Inu-Yasha: A Saga após Kanketsu- Hen
8 Sentimentos !
‒ Kagome... Minha querida Kagome! ‒ Inu-Yasha acaricia delicadamente o rosto doce e angelical dela enquanto dorme tranquila.
Em fração de segundos ele cai na real e percebe a dor que domina o momento. Ele está tão perto do seu amor. O cheiro da Kagome invade as narinas do Inu-Yasha e o faz delirar mergulhado em lembranças de todos os tipos: belas, tristes, ruins.
Sua vontade é agarrar a Kagome e abraça-la com toda a força que conseguir. Beijá-la, acaricia-la, ama-la. Porém ele sabe que assim que ela acordar, aquela paz que reina sobre o seu sono irá acabar, pois ela não saberá quem é o Inu-Yasha. Não se lembrará da incrível história que eles tiveram.
Ele suspira e abaixa a cabeça, a mão ainda na pele sensível da Kagome.
O que eu posso fazer por você? Tenso, ele pensa.
‒ Por quê?
Inu-Yasha se surpreende a arregala os olhos ao perceber que a Kagome ainda está dormindo.
O coração dele dispara, ele se agita no chão, inclina seu corpo para frente e se aproxima ainda mais da Kagome.
‒ Eu sou apenas... A sobremesa, né?
‒ Que? ‒ ele dá de ombros e, chocado, cai de lado no chão.
Mas do que ela está falando?
‒ A sobremesa... Também é muito saborosa, sabia?
Os olhos do Inu-Yasha começam a arder e ele percebe que está todo paralisado. Inclusive suas pálpebras, pois está sem piscar por um longo tempo, impressionado com a Kagome falando dormindo.
‒ Ka-go... ‒ Inu-Yasha só se dá conta de como está perto do rosto da Kagome quando ela suspira suavemente e enche o rosto dele de calor.
Seus lábios encontram os dela lentamente e se preenchem com uma sensação nova e surpreendente. Uma sensação cheia de ternura e amor que faz seu estômago formigar e os pelinhos ao redor do seu corpo se arrepiar.
Seu rosto quente se conecta de um jeito esquisito com as suas mãos frias e suadas. Mas pela primeira vez em toda a sua vida, isso não o constrange, pelo contrário, essa reação do seu corpo só o faz delirar em meio a tantos pensamentos que lhe vem à cabeça naquele momento. E em todos eles, Kagome está inclusa. Com aquele sorriso sincero e meigo dela, cheio de amor por ele.
‒ Hum... ‒ Kagome murmura‒ Mas o... Que? ‒ ela grita ao abrir os olhos e encontra uma estranha figura lhe beijando ‒ AIMEUDEUS! Mamãe!
Ela empurra Inu-Yasha para longe de si e fica em pé na cama encostada na parede.
‒ Mãe! ‒ ela grita de novo, olhando para a porta.
‒ Ei, Kagome! Para de gritar! Sou eu, Inu-Yasha! ‒ ele se levanta com as mãos erguidas.
‒ Inu... Yasha! ‒ o rosto dela se suaviza lentamente e seus olhos brilham ao encontrar os olhos do Inu-Yasha.
‒ Isso! Isso! ‒ ele balança a cabeça e sorri como uma criança.
Kagome pula da cama e fica frente a frente com ele que se aproxima dela. Mas quando as mãos do Inu-Yasha estão prestes a tocar nos braços dela, Kagome toma a iniciativa e chuta bem no meio das pernas dele.
‒ Mal-di-ção... ‒ ele geme com as pernas tremulas e vai direto ao chão.
‒ Mana! ‒ Souta entra as pressas no quarto e se depara com a Kagome assustada e o Inu-Yasha esparramado sobre os pés dela enquanto treme.
Ela grita desesperada e se aproxima da janela, procura por todos os lados uma saída para fugir dos dois estranhos que a cercam.
‒ Mamãe!
Tenso, Souta suspira, ele olha com pena para o Inu-Yasha e depois volta a fitar a sua irmã.
‒ Ela foi fazer umas compras para o jantar, não adianta você ficar gritando, Kagome.
‒ O que? Mas... Vocês... ‒ Kagome olha em volta ainda mais angustiada‒ O que vão fazer comigo? Olha... Podem levar tudo...
‒ Mas... O que é isso Kagome? ‒ Inu-Yasha fala com dificuldade enquanto tenta procurar por forças para olha-la ‒ Você era bem... ‒ ele geme ‒ Bem mais... Corajosa que isso!
‒ Ei, homem cachorro... Você está bem?
Inu-Yasha ri nervoso do apelido que costumava ouvir quando Souta ainda era pequeno.
‒ Eu preferia lutar contra um Youkai a receber esse golpe da Kagome.
Souta ri, mas isso não ameniza o medo que a Kagome está sentindo no meio daqueles dois malucos. Um com cabelo prateado e roupas vermelhas e...
Pera aí! Ela se espanta com o que vê entre os longos cabelos claros.
‒ Essas são... ‒ ela se aproxima do Inu-Yasha e se ajoelha diante dele ‒ Orelhas?
Kagome pega nas orelhas do Inu-Yasha e as aperta.
Inu-Yasha faz uma careta e se decepciona. Ele questiona porque que todos precisam pegar nas suas orelhas?
Mas o momento para naquele instante, assim que seus olhos se encontram. Inu-Yasha consegue ouvir o coração da Kagome se acelerar e sente esperança em reconquistá-la.
‒ Você... Lembra-se...
‒ Hum? ‒ Kagome arregala os olhos ao perceber a aproximação do Inu-Yasha ‒ Ah, mas o que você pensa que está fazendo? ‒ ela dá um tapa no rosto do Inu-Yasha.
‒ Ui! ‒ Souta geme ao imaginar a dor e fecha um dos olhos para ver o menos possível.
Inu-Yasha passa a mão no rosto que lateja e abaixa a cabeça. Kagome junta às mãos próximas ao peito e pensa nas possibilidades de fuga. Mas antes de levantar, a sua mãe entra no quarto com o rosto preocupado.
‒ Mamãe! ‒ com os olhos cheios de lágrimas, Kagome corre na direção dos braços da sua mãe.
‒ O que foi querida? ‒ ela faz carinho nos longos cabelos negros da filha. Ela olha envolta ‒ Eles não vão te machucar. São seus amigos.
‒ Mas... Eu não... ‒ Kagome evita olhar para a sua mãe, mas não consegue controlar o susto que levou ao encontrar aquele cara com orelhas a beijando enquanto dormia ‒ Eu não conheço nenhum deles, mamãe.
‒ Eu sei. Eu sei. ‒ ela sorri e tenta tranquilizar a Kagome.
Bah! Fui eu quem apanhou, mas é ela quem recebe carinho. Não dá pra entender esses humanos. Inu-Yasha fica emburrado e cruza os braços.
Kagome o observa pelo canto do olho. Quem é esse garoto? Ela cora e tenta disfarçar escondendo o rosto nos braços da sua mãe.
‒ Está mais calma, querida?
‒ Acho que sim... ‒ Kagome fica com o olhar baixo e triste ‒ Mamãe!
A senhora Higurashi sorri.
‒ Ele ainda está lá fora? ‒ Kagome cochicha com a mão sobre a boca para abafar o som.
Sua mãe faz que sim com a cabeça.
‒ Eu estou quieto, Kagome! ‒ Inu-Yasha responde do lado de fora do quarto.
Ele permamece sentado, com os braços cruzados e a cara fechada. O olhar perdido na parede a sua frente.
‒ Desde a hora que você o expulsou junto com seu irmão do quarto. Mas o Souta como não é nada burro, foi fazer outras coisas.
Pasma, Kagome olha para a sua mãe.
‒ Então, aquelas orelhas de cachorro são verdadeiras mesmo? ‒ ela se aproxima ainda mais da senhora Higurashi e pergunta ainda mais baixo.
‒ Orelhas de cachorro, Kagome?
‒ Ai, ele ouviu! ‒ Kagome engole em seco.
Depois de se recuperar do medo de ter o Inu-Yasha invadindo o seu quarto, Kagome volta a chamar a atenção da sua mãe que termina de dar um ponto na costura de uma blusinha.
‒ Hum... Mamãe?
‒ Sim, querida!
‒ Você diz que eu os conheço, mas... Por que eu não me lembro deles?
A senhora Higurashi olha triste para a sua filha, ela queria poder responder essa pergunta, mas ela não faz ideia do que está acontecendo com a Kagome, então fica em silêncio.
Kagome percebe que ela não sabe responder então decidi mudar de pergunta.
‒ Ele é... De confiança? ‒ apreensiva, ela olha a sua mãe pelo canto do olho.
O sorriso serve como resposta para Kagome que se ajeita de baixo da manta e se deita de lado, enquanto sua mãe caminha na direção da porta.
‒ O Inu-Yasha é um bom rapaz. Ele cuidará muito bem de você essa noite. Não se preocupe. ‒ ela sai e fecha a porta.
Mas preocupação é a única certeza que a Kagome sentirá naquela noite fria.
“‒ Socorro!
Kagome acorda com um grito e levanta assustada. Ela olha envolta e vê tranquilidade no seu quarto escuro.
‒ Ajude-me! Eu... Preciso de você!
Ela se levanta rapidamente da cama e corre para a janela, ao abri-la, Kagome vê uma moça do lado de fora, ajoelhada no chão, com o braço ensanguentado.
‒ Ei! O que você está fazendo? ‒ ela pergunta.
A moça de longos cabelos negros que caem por seus ombros, fita no fundo dos olhos da Kagome que sente seu corpo estremecer com o olhar.
‒ Mas... Sou eu? ‒ Kagome se espanta ao ver que a moça é ela mesma‒ Isso é... Um sonho?
A moça com um quimono branco e vermelho começa a rir suavemente, mas depois aumenta o tom cada vez mais e mais até que se torna constrangedor para a Kagome.
‒ Você é idiota? ‒ a moça se controla e pergunta com tom de ironia.
Assustada, Kagome não consegue desviar os olhos com medo da reação da moça que é a sua cara.
‒ Você o roubou de mim, sua maldita. ‒ ela se torna fria.
‒ O que? Roubei o que? ‒ Kagome olha para o ombro da moça e sente pena.
Ela pensa na dor que aquela mulher deve estar sentindo.
‒ Olha só. Espera só um minuto. Eu vou te levar uns curativos e... ‒ Kagome se vira para ir ajudar a mulher, mas ela se surpreende quando se depara com a mesma mulher em seu quarto, bem diante de si.
‒ Mas... ‒ suas pernas ficam bambas.
‒ Você o roubou de mim. ‒ a mulher repete ainda mais fria e com o rosto sombrio.
‒ Roubei o que? ‒ Kagome dá levemente alguns passos para trás.
‒ Você não precisa dele. Você tem essa casa. Tem sua família. Não precisa dele, como eu preciso. ‒ ela diz com ênfase.
Assim que encosta na parede atrás de si, o coração da Kagome dispara. A janela... Sumiu? Ela se depara com uma imensa parede cinza. Quando se vira para olhar a mulher, vê que o ambiente a sua volta também mudou completamente e que ela não está mais no seu quarto e sim em um cômodo pequeno com paredes cinza e obscuras.
‒ Olha só... E-eu não sei do que você está falando, mas...
‒ Cala a boca! ‒ a mulher grita e dá um tapa no rosto da Kagome‒ Você vai me pagar por isso.
Kagome fica imóvel sem saber o que fazer e olha desorientada para a mulher diante de si.
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