As pessoas têm o costume de procurar por novas coisas. A insatisfação está tão presente no nosso interior que é comum estar sempre com a sensação de um vazio. E talvez só consideramos felicidade quando por algum momento esse vazio é preenchido. Mas o que fazemos quando não encontramos algo para ocupar essa parte que nos falta? A maioria das vezes criamos novas coisas, e criamos com uma expectativa tão grande, que a decepção de saber que foi inútil a tentativa é maior do que a própria infelicidade. E a vida se resume nisso, criar para preencher o vazio, o vazio constante. E no fundo nós sabemos que aquele vazio é para sempre, pois somos insatisfeitos.

Há pouco tempo, não sei dizer onde e nem quando exatamente, mas os boatos é que tudo começou na divisa européia e asiática, talvez na Rússia ou Finlândia, quem sabe? Espalhou-se por lá uma onda de suicídios e casos de depressão e transtornos, até fobias, causadas pelos próprios habitantes. Os relatos das pessoas afetadas são de que alguns cidadãos estariam “invadindo” sua mente, seu interior. O curioso é que esses “invasores” não estariam ao menos tocando nas vítimas, seria tudo através do contato visual. Tudo isso se espalhou como uma piada para o mundo, mas quando começou a atingir mais áreas, as pessoas começaram a levar a sério.

Na minha região, apenas alguns casos foram relatados, mas não sei o que pensar a respeito, pois isso parece uma falsa epidemia. Pessoas são seres influenciáveis e tendo isso como partida, é possível que uma notícia dessas compartilhada mundialmente possa causar paranóia em uma sociedade. Basta uma ovelha ser infectada para o rebanho inteiro pensar que também está. O medo fala mais alto que os fatos, mas eu tento colocar a razão acima de tudo.

Sendo policial, meu dever com as pessoas é tratar qualquer ameaça que pode causar danos a comunidade como um todo, e por isso preciso ficar atento aos detalhes. Nessa profissão já ouvi e já vi de tudo, e as coisas que sei sobre os governos internacionais faz com que me torne um pouco mais cético. Então não saio por ai acreditando na primeira história que me contam, é preciso pensar com calma nas informações que absorvemos, porque hoje em dia há tantas delas que nem ao menos nos damos trabalho de saber se é verdade.

E o porquê de toda essa história? Para comprovar que não importa se é verdadeiro ou falso, se faz bem ou faz mal, se existe ou não, as pessoas querem. Elas querem usar, experimentar, sentir e preencher esse constante vazio que as perseguem, para se sentir diferente uma vez na vida, para tudo valer a pena.

Notas finais
Então pessoal, essa história pode correr de forma turbulenta, pois eu estarei testando as melhores maneiras de escrevê-la. E colocando aqui eu posso ter um pouco de noção de como vai ficar, mas se quiserem acompanhar, fica atentos as notas dos capítulos por que alguma coisa pode mudar. Obrigado!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.