Aos poucos a claridade invade a mente da Kagome que enxerga apenas silhuetas embaçadas ao seu redor. Nada faz sentido para ela que sente terríveis dores de cabeça.

‒ Ah, ela está acordando. ‒ Shippou grita empolgado.

A garganta da Kagome arde, ela sente dificuldade em respirar. Mas de repente uma sucção a surpreende e a sua garganta encontra pequenas quantidades de ar em meio há tanta água que é sugada para fora.

Kagome se senta rapidamente tentando encontrar todo o ar que consegue para preencher os seus pulmões enquanto engasga com a água na sua garganta.

‒ Kagome, você está bem? ‒ Inu-Yasha inclina o corpo para frente e segura o rosto da Kagome para que possa olhar nos seus olhos.

‒ Inu... Yasha? ‒ assustada e sem folego, Kagome fita Inu-Yasha.

‒ Ficamos preocupados. ‒ Shippou pula em cima da cabeça do Inu-Yasha que o encara.

‒ O que... Aconteceu? ‒ Kagome olha em volta e percebe que todos os seus amigos a circulam.

‒ Um Youkai de cérebro a possuiu, Kagome.

‒ Mas... O Inu-Yasha não tinha matado ele?

‒ De alguma forma ele se reconstituiu e a atacou... ‒ Inu-Yasha para e pensa no que acabou de falar ‒ Ele disse ser o mestre, mas...

‒ Eu estou bem, Inu-Yasha. ‒ Kagome o interrompe.

Mas no fundo, nem ela sabe se está realmente tão bem quanto fala. Algo está para acontecer e que vai abalar toda a estrutura dos nossos amigos.



Talvez... Talvez eu tenha-me precipitado. Talvez meu destino não seja o Inu-Yasha apesar de querê-lo com todas as minhas forças. Eu já fiz isso antes. Já tinha concordado em ficar ao lado dele mesmo sabendo que a decisão dele seria outra. Eu sou a verdadeira culpada por tanto desconforto. Por tantas duvidas. Sinto como se houvesse um buraco no meu coração. Como se faltasse alguma coisa que eu não sei o que é. Uma angustia eterna e dolorosa. Kagome pensa enquanto caminha na direção do poço come ossos.

Ela se inclina para frente e observa a escuridão no fundo do poço. Ela se pergunta se algum dia poderá voltar para o mundo onde ela nasceu e rever sua família.



“‒ Kikyou... Minha Kikyou... Eu preciso de você!

Kagome ouve a voz do Inu-Yasha ao longe. Suas têmporas doem e sua cabeça roda como se estivesse em um carrossel.

Ela só percebe que está deitada na grama quando enfim consegue abrir os olhos. A lua sobre sua cabeça está gigante e brilhante, uma imagem que jamais poderia ser vista entre tantos prédios e construções de uma cidade.

Com dificuldade ela se levanta e procura ao redor o Inu-Yasha, mas a visão mais a entristece do que realmente lhe surpreende.

Inu-Yasha está sentado, no meio do jardim e em seus braços está a Kikyou a beira da morte.

‒ Inu-Yasha... No fim, consegui encontrar os seus braços.

‒ Kikyou, ainda não acabou. Eu estou aqui e ficarei sempre aqui pra você. Vou matar o Naraku e poderemos enfim viver juntos.

‒ Não há mais lugar para mim no mundo dos vivos... ‒ ela fala com dificuldade enquanto procura forças para respirar ‒ Para eles o tempo continua, mas para mim...

‒ Vou te trazer a vida, minha Kikyou... Assim que eu conseguir pegar a Jóia de Quatro Almas... Vou te dar a vida! ‒ Inu-Yasha abaixa a cabeça enquanto tenta controlar as lágrimas para não demonstrar fraqueza ‒ Nascemos um para o outro, meu amor. E nada, nem ninguém mudarão isso!

As palavras atingem Kagome como se fossem farpas entrando em seu corpo de forma lenta e dolorida. Seu coração acelerado e angustiado martela pesadamente.

Ela olha envolta, procurando por um porto seguro, mas não há ninguém. Nada. Tudo ao seu redor fica negro e sombrio. Ela se ajoelha e leva as mãos para o rosto.

Eu sabia... Eu sabia... Eu fui a... Segunda opção... Ela chora. Kikyou morreu e por isso Inu-Yasha está comigo. Eu fui a sobremesa... Mas... Mas...

Kagome tenta controlar as lagrimas que escorrem severamente. Eu não sabia que seria tão doloroso me lembrar desse momento, mas... Como eu não ouvi essas palavras naquele dia? Como eu não percebi já que foi tão óbvio?

Você não quis ouvir. Você não quis abrir os olhos!

Kagome se surpreende com a voz em seu interior gritar. Ela não conhece essa voz, mas sabe que de alguma maneira, ela está certa. Kagome concordou em viver dessa forma enquanto Inu-Yasha nunca escondeu seus sentimentos. Mas ela só não sabia que seria tão doloroso ter que conviver com ele apenas por que a Kikyou morreu.

Vamos, volte para a sua era. Esse não é o seu lugar. Não é o seu lar. Volte. Volte para casa. A voz toma conta dos seus pensamentos e quebra o silêncio ao seu redor."

Quando menos espera, a paisagem surpreende a Kagome. Ela não está mais diante do Inu-Yasha e da Kikyou em seu colo. No lugar, há apenas o poço come ossos e o sol brilhante.

‒ Voltar? Mas... ‒ Kagome volta olhar para o interior do posso e sente calafrios percorrer por todo o seu corpo.

Volte! Volte! Volte!

A escuridão do poço parece ser tão amigável e familiar naquele momento que Kagome se debruça sobre ele.



As orelhas do Inu-Yasha se agitam e ficam em alerta. Ele se vira e procura com o olfato o cheiro que desaparecera completamente do ar.

‒ Inu-Yasha! ‒ Miroku grita na direção do meio-Youkai que não percebe o monstro que se aproxima rapidamente na sua direção.

‒ Kago... Me! ‒ confuso, ele sussurra.

Notas finais
Kagome se rendeu a voz na sua cabeça e voltou para a sua era? Será que o poço voltou a funcionar para ela abandonar seu único e verdadeiro amor? E Inu-Yasha, será que ele foi atacado pelo Youkai? Descubra esses e muitos outros acontecimentos no próximo capítulo!