Invasão

26 Eu acredito em você


Jessica estava parada perto de uma mesa, com um sorriso satisfeito no rosto. Edward fechou a porta atrás de si, ajustando a postura e cruzando os braços.

– Então, Jessica, espero que tudo esteja conforme o combinado. – A voz dele soava fria, sem espaço para discussão.

Jessica sorriu com confiança, mexendo no cabelo de forma despreocupada.

– Claro, presidente. Renesmee já sabe sobre a gravidez. Agora, é só uma questão de tempo até que tudo desmorone entre ela e o general. O plano está funcionando perfeitamente.

Edward franziu o cenho, dando um passo à frente.

– Certifique-se de que isso não saia do controle. Quero que Jacob e Renesmee permaneçam separados, mas nada além disso. Entendeu?

Jessica revirou os olhos, mas assentiu.

– Relaxa, Edward. Sei exatamente o que estou fazendo. Renesmee já está com a cabeça cheia de dúvidas, e Jacob parece um cachorro acuado. Tudo está indo conforme o planejado.

Antes que Edward pudesse responder, uma voz cortante ecoou pela sala.

– Então era isso, Edward? Uma armadilha contra a nossa própria filha?

Edward se virou bruscamente, seus olhos arregalados ao ver Bella parada na porta, o rosto dela carregado de fúria e decepção.

– Bella, isso não é o que parece... – Ele começou, tentando manter a calma, mas foi interrompido.

– Não é o que parece? Eu ouvi tudo, Edward! Você está tramando contra a nossa filha, manipulando-a com essa mulher! – Bella apontou para Jessica, que permaneceu onde estava, parecendo um pouco desconfortável com a situação.

Edward tentou se aproximar de Bella, mas ela levantou a mão, recusando qualquer tentativa de explicação.

– Eu sabia que algo estava errado com você ultimamente, mas nunca imaginei que seria capaz disso. Como você pode? Renesmee é sua filha, nossa filha!

Jessica, tentando manter a compostura, interveio.

– Com licença, senhora Cullen, mas acho que isso é um assunto entre o presidente e eu.

Bella a encarou com um olhar tão intenso que Jessica recuou um passo.

– Você fique calada. Já fez o suficiente. – Bella voltou sua atenção para Edward. – Você está destruindo a confiança da nossa filha, colocando em risco o casamento dela, e para quê? Para satisfazer o seu ego? Para manipular as pessoas ao seu redor como se fossem peças de um jogo?

Edward suspirou profundamente, percebendo que não havia como sair dessa situação sem enfrentar a fúria de Bella.

– Eu não espero que você entenda, Bella, mas tudo o que faço é pelo bem de Renesmee.

– O bem dela? Isso é para o seu bem, Edward, não para o dela! Você nunca confiou que ela poderia fazer suas próprias escolhas. Agora você está manipulando e machucando quem ela ama. Não venha me dizer que é pelo bem dela!

Bella, cheia de raiva, apontou para a porta.

– Isso vai acabar agora. Não vou permitir que você continue com essa farsa. Se você não contar a verdade para Renesmee, eu mesma contarei.

Edward a olhou por um momento, a tensão no ar tão densa quanto o silêncio que seguiu. Jessica ficou imóvel, sem saber se deveria sair ou esperar por mais instruções. Bella virou-se e saiu da sala, sem esperar por qualquer resposta, sua determinação em proteger a filha mais forte do que nunca.

Edward saiu atrás de Bella, seus passos ecoando pelos corredores silenciosos. Ele alcançou a esposa rapidamente, segurando seu braço com delicadeza, mas firmemente o suficiente para fazê-la parar.

– Bella, por favor, me escute.

Ela se virou, o rosto ainda marcado pela fúria e a dor.

– Escutar você, Edward? Para quê? Para ouvir mais desculpas e justificativas para o que você fez? Eu não acredito no que ouvi naquela sala. Você armou contra a nossa própria filha, contra a felicidade dela!

Edward passou as mãos pelo rosto, sua expressão carregada de arrependimento.

– Eu sei que errei, Bella. Sei que passei dos limites, mas não foi por maldade. Eu só... só não confio em Jacob. Ele não é bom o suficiente para Renesmee. Ele nunca foi! Eu estava tentando protegê-la.

– Proteger? Você acha que isso é proteger? Você está manipulando a vida dela, colocando-a em uma posição que só vai trazer dor. Se ela descobrir isso, Edward, ela nunca vai te perdoar.

Ele balançou a cabeça, a voz carregada de desespero.

– É exatamente por isso que você não pode contar a ela. Por favor, Bella, se ela souber o que eu fiz, vai me odiar para sempre. Eu não posso perder a minha filha!

Bella o encarou por um longo momento, o olhar cheio de desgosto.

– Você não pensou nisso antes, não é? Antes de envolver Jessica, antes de machucar Renesmee e colocar em risco o casamento dela. Agora quer que eu apague o fogo que você mesmo provocou?

– Bella, eu vou consertar isso. Eu prometo. Só me dê uma chance. Me dê tempo. Eu farei Jessica contar a verdade.

Bella cruzou os braços, claramente indecisa.

– E por que eu deveria confiar que você vai resolver isso? Você já foi longe demais, Edward. Eu não vou deixar Renesmee sofrer mais.

Edward deu um passo à frente, quase suplicando.

– Porque, apesar de tudo, você sabe que eu amo Renesmee. Tudo o que fiz foi pensando nela, mesmo que de forma errada. Por favor, Bella. Só me dê 24 horas para resolver isso. Eu farei Jessica confessar. Eu juro.

Bella respirou fundo, lutando contra o impulso de confrontar Renesmee imediatamente.

– Vinte e quatro horas, Edward. É tudo o que você tem. Se até lá Jessica não disser a verdade, eu mesma vou contar para a nossa filha. E não espere que eu seja gentil.

Edward assentiu, aliviado, mas consciente de que essa era sua última chance.

– Obrigado, Bella. Eu não vou desperdiçar essa oportunidade.

– É bom que não desperdice. Porque, se você falhar, Edward, vai perder muito mais do que apenas a confiança de Renesmee.

Com isso, Bella virou-se e seguiu pelo corredor, deixando Edward sozinho, imerso em uma mistura de culpa e determinação.

.....


Jacob parou diante da porta do quarto, respirou fundo e bateu suavemente.

– Ness? Posso entrar?

Renesmee, que estava sentada na cama, com um livro aberto no colo, olhou para a porta e assentiu, a voz baixa:

– Pode.

Ele entrou devagar, fechando a porta atrás de si. Seus olhos buscaram os dela, mas Nessie desviou o olhar, ainda tentando lidar com a montanha de emoções que a consumia.

– Os pequenos já dormiram? – Jacob perguntou, a voz hesitante.

– Sim, faz um tempo. – Ela respondeu. – Mas acho que Will teve dificuldade de pegar no sono. Estava inquieto.

Jacob assentiu, parecendo ainda mais culpado. Ele deu alguns passos na direção da cama, mas parou antes de se sentar, como se estivesse esperando permissão.

– A gente pode conversar?

Nessie suspirou, fechando o livro e o colocando de lado.

– Acho que devemos.

Ele se sentou na beirada da cama, mantendo uma certa distância, os olhos fixos no chão.

– Eu... eu nem sei por onde começar, Ness. Só sei que preciso te dizer que nada aconteceu. Eu sei que tudo isso parece absurdo, mas eu tenho certeza. Nada aconteceu entre mim e Jessica. E, se esse filho dela existir, eu tenho certeza absoluta de que não é meu.

Nessie o observou, sua expressão marcada por dor e dúvida.

– Jake, eu quero acreditar em você. De verdade. E acho que uma parte de mim acredita. Mas você entende como tudo isso parece? Como é difícil para mim?

Jacob finalmente ergueu os olhos, a voz carregada de emoção.

– Eu sei, Ness. Eu sei que parece horrível, mas eu jamais te trairia. Nem sobre o efeito de qualquer droga ou ameaça. Você é a minha vida. Vocês são a minha vida. E eu vou provar isso. Eu vou mostrar que isso tudo é uma mentira. Eu juro.

– Eu acredito em você. – Nessie respondeu, surpreendendo-o.

Jacob piscou, quase sem acreditar.

– Você acredita? Mesmo?

– Acredito. Mas... – Ela desviou o olhar, a voz falhando. – Não sei como me sentir. Não sei como lidar com a possibilidade, por menor que seja, de que... e se...

Antes que ela terminasse a frase, Jacob se aproximou e, com delicadeza, tocou os lábios dela com o dedo, interrompendo-a.

– Não. Nem pense nisso. Eu nunca, nunca faria isso com você. Você me conhece, Ness. Sabe quem eu sou. Mesmo na pior das situações, eu nunca te trairia.

As palavras dele romperam a barreira que ela estava tentando manter. Nessie se jogou nos braços de Jacob, soluçando.

– Jake... eu não quero te perder. Eu não quero que nossa família se desfaça.

Ele a envolveu com força, acariciando seus cabelos enquanto ela chorava em seu peito.

– Você não vai me perder, Ness. Eu não vou deixar isso acontecer. Vamos passar por isso juntos. Sempre juntos.

E ali, nos braços um do outro, mesmo com as incertezas ainda pairando, eles se permitiram um momento de consolo, um vislumbre de esperança em meio ao caos.

Jacob afastou-se apenas o suficiente para olhar nos olhos de Renesmee. Havia tanto amor, tanta dor e uma determinação inabalável ali que ela sentiu o coração acelerar. Ele ergueu uma mão, acariciando suavemente o rosto dela, o polegar deslizando pela sua bochecha, como se estivesse tentando memorizar cada detalhe.

– Eu te amo, Ness. Nunca se esqueça disso. – A voz dele era baixa, mas carregada de emoção.

Antes que ela pudesse responder, ele inclinou-se devagar, como se lhe desse tempo para recuar, caso quisesse. Quando seus lábios finalmente se tocaram, o mundo pareceu parar. Foi um beijo doce, terno, carregado de promessas não ditas e um amor que palavras não poderiam descrever. Os lábios de Jacob se moldaram aos dela com uma delicadeza quase reverente, como se ela fosse algo precioso que ele precisava proteger.

Renesmee retribuiu o beijo, suas mãos subindo para entrelaçar-se no cabelo de Jacob, puxando-o para mais perto. A suavidade inicial logo deu lugar a uma paixão contida, mas profunda. Ele se afastou apenas o suficiente para recuperar o fôlego, antes de voltar, explorando-a com um toque que dizia tudo o que ele não conseguia expressar em palavras.

Quando os dois finalmente se separaram, os olhos de Jacob encontraram os dela novamente. Sem dizer nada, ele a guiou com cuidado até a cama, deitando-a gentilmente no colchão. Ele deitou ao lado dela, puxando-a para seu peito. Renesmee acomodou-se, ouvindo o som do coração de Jacob enquanto ele envolvia os braços em volta dela.

Com dedos firmes, mas ternos, Jacob começou a acariciar os cabelos de Nessie, um movimento repetitivo que a acalmava. Ela sentiu o calor do corpo dele contra o seu, um lembrete silencioso de que, apesar de tudo, ele estava ali.

– Estamos juntos nisso, Ness. Sempre. – Ele murmurou, com a voz já levemente pesada pelo sono.

Ela não respondeu, apenas fechou os olhos, permitindo-se relaxar na segurança que os braços dele ofereciam. O toque reconfortante e o calor do momento foram suficientes para acalmá-los. Pouco a pouco, ambos foram sendo vencidos pelo cansaço, adormecendo juntos, como se, por algumas horas, pudessem esquecer o mundo e todas as dificuldades que enfrentavam.