia mortes no vilarejo?
Motivos ela não tinha, era uma pessoa normal que havia sido morta. Não tanto assim. O mais provável era uma clara disputa de beleza. Tinha mulheres que não gostavam dela, então era uma possibilidade plausível a ser cogitada e avaliada.
O alfaiate tomou a distância também, resolvendo ir pensar.
Enquanto observava o corpo dela, notava os buracos na roupa. Eram fundos e obviamente eram lâminas. Quais? Não deveria estar a se importar com algo como aquilo, mesmo que sentisse pesar por sua ida tão cedo.
Não tinha mais o que fazer naquele dia, nenhuma entrega, sem pedidos. Um dia de folga? Sorriu minimamente por isto, resolvendo dar uma volta.
O vilarejo estava um pouco triste e inquieto com o incidente, mas todos voltavam a agir normalmente aos poucos. Seijuurou subiu uma rua, vendo um pouco ao longe um local que costumava passear com sua mãe.
A ponte, com um belo lago embaixo, contrastando a imagem e figuras, refletindo o que estivesse acima e sendo tão límpido a ponto de mostrar com clareza o que estivesse dentro da água.
Mas o que ela estava a mostrar não era nada agradável para os olhos rubros do alfaiate. A ardência emocional fez-se presente neles, causando o que via ficar turvo rapidamente, dificultando observar o que se passava.
Era tão óbvio. Um segundo absurdo em tão pouco tempo. Aquele deveria ser o dia de azar de que todas as coisas iriam de ruim a pior, e parecia um poço sem fim, que ao chegar ao que se achava um limite, teria uma surpresa aguardando.
Os braços fortes e grandes do moreno passavam ao redor do corpo e cabeça de um garoto menor que ele, parecendo lhe demonstrar um afeto sem tamanho.
Quem era dessa vez que estava a usar para trair a si?
Eles permaneciam num abraço emotivo, notando certas vezes o peito de o garoto subir e descer.
— P-por quê? — indagava contra o peito do moreno, recusando-se a acreditar que tal coisa havia de ter acontecido.
Parecia um tanto abalado. Então Aomine estava a lhe confortar? Que gentil de sua parte, não? Aos olhos de Seijuurou estava a se aproveitar do rapaz, usando seu momento de fragilidade a favor para seus atos terem mais efeitos e requererem mais facilidade.
Como era capaz de sair enganando as pessoas assim?
— Não chore — pediu ao dono das madeixas claras, afagando sua cabeça e apertando seu corpo ao próprio, tentando passar uma segurança e conforto. —Vai ficar tudo bem, Tetsu.
Não era a melhor das pessoas para fazer os outros se acalmarem, mas estava a tentar. Não era fácil, o assunto desta vez era sério. Para Kuroko, perdera um de seus – se não o maior – vínculo, uma pessoa amada. Obviamente estava a sofrer, e não era pouco.
Demorou certo tempo a cessar seu choro, tirando o rosto do corpo do maior, fitando-o com os olhos marejados. Parecia que iria desabar a qualquer momento novamente. E com Akashi não era muito diferente.
Observou o menino, notando seus detalhes, ao menos a tentar. Sentia-se cada vez mais traído só de ficar e assistir aquela cena, sem tomar nenhuma atitude a respeito. Por que deixava que a pessoa que amava sair lhe trocando desta maneira? E ele nem respeitava ninguém.
Primeiro a si, logo a rosada, não ligando para sua morte e nem ao menos comparecer o local do corpo, e agora Tetsuya. Apenas pulava quando cansava, isso ficou claro.
Viu-o beijar o topo da cabeça do menino, acariciando os fios claros, limpando as lágrimas de seu rosto.
Ele tinha realmente belas madeixas azuis, assim como sua faixa verde que usava no Kimono simples.
Nunca que lhe tratou de forma tão carinhosa. Na verdade, nunca nem ao menos chegou perto de si para algo sentimental. Fora usado igual à moça e o menino? Que crueldade. Mesmo assim, estava a traí-lo, e o tal azulado participando de tudo isso.
Gostavam de vê-lo sofrer, era a única maneira que conseguia acreditar a fitar aquilo.
Com o coração a apertar vezes e vezes, seu rosto transfigurar-se de um normal para o choroso novamente, seus pés e pernas se moveram para sair do local.
Segunda vez que presenciava tal acontecimento, e como na primeira, não fez nada para apartar seu próprio sofrimento que levava como algo normal.
Não agia, não conseguia. Por que seu coração era tão bom ao ponto de decidir não tomar providências? De praticamente aceitar com lágrimas a correr e juntarem as matérias sem vida que era os objetos. Não se exaltou ao retornar a casa como da outra vez, sua mente processava apenas uma única ideia.
E a imagem a aguardá-lo em seu local de trabalho fazia com que ela se tornasse vazia de ideias. Com os olhos mais rubros do que antes e inchado devido ao choro, escolheu a coloração de um verde forte de panos, observando-o bem mesmo com a visão turva.
Sentiu um leve pousar de dedos sobre seu ombro e em seguida sobre a tesoura que estava em sua mão.
Isto. Tinha que dar o melhor de si em seu trabalho, procurando sempre evoluir e atrair mais pessoas da forma mais simples. Com pensamentos nobres a rondar sua mente, ele começou a tecer a faixa verde à sua frente.
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Ao decair da noite, as ruas estavam com uma movimentação a mais a do que anterior.
Alguns homens que cuidavam de estabelecimentos; evitavam conflitos e traziam suprimentos à cidade, estavam em postos.
Desconfiando de tudo e todos que se moviam ou tinham um olhar estranho. Não faziam verificação em vestes, e talvez, este fosse o erro que cometeriam em não praticar naquela noite.
Os passos do azulado eram leves, enquanto seus olhos claros vagueavam pelo céu, ignorando vozes ao redor, apenas usando aquela passagem para tentar branquear sua mente de coisas que lhe devolviam memórias ruins.
Ainda estava à procura da resposta para tal coisa.
Talvez as ruas de Enbizaka estivessem apenas começando a ficar perigosas e havia acontecido um atentado aleatório? Desta maneira, todos corriam sério perigo, até mesmo os guardas a vigia. Contudo, algo além de um simples homicídio teria ocorrido para si, mesmo que parecesse algo de quem a pegou para somente dar um fim.
Poderia ter sido qualquer um? A resposta chegava a lhe dar receio.
Subindo a ponte de travessia para um vale, ele notou que no meio dela, tinha uma pessoa observando também o céu, com um olhar vazio. Mas sua expressão parecia também procurar algo.
Seria igualmente uma resposta? Ou somente criando mais dúvidas? Teria problema em se aproximar caso fosse outro alguém, ele parecia perdido em si próprio, e já havia planejado se estabelecer ali, então não mudaria sua rota por apenas um empecilho.
Pegou o lugar ao lado em que estava o ruivo, não o reconhecendo muito de primeira vista e reconstando sobre o apoio de pedra. Os olhos heterocromáticos encontraram os azuis brevemente, logo ambos mudando o foco.
Seijuurou para a água que refletia suas presenças e Kuroko novamente o céu vazio de estrelas. Somente a lua reinava na extensão escura, tendo seu majestoso trono imperial, não aceitando terceiros pertos de si.
Um suspiro foi deixado pelos lábios do maior, sussurrando algo incompreensível a primeiro momento, recebendo o olhar dos olhos azuis para si.
— Por que teimam em tirar aquilo que nos é importante, que amamos? — Seijuurou indagou não para Kuroko, mas para si mesmo, tentando encontrar a tal resposta de sua incógnita.
— As pessoas são cruéis. — Sem aperceber-se, ele acabou respondendo ao ruivo, voltando a fitar o céu como outrora. — Elas não entendem e fazem sem pensar — continuou, desenvolvendo a conversa sem notar.
Akashi escutou com atenção, por mais que não estivesse olhando para o dono das dolorosas palavras.
Elas atingiam em cheio seus sentimentos. Aparentava que ambos estavam a sofrer a mesma coisa, passando por uma mesma situação complicada em que estavam sendo machucados por outras pessoas que tiravam as amadas de si.
Mal sabia o azulado que o dono do sofrimento seu, estava bem do seu lado, e que também era o motivo de ser o do maior.
Ambos falavam com enorme pesar em seus olhos a expressar o que sentiam, mas de formas totalmente opostas. O mais novo ainda tentava achar o motivo do menor estar a fazer.
Todavia, para um deles, a pessoa que amava ainda não estava perdida completamente. A chance de recuperar não era uma ilusão criada por seu coração fraco, mas sim algo existente, palpável. E bem do seu lado.
— Também lhe foi tirado alguém que amavas de todo corpo e consciência? — Tetsuya indagou com uma pequena curiosidade, por ter se aberto meramente a alguém que não conhecia.
Ele parecia sofrer tanto quanto a si, ou até vezes mais. A menos que passasse pelo mesmo que o dele, saberia dizer com totais palavras a tamanha dor a se sofrer. Porem, não seria capaz. Além disso, o mais velho passaria por algo pior.
O repuxar de lábios não foi notável pelo dono dos olhos claros, mas existia no rosto do alfaiate, e estava mais expresso que em outras ocasiões.
Trocou de braço que se apoiava a extensão da ponte, olhando um pouco mais a água, vendo seu próprio rosto expresso com mais duas presenças, contando com a de Kuroko.
A sempre sua companhia, confortar-lhe e dizer o caminho correto a seguir, a mesma atitude que tomaria caso estivesse em tal situação e igual ocasião. Tinha que seguir exemplos dos mais velhos, ainda mais alguém de respeito e importância como tal.
— Ainda há oportunidades a serem aproveitadas por mim. E eu não pretendo abandoná-las por alguém como ti. — Tetsuya não entendeu a última parte, resolvendo mudar o foco da visão e encontrando olhos heterocromáticos a lhe fitarem de maneira assustadora.
Daria um passo para trás se não fosse às mãos lhe prenderem no local, usando somente de uma para realizar o que queria.
Onde fora para o olhar vago e de incógnitas que preenchiam os olhos dele? Como acontecera uma mudança tão sorrateira e repentina em questão de poucos minutos?
Aquilo era aterrorizante, e o jeito como ele lhe fitava o deixava ainda mais inseguro, com medo de ser alguém para abusar de sua fraqueza.
— Pode soltar-me, por favor? — pediu tentando puxar as mãos, notando ele sacar uma tesoura de suas vestes e levar a altura de sua visão. —Você... V-você, fora você...!
— Certamente. E acredite, não desejaras gritar em sua atual posição. — O tom de voz era totalmente frio, não existia sentimento nenhum naquele momento em seu rosto e orbes coloridos.
Os cortes, tesoura... Encaixaram-se de formas perfeitas ambas as coisas. O assassino dela estava a todo o tempo em seu lado. E ele parecia insano, algo aconteceria consigo, e não seria favorável para sua existência.
As lâminas chocavam-se umas as outras em um ritmo crescente, tornando o barulho do roçar insuportável aos sentidos do azulado. Já via com total antecedência os atos. Seria o próximo dessa lista estranha que Seijuurou possuía, não podia acreditar.
Não podia morrer! Também não! Debatia-se, de forma total falha livrar-se do aperto, do olhar, da tesoura a aproximar-se de si, de qualquer coisa que tivesse a ver com o ruivo. Tinha de arranjar meios de fazer algo ou tudo acabaria para ele ali.
Kuroko iria mover sua cabeça e tentar atacá-lo, mas errou por conta do reflexo do ruivo ser maior. Tentou sua segunda opção, os pés, para chutar ele. Porém, ele moveu-se antecipadamente e botou-se entre elas, não dando uma chance real para ataques efetivos.
Poderia gritar e sofrer o risco de levar um corte do objeto que empunhava, podendo morrer pelo caminho escolhido. Ou tentar jogar-se na ponte para sofrer uma queda, que se recuperaria após um tempo e poderia fugir. Eram possibilidades a serem avaliadas, e rapidamente.
Como não tinha realmente tempo para isto, escolhera aquilo que poderia livrá-lo.
Akashi sorriu pela ousadia, segurando a tentativa dele de jogar-se pela faixa esverdeada que ele usava.
Então aí estava você.
O som de correntes ecoou aos ouvidos de Tetsuya para seu desespero. O que ele iria fazer com aquilo com sua pessoa?
Tudo era feito com uma incrível calma pela parte do alfaiate, ele não se importava com o perigo e possibilidade de ser pego, somente aparentava querer cumprir algo e que nada o pararia.
Segurando o corpo do menor por suas vestes, abaixou-se minimamente para pegar a corrente, olhando-a como outro objeto de adoração. Passou a tesoura pela faixa verde, rasgando-a meio, fazendo os olhos azuis encherem de lágrimas.
Fora a última coisa que ganhou dela, e ele a destruiu, como pôde...?
Os sentimentos que viu, não passavam de algo completamente superficial? Não imaginava que veria alguém encenar de tão perfeita forma. Chegava a amedrontar.
Conseguiu-se debater-se durante aquele processo, tendo um pequeno êxito em tirar a tesoura da mão de Seijuurou, derrubando-a na água abaixo da ponte.
Os olhos heterocromáticos se estreitaram de forma totalmente perigosa.
— Reze por tua alma que ela esteja lá — ameaçou-o com uma seriedade sem tamanho, com uma preocupação aos olhos do menor era tão fútil que chegava a ser injuriante.
Ele estava a ponto de matá-lo e preocupando-se com uma tesoura que poderia se perder? Um objeto que usava para de dar fim a sua vida. Simplesmente era algo de se perder a paciência. Seijuurou não tinha remorso, não hesitava em nenhum momento. Não conhecia a sua pessoa, mas dos minutos ao lado de si, ele tinha algum sério problema de mudanças de humor e posturas. Isso poderia massacrar o vilarejo por completo caso ele quisesse.
Contudo, o alfaiate parecia ter um propósito. Mas o que isso tinha a ver consigo?! Nunca o viu na vida antes desta noite, não se recordava de ter esbarrado ou realizado algum mal a ele e talvez seus próximos. Por que era seu alvo?
Por um momento, Tetsuya pensou na mínima conversa que tiveram enquanto estavam ali. As palavras, a verdade ou não do que ele falava, era a mesma que a sua. Não podia ser uma mera coincidência. Não estava perdido, ainda havia chances, se...
Por que para sua mente isto não tinha o mínimo de significado plausível? A oportunidade que ele achava que ainda possuía era matando os outros para encontrar a essência de sua perda? Isso não adiantaria em nada! Ele estava a cometer um grande equivoco. E o pior, não estava enxergando tal coisa.
— Pare...! — pediu, notando que as mãos do maior estavam envolvendo as correntes em volta de sua cintura. Apertava, doía, e ele não parava, ficava difícil respirar. — P-por favor...
Uma risada nasal foi o som que quebrou o silêncio do ruivo. Muito inocente da parte de Kuroko achar que ele pararia com um simples pedido ao implorar a si algo. A necessidade dele era maior que a sua vida, não tinha como compreender. Simplesmente, sua existência tinha que ser tirada para o próprio bem de Akashi, era essa sua forma de pensar.
Ouviu o som esganiçado sair dos lábios dele em sofreguidão ao dar mais uma volta com a corrente em seu estômago. Clamar, chorar, isso não era o bastante. Impaciente, logo fez praticamente um nó, apertando ao máximo que podia, decidindo acabar logo aquilo.
Observou um pouco a face que expressava dor, algumas lágrimas caindo pelos olhos e rolando pelo rosto, a boca que abria e fechava tentando proferir algo de último. Passou os dedos pelos fios claros dele, tendo um sorriso estampando sua face, olhando a de desespero de Kuroko.
Avistou sua tesoura na água ao mudar um pouco o foco, tendo um alívio para si, amansando um pouco as feições. Tirou a mão do rosto dele, mudando para levantar as pernas a colocá-lo sobre a extensão na ponte, ficando a ponta dela, num ponto perfeito.
Averiguou com os olhos a corrente, conferindo a outra ponta que ela estava amarrada, distância, o peso, impacto, altura.
E sem mais hesitar ou enrolar, empurrou o corpo de Tetsuya para ele cair, sem um pingo de pena expresso em si ou em suas ações. Moveu-se, descendo da ponte, indo buscar o que era seu e apreciar um pouco o espetáculo que si próprio proporcionou aos presentes.
Bolhas subiam de encontro à superfície da água, o corpo que se debatia em uma tentativa em vão de escapar das correntes da vida. Uma visão digna de plateia.
Kuroko ao cair da ponte, seu corpo virou algumas vezes ao ar, a corrente desenrolou todas as voltas feitas pelo ruivo, e o nó feito praticamente colado em sua barriga, foi o que parou a queda, deixando-o de ponta cabeça na água.
Um passo, um novo sorriso na feição de Seijuurou.
Ria num misto de sua vontade pessoal e o almejar sem sentido. O som da água se mexendo, a visão do corpo se remexendo inquieto. Seu desespero por tentar a continuar a vida era sem igual.
Ousou em fingir-se de que de nada sabia, quando era um dos vilões de seu tormento, a muralha criada em seu caminho a seu amor. Concordar seria muito mais fácil do que insinuar-se de desentendido.
Ele estava lá no momento, como tinha a audácia de querer negar? Seijuurou tinha visto tudo muito bem, pra que tentava enganá-lo com tremenda falsidade?
Seus pés molharam ao começar a entrar no rio que passava embaixo da ponte, se estendendo a um pequeno lago em volto das árvores e floresta que ninguém ousava chegar sequer perto. Seria uma lástima se sua tesoura tivesse caído ate lá.
Todavia, para o bem até mesmo de Tetsuya, ela estava perto do mesmo, em cima de uma pedra um pouco pontuda. Enfiou a mão até alcançá-la, notando que o sangue de antes fora limpo.
O ar já havia se tornado complicado desde que o ruivo havia enlaçado o nó e as voltas das correntes em sua barriga. O fator de estar de ponta cabeça, o sangue descer para a mesma e a pressão da água se fazer presente ainda mais por seu desespero, não contribuía em nada.
Apenas conseguia torcer o pescoço, na tentativa de levantar a cabeça para buscar a superfície e o oxigênio para si.
Onde estavam aqueles que ficaram a vigia nesse momento? O fato de serem turnos em postos fixos acabou tornando aquilo tudo mais fácil. Ele havia mencionado uma pessoa que amava de outrora durante as poucas palavras que trocaram.
Não se recordava de ter ficado com ninguém em nenhum dos dias que estava pelo vilarejo, saía pouco de casa e apenas fora ver o que havia ocorrido, o tal acidente. Que teria preferido muito de não ter o feito ao saber quem era a vítima. Após isso fora consolado por ele, apenas.
Ao liberar mais um pouco do último que lhe restava de ar aos pulmões, um pensamento absurdo passou em sua mente. Aquilo não parecia tão certo e tão errado ao mesmo tempo. Deveria estar em grandes níveis de desespero para imaginar uma cena dessas.
Com os olhos abertos, notava uma figura a seu lado e até mesmo sentia sua presença. Ele estava feliz ao assistir sua morte? Mais um pouco do ar lhe escapou, não sobrando muito para logo ser obrigado a respirar e ter que engolir a água do rio até morrer afogado.
Pensava que estava seguro por não fazer muito e não seria alvo de assassinos. Esperava que o outro ficasse bem e que ele cuidasse de si e de Akashi, agora que já entendera a rota de seus crimes e as possíveis próximas pessoas.
Seijuurou cansado de ficar a observar aquilo encostou a base gélida e molhada da tesoura à pele exposta de sua barriga, onde o Kimono azul que se abriu e caiu um pouco, assustando-o.
Riu por isso, vendo que pelo susto, ele soltou a última tragada de oxigênio que possuía, resultando em começar a se debater.
Por que resistir ao futuro do traçado e óbvio? Nem mesmo com a morte Tetsuya era sincero e a encarava, sem tentar fugir. Tudo seria mais fácil, não? Partiria dessa para um corpo puro, sem tais pecados dos quereres de se apossar da pessoa amada de outro. Viria como alguém limpo, tão quão sua tesoura naquele momento após ter caído à água.
Não se preocuparia com o que estava a fazer ali, para si, tinha a razão. As correntes a sua barriga encarregar-se-iam que o corpo fosse pendido pela parte mais pesada e torturado pouco a pouco naquela região.
Não usaria outra faixa que o deixaria belo novamente, os olhos dele não resultariam em alguém tão podre como Kuroko. Ele voltaria para si, não é? Teria-o de volta em casa, assim como sempre deveria ter sido desde o começo. Não olharia para outras e nem outros, seu foco seria si.
As bolhas desesperadas como o ser a se debater subiam em mais que em grande quantidade, e demorou certo tempo até que ele respirasse a água e assolasse seus pulmões.
O destino que o aguardava era tão certo que nem ao menos obteve graça em matá-lo. Realmente não era para tê-la, só ver seu fim e o caminho livre era o bastante.
Saindo do pequeno rio acompanhado de sua tesoura de volta a sua posse, Akashi rumou a sua residência. Agora poderia ter seu amado, consigo. Ninguém iria atrapalhá-los mais.
Ao menos, era isso o que esperava.
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Batidas insistentes se faziam à sua porta do lar logo pela manhã – um fato rápido constatado por notar que era claro ao acordar.
Não teve muito tempo para fazer outra coisa senão rumar à porta de entrada, abrindo ainda um pouco sonolento e não dando conta de pessoas a invadirem, parecendo à procura de algo.
— Fora você, não é?! Conte de uma vez! — Um homem moreno de olhos acinzentados esbravejou, procurando indícios pelos cômodos simples da casa.
— O quê? O que está a acontecer? — indagou de maneira confusa, tendo seus olhos rubros num tom em um vermelho quase apagado enquanto seguia com a visão o que eles faziam.
Outro homem de cabelo castanho andava de forma mais cautelosa, observando Seijuurou e suas feições, sua maneira de agir. Não aparentava de início alguém que cometera dois crimes, ele não mentia ao menos a seus olhos.
Todavia, tudo apontava para ele, por mais absurdo que fosse parecer. No início, começou com supostas sugestões da lenda que se formou no vilarejo por conta de Shiori. Mas tudo estava estranho demais, por mais que fosse ele, havia uma conexão que não fazia sentido a ninguém.
O motivo das mortes. Ele e as vítimas, não passavam de clientes e alfaiate. Por mais que acreditasse que existia qualquer tipo de adversidade e desentendimento, fora muito por baixo dos panos que ocorreu. E ainda sim, faltava uma lógica maior para ele matar.
Ambas as pessoas mortas, calmas, ele mais ainda. Mas que diabo estava acontecendo?
Uma lenda se tornando verdade ou simplesmente eles não conseguiam achar o assassino e colocam a desculpa esfarrapada nela? Não sabiam mais o que pensar, estava se tornando tudo cada vez mais confuso.
Quanto mais olhasse, mais pensasse, parecia que a qualquer momento daria um curto ao cérebro, parando suas linhas de pensamento e voltando a estaca zero.
— Ficaremos de olho em você. — O moreno ao voltar, aparentando não achar o que quer que fosse que procurava, avisou, olhando firmemente nos olhos de Akashi e saindo da residência dele a companhia do outro.
O que fora isto? Simplesmente invadem sua casa, lhe acusam de algo que nem ao menos explicam e depois saem sem dizer absolutamente mais nada? Só a ameaçar que estavam a vigiá-lo sem esclarecer algum motivo?
Parece que não era um dia bom aquele que se estenderia. E por mais indignado que estivesse, e faria como qualquer outro em tal ocasião não permaneceria em casa, as vozes agitadas ao lado de fora estavam a lhe atrair.
Acontecia algo de ruim novamente? Estava a estranhar Enbizaka, um local que as manhãs e o decorrer do dia sempre eram calmos e rotineiros.
Saiu às ruas, após ficar no mínimo apresentável, à procura do assunto daquele momento. E com todo esse alvoroço desses dois dias que estavam a se passar de maneira misteriosa, os pedidos a sua loja não vinham. As pessoas entretidas em outros assuntos era um prejuízo a si daquela forma.
Teve que andar um pouco até poder chegar a um local de maior aglomeração, chegando a ver uma cena que lhe parecia um tanto familiar, mas não chegava a conseguir distingui-la completamente.
Por que sempre demoravam a tirar os corpos e proporcionavam essa visão aos moradores? Aquilo era horrível, tanto para quem assistia e quanto para a pessoa falecida.
Tentavam puxar o corpo falecido devido ao afogamento onde só a cabeça estava dentro da água, o restante estava suspenso por correntes.
Como alguém era capaz de fazer isso? A maneira com que a pessoa amarrou aquilo a barriga da vítima fez com que espremesse sua cintura ao extremo, sendo notável um pouco de sangue ao Kimono que usava.
Parecia uma boneca quebrada, pendura para um experimento ou um fim proposital.
Tais palavras soavam a seus ouvidos de maneira completamente comum. Não estava a se entender aquela altura, nada mais fazia sentido. Então era por isto que o acusaram um pouco antes? Seijuurou não seria capaz de fazer tal coisa com duas pessoas.
Contudo, ao levantarem um pouco mais e mostrarem o rosto do falecido, que muitos preferiram mudar o foco da visão para não presenciar aquilo, Akashi sentiu ao mesmo tempo em que um alívio e felicidade, um pesar em suas mãos.
Não era o garoto que acompanhava ele na ponte? Estava a confortá-lo no dia anterior e agora estava ali. Morto igualmente à bela dama do Kimono vermelho. O que eles fizeram para merecer finais tão cruéis?
Suas lágrimas dolorosas que derrubava a cada o dia que viu as cenas estavam surgindo efeito?
Não... Não podia ser uma simples coincidência. E se realmente fosse algo como isto, não desejava ser verdade e que talvez vontades ocultas e egoístas estivessem tomando forma. Era errado.
Olhou um pouco ao redor, tentando ver se conseguia notar a pessoa desejada no seu campo de visão limitado pelos outros mais altos tamparem a mesma. Nada. Ele nunca estava nesses locais do acontecimento, somente as usava mesmo?
E diante desse cenário e hipótese talvez verdadeira, seu coração ainda buscava lhe querer. Se fosse apenas usado e morto depois, ainda estaria satisfeito? Não era um temor ter uma resposta afirmativa sobre isto. Era quase obrigatório se tratando de seu ser.
Tomou distância daquele tumulto, preferindo não ter a visão de o garoto ser tirado totalmente da água, não tinha coragem para fitar isto, seria demais para aguentar. Suspirou de forma pesada, indagando-se do porque de tudo aquilo. Do que adiantaria pensar se não tinha nada a ver com aquilo?
Tratou de ao menos tentar esquecer-se de mais esse incidente, que por algum motivo estavam lhe culpando. Onde se encaixava nisso tudo? Seus dois últimos dois dias se basearam em voltar para casa após cenas torturantes a seu coração, e empenhar-se no trabalho até cair de sono enquanto seus olhos turvos garantiam o êxito na tarefa.
Não tinha como ter feito nenhum dos dois assassinatos estando com o corpo completamente exausto e ainda a dormir. A segunda suspeita para cima de si era a pior. Como ousavam chamar o nome dela, ainda mais estando invocando para lendas e a culparem de tais coisas?
A desgraça que sofriam eram inteiramente no pesar deles. Humanos, incapazes de falarem a verdade quando sabem que estão entre uma linha e outra, que pode ser quebrada e será seu fim enquanto você estiver sobre ela em meios a tais acontecimentos.
A cada dia passado aquilo ficava mais fora do controle, e nada de acharem uma pista melhor do que simplesmente lhe culparem por conta apenas de seu passado. Akashi não era como ela, Shiori fez por realmente ao negar-se a encarar aquela realidade, botando tudo a perder. Sua própria vida, a vida da pessoa que amava.
Suspirou profundamente, passando por algumas casas em que as pessoas já voltavam para as mesmas. O vilarejo não podia parar, alguns tinham a tarefa de trabalho de rotina e outro a de descobrir o culpado pelas mortes. E para si, nada disso modificava, tendo vítimas ou não.
Contudo, com esses problemas, sua loja ficou muito desfocada, resultando em não receber pedidos. Estavam levando isso tão a sério a ponto de não confiarem em mais seu nome, por medo de ter algo relacionado às mortes e sua tarefa?
Não queria acreditar nessa hipótese, então preferiu continuar a caminhar, alheio aos olhares, mas não aos comentários que eram desferidos com o nome de sua pessoa no meio. Por quê?
— Ficou sabendo? Seijuurou está seguindo os mesmo passos dela. Não me surpreende. — Uma jovem de cabelos prateados comentou, rindo ao fim ao notar o ruivo passando por ali.
— Aposto que está tramando os próximos — sussurrou a amiga em resposta a ela.
O ruivo mordeu o lábio, evitando olhá-las para não levantarem ainda maior suspeita. Não significava porque viveu algo ruim que seguiria o mesmo caminho, estavam generalizando, juntando rumos que não havia lógica.
Ao menos para si. A seu ver, apenas tomaria decisões do mesmo gênero que ela caso estivesse sob efeito de um forte ódio, e não era o caso. Era passivo nessa questão, preferindo deixar o outro tomar a melhor escolha que achava correto.
As voltas para casa em total choro mostrava isso, mas como ninguém viu estes detalhes, não acreditariam em si, continuando a julgá-lo a base de uma única justificação plausível.
Passou na segunda rua, notando os olhares aumentarem em sua pessoa, mas que se passaram despercebidos pelos rubros a fitarem uma figura conhecida por si um pouco ao longe.
Estava de frente para uma loja, e novamente acompanhado por outra pessoa. Quantos mais ele usaria ate finalmente cansar-se e voltar para si? Não aguentava estar à sua espera, todos os dias, sem nenhuma resposta que pelo menos dessa consideração a sua pessoa.
— Aominecchi, posso escolher esse?! — O pequeno garoto loiro indagou ao moreno, estendendo da maneira que podia o objeto dourado em mãos, sorrindo de maneira infantil e esperançosa.
O local em que Daiki se encontrava era de frente a uma loja de pingentes para cabelos. Em sua grande maioria eram dourados, assim como a cor de olhos e madeixas do menino.
Como ele tinha tal direito de chamar a sua pessoa amada de modo tão deliberado? Até mesmo íntimo demais. Cerrou os punhos ao vê-lo passar a mão na cabeça do menor, trazendo sorriso aos lábios do mesmo.
— Escolha o que quiser, Kise. — Apesar de querer aparentar diante a Ryouta que obtinha a felicidade somente de ver a si bem, a expressão um pouco mais fechada teimava em persistir-lhe ao rosto.
O loiro sorriu mais abertamente, voltando a ver e pegar em todos os pingentes que achava bonitos e interessantes. Uma felicidade tão simples.
Mas o que ele estava a fazer deixando, estando e comprando coisas assim a ele? O máximo que conseguiu de si não chegava nem perto. Por que o tratava com tanta indiferença e com outros e outras era tão livre? Estava a ser alegre. Sufocava-o? Não suportava a ideia disto, quem se sentia asfixiado era si, com aquilo, com tudo.
Quanto mais esperaria por Aomine? Por quanto mais tempo veria suas traições de forma tão pública e sem se dar ao menos o luxo de tentar esconder? Por quanto mais sofreria com tudo isso calado? Isto precisava de uma basta.
Não voltaria dessa vez para casa com lágrimas a rolar a face, os olhos minimamente inchados pelo choro, a esconder o rosto de todos para ninguém notar-lhe e pará-lo. Aproveitaria a chance daquela noite a qual todos sairiam às ruas e poderia ter uma conversa com Daiki, sem que ele desse uma desculpa ou evitasse-o.
O loiro poderia ir também, queria tirar tudo aquilo a limpo, resolver de uma vez por todas. Rumou para casa, dessa vez, sem expressar tais mágoas que assolavam seu ser de forma estraçalhadora. Não quebrou e nem jogou nada dos seus pertences da sua residência a chegada, apenas fora ao local de trabalho, verificar o que vinha empenhando-se há dois dias.
Somente faltava uma coisa, e estaria ao gosto dele. Olhou para a mesa desarrumada, notando o objeto cortante largado ali.
Por via de imprevistos, levaria consigo a tesoura dela. Uma parte a ser cortada poderia surgir nunca se sabe.
E era melhor não esquecer algo de tamanha importância.
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Naquela noite ninguém ousaria sair sozinho, e nenhuma pessoa estava disposta a deixar mais crimes acontecerem bem à frente de seus olhos.
Tudo já havia passado de um limite. Dois moradores que nunca nem sequer perturbaram a paz em alguma vez do vilarejo, eles não mereciam ter aquele fim. E se quem fazia aquilo pretendia tirar a vida de mais alguém nesse decair de mais uma noite, poderia ser evitado se todos ficassem atentos.
Aomine estava acompanhado ao loiro, tendo uma feição séria, mas que ao mesmo tempo em algumas vezes tentava esboçar um sorriso diante dele. A situação não era uma das melhores, e pela maneira de Kise ser afobado, perdia-se entre as pessoas com muita facilidade, ainda mais quando percebia que o moreno não estava a olhá-lo.
Todos mantinham conversas baixas, misturando-se uma as outras e formando conversas paralelas em uma escala alta. A principal peça de cada diálogo sussurrado ainda não havia dado as caras.
Justamente naquele dia ele ficaria em casa? Um tamanho equívoco.
Seijuurou a sua residência colocava o seu trabalho terminado ao corpo, barriga e cabelo. A cor vermelha já tão bem marcada a cair pelos braços, pernas, chegando a quase todas elas, tendo o local do peito um pouco aberto.
A peça esverdeada a estar laçando sua barriga, com uma sutil volta e um laço feito às costas. Um pingente dourado ao lado esquerdo de seu cabelo, pegando algumas madeixas que caiam sobre a face, prendendo-as com certa elegância.
Ele lhe notaria, e estando de tal forma tão exuberante, repensaria seus atos, voltaria para casa. Daiki seria somente seu novamente. Esperou por esses dias de maneira calma e detalhada. O garoto loiro poderia até mesmo intrometer-se, mas daria um jeito neutro de resolver tudo.
Queria ver Aomine feliz, e se possível, atender a todas as suas vontades, não importando quais essas fossem.
Já estava pronto para sair.
Sua mãe estaria reprovando suas ações, mas em partes ela aceitaria. Shiori também fez aquilo quando o ruivo era pequeno por amor, o amor que tinha por seu pai infiel.
As intenções eram boas no fim, apesar de que as dela saíram de controle ao expor tantos sentimentos de uma só vez. Já que Daiki não queria voltar, iria achegar-se a ele, a seu encontro e dizer tudo o que se privava durante esses tempos separados.
Era nostálgico.
Okaasan...
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