Invasores
1 Prefácio
As pessoas têm o costume de procurar por novas coisas. A insatisfação está tão presente no nosso interior que é comum estar sempre com a sensação de um vazio. E talvez só consideramos felicidade quando por algum momento esse vazio é preenchido. Mas o que fazemos quando não encontramos algo para ocupar essa parte que nos falta? A maioria das vezes criamos novas coisas, e criamos com uma expectativa tão grande, que a decepção de saber que foi inútil a tentativa é maior do que a própria infelicidade. E a vida se resume nisso, criar para preencher o vazio, o vazio constante. E no fundo nós sabemos que aquele vazio é para sempre, pois somos insatisfeitos.
Há pouco tempo, não sei dizer onde e nem quando exatamente, mas os boatos é que tudo começou na divisa européia e asiática, talvez na Rússia ou Finlândia, quem sabe? Espalhou-se por lá uma onda de suicídios e casos de depressão e transtornos, até fobias, causadas pelos próprios habitantes. Os relatos das pessoas afetadas são de que alguns cidadãos estariam “invadindo” sua mente, seu interior. O curioso é que esses “invasores” não estariam ao menos tocando nas vítimas, seria tudo através do contato visual. Tudo isso se espalhou como uma piada para o mundo, mas quando começou a atingir mais áreas, as pessoas começaram a levar a sério.
Na minha região, apenas alguns casos foram relatados, mas não sei o que pensar a respeito, pois isso parece uma falsa epidemia. Pessoas são seres influenciáveis e tendo isso como partida, é possível que uma notícia dessas compartilhada mundialmente possa causar paranóia em uma sociedade. Basta uma ovelha ser infectada para o rebanho inteiro pensar que também está. O medo fala mais alto que os fatos, mas eu tento colocar a razão acima de tudo.
Sendo policial, meu dever com as pessoas é tratar qualquer ameaça que pode causar danos a comunidade como um todo, e por isso preciso ficar atento aos detalhes. Nessa profissão já ouvi e já vi de tudo, e as coisas que sei sobre os governos internacionais faz com que me torne um pouco mais cético. Então não saio por ai acreditando na primeira história que me contam, é preciso pensar com calma nas informações que absorvemos, porque hoje em dia há tantas delas que nem ao menos nos damos trabalho de saber se é verdade.
E o porquê de toda essa história? Para comprovar que não importa se é verdadeiro ou falso, se faz bem ou faz mal, se existe ou não, as pessoas querem. Elas querem usar, experimentar, sentir e preencher esse constante vazio que as perseguem, para se sentir diferente uma vez na vida, para tudo valer a pena.
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