Inveja

2 Capítulo 2 — Final


Notas iniciais
HEAY~~! Estou aqui de novo, dessa vez é rápido porque vou provavelmente para a praia hoje. u_ú Mãe está me apressando feito uma louca. Não quero tomar sol Ç_Ç. Deixando meu drama de lado, trago a vocês o segundo e último capítulo! Espero de todo o coração que gostem. xD Revisei com atenção, mas alguns errinhos podem ter me escapado. Avisem se acharem, por favor. Boa leitura.~ 'u'

A ruiva acariciava os cabelos do filho a seu colo, com o mesmo a dormir sobre suas coxas de maneira calma e profunda.

Os esguios e delicados dedos a rolarem na face igualmente delicada da criança, apreciando os traços finos e ainda não formados. Já a sua face, visíveis manchas escuras em baixos de seus olhos na coloração carmesim, sem vida.

Os fios que emolduravam sua face, mais curtos do que os outros que caíam gentilmente a sua cintura, molhados por suas últimas lágrimas as quais derramou pelo homem amado.

A mão livre caída ao lado do corpo havia sua tesoura que usava muito para tecer seus Kimonos, assim como o cinza que usava ao corpo, já um tanto desgastado. Semanas sem se cuidar, apenas fazendo isso ao filho por amar ver seu sorriso e ser a única coisa que nunca a fez ficar triste alguma vez em sua vida.

Sua felicidade ao que tinha em mãos.

Por que ele também não podia ser igual à Seijuurou? Por que todos os dias havia de sair para beber, voltar para casa cheirando a outras mulheres, completamente fora de si e querendo apenas usá-la por meros minutos?

Era sua mulher, não merecia ser tratada com tanto desprezo e ainda por cima deixar claro que ele a traía. Pensava que o elo o qual tinham era significativo, que eles se amavam de uma intensa e mesma forma.

Os primeiros anos apenas foram uma mentira, não é? Tudo para criar apenas uma escrava a qual lavaria suas peças, prepararia sua comida e banho, e que ele poderia usar quando bem entendesse.

Não era uma boneca mecânica para isto, e tal informação ficaria bem clara aquela noite.

O barulho da porta de entrada não demorou a ressoar na sala a qual estavam fazendo Akashi remexer-se minimamente ao colo de sua mãe, quase despertando. Um sorriso gentil e cansado trajava sua face, sussurrando palavras doces para ele manter-se dormindo.

A cena que se tornaria a passar-se no cômodo não deveria ser vista por ele.

A próxima porta fora aberta, sendo esta de onde estavam mãe e filho, dando a figura que abriu sendo este o pai, com visíveis sinais de embriaguez tanto em seus movimentos incertos e quanto em suas feições.

— Shiori...! Por que diabos há tantas tesouras ao chão...? — O homem ruivo indagou, apoiando-se à parede enquanto tinha a visão turva para o piso.

O mesmo possuía vários dos objetos, todos com sua base na coloração vermelha, fincados ao chão com as duas lâminas abertas, marcando a madeira lisa em linhas tortas. Aparentava ter tido varias tentativas para deixá-las daquela maneira, tendo várias marcas irregulares, distorcidas a se formarem no chão.

Com a nova voz do local, a criança acabou por acordar lentamente nas coxas da mãe, recebendo a atenção da mesma no momento.

Os olhos grandes e vermelhos focalizaram primeiro a expressão doce da progenitora, seguindo por susto o barulho de vidro se quebrando atrás de si, notando o pai em um estado deplorável novamente.

Sentou-se, percebendo que o progenitor tinha alguns cortes a mão por ter quebrado o quadro de família na mesa ao lado da porta da sala, restando apenas à foto jogada ao chão junto aos cacos esparsos e perigosos.

Assim também vendo à primeira vez a quantidade de tesouras em excesso por ali.

— Okaasan? Está tudo bem? — perguntou olhando de forma preocupada e ainda um pouco sonolenta, recebendo um afago da ruiva em resposta.

— Você acordou-o. Não era para ter feito isso. — Fitava o homem que possuía a expressão de que não entendia absolutamente nada ali. — Vá para o quarto, Akashi. Mamãe precisa conversar com seu pai — pediu a ele com gentileza, deixando um beijo a bochecha do mesmo.

Seijuurou apenas concordou com um sorriso infantil, levantando-se e tomando rumo para seu quarto que era ao lado dali. Contudo, não fora para a cama pelo cansaço, permanecendo de pé à porta, tendo esta com uma fresta aberta, possibilitando sua visão do que ocorreria. Estava preocupado e curioso, não podia dormir desta maneira.

Sua mãe agia de maneira estranha, e seu pai novamente estava alterado, tinha certo receio e até mesmo medo do que poderia acontecer. Mas sabia que sua progenitora amava o marido, um tanto quanto diferente do que ele vinha expressando durante as últimas semanas.

Eles se dariam bem de novo, tudo voltaria a ser como era. Esse era um pensamento puro de uma criança sem conhecer e não entender as malícias da vida amorosa e seus riscos.

Notou com os olhos vermelhos atentos a ruiva levantar-se, observando por um reflexo sua mão a qual tinha algo amarelo a qual o Kimono desgastado encobria por ser um pouco longo. Os passos foram feitos, e os lábios se movendo a proferir algo de maneira muda.

O ruivo segurava-se ao apoio e parede, não ligando muito para a mulher a cruzar todas as tesouras e realizar um caminho até ele. Estava embriagado demais para notar as diferenças, seus olhos.

A mão esquerda fizera um movimento sorrateiro e repentino contra o homem, tendo o benefício dos reflexos já quase nulos lhe darem o ganho. O objeto já se encontrava cravado ao meio de sua barriga, acompanhado de um gemido de dor e carmesim a formar-se envolta.

Seijuurou teve um pequeno sobressalto, dando um passo que por pouca não chamara a atenção da progenitora a abaixar-se e pegar uma das tantas outras tesouras ao chão. A próxima fora fincada no peito dele, resultando num baque das costas e em seguida os joelhos dobrarem e cederem ao piso.

— S-Shiori. O que está fazendo...? — Indagou com já visível dificuldade, tomando de volta parte da sua lucidez por conta da imensa dor.

— Amor. — A ruiva voltava-se para as tesouras, pegando-as e furando o homem, uma por uma. — Do tipo que somente eu posso lhe dar.

Um amor único? A atenção de Akashi devotava-se a cada movimento ainda mais para a cena, tendo uma incrível curiosidade naquilo. Preocupava-se e o medo regia em si pela mãe atacar seu progenitor de tal maneira, mas as palavras delas havia conforto. Havia razão.

Era sua forma de expressar o que sentia, não? Já que lhe era privado outras maneiras por ele nunca ser presente e permitir tal coisa. Dos olhos rubros de seu pai já saiam lágrimas, de seus lábios os pedidos de desculpas por tudo que a fez passar.

Todavia, nada disso chegava ao coração dela, seus movimentos de apenas tirar o objeto do chão e fincar nele prosseguiam.

Num ritmo torturante do embalo dos gemidos, de forma sucessiva ao rolar das lágrimas, uma maneira progressiva de demonstração de um sentimento que havia passado do real. A mistura enlouquecedora de um sofrimento vivido e calado por muito tempo.

Já não restava mais nenhuma tesoura que outrora o chão cobria-se por elas, todas jaziam em diferentes partes do corpo do progenitor praticamente sem vida.

Ela esboçava um sorriso mesmo com tudo isso, mas esse não indicava o mínimo de felicidade de sua pessoa. Era um prazer interior o que mais aparentava que ela estava a sentir. A mulher agachou-se parente ao marido, olhando-o brevemente aos olhos que tanto já fizeram os seus derramaram-se em lágrimas todos os dias.

Não havia mais o que se fazer a respeito, essa era a única maneira de resolver tudo e acabar com a vida incompleta que levava.

No final havia valido a pena? Todas as suas infidelidades por apenas prazeres momentâneos com outras em vez da vida certa que levava consigo. Como ele pode ter trocado sua família por qualquer uma que achava pela frente? Eis que o resultado não podia mais ser tardado de revelar-se.

O tempo de silêncio e a sua submissão havia terminado.

Seu foco mudou para o primeiro dos objetos cortantes que tinha fincado no progenitor, e não tardou de puxá-la, revelando suas lâminas em completa outra cor. O carmesim agora a pintava para uma tonalidade tão semelhante e querida, trazendo mais um ponto para aquilo.

— Akashi, venha com sua mãe. Botar-lhe-ei a dormir — chamou pelo filho, que já notara fazia um tempo à porta, observando-o seus passos. Ele parecia-se tanto consigo.

Seijuurou não se deteve, voltando ao cômodo e indo até sua mãe. Por mais que os atos da progenitora e seu modo fossem dos tipos agressivos, ela continuava sendo sua mãe e o menor não ignoraria isso. Não tinha medo dela, esse era o último sentimento que sentiria a respeito de sua pessoa. Somente assustou-se com suas ações perante o pai.

A ruiva abrira os braços, cedendo seu colo para o filho acomodar-se como sempre realizava à noite.

— Okaasan, agora Otousan irá dormir conosco? — indagou após ajeitar-se sobre as coxas dela, colocando a cabeça sobre seu peito e não demorando a receber seu carinho.

— Sim. — Não estragaria o sonho de seu filho com a realidade. Ele a enfrentaria um dia, mas não seria de seus lábios que viria o início doloroso. — Não abra mais os olhos. Durma bem, Akashi.

A mão que novamente não afagava o filho moveu-se ao próprio pescoço, tornando a tesoura dourada ainda mais carmesim pela pressão imposta.

Em obediência à mãe, Seijuurou apenas sentiu algo quente escorrer e entrar em contato com seu rosto. Ela chorava de novo? Não aparentavam serem lágrimas. Todavia, vencido um pouco por seu cansaço e não desacatando o pedido da progenitora, o ruivo adormeceu ao corpo que sangrava da ruiva.

Ela lhe deixou a tesoura por dentro de sua veste, proferindo com certa dificuldade os mantras que sempre murmurava ao filho para dormir. Algo que fora passado de sua mãe e dava continuidade, assim também como os ossos do ofício como alfaiate.

Naquela manhã, o corpo de mãe e pai foram encontrados por conta do choro incessável do filho, mortos em sua residência. E mais tarde, seis mulheres assassinadas.

A partir de então, a lenda que Shiori buscava pessoas que interferem em relacionamentos teve início.

“Tesouras são feitas a partir de duas lâminas. Elas encarregam-se das suas tarefas ao serem unidas e próximas uma à outra. Tal e qual como um casal que se dá bem. Era o que minha mãe costumava dizer.”

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Akashi não entendia ao certo o porquê de falarem de sua progenitora de tal maneira. Ela fizera por amor.

Havia tomado um rumo diferente após sair de casa, ignorando olhares alheio e apenas focado em sua decisão. Iria até ele com Daiki aceitando ou não. O caminho que preferiu tinha menos pessoas, assim, podendo relaxar e prestar mais atenção em certa voz que dali vinha.

Já a ouvira antes. Aproximou-se, notando que era justamente o garoto loiro que vira com seu amado mais cedo. Ele também resolvera vir ate si? Quanta vontade de todos se acertarem. Poderiam se dar bem até.

Esboçou um sorriso doce ao notar que ele estava desacompanhado, ao mesmo tempo repuxado por demasiado para ser seguro. Todos se focavam aos centros, teriam tempo para um diálogo sem mais presenças.

— Aominecchi vai ficar bravo comigo por ter me perdido dele novamente, ssu... — Ryouta comentava consigo mesmo, fazendo um pequeno bico enquanto olhava para os lados, notando o outro ali.

— Está perdido? — indagou demonstrando uma preocupação e querer em ajudá-lo. Não era seguro crianças estarem desacompanhadas à noite.

— Sim. Pode ajudar-me a achar Aominecchi de novo? — Com a inocência e ingenuidade infantil, não demorou de Kise ir até Seijuurou, com a esperança de encontrar o moreno e não receber uma bronca dele quando isto acontecesse.

— Claro, também estou à sua procura. — O menor sorriu por sua resposta positiva e logo ambos andavam lado a lado, olhando para tudo, almejando a mesma pessoa.

Ele era demasiado novo, o que se passava na cabeça de Aomine para querer algo com ele? Era uma criança. Por que era mais bonito? Tinha certa inocência que poderia ser aproveitável? Era mais adorável? Ou a sua cor tão peculiar? Assim como a presilha dourada em seu cabelo, dando ainda mais cor e chamando mais a atenção para si. Só podia ser.

Daiki não tinha visto o seu ainda, como estava. Da maneira que mais o apetecia. Tudo atendendo à suas preferências de forma exuberante e única. Feito por suas mãos, especialmente para o amado notar o que tanto estava deixando de lado por outros. Ele nunca mais cometeria tal equívoco.

Ryouta não notara, mas o caminho escolhido pelo maior fora um pouco mais diferente do que ele chegou até ali, dando um pequeno rumo à floresta baixa que havia. Era estranho, não achava que Aomine estaria ali, mas nada disse, não querendo contrariar a escolha do mais velho.

Pela forma, ele também conhecia o moreno, então deveria saber onde ele estava. Por mais que nunca tivesse visto ou ouvido algo sobre o ruivo alguma vez.

O passo de Akashi parou em um momento, não tendo mais a seguir o que queria. Tudo mudou. Assim como aconteceria ao loiro que estragava seu relacionamento com Daiki. Achavam divertido vê-lo sofrer? Gostavam que ficasse a chorar por algo tão profundo que chegava a doer? Isso era cruel.

A personificação da maldade com sentimentos verdadeiros que nutria. Tudo seria para uma boa causa, era por ele que fazia isso, devido a seu sofrimento que decidira tomar as dores e as transformarem de forma silenciosa e esquecida pelo vento em soluções.

Ele merecia a felicidade. E esta seria ao lado e com Aomine.

— Você deseja me ver despedaçar, não é mesmo? — perguntou de maneira aleatória, contente pela decisão dele ter levado consigo tal objeto ao tocar dentro da veste.

Ele ficava melhor na cor vermelho vivo. Sangue, de preferência.

Os olhos dourados do garoto tornaram-se confusos e até mesmo um tanto receosos. Um passo para trás fora realizado por sua parte, trazendo o olhar de Akashi para si no mesmo momento. Desde quando ele possuía um olho a mesma cor que o seu? Por que aquela expressão?

Sentia um pouco de medo ao fitar aquilo e desejava com mais forças encontrar Aomine. Não deveria ter deixado o moreno e se afastado tanto da onde lembrava ser o vilarejo. Era isso o que acontece a crianças desobedientes que se perdem. E ainda rouba a pessoa a amada. Merecia suas palavras e sua devida punição. Não se repetiria novamente.

Iria tentar voltar ao que se recordava quando a mão fria e algo igualmente gélido tomaram o seu pulso, prendendo-o no local.

— Solte-me! — A voz saíra assustada, tentando puxar o braço e tomando alguns passos para trás novamente.

Seijuurou deixava-se levar-se pela reação de medo momentânea, querendo ver até onde ele levaria aquele jogo. Todos se fingiam de desentendidos, como se o ruivo fosse o único a imaginar algo inexistente ali. Como se tudo não passasse de um sonho.

Mas sua lâmina a cortar não era uma miragem, as mortes não foram feitas para chamar atenção. Tudo simplesmente existia, assim como o amor que iria ser recuperado e vivido de forma para ambos felizes.

Seus tamanhos e idades diferenciavam como aquilo tomaria proporções, a desvantagem evidente para o loiro somente piorava. Ainda mais pela forma afobada e a se enroscar às linhas da armadilha do ruivo.

Akashi usou de pouca força, mas o suficiente para conseguir empurrá-lo para uma árvore próxima, batendo às costas e cabeça do mesmo no tronco dela. Tudo era complexo demais para uma criança entender, mas bem que ele poderia, já que praticava um absurdo de ter alguém de outro.

Não podia demorar daquela vez, as pessoas não estavam a seu favor desta vez, a desconfiança havia chegado a um nível perigoso, e um deslize poderia ser o ruivo dando um próprio ultimato.

Ele gostava de garotinhos que usavam pingentes em seus cabelos? Seria uma completa lastima, se algo ocorresse com os belos fios louros a se destacarem mesmo de noite. Não somente com eles.

A mão subiu e seguiu para o pescoço do loiro, iniciando a passar com outra mão o objeto a abrir e a fechar, cortando todas as madeixas que as lâminas encostavam ao máximo rente ao couro cabeludo. Conforme fazia aquilo, o aperto no pescoço fino tornava-se mais forte, e seus olhos somente focavam aos dourados a lacrimerajem.

Por que todos eles não pensaram antes em chorar ao saber que estava roubando alguém que já tinha uma pessoa? Como todos eles eram podres. Não tinham um pingo de honestidade, mereciam tal destino já que brincaram com coisas que eram melhores adormecidas.

O pingente logo fez o soar metálico ao cair do cabelo de Ryouta à ponta de seu calçado. A criança já não tinha mais consciência se ficava a chorar ou tentava chamar alguém com o fôlego que ainda lhe era permitido proferir.

Qualquer tarefa era complicada, não conseguia soltar-se da pressão imposta pelo ruivo, este já era se bem um bom começo e o básico. Sentia os pés saindo levemente da grama local, acabando por ter o corpo minimamente suspenso pela mão a sua garganta, e a lâmina tomar uma forma diferente em seus fios.

O braço que portava o objeto de Seijuurou ergueu-se e voltou-se a cabeça de Kise, batendo contra a mesma com força, fazendo uma ferida notável na onde havia ido de encontro.

O que estava fazendo?

Ambas as mãos do loiro foram ao braço que o seguravam, batendo, arranhando, socando-o, beliscando. Mas nenhuma face de dor era notável, e seu afazer apenas prosseguia-se.

Ele... Estava louco.

Aqueles movimentos repetidos tomavam um rumo absurdo. Caso aquilo continuasse, o crânio seria afundado de tamanha força imposta.

— P-Pare! Isso dói...! — implorava, tentando a sua forma chuta-lo, bater no braço, gritar. Porém, pela maneira a qual Akashi portava-se e mantinha a situação em completo a seu controle, nenhuma das ações surgiam e surgiria efeito em algum momento.

Estava acabado, aceite. Tudo se tornaria tão simples se as pessoas se tratassem com sinceridade. Muita coisa precisava mudar, e foram estes ocorridos que mudara seu amado. Ele passou muito tempo ao lado daqueles, havia mudado também.

Negando voltar para casa. Precisava fazê-lo voltar a ser como antes, da maneira e na época a qual eles se davam bem.

Sentia as lágrimas quentes caírem em seu braço e os gritos sendo torturados à garganta sendo constantemente apertada.

A cada vez que seu braço subia e em seguida vinha com a tesoura fechada ao meio da palma, batendo a ponta das lâminas do objeto juntas contra a cabeça de Kise era um novo som. O sangue começava a manchá-la a cada batida, e à medida que realizava isto a vontade de prosseguir somente crescia dentro de si.

Olhos sem emoção em comparações ao da criança, um corpo movendo-se como se fosse de automático enquanto o outro tremia em dor e medo. O silêncio, e os sons esganiçados e cortados em dor.

O Kimono que já era vermelho, em sua manga do braço que usava para desferir golpes já se tornava ainda mais rubro, com respingos, manchas fortes e vivas.

Seu ato insano não cessava, e em dado momento, segurar ao pescoço de Ryouta já não era mais tão necessário, pelo corpo já começar a cair de maneira inconsciente à grama suja com respingos de seu sangue.

Mas Seijuurou não tinha indícios de que queria parar. O som da lâmina já de encontro ao crânio era notável, com uma parte do mesmo estando funda e completamente ensopada em carmesim.

Não precisava deter-se, ninguém os acharia. Ninguém.

Eram todos tolos, ingênuos ao acharem que seria pego tão fácil. Ameaçá-lo em sua residência era muito simples, queria ver ser encarado.

Desejava ver todo aquele crânio completamente afundado, tornando um buraco oco o suficiente para o sangue acumulado virar uma pequena poça na própria cabeça.

Por que não parava? A vontade não o permitia. Tudo o que ele passou agora se libertava em uma vontade não verdadeira de todo consciente. Às escuras, era seu dever continuar assim. E que quando a luz ao ruivo chegasse, em dado momento, ele soubesse lidar.

O som já insuportável do sangue sendo expelido e jorrado a cada bater da lâmina contra o crânio, o objeto de encontro o osso. Tudo era absurdo demais. Não sabia como, mas Kise estava ali, de forma que ficava entre sua vida e morte, balançando entre os dois enquanto não tinha forças para mais absolutamente nada.

Em uma das batidas incessantes que realizava, o som de passos fora o que finalmente tirou sua atenção, olhando para o lado do som do mesmo.

— Kise?! — Daiki chamava à procura do loiro que havia aproveitado uma brecha enquanto conversava com um amigo para escapulir de si. Não era hora para brincadeiras. — Droga.

Seijuurou sentiu uma imensa dor lhe assolar, parecendo vir e se dividir em dois. Por que ele ficava tentando achar o garoto? Não podia simplesmente importasse somente consigo? Precisava tirar satisfações o quanto antes, não suportaria mais um dia disto.

Ryouta ainda fora capaz de balbuciar com as últimas palavras, o nome e a forma carinhosa o qual chamava o moreno, mas isso não fora o suficiente. O ruivo puxou o corpo pequeno do loiro para de trás da árvore, podendo esta tapar um pouco da visão caso ele passasse por ali.

Agora, com cuidado, ele enfiava a tesoura nos buracos que formou, num intuito de atingir o cérebro, tendo certa dificuldade nisto.

Nunca mais esse garoto usaria um pingente novamente e atrair a atenção de Daiki fora si. Havia tirado a sua beleza e chamativo desta maneira, nunca mais seria visto. Ninguém o amaria mais. Era engraçado. Queria rir.

Após notar que não tinha mais o que se fazer ali com o corpo já morto, colocou a tesoura por dentro da veste, passando o dorso da mão um pouco em seu rosto. Não notou que as vestes estavam manchadas num vermelho forte, e consequentemente um pouco ficou a sua face.

Sua vez.

Levantou-se, saindo de trás da árvore e seus passos a grama chamarem a atenção do moreno que olhou de forma rápida. Esperando achar o loiro, seu olhar entristeceu, notando algumas coisas estranhas.

Por que o ruivo estava com sangue no rosto e nas vestes? E por que se vestia de forma tão cuidada e minuciosa? Era uma noite normal, não era necessário estar tão bem arrumado. Parou a alguns metros diante de Aomine, encarando-o com um sorriso doce e seus olhos carregando a emoção de tanto tempo sem vê-lo. Ele parecia o mesmo, mas a sua recepção não fora a esperada que imaginara quando se reencontrassem.

O que tinha ocorrido dessa vez? Mais uma? Não. Estava ali! Só para ele. Não havia mais ninguém que o maior precisasse em sua vida. Um bastava para o outro, não? Era o suficiente! Tinha de ser.

— Aomine. — Queria abraçá-lo, mas o mais velho parecia do tipo que estava a recuar e quase sair dali.

Era assim que iria tratá-lo mesmo depois de ter ficado da forma que ele mais gostava? O que mais ele queria?! Estava com um Kimono muito mais belo do que a aquela mulher possuía, sua faixa era mais volumosa e todos os detalhes feitos por cada minuto de sua tarde e noite. Incontáveis vezes melhor do que de Tetsuya!

Sem contar que até mesmo aprendera ajeitar um pingente digno de fechar a loja que havia no vilarejo e começar a sua própria.

Estava da maneira que ele gostava, das pessoas que acompanhava e sorria. O seu sorriso não era esboçado consigo, sua feição era preocupada e uma agonia Akashi também conseguia perceber.

Não compreendia mais aquilo, não entendia o que tanto ele procurava. Passou seus dias em busca de seus gostos, fazê-los e realizar as vontades do amado. Ainda não era o suficiente? O que faltava?! O que estava errado?!

Qualquer coisa que fosse faria tudo à prova de seu amor por Daiki. Ele lhe olhava de forma vaga e como se fosse meramente um vizinho seu. O que estava acontecendo? Por que tanta indiferença? Eles se amavam, não?

Ele tinha que parar de brincar tanto com sua pessoa, já havia perdido a graça e começava a doer não ser valorizado.

Os olhos escuros do maior passearam pelo local e pararam em seguida no garoto que proferiu seu nome. Ele lhe olhava de maneira estranha, e sabia até mesmo seu nome. O que queria? Talvez este pudesse saber onde havia parado o loiro, já que o mesmo costumava andar por esses lugares para esconder-se.

Quando o achasse, uma bela bronca seria aplicada. Como ele sumia dessa forma? Não sabia que era perigoso? Tudo bem que era ainda uma criança e com isso tinha uma grande responsabilidade em suas costas para com ele, mas ele precisava conhecer os limites de quando deveria fazer isto.

— Prazer em conhecê-lo. Viu um menino loiro passando por aqui? — indagou de forma rápida, não tendo muito tempo para apresentações.

Primeiramente precisava saber se estava tudo bem com Kise, depois outras pessoas vinham em seu foco.

Os olhos de Seijuurou não puderam deixar de dar um breve arregalar, não acreditando nas palavras que este havia lhe dito. Como assim? Eles já se conheciam. Pare de brincar! Estava deixando-o mais que confuso, sentia entrar em puro colapso e uma loucura interna com tudo aquilo.

Não possuía mais um pingo de humor o que ele estava fazendo a si. Pessoas que se amam sabem até quando podem chegar e torturarem o coração da outra. Ele havia ultrapassado tudo isso. Sangue jorrava junto de seus sentimentos. Não era possível mais aguentar. Seu limite havia chegado naquele momento.

Virou-se, procurando algo em sua visão para ser usado com o que tinha em mente. Ele diria, pararia com toda essa gracinha que aparentava não ter fim. Aquilo chegaria à dada situação que ele falaria a verdade, pediria desculpas, e tudo isso seria apagado de sua memória. Perdoaria-o, mas isso somente depois que lhe arrancasse com toda a sinceridade o que sentia.

Não recebendo sua resposta, Daiki ficou a olhá-lo de maneira que gerava mais ainda uma incógnita. Ele era muito estranho. E pelo visto o loiro não havia passado por ali, mesmo sendo de tal maneira, o ruivo diria já que era de uma criança que falavam.

Continuaria a sua procura por Ryouta quando notou algo de uma cor bem conhecida e peculiar na grama. Chegou perto, agachando-se e tomando em mãos, notando que era o pingente dourado que Kise usava em seu cabelo que tinha comprado mais cedo para o mesmo.

O que aquilo fazia ali? Então ele havia passado por este lugar mesmo? Por que diabos o outro não lhe dissera? Olhando com mais atenção antes de retomar esta para o ruivo de outrora, notou que no objeto dourado tinha sangue, e que até mesmo suas madeixas loiras estavam ali, cortadas.

O que...

No menor que fizera a pergunta também havia resquícios de carmesim.

Não. Não podia ser mera coincidência em nenhuma escala e nem em mil vidas.

— Ei! O que aconteceu por...! — O barulho alto da pedra batendo de encontro a cabeça de Daiki fora ouvido, com este não podendo terminar sua fala e perdendo a consciência antes da mesma obter seu fim.

Já na feição do alfaiate tinha novamente lágrimas, essas sendo o que levava o sangue de seu rosto um pouco embora, pingando a grama, mudando para uma expressão enrijecida.

Estava mais que acabado, simplesmente isto era muito pouco para botar-se corretamente em sua situação. Sentimentos massacrados.

Ele não lhe reconheceu. Fingiu não lhe conhecer! E ainda preocupava-se com a maldita criança morta. Mas que droga. Tinha feito tudo a seu alcance, agora já não era mais consigo que ele iria conversar.

Esclarecer-se-ia e de forma correta.

Ou seria mais um. Independentemente de seu amor.

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Sua consciência voltava aos poucos, assim como também as lembranças dos últimos ocorridos naquela floresta.

Recordava-se vagamente de achar algo que era de Kise e após isso apagou quando iria dirigir a pergunta para o ruivo que encontrou. Por que exatamente desmaiou? Seu nervoso estava em níveis alarmantes, mas não era o suficiente para isto.

Ao tentar cogitar a hipótese de mover-se, sentiu algo pesado mantendo-o preso em seus pulsos e tornozelos, sem contar a tremenda dor que sentia no lado direito de sua cabeça.

Latejava de forma bestial, e podia sentir um líquido quente e um pouco já mais seco em seu cabelo e em partes de seu rosto.

Estava escuro, mais do que necessariamente seria uma noite onde a lua iluminava tudo de forma esplêndida. E não sentia mais tanto o vento do lado de fora.

Onde estava? E por que estava amarrado? Aquele ruivo tinha tudo conexão com suas perguntas e possivelmente todas as suas respostas. De onde ele havia surgido?

O barulho da porta abrindo atraiu sua atenção, e apesar de não ter muita liberdade para mover-se e ver o que era que entrava, tentou fitar, obtendo em seu foco o mesmo ruivo de outrora.

— O que estou fazendo aqui?! Solte-me agora! — ordenou de forma grosseira, tentando obter sua liberdade na maneira bruta, mas não tendo muito êxito com isto.

Era de dar pena. Sua maneira de olhar. Também não o reconhecia, o que era dessa vez que Akashi havia arranjado para dar um fim de sentimentos e problemas? O trabalho maçante era todo seu, apesar de preferir isto a sofrer como ele tinha de aturar tudo e todo o resto.

Ficou em silêncio, observando o moreno e seus próprios pensamentos.

Era o causador de tudo, então? O pilar das dores à sua frente, ao chão, e ainda por cima preso, de uma maneira a sua mercê. Melhor não poderia estar, não?

Não o trataria com gentileza igual realizara com os outros, não merecia isso. Todavia, Seijuurou fora bem tolo ao ajustar seus pensamentos e coração daquela forma. De qualquer maneira, não importava. Ele merecia igualmente sua punição.

Agachou-se perto de sua presença, encarando-o de um jeito vago, e que até mesmo surgia um sorriso aleatório em suas feições de uma maneira um tanto estranha. O motivo de sorrir não existia, era apenas uma vontade que o preenchera e precisava de alguma forma ser liberada.

Piedade não existiria mais para si, já que o mesmo não teve em não notar tudo o que fez Akashi passar tanto tempo calado. Eram dois imbecis.

Tudo poderia ter sido resolvido. Mas até que gostava assim, era uma forma mais divertida de terminar com algo que causava feridas internas que consequentemente sentia, mesmo não as desejando. Era a sua maneira, afinal. Isso era pessoal e único.

O que vinha primeiro? Passou os dedos por seu rosto, a pele escura e com algumas linhas determinando idade. Chegava a quase ser um desperdício. Passou a ponta dos dígitos por sua pálpebra, parando ali com seu toque. Era uma boa pedida.

— Isso é para o bem de todos. E para que nunca mais olhes a outros — avisou com uma breve antecedência enquanto já tirava sua tesoura da veste.

Desde quando ela havia ficado vermelha? Não importava em tal momento, apenas que ela tornar-se-ia ainda mais carmesim. O moreno não pode deixar de desesperar-se com aquilo, abrindo a boca para proferir algo, mas quando realizaria isto, o golpe fora desferido.

O que somente pode ser ouvido fora o urro rouco e consideravelmente alto se instalar no cômodo.

A outra mão colocou-se sobre a boca de Daiki, pressionando a mesma para calar-se enquanto a mão direita prosseguia com seus movimentos.

Acertavam ao lado do olho, praticamente ao globo, batendo ao osso do rosto repetidas vezes. Errava inúmeras e dolorosas vezes, fazendo as lâminas unidas machucarem o mais velho. Ao atingir o ponto desejado, uma profundidade boa do olho sem espatifar o globo ocular com tantos golpes, a tesoura moveu-se ali, querendo arrancá-lo.

Era difícil, e Daiki não colaborava muito se remexendo a todo o momento. Apenas fique quieto e deixe-o arrancá-lo logo.

Pressionando a base da tesoura num movimento praticamente atrás do olho, surgira o efeito desejado. Ele saía aos poucos, de uma maneira lenta para ser mais de seu gosto. De forma estranha, sua boca até mesmo salivava levemente com aquilo. O sorriso ainda persistia a suas feições e a vontade de repetir o processo com o que sobrara apenas aumentava.

Doer era muito pouco para o que aquilo significava, podia sentir até mesmo seu corpo quase desmaiando outra vez por tamanha dor que aquilo causava. Se não bastassem somente as batidas, ele realmente estava a arrancar seu olho.

Isso havia passado de loucura. Por que ele fazia isso primeiramente?! Nunca fez nada a sua pessoa e ele simplesmente chegava e já queria torturá-lo e consequentemente matá-lo? Com que motivos? Nunca deu uma razão a ele alguma vez, aquilo era muito estranho, preocupante. Tinha de se soltar! Em que diabos estava preso?

Os braços e pernas estavam sendo esticados ao máximo, era outra coisa que chegava a doer. Parecia que iria arrancar os membros de tão esticado que os mesmos estavam.

O globo ocular logo fora retirado por completo, sendo possível enxergá-lo com o olho que ainda estava em seu próprio corpo.

Aquilo era doentio...

A tesoura passou na grossa espessura com semelhança a uma corda, cortando-a e podendo mover o olho como bem entendesse. Parecia até mesmo uma bolinha de brinquedo a ver do menor, era interesse. Os dedos e palma a apertá-lo, fazendo um ruído úmido e chegando a ser irritante.

Pare com isso... Pare!

Sua mão quase fora mordida, no intuito do moreno tentar ao menos gritar. Porém, Akashi, estava preparado para o que ele quisesse aprontar para atrapalhá-lo. Não seria desta vez que conseguiria pará-lo. Nunca mais.

A faixa que antes usava em seu Kimono fora colocada na boca que se abriu para gritar, fazendo-a formar um volume dentro da cavidade. Abafou os sons e o calou de maneira simples, agora tinha ambas as mãos livres para usufruir do corpo de Aomine a acabar como bem entendesse.

Subiu em cima de seu peito, sentando-se ao mesmo a olhá-lo com uma aura tão indecifrável. Ele parecia triste e decidido a continuar aquilo ao mesmo tempo. Estava confuso com algo? Pegara provavelmente a pessoa errada? Para Daiki, este era o pensamento.

Mas a pessoa nunca fora tão desejada e correta para aquele momento como naquela hora.

Havia esperado demasiado por aquilo, sentimentos de pena e um amor tolo não iriam detê-lo. Em sua posição, nem mesmo a pena podia ser cogitada. Nada além de terminar aquilo se passava em sua mente, este era seu maior desejo.

Desprezo, nojo, repulsa; ódio. Eram sentimentos mútuos ali. Tudo era compartilhados entre eles agora? Precisou tomar uma atitude de tamanha proporção para isto finalmente acontecer? Uma tolice sem tamanho. Absolutamente tudo poderia ter sido evitado. Estúpidos.

Entender o coração e sentimentos humanos, saber lidar com eles para cada determinado caso era a tarefa mais complicada existente. Se tudo fosse simplesmente fácil, nada existiria, nem a própria essência humana.

A vida poderia ser descartada. Algo inútil como já era, seria mais vazia do que de momento.

Acariciou a lateral da face de Aomine, apreciando seus traços, como se ele fosse um possível troféu e o menor estava a moldá-lo para ficar ainda mais belo. A seu ver, ele ficaria perfeito no fim daquilo. A lâmina suja pelo sangue do maior passou a face do mesmo, sujando-a.

O som infernal do aperto ao globo ocular em sua mão tornava-se a cada segundo mais insuportável, e a vontade era quase de implorar para que aquilo parasse. Ambos interiores gritavam, por diferentes motivos.

Um à procura de suas respostas e fuga e o outro para acordar. Ambos não teriam isso. Aceitação é e sempre será a única escolha mais viável. Não era bem uma opção, já que era apenas o que tinha para o momento.

Daiki a cada movimento sentia seu corpo ser mais puxado pelas possíveis cordas a prendê-lo. Estava quase no máximo do que poderia suportar. Aquilo deslocaria seus membros do corpo, tinha que parar.

Todavia, quanto mais pensava no caso, mais se tornava impossível manter-se quieto. Para respirar com o peso do ruivo já era meramente complicado, nada contribuía. Iria mesmo morrer sem ao menos entender o motivo?

— Éramos para sermos assim, Daiki. — Akashi mostrou a tesoura à altura do olho que sobrara do maior, indicando as lâminas sempre unidas. — Por que me deixastes? — indagou com um visível pesar.

Ainda eram considerados seus sentimentos. Ambos. Mas era difícil atingir seu coração. Este já estava muito danificado, não possuía mais uma volta natural. Precisava ter um recomeço ao menos digno, assim, acabando com o último que não dera certo. Só esperava que tal erro não fosse cometido outra vez.

Aomine não havia desistido de procurar entender o do porque das ações e palavras do ruivo. Eles eram para ser que nem um objeto de uso para trabalho? Não via uma lógica nisso, e por mais que quisesse achar a tal, isso praticamente evaporava como algo desconexo que ele deveria estar comentando pela loucura ter invadido-o.

Esperava que para com Kise, este não tivesse sofrido nem metade do que estava a passar.

Satsuki. Tetsu.

Todas as mortes foram realizadas por ele? Não queria acreditar que o causador de sua tristeza e dor desses dias estava à sua frente, a terminar com o trabalho. Não havia conseguido achar motivos plausíveis e simplesmente recusava-se a pensar mais sobre isto.

Suas mãos eram incapacitadas de moverem-se, os pés muito menos. A boca estava com a faixa a lhe calar. Também não lhe fora concedido muitas opções ali. Estava tudo bem? Morrer pelo assassino que acabou com tudo que era importante para si? E ainda por cima este um desconhecido?

Seu rosto era familiar, mas nunca que teve aproximação o suficiente para lembrar-se dele.

Pensou que poderia pelo menos proteger Kise. Era um tanto quanto irresponsável, não? Queria poder ver o sorriso dele novamente.

Controlou-se para não chorar diante do maldito, fitando-o com tamanha intensidade que notou ele parar por alguns segundos seus próprios movimentos.

Esperava vê-lo sofrer com tudo em sua vida, o tanto quanto ele lhe causou e fez aos outros três. Ele merecia torturas sem tamanho. Akashi apenas havia retesado seus movimentos por mera surpresa.

Ele ainda tinha forças para ameaçá-lo daquela forma com apenas um olhar? Até que ele não era qualquer um.

Mas a cota para a diversão havia terminado, o tempo passava cada vez mais rápido e não demoraria muito para sua atitude drástica ter de ser feita. Não podia passar mais um dia naquele vilarejo ou tudo iria ser descoberto e lhe pegariam. E o ruivo não era tão tolo a esse ponto.

Sorriu para o moreno, descendo com seu tronco a altura do rosto dele, deixando seus lábios encostarem a pálpebra do olho que ainda restava. Acabou o tempo para a diversão, era necessário terminar aquilo antes que se tornasse viciante parte por parte ser realizado.

Tinha certa fraqueza por isso, não se permitiria deixar-se levar até este ponto.

De forma mais habilidosa, endireitou a tesoura ao canto do olho restante, enfiando-a e logo puxando o globo ocular para fora, repetindo todo o processo do outro como outrora.

Isto era para nunca mais ser permitido olhar e admirar a beleza a qual não fosse a sua. A única imagem que ele precisava como a última em sua memória era si. Somente necessitou de si e precisaria dali até seu último grito de agonia abafado em panos fosse proferido.

Eles possuíam uma cor tão forte, marcante, apertar os dois juntamente era uma tarefa de fato viciante.

Levantou-se do peito de Daiki, tomando rumo ao fundo de seus aposentos, tirando de lá algo melhor em tamanho e acabamento do que uma tesoura.

Mirou na altura do ombro esquerdo esticado, abaixando o objeto pesado, neste movimento obtendo mais um remexer do corpo dele de forma agonizante. Primeiro braço já fora.

Passou para o próximo, repetindo o movimento e ato, fazendo um barulho ao piso de madeira ser praticamente cortado. O machado seguiu dessa vez nas mãos de Seijuurou para as pernas, cortando um pouco mais acima de suas coxas, uma após a outra.

Ele ainda tinha vida. Isso era fascinante.

Arrastou a arma, passando na altura do pescoço dele, notando já o corpo – ou ao menos o que restou dele – não ter muita utilidade. Todos os locais cortados sangravam sem cessar, e aquilo já havia chegado a seu fim. Uma pena não ter tempo para aproveitar ao máximo. Quem sabe numa próxima.

— Poderíamos ter sido felizes... Por que você não me escolheu? — A pergunta saíra de maneira totalmente aleatória.

Sendo estas as últimas palavras que Aomine ouviu antes de escutar e sentir o machado bater em seu pescoço e piso.

Soltou o machado de suas mãos, observando o silêncio e o peso dele.

Sem propósito, isto podia definir muito bem Akashi no momento. Não sentia felicidade, apesar de aquilo ter sido um imenso alívio a seu peito. Conseguia agora respirar corretamente, nada mais lhe privava do ar puro a seus pulmões sem soluços ocuparem o tempo e lhe atrapalharem.

Fora para onde havia deixado os globos oculares de Daiki, notando-os em perfeitas condições. Em cima da bancada, em contato a cena desenrolada.

— Ah... Você nem notou, não é mesmo? — indagou a eles, como se realmente tivessem uma vida própria ou vontade. Virou-se, dando uma pequena volta a passar as mãos pelos fios. — Fiquei bem, não é?

Sorriu com isso, aproximando-se do corpo do que já foi a pessoa amada, tirando a faixa verde de sua boca. Colocou-a por cima dos olhos dele à bancada, beijando cada um dos globos oculares de forma demorada.

Sentimentos vazios.

Era um novo começo.

E isso não era somente para si.

“Kimono vermelho. Obi verde. A presilha amarela, eu coloco em meu cabelo. Transformei-me em como tu gostas. Então, não estou bonita?”

≥ᵜ≤

O dia havia começado em completo caos.

Não havia sequer uma pessoa desta vez a qual não sentia tremendo em medo e não falava sobre o assunto. Uma família tinha sido praticamente massacrada por alguém. Não havia provas que incriminassem aquele que todos achavam que era.

E todos na noite anterior tinham lhe notaram a sair e voltar numa curta caminhada. Os corpos encontrados não estavam por onde ele passou. Absolutamente nada tinha mais lógica.

Seijuurou já estava de pé tinha alguns minutos. Estava a juntar todas as suas coisas, iria embora do local o qual já denominou como um perfeito lar um dia. Não aguentava mais todas essas ameaças sem sentidos para cima de si, eles estavam cegos e obcecados por seu passado e com medo de algo inexistente.

Sua memória estava um pouco falha, mas somente o que se recordava era o bastante para a decisão de ir embora também ter sido tomada. Falou com Aomine, porém, não fora como imaginou que seria.

Prazer em conhecê-lo.

Até dado momento, não entendia tais palavras. Ele lhe olhava e falou consigo como se fosse um desconhecido, a apresentar-se.

Como podia ser alguém assim?

Aparentava que nunca se viram um dia.

Era como se...

Nada nunca existiu entre eles.

Balançou a cabeça, terminando de arrumar suas coisas e dar-se por satisfeito ao olhar tudo organizado. Sentiria falta de sua casa.

Eram inúmeras lembranças, apesar de que existiam mais do gênero que lhe traumatizou do que realmente boas não desejava largar. Mas não era mais escolha, passara a ser necessidade.

Pegou todos os seus pertences, saindo à rua e deparando-se com muitos moradores a fitá-lo.

Eles não tinham mais o que falar, nada poderia julgá-lo. Todas os seus argumentos se tornavam nulos quando deparavam-se com os fatos. Ideias estúpidas, como ele poderia matar alguém?

Apenas queria o amor que tanto desejou de volta, não o consegui, e não seria por isto que partiria para outro tipo de meio. Partiria para uma nova vida, quem sabe.

O fogo alto do outro lado ainda era notável, sendo este o local o qual encontraram um novo corpo. Existia uma enorme e vasta quantidade Higanbana¹ por lá. Uma lástima ter terminado assim.

Preferiu não saber de quem fora este, somente sabendo que era um homem, e também sendo informado apenas de que aquele garoto loiro havia sido morto de forma brutal. Ninguém estava seguro desta forma, nem si próprio.

Pai, mãe e seus filhos. Uma família inteira de quatro pessoas assassinada.

O que ele iria querer com algo assim? E ainda havia uma criança ao meio. Um absurdo sem tamanho e limite.

— Como alguém pode matar mãe, pai e os filhos daquela forma? Eles eram uma família tão linda e querida. — Duas mulheres conversavam, olhando a partida do ruivo a fitar o fogo.

— Isso é inveja, e pelo visto, ela realmente mata. — A outra respondeu, sentindo certo calafrio lhe passar ao corpo após sua fala.

Nenhum indício fora achado de início, e somente quando ligaram alguns pontos à aparentemente, à primeira vista, estúpidos, Akashi já estava muito longe.

A tesoura a qual carregava sempre estava ali, como também às outras presenças.

A de dentro e a outra a lhe confortar.

Ninguém podia dizer que tudo fora uma mentira, uma mera fantasia criada por sua mente. O final fora verdadeiro, e si que deu a última linha tecida a ele.

Nada mais era certo.

A sua verdade dentro da mentira para o conforto.

Humanos são cheios disso.

“Mas tenho de dar o meu melhor no meu trabalho. Carrego a minha tesoura na minha mão. A tesoura que agora está pintada em vermelho, quanto mais a afias, mais ela corta.”

Notas finais
Higanbana¹, é a flor que aparece na capa, e também em certa parte do vídeo da música quando ela está a tecer o Kimono quando volta para casa. Ela tem vários nomes e também vários significados, como: Flor que simboliza dor e saudade. Lycoris radiata. Ela é venenosa para animais, mas fora usada em épocas difíceis como comida para humanos, não afetando-os. O nome japonês, Lírio-aranha, muito linda, considerada símbolo do Equinócio do Outono no Japão. Em sua maioria é associada em morte. Na minha preferência, gosto do nome Shibito-bana, significando: Flor dos mortos. Caso alguém queira saber mais sobre ela, fiz minhas pesquisas (das várias), aqui: http://www.japaoemfoco.com/higanbana-e-sua-simbologia-no-japao/ HEAY~! Gostaram? xD Levei muito tempo para escrever, ainda mais pelos inúmeros bloqueios e a preguiça me domando na maioria das vezes. Até que enfim! He 'u'. Aguardo ansiosamente os reviews de vocês. Não esqueçam: Caso leiam, comentem! É MUITO importante a opinião de vocês para que eu possa possivelmente trazer os próximos pecados para com esse Fandom. Estou pensando entre o Orgulho e a Avareza. Caso conheçam esse saga dos pecados assim como eu, comentem também qual gostariam de ver como o próximo. xD Ficaria feliz em saber e trazer para vocês. É isso. Espero que tenham gostado, obrigada à todos por chegarem até aqui, por terem tido paciência e lerem tudo isso. xD Vejo vocês por aí.~ Kissus da Tia Sociopata e jya nee~!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!