Invasão de Privacidade

16 Two guys and a little lady!


Notas iniciais
Olá flores, olha quem voltou mais cedo!! esolvi ser boazinha e atualizar não uma mas três fics de uma vez! Já atualizei O Preço e agora aqui. Ainda não decidi se atualizo LH ou A Outra(?!?) Com certeza uma delas irá ser atualizada. Mas vamos direto e reto ao ponto: este capitulo será todo conduzido por Thea, que viaja para fazer um "favorzinho" ao mano Queen e evidente conhecer a candidata a sobrinha. Claro que Oliver pede para ela não falar sobre as suspeitas dele para o pessoal da creche e claro que ela irá obedecer...(rsrsrsrsrsrsrs) Grata por todas as reweiews passadas...Aguardo mais rewiews please....Boa leitura...Bjinhos flores. P.S: Os dois caras do titulo são Thea e Eddie e pequena dama nem preciso dizer quem é preciso!?

“Spent 24 hours, I need more hours with you;

You spent the weekend getting even,ohh;

We spent the late nights making things right between us;

But now it’s all good, babe;

Roll that back wood, babe;

And play me closer...”

Girls Like You

Maroon 5 feat.Cardi B

Mansão Queen (Sexta, 01/12 – 09:55 a.m)

Thea Queen

—Lembre-se Thea, assim que chegar a Seattle...

—Eu ligo avisando que cheguei bem e logo a seguir ligo para o escritórios de seus amigos avisando que estou a caminho – bufo ao escutá-lo repetir o que havia recomendado pelo menos mil vezes – Na boa Ollie, não sou retardada! Entendi tudo vez que falou. Não precisa ficar se repetindo feito um disco quebrado! Até já decorei suas falas – ironizo, abrindo o porta malas de meu carro, pondo minha bagagem dentro.

Olho a volta a procura Eddie(o havia convencido a me acompanhar!) enquanto fecho-o, voltando-me para meu irmão que permanecia parado feito um dois de paus me encarando.

—Só quero ter certeza de que não irá esquecer nada, principalmente as ligações – relembra me fazendo rolar os olhos – Vou ligar para Sam assim que partir e pedir-lhe que adiante o que for possível – avisa, enrugando o cenho ao ver a moto de Eddie aproximando-se – Thea, você não ....

—Sim, pedi, ou melhor intimei Eddie a me acompanhar e vê se não faz drama! – alerto-o, enfiando meu indicador em seu peito – Além de uma companhia, também quero conversar, acertar os ponteiros, por assim dizer, e esta viagem é perfeita já que estaremos longe de certas influencias – insinuo vendo-o estreitar os olhos ao me encarar.

—Esta se referindo a mim e Tommy por acaso? – pergunta.

—Bingo! Acertou em cheio maninho querido do meu coração – exagero, apertando suas bochechas enquanto vejo, pelo canto do olho, Eddie estacionar sua moto alguns metros de distância – Escute Ollie, eu poderia muito bem combinar encontrar com ele no aeroporto sem te contar nada. Ao invés disto marquei aqui, mesmo sabendo que estaria presente. Não faça com que me arrependa – peço, sustentando seu olhar.

—Tudo bem por aqui? – Eddie pergunta, soltando a bolsa (muito provavelmente sua única bagagem!) no chão junto a meu carro.

—Tudo – Ollie responde, desviando seu olhar de mim, sua expressão tranquila me tranquilizando por tabela e solto o ar que mal notara haver prendido – Eddie, lembra dos Winchester? – questiona de repente e franzo o cenho.

—Claro. O que tem eles? – quer saber meu loiro fazendo-me voltar para ele – John Winchester é amigo de infância de meu pai. Conheci os filhos dele, Dean e Sam, em um dos muitos acampamentos ao qual fui obrigado ir. Quando entrei forçadamente no exército...

—Eles estavam por lá e os reencontrou e deixe-me adivinhar: são Ranger também! – concluo rolando os olhos.

—Mas nem com toda influência do pai iriam conseguir ser aceitos isto se quisessem, o que não era o caso – revela, surpreendendo-me – Dean até serviu um ano inteiro, como nós, mas foi só. Sam nunca nem pensou nisso. Os dois são, digamos, independentes demais para isto – afirma.

—Ele quis dizer rebeldes demais para serem domados – Ollie comenta, aumentando minha confusão.

—Desculpa mas este comentário vindo de alguém que foi obrigado a servir para evitar a cadeia, soa no mínimo estranho – digo, olhando de um para outro.

—Verdade – assume meu irmão, rindo – A diferença é que nós três nos descobrimos no serviço militar ao passo que os Winchester não. Dean deu tanta dor de cabeça a seus superiores quando serviu, que se tivesse decidido seguir carreira iriam arranjar uma desculpa para impedi-lo fazer – acresce, rindo ainda mais – Sam seguiu carreira no direito se especializando em causas cíveis e imobiliárias.

—Dean escolheu ser corretor depois que saiu do exército mas ajuda o irmão e o pai na firma da família desde o ano passado – Eddie completa.

—Então os rebeldes se acalmaram e se tornaram rapazes responsáveis...igual vocês três, correto? – pergunto, suas expressões respondendo por eles – Ok, esqueçam! O que importa é serem competentes e resolverem o problema do orfanato – afirmo, caminhando em direção a porta do motorista.

—Orfanato? – ouço Eddie perguntar as minhas costas – Do que ela está falando?

—Explico no caminho loiro. Agora entra ai. Quero evitar a curiosidade da Fel e já perdi muito tempo escutando a ladainha de Ollie – ordeno, xingando baixinho quando ouço a voz de minha futura cunhada.

—Vai viajar Thea? – pergunta, parando ao lado de Ollie – Vai com ela Eddie? – acresce, curiosa, ao vê-lo jogar a bolsa no banco de trás sentando no do carona.

—Vai e já estamos atrasados. Beijinhos cunhadinha – digo, acenando, dando partida e saindo antes que ela começasse o interrogatório.

—Sou todo ouvidos gatinha – Eddie declara assim que cruzamos os portões da mansão pondo o cinto de segurança.

Respiro, narrando devagar (até porque precisava me concentrar no trânsito) o que Ollie me contara sobre como conhecera a pequena Amy Lee, de ter ficado impressionado com a menina, as razões pelas quais não havia mencionado nada a ninguém (especialmente Felicity) concluindo quando chegávamos ao aeroporto. Mesmo ele tentando disfarçar, noto que havia ficado bastante mexido com tudo que ouvira, o que não deixava de ser estranho.

—Oliver acha que esta garotinha pode ser a filha que Felicity julga morta?- questiona retirando nossa bagagem do carro assim que estaciono.

—Que disseram a ela haver morrido algumas horas após nascer, nem ela nem a mãe viram depois de terem sido avisadas do fato e, finalmente, que o avô, único a ver mesmo que de longe, o corpinho da neta, jurava estar viva – o corrijo, travando o carro, caminhando a seu lado para o interior do aeroporto – Aliás, Donna comentou comigo que o marido ficou tão impressionado que chegou a pedir para tocá-lo mas não recebeu permissão – revelo.

—Por que não? É o avô, tinha direito – rebate enrugando o cenho – Isto é bastante estranho.

—Né non!? – anuo, indicando o guichê para o qual deveríamos ir.

—Thea, já pensou nas consequências, no quanto isto irá mexer com a cabeça de seus irmãos, de Felicity e de Caitlin? Isto sem contar o juiz e Donna – interroga, fazendo nosso check in.

—Não penso em outra coisa desde que Ollie me contou suas suspeitas – admito, seguindo pelo corredor pois já estavam embarcando – Imaginei coisas boas, coisas nada boas, coisas muito ruins tanto no que diz respeito ao relacionamento deles quanto nos motivos que fez, seja lá quem for o responsável por esta mentira horrenda, agir da maneira como agiu. Ele ou ela afastou a filha da convivência com os pais, tios, avôs e...- estanco em meio ao corredor, um calafrio percorrendo minha espinha ao lembrar um detalhe até agora ignorado por meu irmão.

—O que houve? Esqueceu algo? – Eddie questiona fazendo-me encostar no canto a fim não impedir aos demais passageiros seguirem caminho.

—Sim. Esquecemos, Ollie e eu, de alguém importante: Malcom Merlyn! – exclamo — Mesmo não tendo um bom relacionamento com Tommy, evidente que ficará furioso em saber o que fizeram com a neta – afirmo, imaginando a reação que teria.

—Isto é algo com o que teremos de lidar no futuro – Eddie pondera, massageando o queixo.

—Espero podermos contar com a ajuda do juiz neste quesito, muito embora ele também vá querer trucidar, dentro da lei obviamente, o responsável pelo sequestro de sua netinha. Sim, porque foi sequestro. Felicity não deu permissão ou abriu mão do bebê – comento retomando a caminhada para a aeronave a seu lado.

—Pode ter certeza disto – anui, sentando-se a meu lado após colocar nossas malas no bagageiro interno.

—Mudando de assunto, ficou de me contar aonde estava que não atendeu minhas ligações – cobro, ajeitando-me no assento a fim de olhar em seu rosto.

—Certo – diz, inquietando-se, o que me causa estranheza. Eddie não é de ficar com meias palavras. Nunca foi – Thea – recomeça, cuidadoso – Estava em Central City com minha mãe. Fui tirar a limpo algo que descobri por acidente uns dois meses mais ou menos. Lembra de quando comentei com você de ter socorrido uma amiga do Roy?- pergunta e aceno afirmativamente – Não sei se lembra mas ela precisou de uma cirurgia de urgência...

—Retirou o apêndice, eu lembro – interrompo tentando entender o que isto tinha a ver com sua visita a mãe, com a qual sei não se dá lá muito bem.

—Sim e por conta disto descobri que tínhamos algumas coisas em comum entre elas o mesmo tipo sanguíneo e uma marca de nascença no mesmo local do corpo...idêntica a de nossa mãe – revela, me deixando confusa a princípio.

—Como assim nossa mãe? Está me dizendo que....

—Alicia, também conhecida como Sin, é minha irmã por parte de mãe – confirma deixando-me boquiaberta – Pois é, tive a mesma reação – admite – Minha mãe teve-a antes de casar-se com meu pai. Engravidou na época da faculdade e doou o bebê por não ter condições de cria-lo. Não teve contato nem procurou saber quem havia adotado – explica, suspirando – Até entendo tê-la dado para adoção por não ter condições e até o fato de não querer contato com as pessoas que a adotaram. Mas poderia ter-se certificado de que seria entregue a pessoas que não a abandonariam no primeiro obstáculo ou por motivo torpe– diz, amargo.

—Agora entendo porque ficou tão mexido com a história da pequena – digo, segurando sua mão, solidaria – Ela já sabe? – questiono-o.

—Não e honestamente não sei se irei contar-lhe – admite – Minha mãe não quer conhece-la. Como vou dizer isto a ela? Como justificar essa atitude? Ao mesmo tempo não desejo me afastar mas temo que interprete mal minha aproximação entende?

—Entendo sim, amor. Mas acho que pode sondar para saber o que a Sin pensa sobre este assunto. Veja meu exemplo – digo — Quando descobri que era filha biológica do Malcom fiquei revoltada, como bem sabe, não quis aproximação nenhuma com ele, passei a evitar minha mãe por um bom tempo e até do Tommy me afastei – recordo-o – Depois acabei aceitando. Certo que meu pai ajudou bastante no processo, coisa que a Sin não terá – lembro, mordendo a unha – É, você precisa sondar bem o terreno antes de decidir se vai contar ou não.

—Com certeza e nisto o Roy pode ser útil – diz, acomodando-se melhor na poltrona – Mas isto fica para outro momento. Agora temos que focar na tarefa que Oliver te passou. Me acorda quando chegarmos – pede, fechando os olhos e cruzando os braços sobre o peito. Em poucos minutos ele está dormindo.

—Fala sério! – exclamo, sacudindo a cabeça negativamente.

Suspiro, decidindo revisar a papelada que Ollie me dera.

Era realmente impressionante as coincidências entre a garotinha do orfanato e a filha de Tommy e Fel: havia nascido no mesmo dia (Ollie conseguiu a data com Donna), no mesmo Estado e até no mesmo hospital. Fora adotada alguns dias após o nascimento (coisa estranha já que o processo é bastante demorado) e igualmente rápido (dois meses e meio depois) fora abandonada no aeroporto de Seattle, não diretamente no orfanato como Ollie supunha a princípio, aonde acabou indo parar e vive até hoje. Outras tentativas de adoção aconteceram nestes quatro anos mas por alguma razão não deram certo mesmo ela sendo a fofa que meu irmão descreveu (não havia foto por ela ser menor de idade).

—Senhorita, vai querer lanche? – ouço a pergunta e ergo a vista para a garota sorridente.

—Aceito – respondo, fechando a pasta – Poderia deixar um kit para a bela adormecida aqui – brinco, indicando Eddie com um gesto de cabeça.

—Não estou dormindo – retruca, assustando a nós duas.

—Afff, que susto! – reclamo, estapeando-o quando ri – Cachorro – xingo.

—Au, au! – devolve causando uma crise de riso na garota do assento ao lado que acaba por me contagiar.

Duas horas e meia depois o avião aterrissa. Enquanto Eddie cuida de nossa bagagem, ligo para Ollie conforme combinado.

—Oi, acabamos de chegar – aviso assim que atende.

< Certo. Já entrei em contato com os irmãos Winchester. Estarão esperando por vocês no saguão do aeroporto > avisa < Se tiverem algum problema entre em contato comigo ok, Speedy? E por favor, por nada, nada neste mundo mencione a ninguém no orfanato acerca de minha desconfiança entendeu? >

—Fique tranquilo maninho, não vou falar nada – asseguro, voltando-me ao escutar o riso curto de Eddie, a quem respondo educadamente mostrando o dedo do meio (discretamente, obvio) – E como estão as coisa por ai? Como eles receberam a notícia de que serão avôs? Mamãe surtou? – quero saber.

< Ainda não falei nada a eles > revela, justificando-se < Quando contei a mamãe que os pais de Felicity haviam mudado para a cidade, sugeriu um almoço para conhece-los e não tive como dizer não. Daí resolvemos esperar > conta < Eles virão em casa amanhã, portanto torça por mim maninha > pede

—Vai dar tudo, fique tranquilo. Basta que encontre um assunto em comum entre Donna e mamãe e tudo ficara bem – sugiro, rindo discretamente.

< Só pode estar de brincadeira! O que raios a mamãe e Donna poderiam ter em comum?? > questiona, não me deixando responder < Na verdade não sei se quero descobrir a resposta a esta pergunta. Só tentarei evitar que este almoço se torne uma catástrofe completa! > choraminga

—Não faz drama Ollie! Além do mais Felicity vai estar a seu lado – digo, parando junto de Eddie, que observava o saguão a procura dos Winchester – Vou desligar, temos que encontrar seus amigos. Te ligo quando estivermos no orfanato.

< Ok. Fico no aguardo. Se cuide Speedy > recomenda, desligando.

—Tudo bem por lá? – Eddie pergunta.

—Nada demais. Apenas uma reunião familiar- minimizo, olhando em volta – Já viu seus amigos?

—Ainda não – responde – Ali. Estão ali – avisa, acenando – Vamos – convida, puxando minha mala.

Abrimos caminho entre a pequena multidão que desembarcava estancando ao alcançarmos dois homens altos, um moreno e outro de cabelo claro, que nos cumprimentam com entusiasmo.

—Eddie Thawne, quanto tempo! – o moreno diz, apertando a mão de meu namorado – E a você deve ser Thea, irmã do Oliver – presume, me dando atenção – Sam Winchester – apresenta-se, apertando minha mão.

—Prazer Sam – retribuo, voltando minha atenção para o outro – E você, obviamente, deve ser Dean.

—Prazer em conhece-la Thea. Agora entendo porque Oliver demorou tanto tempo a nos apresentar a irmã – afirma, sorrindo de maneira sedutora.

—Ela é TP Dean – ouço Eddie dizer e me volto, encarando-o de sobrancelha arqueada.

—Oliver que disse? – rebate Dean, rindo divertido.

—Não. Eu – Eddie diz, encarando-o, os braços cruzados a frente do peito.

—Entendi – responde Dean e me irrito ao entender sobre o que falavam.

—Quando os palhaços pararem de tentar marcar território, podemos cuidar do assunto que me trouxe até aqui – me irrito – E só para constar: não sou um pedaço de terra para ser disputada! – deixo claro escutando a gargalhada de Sam.

—Gostei dela! – declara, tocando meu ombro – Que tal irmos andando? Apesar de termos adiantado bastante coisa, ainda temos muito a fazer, principalmente no que diz respeito a convencer o digníssimo deputado Crowley vender o imóvel para nós – comenta.

—Esse é o nome do proprietário da casa? – questiono, caminhando em direção a saída junto com eles.

—O próprio, para nossa tristeza – Sam confirma fazendo uma careta.

—Devemos nos preocuparmos? – Eddie pergunta.

—Um pouco – admite – Crowley não é exatamente conhecido por sua bondade e generosidade. De praxe, sempre existe algo, nem sempre bom ou louvável, por detrás de suas ações – completa, parando junto a um imponente Impala 67 preto, que suponho ser o carro deles – Adora negociatas que lhe tragam algum tipo de vantagem. Um ano antes das últimas eleições, ele e a esposa adotaram quatro crianças órfãs e reabriu um abrigo para pessoas em situação de risco, que viviam pelas ruas– conta, abrindo o porta malas.

—Mesmo que com segundas intenções, se não entendi erroneamente, isto não foi bom? Afinal está ajudando essas pessoas e deu um lar as crianças – contesto enquanto Eddie guarda nossa bagagem.

—Quanto as crianças nada a reclamar já que permanecem com o casal e realmente parecem felizes. Mas o abrigo foi praticamente esquecido depois que conseguiu se eleger. Não fossem Lisa e a mãe já teria fechado – Dean explica claramente irritado, cerrando os punhos e somente então noto o curativo em sua mão direita – Crowley é um bastardo cretino que ama aparecer e se dar bem as custas dos outros, melhor dizendo, da infelicidade e desgraça alheia – conclui.

—Devo concordar já que pôs o imóvel onde está o orfanato a venda mesmo o aluguel estando rigorosamente em dia – Eddie anui, torcendo o nariz – Certo que pertence a ele e pode dispor da maneira que desejar, mas vamos combinar: se pretendia vender deveria ter ao menos comunicado a pessoa responsável por administrar o lugar com antecedência, o que não fez, correto? – questiona, abrindo a porta do lado do carona, afastando o assento dianteiro para que eu pudesse entrar.

—Correto – Sam confirma, assumindo a direção do veículo, aguardando todos estarem acomodados para falar novamente – Depois que Oliver me ligou, avisei Dean e pedi que verificasse a quantas andava a negociação do imóvel, se já havia pretendentes e por que o havia posto à venda tão inesperadamente...

—Descobri que uma empreiteira está interessada no terreno para construí um prédio de apartamentos – Dean prossegue – Os terrenos naquela área valorizaram nos últimos dois anos. Ele havia recusado uma proposta cerca de um ano e meio atrás aguardando um pool do mercado como este. Ai a oferta veio e evidente que não perdeu a oportunidade – declara, cerrando os punhos mais uma vez.

—Deixe-me pergunta duas coisas – peço – Número um: ele pode Já ter vendido o imóvel e não avisado nada? – questiono-os.

—Honestamente? – interroga e aceno afirmativamente – Pode sim e deve ter alguma razão para não dizer abertamente – Dean revela, me deixando estressada – No mínimo alguém de sua acessória deve ter chamado atenção para quão negativo seria o fato de deixar órfãos no meio da rua e resolveu mentir comunicando que ainda iria pôr o imóvel a venda. Pelo que pude apurar junto a senhorita Moeckel, havia prometido lhes dar preferência na compra e caso não o pudessem faze-lo daria um bom prazo para desocuparem o lugar. Chegou mesmo a oferecer um outro prédio de sua propriedade no subúrbio – conta.

—Não conheço o cara mas já não gosto dele pela maneira como parece estar agindo – Eddie confessa.

—Digo o mesmo e honestamente, caso seja verdade o que estão supondo, no que depender de mim compramos qualquer outra casa que não dele – aviso vendo ambos os irmãos rirem.

—Neste caso vai gostar de saber que andei pesquisando e tenho pelo menos dois bons imóveis em vista. O único problema é que precisam de reforma – Dean avisa.

—Maravilha! – exclamo, me recostando no assento – Vamos falar com a senhorita Moeckel, contar suas suspeitas e quem sabe já partimos para ver estes imóveis. Bem melhor do que negociar com este senhor deputado fuleira! – afirmo, decidida, pegando meu celular, freando o impulso de ligar para Ollie. Sabia que deveria estar tenso com o tal almoço. Decido esperar e tentar resolver tudo sem incomodá-lo, afinal não foi para isto que vim?

—De acordo – escuto Eddie dizer – E qual era a segunda pergunta amor? – interroga me fazendo erguer os olhos do celular, encontrando três pares atentos a me observarem.

—Se o digníssimo deputado teria algo a ver com o machucado na mão do Dean – respondo – A mim pareceu existir certa antipatia em relação ao referido senhor. Por parte dos dois – aponto-os alternadamente.

—Desta vez não – Dean nega, massageando o pulso – Não diretamente – acresce, silenciando, pensativo e faço o mesmo, meu nível de estresse aumentado consideravelmente ante sua observação seguinte – Não se trata de antipatia. É rixa mesmo. Bem antiga...

—Mas que nunca interferiu em nossos negócios – Sam apressasse dizer, dando partida no veículo – Tem se mantido no lado pessoal e assim vai continuar – afirma, categórico, manobrando, me fazendo pensar se o que dizia era realmente possível ou se ele era ingênuo, muito embora meu pai tivesse mantido relações estreitas com Malcom mesmo depois de saber que dormira com minha mãe e que eu era fruto dessa traição.

Durante o trajeto mantemos a conversa em campo neutro, falando restritamente sobre os imóveis que Dean vira, os valores de ambos comparados ao da propriedade de Crowley e as reformas que seriam necessárias em cada um, Sam frisando que mesmo tendo que esperar para poder mudar, valia bem mais a pena comprar um dos escolhidos pelo irmão pois a senhorita Moeckel poderia adaptá-lo as necessidades das crianças, coisa que não era possível em um imóvel alugado como o que ocupavam.

—É aqui?? – indago ao chegarmos, olhando a fachada da casa pela janela do carro enquanto aguardamos o portão ser aberto, fazendo uma careta de desagrado quando confirmam – Credo! – sussurro baixinho, desgostando do lugar na medida em que nos aproximamos.

—Não gostou do lugar não foi ? – Eddie comenta, descendo assim que Dean o faz, repetindo o gesto que fizera no aeroporto.

—Não – admito, erguendo o rosto, comtemplando a fachada do imóvel atentamente.

Não é que fosse feia ou estivesse maltratada. O contrário. Para uma casa antiga era muito bem conservada. Porém algo não me agradou. Não sei dizer bem o quê. Apenas não gostei.

—Passa uma sensação estranha não é? – ouço Dean perguntar e me volto para ele – A casa – especifica, apontando o lugar – Causa uma sensação estranha na gente. A mim causou na primeira vez que vim aqui a pedido de seu irmão – revela – Acho que é o sótão. Nunca gostei de casas com sótão – diz, sacudindo os ombros.

—Não gosto de porões – Eddie revela, me causando surpresa – Trauma de filmes de terror – diz, dando de ombros.

—Alguns se passam em sótãos – Sam pondera.

—Ok, que tal mudarmos de assunto? Já não gostei do lugar, se ficarem fazendo essas observações não vou nem conseguir entrar! – reclamo, esfregando os braços, notando o movimento na lateral da casa, uma mulher de cabelo negro e curto aproximando-se pela varanda, seu sorriso gentil me fazendo sentir acolhida imediatamente.

—Olá, bom dia. Em que posso ajuda-los? – pergunta parando no alto da pequena escada de acesso a varanda nos observando um a um.

—Senhorita Moeckel não está me reconhecendo? Dean Winchester. Estive aqui duas semanas atrás para lhe falar a pedido de Oliver Queen e liguei ontem a noite avisando que viria hoje trazendo a irmã dele – lembra, a mulher abrindo um sorriso largo.

—Desculpe senhor Winchester mas realmente não nos conhecemos – assegura ela vindo a nosso encontro, completando antes que ele pudesse dizer algo – O senhor conheceu e falou com minha irmã gêmea, Erica posto que há duas semanas eu estava viajando e ontem tinha ido buscar uma das crianças que fora passar a semana na casa de uma família que pretendia adotá-la – explica.

—Pretendia? Não pretende mais? – não consigo conter a curiosidade – Desculpa minha curiosidade. Thea Queen – peço, apresento-me estendendo a mão para ela que prontamente aceita.

—Prazer, Victoria – apresenta-se – Estava agora mesmo ao telefone com seu irmão – revela – Queria saber se já haviam chegado.

—Pouco protetor o rapaz! – Dean brinca, fazendo-me rir.

—Defeito de fábrica – brinco – Este é meu namorado, Eddie Thawne– apresento.

—Muito prazer – diz, sorridente, voltando-se para Sam – O senhor é...???

—Sam. Winchester – apresenta-se meio que gaguejando fazendo nós três o olharmos de sobrancelha arqueada.

—Prazer – responde ela, sustentando mão e olhar dele durante alguns segundos – Hã...vamos entrar para que possamos conversar mais confortavelmente– convida, ficando de lado para passarmos– O senhor Queen me disse que já estavam inteirados de nossa situação – começa dizer enquanto subimos os degraus da pequena escadaria que conduz a porta de entrada.

—Sim e meu irmão também já pesquisou novos locais para onde poderão se mudar – Sam adianta-se, abrindo a porta gentilmente.

—Obrigada – agradece a mulher, sorridente – Fomos pegas de surpresa, como minha irmã disse ao senhor Queen, porque estamos rigorosamente em dia e nosso contrato vence apenas no final deste ano – revela, indicando-nos uma sala a sua direita assim que entramos.

Reparo que a casa, apesar de confortável, me parece relativamente pequena e inadequada para comportar o número de crianças que vivem aqui: cento e vinte entre menores e pré adolescentes.

—Ele lhe deu alguma justificativa para ter posto a casa a venda? – Eddie pergunta, sentando a meu lado tão logo o faço.

—Na verdade não. Apenas que precisava vende-la , que sentia muito e que tínhamos a preferência na compra, mas pelo valor que está pedindo não teríamos condições de compra-la e nem permitiríamos ao senhor Queen o fazer – conta, pegando uma pasta em uma das gavetas – Não entendo muito de mercado imobiliário, mas andei pesquisando e vi que está bem acima dos imóveis do mesmo porte nesta redondeza – afirma – Nosso contrato- avisa, entregando a Sam.

—De fato está. Não muito mas está – Dean confirma – E pelo que pude observar quando entramos e pela planta que vi, se decidir ficar aqui irá precisar fazer uma reforma.

—Estávamos nos preparando para isto. Já havíamos até falado com um arquiteto e com o próprio senhor Crowley porque as instalações estão precárias para o numero de crianças que abrigamos no momento – revela.

—Sabe que tive essa impressão quando entramos – admito – Cento e vinte crianças não é muito, se comparado a outras instituições que conheço em nossa cidade natal, porém para este espaço me parece meio...apertado – concluo.

—Não chega a ser apertado mas sentimos necessidade de uma sala de jantar maior, uma brinquedoteca, um espaço para estudos, entre outras coisas – enumera e pelo canto do olho noto Dean fazendo anotações – A área externa é bem maior mas oferece pouco espaço a sombra além de ser perigoso já que não temos muros, apenas grades frágeis. Mês passado gastamos parte de nosso orçamento trocando uma que foi literalmente roubada, outro problema que enfrentamos aqui, infelizmente. De vez em quando nos deparamos com alguém dentro do terreno, geralmente adolescentes fumando ou roubando coisas para vender – conta.

—Nossa. Deve ser assustador – comento, uma leve batida na porta chamando minha atenção.

—Senhorita, com licença. Miss Candle pergunta se pode servir o almoço – uma garota aparentando ter minha idade pergunta através da porta entreaberta.

—Pode sim Linda. Daqui a pouco me junto a vocês ...a propósito, querem almoçar conosco? – convida.

—Se não for inconveniente – me adianto.

—De forma alguma. Linda, avise que teremos convidados para o almoço, por favor – pede, a jovem se retirando após um “ok” animado – Querem prosseguir mais um pouco ou preferem continuarmos depois de comer? – questiona.

—Acho que depois é melhor – me adianto mais uma vez. Admito: estava ansiosa por conhecer Amy Lee. Tanto que quase pulei de alegria quando Victoria nos convidou para almoçar com eles.

—Thea, vamos?! – Eddie chama e ergo os olhos vendo-o de pé com a mão estendida em minha direção enquanto Sam, Victoria e Dean saiam da sala – Algum problema? – quer saber.

—Problema não, só curiosidade em conhecer certa pequena – admito, seguindo o grupo a nossa frente – Senhorita....

—Victoria. Pode me chamar de Victoria – pede, voltando-se para mim.

—Victoria, iremos almoçar junto com as crianças? – pergunto, a ansiedade em conhecer Amy Lee me corroendo.

—Sim – confirma e vibro antecipadamente, recebendo um olhar de advertência de Eddie – O quê? – questiono-o, fazendo cara de inocente.

Seguimos direto a cozinha que também serve como refeitório, pouco maior do que a sala de entrada. Uma enorme mesa ocupa praticamente todo o ambiente deixando tudo meio sufocante. Mais três mesas pouco menores estavam dispostas pelo cômodo para as crianças pequenas. Todas se encontravam ocupadas.

—Boa tarde crianças. Temos visitas hoje. Como se diz? – Victoria anuncia fazendo o burburinho cessar.

—Boa tarde! – um coro nos cumprimenta e sorrio.

—Boa tarde crianças – respondo, Eddie e os irmãos limitando-se acenar.

—Venham, nos sentaremos no balcão – Victoria convida e a seguimos até o local.

Olho em volta tentando reconhecer Amy pela descrição dada por Ollie.

—Todas as crianças estão aqui Victoria? – pergunto quando nos acomodamos, notando-a correr os olhos pelo lugar franzindo o cenho.

—Senhora Candle, onde estão Linda, Margôt, Cristine e Amy Lee? – interroga e fico em alerta.

—Com a pequena no quarto. Parece-me que ela não queria vir comer – conta a mulher sem citar nomes.

—Quem? – Victoria inquire, um garoto moreno dando a resposta rapidamente.

—Amy senhorita. Ela estava chorando – conta – A Margôt disse que ninguém ia adotar ela nunca porque ela é muito chata e mimada, que essa semana foi a ultima chance dela. Ai ela começou a chorar e disse que não estava com fome quando fomos chamar ela – revela, me deixando revoltada.

—Como é? Ah, mas desta vez Margôt foi longe demais! – Victoria exclama, batendo no balcão, furiosa – Me deem licença por favor. Senhora Candle, sirva meus convidados – pede, retirando-se sem esperar resposta.

Tenciono segui-la mas Eddie me impede.

—Não Thea, é um assunto administrativo. Deve deixa-la resolver – diz, segurando meu braço – Sei que está ansiosa em conhecer a menina, mas não é o momento apropriado. Aguarde amor – pede, me fazendo sentar.

A contragosto, obedeço, a raiva queimando em meu interior. Como alguém pode dizer coisas tão cruéis a uma criança? Independente de ela ser ou não minha sobrinha, não se deve tratar assim uma órfã. Que tipo de pessoa faz isto? Se não gosta de trabalhar ali, porque essa criatura não pede demissão? Pondero, agradecendo a mulher que nos servia.

Como sem vontade, ansiosa pelo retorno de Victoria, o que acontece após uma eternidade....só que volta sozinha. Preciso usar toda minha força de vontade para não perguntar o que havia acontecido lá em cima. Terminamos a refeição sem que ela diga nada a respeito do incidente.

Após a sobremesa, Victoria nos convida a conhecer as instalações e mais uma vez me animo apenas para me decepcionar já que as crianças menores, incluindo Amy, estavam tirando o cochilo da tarde, portanto evitamos os quartos. É impossível não lembrar e até torcer para que a menina repetisse o gesto de quando Ollie a conheceu mas isto não acontece.

Quando estávamos para ir embora Erica, irmã de Victoria, chega trazendo a confirmação do que Dean já desconfiava: a casa já havia sido vendida e elas teriam um mês para desocupar o lugar.

Tendo esta informação, marcamos com as irmãs visitarmos as duas casas escolhidas por Dean no dia seguinte.

Saio do lugar frustrada por não haver conhecido Amy Lee, confesso.

No hotel, ligo para atualizar Ollie dos fatos recentes decidindo que também arcaríamos com o custo da reforma na casa que elas escolhessem. Conto-lhe o que acontecera a Amy tranquilizando-o ao revelar que a tal Margot havia sido demitida, e o quanto estava frustrada por não a haver conhecido despedindo-me após combinar de ligar apenas a noite já que o dia seria dedicado a escolha da casa, desejando-lhe uma boa noite e que tudo desse certo no almoço do dia seguinte, ele recomendando cuidado pela enésima vez.

Demoro alguns minutos até conseguir dormir tamanha ansiedade e frustração que sentia.

No dia seguinte, um sábado de sol claro e forte, nos encontramos com os irmãos Winchester e as irmãs Moeckel no meio da manhã no primeiro imóvel, uma antiga escola abandonada que logo de cara ganha a simpatia delas e a minha também. Porém a segunda é perfeita! Além de precisar de muito menos reforma do que a escola, possui uma área externa bem melhor acabando por ser a escolhida.

Decisão tomada, almoçamos em um restaurante próximo decidindo os detalhes sobre a reforma. Para nossa surpresa Dean até já tinha um empreiteiro em vista, o que pouparia um tempo considerável.

Após a refeição Erica segue com Dean e Sam para a imobiliária a fim de fechar negócio o mais rápido possível enquanto Eddie e eu retornamos ao orfanato com Victoria.

Desta vez vou conseguir conhecer a pequena!, penso, tendo nova decepção: ela havia saído com Linda e outra funcionaria para um passeio.

Admito: tive vontade de chorar! Para compensar minha frustração me ofereço para ajudar Victoria a começar organizar as coisas para a mudança que, se tudo desse certo, aconteceria em três semanas. Aproveito para sonda-la sobre como funcionava a adoção e por que a tal Margot dissera aquelas coisas a pequena Amy. Descubro bem mais do que pretendia.

—Não há nenhum registro de ela ter sido dada para adoção nem de quem seja sua mãe ou pai biológicos – Victoria conta enquanto embalamos uns livros – É tudo muito obscuro no que se refere ao nascimento dela. Estranhamos tantas lacunas, mas sempre que tentamos pesquisar esbarramos na burocracia – confidencia – É como se alguém não quisesse que o passado dela fosse conhecido, entende. Não nego que isto nos preocupou a princípio. Sabe como é, e se os pais forem bandidos, traficantes ou...

—De jeito nenhum! Não são mesmo! – afirmo, minha convicção causando desconfiança nela – Quer dizer, se fosse assim já teriam vindo a procura dela não acha? – tento remendar, desviando do assunto com perguntas referentes ao material que organizava.

—Precisa ser mais cuidadosa amor. Ela ficou desconfiada – Eddie admoesta-me enquanto descemos as escadas carregando algumas caixas.

—Eu sei, mas quando começou a fazer suposições de que os pais dela poderiam ser bandidos, subiu um fogo que não deu pra controlar – digo escutando-o rir.

—Entendo. Mas tenha em mente que não podemos afirmar que ela seja filha deles ainda – relembra e faço uma careta.

Quando estamos passando pela sala, noto uma figura no balanço e estanco sem avisar, Eddie chocando-se comigo.

—Oush, avise quando for parar! – resmunga – O que foi? – pergunta, seguindo meu olhar.

—É ela – digo, deixando a caixa sobre o sofá, me dirigindo para as portas de vidro meio que hipnotizada, atravessando-as rapidamente, parando a alguns passos do balanço, observando-a balançar de lá para cá, de costas para mim, distraída – Oi – digo finalmente, chamando sua atenção, fazendo-a parar e voltar-se.

—Oi – responde, um sorriso iluminando seu rosto – São amigos da tia Vic? – pergunta, tirando uma mecha de cabelo que ficara presa em sua boca.

—Somos – Eddie responde e somente então percebo que me seguiu.

—E vão comprar a casa para nós? – quer saber, reposicionando-se no balanço de modo a ficar de frente para nós, ainda sorrindo.

—Já compramos na verdade. Uma outra casa maior e mais bonita do que essa – conto, me agachando, ficando da sua altura.

—Legal! Vamos mudar hoje? Tia Vic estava empacotando um monte de coisas quando chegamos e nem deu muita atenção pra gente – comenta, me encarando....Caramba, ela tem os olhos e o sorriso do Tommy!, penso.

—Não hoje mas em breve. Nossos amigos estão cuidando disso neste exato momento – revelo – Qual é seu nome bonequinha? – pergunto, ansiosa.

—Amy Lee e o seu? – confirma, me olhando curiosa.

—Thereza Queen – me apresento, estendendo a mão – Mas todos me chama de Thea.

—Conheço alguém que se chama Queen também. O nome dele é Oliver e ele é bem legal – diz, sorrindo novamente e mais uma vez Tommy me vem à mente.

—Eu sei. Ele é meu irmão – conto vendo seus olhos brilharem, o limpar de garganta me lembrando a presença de Eddie – Este aqui é meu namorado, Eddie. Ele e Oliver são amigos – apresento.

—Oi – cumprimenta, erguendo a mão no ar, ela tocando-a de imediato – Como foi o passeio?

—Chato! – exclama, fazendo uma careta engraçada – Já tinha ido ao museu de história natural ano passado. Preferia ter ido a outro lugar. Vi no jornal que tem uma exposição tecnológica em algum lugar mas as outras crianças não quiseram ir então fui voto vencido – reclama e rimos.

—Pois é. Chato isso não é? – Eddie comenta.

—Muito. Quer dizer, eu gosto do museu, mas tem coisas legais lá na outra, do cara que criou os computadores, o Jobs sabem– comenta fazendo-me abrir a boca surpresa.

—Felicity, aonde se escondeu? Pare de brincar de ventríloquo– Eddie brinca e o estapeio.

— Quem é Felicity? – pergunta ela, curiosa.

—Uma amiga que, assim como você, trocaria feliz da vida um passeio ao museu de história natural por uma exposição de tecnologia! – explico, rindo, o chamado vindo da casa nos fazendo voltar naquela direção.

—Amy Lee, hora do lanche – Linda, chama, acenando para nós.

— Vocês não vem? – questiona a pequena, estancando quando percebe que não nos movemos.

—Claro que vamos – respondo, aceitando a mão que me estendia.

Seguimos os três para dentro da casa nos juntando ao grupo de crianças no refeitório reunidas para o lanche. Erica, que chegara , aproveita para contar a novidade provocando uma onda de assobios e aplausos.

Sento na mesa ao lado de Amy, observando e interagindo com ela e as demais crianças, rindo das brincadeiras que fazem.

Durante o restante da tarde, para minha alegria, ela permanece conosco resistindo as tentativas de Linda em leva-la embora, uma outra garotinha mais velha que ela dois anos, Cristine, unindo-se a nós, tornando a tarefa de embalar o restante das coisas bem mais agradável. No final do dia, despeço-me prometendo voltar no domingo para passar o dia com elas, chegando ao hotel tão cansada que opto por enviar apenas uma mensagem a Ollie explicando porque não iria ligar e prometendo o fazer no dia seguinte antes de embarcar de volta para Starling.

Confesso que estava orgulhosa de mim mesma. Havia resolvido, tudo com a ajuda de Eddie e dos Winchester, sem precisar incomodar Ollie e além disso estava conseguindo manter segredo acerca das suspeitas de meu irmão sobre Amy ser filha de Tommy e Fel....Estava. Passado. Porque todo meu orgulho, todo meu auto controle caiu por terra mal pisamos no orfanato na manhã do domingo!

—De quem será este carro? – questiono enquanto subo os degraus da varanda – Vic disse que não costumam receber ninguém aos domingos excerto quando...- estanco, um calafrio percorrendo minha espinha ao ver, pela janela da sala, Amy sorrindo junto a um casal, o homem segurando a mãozinha da menina – Ah meu Deus Eddie, ela vai ser adotada! – presumo, meu coração disparando – Minha sobrinha vai ser adotada!! – repito, precipitando-me para o interior da casa de forma tempestuosa.

—Thea espere, não faça nada que vá se arrepender! – o conselho chega tarde demais!

—Vocês não podem adotar a Amy! De jeito nenhum. Não vou deixar que a levem embora – declaro quase gritando, tomando-a pela mão, praticamente arrastando-a para longe do casal, que me olha espantado, a neném no colo da mulher assustando-se a ponto de chorar.

—Senhorita Queen, posso saber o que significa isto? – Erica (ou Vic, não sei) pergunta, levantando-se rápido, me encarando num misto de raiva e surpresa.

—Desculpem-me assustar seu bebê mas não posso permitir que adotem a Amy – reitero, aflita ao notar a pequena mala sobre a poltrona – Erica, ou Vic, sei lá, Amy não pode ser adotada. Não Pode! – friso vendo uma ruga enorme se formar entre os olhos da mulher.

—Como assim não pode? Explique-se senhorita – ordena, cruzando os braços, me encarando irritada.

—O que está acontecendo? Dá pra ouvir vocês lá de cima – a outra irmã surge juntamente com Linda e Cristine – Erica, o que houve? – pergunta, se voltando para a irmã e somente então noto duas coisas: um, havia um nome escrito na mala e Não era Amy Lee! Dois , Cristine estava sorridente e arrumada.

— Oh Deus, acho que fiz besteira! – exclamo, sentindo um nó se formar em minha garganta, olhando para Eddie num pedido mudo de socorro.

—Senhoritas, poderíamos conversar em particular? – Eddie pede, me olhando duro, se voltando para o casal – Peço desculpas pela atitude de minha namorada. Ela se apaixonou pela Amy e quando pensou que iriam leva-la embora meio que surtou. Desculpem – reforça.

—Tudo bem – o rapaz diz ainda me olhando torto– Está pronta Cris? Podemos ir? – pergunta, dando atenção a garotinha.

—Sim – escuto-a responder ao mesmo tempo em que a mão de Amy se solta da minha – Vou sentir saudades Amy – declara a garotinha, abraçada a ela.

—Também – responde, as duas permanecendo abraçadas por um bom tempo – Me escreve? –Amy pede, fungando.

—Ligo, é melhor – responde Cris, afagando o cabelo de minha (pretensa) sobrinha – Você vai ficar bem? – pergunta fazendo-me sentir a pior pessoa do mundo!

—Uhum. Sempre fico – garante, sorrindo daquele jeito que me derrete.

Após um novo abraço, Cris pega sua mala seguindo os pais adotivos para a saída junto com Linda e Erica (agora já sabia diferenciar uma da outra graças a blusa que usavam).

—Amy, me perdoe. Não quis dizer aquilo sobre não poder ser adotada – peço, me ajoelhando a sua frente – Eu quero que seja...mas não agora. Não por eles e sei que devo estar parecendo uma maluca, mas prometo que em breve tudo fará sentido – asseguro, respirando aliviada ao vê-la sorrir.

—Tudo bem Thea. Eu também não queria ir agora – garante, se aproximando, cochichando em meu ouvido – Tenho certeza que meus papais vão vir me buscar – confidencia, me trazendo lágrimas aos olhos – Chora não. Não tô zangada com você – garante, passando a mão em meu rosto.

—Amy, vá com Linda lá pra cima por favor. Preciso conversar com a senhorita Queen e o senhor Thawne – Victoria pede.

—Briga com eles não tia Vic. Ela não fez por mal – defende, me desestruturando de vez. Aperto os lábios com força a fim de segurar o choro.

—Não vou meu bem, pode deixar – garante a mulher com voz calma – Agora suba por favor – reitera – Qual dos dois vai explicar essa cena lamentável? – questiona tão logo Linda sai levando Amy consigo.

—Eu ... – Eddie começa, mas o corto.

—Amy pode ser minha sobrinha – solto de uma vez, me levantando, enxugando os olhos com o dorso da mão, encarando-as.

—Sobrinha? – Erica repete, espantada – Então o interesse do senhor Queen nela é por causa disto? Pode ser filha dele? – inquire.

—Por que ele não nos disse logo de cara? Por que não foi sincero conosco? – Victoria questiona, boquiaberta.

—Não, ela não é filha de Ollie e sim de meu outro irmão, Thomas – informo deixando-as ainda mais confusa.

—Melhor sentarem. A historia é um pouco complicada – Eddie aconselha.

—Bom, tudo começou quatro anos atrás quando Tommy decidiu passar uns dias em Vegas onde conheceu Felicity...- começo depois de haverem se acomodado, contando, devagar, toda a historia que eu mesma descobrira a pouco tempo, explicando o que se passara no hospital, como Fel e a família não haviam tido a oportunidade de ver e tocar o bebê supostamente morto, o reencontro dela com Tommy quando já estava envolvida com Ollie terminando no jantar aonde Ollie descobrira o nome que ela escolhera para a filha morta e as impressões do juiz, pai da Fel, soltando o ar que sequer notei haver prendido ao final, aguardando-as digerir tudo que ouviram.

—Percebe que podem estar enganados não percebe? – Erica interroga, me encarando.

—Mas podem estar certos o que nos causaria uma enorme dor de cabeça caso Amy Lee seja adotada – Victoria afirma – Há um outro casal interessado nela.

—Mas ela já não foi rejeitada? Digo, não foi ela que havia ido buscar na sexta-feira? – interrogo, encarando Erica, tensa.

—Haviam dois casais interessados na Amy. Um foi descartado – revela aumentando minha tensão – Por sorte, com toda essa correria com a procura de outra casa, ainda não entrei em contato com o segundo – diz, e respiro aliviada – Agora entendo porque seu irmão fazia tantas perguntas sobre ela sem, no entanto, dizer abertamente se pretendia adotá-la.

—Oliver viu as coincidências além da aparência dela e ficou desconfiado. Evidente que sei da possibilidade de ser um engano. Por isto não falamos nada com os pais...prováveis pais dela – me corrijo – Olhem, peço desculpas por toda confusão de agora a pouco. Eu realmente me precipitei mas é que entrei em pânico ao pensar que poderíamos perde-la sem ter a chance de saber a verdade – peço – E nem por um segundo julguem ser apenas este o motivo do interesse de meu irmão no orfanato. Ollie ficou encantado não apenas com Amy. Também ficou sensibilizado com as dificuldades que vocês estavam enfrentando e por isso resolveu ajuda-las – garanto.

—Verdade – Eddie corrobora – Oliver ficou admirado por terem assumido o orfanato sem pestanejar quando sua tia morreu de repente tendo aberto mão de seus projetos pessoais – lembra.

—Nossa tia nos criou após a morte de nossos pais. Fez de tudo para compensar a falta deles. Nos deu mais do que condições financeiras. Nos deu amor – Erica conta com lagrimas nos olhos – O mínimo que podíamos fazer era cuidar de seu projeto com o mesmo carinho que cuidou de nós.

—Por isto que gostaríamos que seu irmão tivesse sido honesto conosco – Vic reitera – Dispor uma menor para adoção cujos pais estão vivos e não deram autorização pode nos trazer muitos problemas legais mesmo que não soubéssemos disto – pontua, derrubando o argumento que ensaiava – Agora, mais do que nunca, precisamos saber a verdade...

— E iremos. Só precisamos coletar material para um exame de DNA — aviso, interrompendo-a – Ollie pretendia fazer isto assim que todo este lance da casa estivesse resolvido – revelo vendo-as suspirarem – Vou manter o planejado com ele e logo saberemos a verdade – afirmo – Mas para isso preciso que me ajudem.

—Pode contar conosco – Erica afirma, tranquila – Pra começar, a partir de hoje até termos o resultado deste exame Amy não estará disponível para adoção – avisa – Inventaremos um pretexto qualquer para justificar...se bem que, com a mudança, podemos parar as visitas por enquanto – pondera, Vic anuindo com um gesto de cabeça – Do que precisa Thea?

—Bom, pra começar, de um fio de cabelo! – exclamo – E de tudo que tiverem arquivado sobre ela – completo.

—Ok – Vic diz, sentando diante de seu computador.

—Eddie, pode ver isso com elas? Tenho que falar com uma garotinha – peço, deixando-os, subindo até o dormitório aonde Amy se encontrava – Olá de novo – chamo da porta, ela acenando para que entrasse – Onde está Linda? – quero saber.

—Foi banhar os menores – informa, pondo a boneca com a qual brincava de lado – Ainda está triste – afirma, tocando meu rosto.

—Um pouco – admito – É que logo terei de ir embora e já estou com saudade de você! – confesso, ganhando um abraço gostoso – Mas prometo voltar para ver a casa nova – digo escutando-a rir.

—Isso vai ser logo? – pergunta, afastando uma mecha novamente.

—Posso pentear seu cabelo? – pergunto de repente, pegando uma escova próxima.

—Pode – libera, me dando as costas.

—Não ficou mesmo chateada comigo pelo que disse quando cheguei? – pergunto, retirando todos os fios de cabelo existentes na escova antes de pô-la em sua cabeça – O lance de você não poder ser adotada – lembro, escovando seu cabelo lentamente.

—Não – garante, acenando para duas garotinhas que chegavam – Meus papais virão me buscar algum dia. Tenho certeza – repete e outra vez preciso me controlar para não chorar.

—Você sempre diz isso Amy, mas não sabe nem se eles vão te reconhecer – a ruivinha comenta, pegando a boneca dela.

—Mas eles vão, eu sei. Sabe como? – questiona, a garotinha negando com um gesto de cabeça – Por causa disso aqui – diz, se afastando um pouco, baixando a alça do vestido, uma marca em forma de meia lua surgindo em seu ombro esquerdo – Nasceu comigo. Assim eles vão saber que sou eu – comemora, erguendo a alça outra vez – Não concorda tia? – pergunta, voltando-se para mim.

—Uhum..claro meu bem – anuo, recomeçando a escovar seu cabelo distraída, a conversa entre ela e as outras meninas se perdendo em meio a meus pensamentos.

Deixamos o orfanato no final da tarde, despedindo-nos já que viajaríamos logo cedo na segunda, prometendo retornar para visita-las na casa nova. Durante todo o trajeto de volta ao hotel permaneço em silencio, quebrando-o apenas quando Eddie sai do banheiro indo sentar-se a meu lado sobre o colchão.

—Ok, respeitei seu silencio até agora. Mas confesso que estou preocupado. O que aconteceu amor? – questiona, acariciando meu braço.

—Sabia que marcas de nascença não são necessariamente hereditárias como se pensa? – revelo, encarando-o — Você e Sin terem a mesma que sua mãe pode ser mera coincidência.

—Tá...E???? – questiona, abrindo os braços.

—Amy tem uma marca de nascença, em forma de meia lua, no ombro esquerdo – conto, fechando meu notebook.

—Ahhhh – sopra, franzindo o cenho – E nem Tommy nem Felicity tem uma não é? Por isso estava tão desanimada quando desceu dos quartos lá no orfanato– quer sabe e confirmo.

—Sim. Pesquisei na internet e vi que isto não é tão significante assim. Os filhos podem ter marcas que os pais não tem. É individual -conto – E ainda podem herdar de parentes distantes como bisavós ou avós entre outros. Até de primos sabia?

—Não, mas fico feliz que a descoberta tenha te animado – afirma, pegando meu note – Agora, será que podemos deixar esse assunto de lado só um pouquinho e fazer algo que ainda não fizemos nesta viagem? – pergunta, colando os lábios em meu pescoço.

—Que seria??? – indago, rindo ao sentir sua barba em contato com minha pele.

—Namorar! – responde, me puxando para junto de si, cobrindo-me com seu corpo – Afinal, resolvemos o problema da casa, acertamos as coisas com as irmãs Moeckel, você conseguiu o fio de cabelo que precisávamos e Amy não será adotada até sair o DNA – enumera, insinuando as mãos por dentro de meu short – Portando, acho que podemos comemorar um pouco, que tal?

Evidente que não era tão simples. Que Oliver iria querer me esganar quando soubesse o que fiz. Que precisaríamos pensa numa ótima desculpa para coletar material de Tommy e Fel para o teste. Mas isto poderia esperar um dia ou dois.

—Com certeza que sim! – sopro, apagando o abajur.

“...Yeah, yeah, yeah, yeah, yeah, yeah;

I need a girl like you, yeah, yeah;

Yeah, yeah, yeah, yeah, yeah,yeah;

I need a girl like you, yeah, yeah...”

Notas finais
Até breve. Bjinhos flores