Inu-Yasha: A Saga após Kanketsu- Hen
4 Os Motivos Obscuros
O vilarejo fica para trás, assim como as árvores que se transformam em enormes borrões e como o Youkai recém derrubado com um único ataque das garras do Inu-Yasha. A velocidade do Inu-Yasha na floresta enquanto corre é surpreendente, mas não se compara com o frio que ele sente na espinha. Não há sinal algum da presença da Kagome naquelas redondezas. Nem cheiro. Nem sangue. Nada. Apenas o vazio.
Isso só pode significar uma coisa. Ele pensa preocupado ao se aproximar do seu objetivo.
Ele para enquanto tenta recuperar o fôlego, seu olhar está perdido na escuridão do poço come ossos. Sem hesitar ele pula para dentro, mas ao chegar ao fundo, nada acontece.
‒ Ei, Inu-Yasha.
Inu-Yasha olha para cima e vê Shippou.
‒ O que aconteceu com a Kagome?
Surpreso, Inu-Yasha engole em seco.
‒ Ora, Shippou. Você também sentiu?
‒ Sim, o cheiro da Kagome desapareceu. Será que ela voltou para a era dela?
Inu-Yasha olha para o chão, ele se sente confuso e ao mesmo tempo surpreso. Ele se pergunta por que Kagome desejaria voltar para a era dela, sem ao menos avisar. E como o poço funcionou somente para ela.
‒ Ei... Inu-Yasha será que a Kagome não vai mais voltar? ‒ Shippou debruça em cima do poço e olha triste para o Inu-Yasha que salta para fora.
‒ Eu não sei o que aconteceu, Shippou. ‒ ele cruza os braços, o olhar perdido ‒ Mas ela não deveria ter feito isso sem me consultar.
‒ Não seja egoísta, Inu-Yasha. Talvez ela sentisse saudade de casa e voltou para ver como a família dela está né?
‒ Não me interessa. ‒ com a cara fechada, Inu-Yasha dá as costas para o poço e caminha na direção de casa.
Shippou, preocupado olha para o fundo do poço e tenta imaginar o que fez Kagome voltar de repente.
‒ A Kagome foi embora? ‒ Sango pergunta surpresa para o Inu-Yasha que não responde.
Shippou olha o meio-Youkai deitado de lado e com aparência despreocupada.
‒ É o que tudo indica, afinal... Os rastros dela terminam no poço come ossos. ‒ Shippou responde enquanto enfia um peixe inteiro na boca.
‒ Bom... Ela estava muito estranha de uns tempos para cá, mas não achei que a situação era tão complicada assim. ‒ Sango fala consigo mesma enquanto dá leite para o seu neném.
‒ Estranha? ‒ Inu-Yasha se levanta rapidamente e fita Sango ‒ Estranha como, Sango?
Seus olhares se cruzam por longos minutos e a tensão cresce no ar.
‒ Mana! ‒ surpreso e feliz, Souta exclama ao ver a Kagome sentada diante da mesinha.
Eles se abraçam por um longo tempo. Kagome chora por sentir o amor e o carinho da sua família.
‒ Pensávamos que nunca mais a veríamos, querida. ‒ a mãe de Kagome lhe serve um lanche.
Eu também pensei mamãe. Kagome pensa, enquanto tenta entender seus sentimentos bagunçados.
‒ Mas você não voltará mais para a era feudal, Kagome?
Mas ela dá de ombros e não responde, apenas olha para o seu avô e procura pelas palavras certas.
‒ Vamos fazer um banquete para festejar o retorno da Kagome! ‒ a mãe dela bate as palmas com um imenso sorriso de tranquilidade.
Eu causei tanta dor na minha família ao ir embora. Talvez, querer ficar com o Inu-Yasha não é o que eu realmente preciso para a minha vida.
Depois de um banho longo e proveitoso, Kagome vai até o seu quarto que continua da mesma forma que ela tinha deixado antes de partir. Tudo intacto, tudo tão limpo e no lugar certo. O cheiro de melancia deixa tudo tão familiar e aconchegante que faz sua cabeça latejar.
‒ O que está acontecendo comigo? ‒ ela se pergunta ao sentar antes de cair com tanta tontura.
Kagome deita de qualquer forma na cama e olha para o teto, a lembrança do Inu-Yasha lhe vem à cabeça.
‒ Ah, como eu te amo Inu-Yasha! ‒ ela suspira e fecha os olhos.
Só queria poder entender a sua cabeça.
De repente ela abre os olhos, furiosa com a lembrança dos últimos momentos da Kikyou nos braços do Inu-Yasha.
A Kikyou teve o infeliz destino de morrer duas vezes nas mãos do Naraku. O Inu-Yasha se sentiu culpado por não protegê-la na primeira vez e por isso fez de tudo quando ela voltou à vida, mas isso não mudou a repetição da mesma tragédia. “Eu” mesma me senti terrivelmente culpada por não ter conseguido salvar a Kikyou quando peguei o arco sagrado. Mas... é certo conviver com o Inu-Yasha sabendo que eu estou com ele apenas por que a Kikyou morreu? É certo ele ficar comigo apenas por causa disso? As lagrimas ameaçam escapar enquanto Kagome tenta colocar seus pensamentos no lugar.
Ultimamente parece que tudo está uma bagunça dentro da cabeça dela. E ela sabe que quanto mais demorar para se decidir, menores serão as chances de ter uma opção.
Shippou suspira enquanto observa o fundo do poço.
‒ Ei, o que você está fazendo ai Shippou? ‒ Inu-Yasha se aproxima no meio da noite.
‒ Estou ocupando o seu lugar. ‒ ele olha pelo canto do olho ‒ A Kagome pode voltar a qualquer momento.
‒ Shippou, você acha que... ‒ com a cabeça baixa Inu-Yasha pensa nas palavras.
‒ Sim, você foi o culpado. ‒ sem hesitar ele responde ‒ Você sempre é o culpado.
Indignado, Inu-Yasha encara Shippou.
‒ Por que sempre eu? A Kagome é orgulhosa e eu sou o culpado?
‒ Você é o infantil aqui Inu-Yasha. ‒ Shippou fecha os olhos e cruza os braços enquanto balança a cabeça ‒ Eu sou a única criança aqui e é você quem dá trabalho. Aiai, Inu-Yasha, quando você vai amadurecer para criar uma família com a Kagome?
O rosto do Inu-Yasha cora e nervoso, ele sorri.
‒ Shippou... Seu fedelho!
‒ Qual é Inu-Yasha! Até eu fugiria das suas infantilidades!
Inu-Yasha fecha os punhos e os olhos, tentando se controlar enquanto sorri.
‒ Quem sabe, na outra reencarnação da Kagome você já tenha aprendido né?
De repente Shippou vê tudo ficar escuro enquanto vários flashs piscam. Galos nascem na cabeça do Shippou que cai dentro do poço.
‒ Shippou, na próxima eu vou te ensinar a voar sem se transformar em uma bola rosada seu pirralho. ‒ Inu-Yasha se inclina sobre o poço e grita.
‒ Inu-Yasha, você não devia fazer isso com o Shippou.
Surpreso, Inu-Yasha se vira rapidamente para trás e vê a Kagome com seu antigo uniforme de colegial, seu sorriso e seu olhar amorosos de sempre.
‒ Ka-go-me! ‒ ele gagueja.
‒ Sim, sou eu. ‒ ela suspira ao colocar a mão no rosto ‒ Quando você vai aprender a tratar o Shippou com delicadeza? Quando você vai dizer que me ama?
Inu-Yasha sente o cheiro diferente no ar, seu olhar de alegria se transforma em desconfiança e então se aproxima da Kagome vagarosamente.
‒ Kagome... ‒ Ele abaixa a cabeça.
‒ Sim? ‒ ansiosa Kagome abre um imenso sorriso e junta às mãos no peito.
Inu-Yasha agarra o rabo atrás da Kagome e uma explosão de fumaça surge revelando a forma verdadeira, Shippou.
‒ Some da minha frente! ‒ ele grita ao girar várias vezes o Shippou no ar para lança-lo o mais longe possível.
‒ Mana, acorda! O jantar já está pronto. ‒ Souta entra no quarto da Kagome e percebe que ela está dormindo.
Ele se aproxima da cama e cutuca a irmã que teima em continuar dormindo.
‒ Ei, levanta! Anda.
‒ Ah, eu só quero dormir mais um pouco. Minha cabeça dói muito.
Sem entender, Souta coloca a mão na testa da Kagome e mede a sua temperatura. Está tudo perfeitamente normal, mas ela está mais pálida e suando muito.
‒ Você está bem?
Impaciente, Kagome se vira para o irmão e tenta ficar de pé, mas cai sentada para trás.
‒ Mana! ‒ Souta avança para segura-la.
Mas Kagome se esquiva, impedindo que ele a toque. Souta não entende as atitudes da irmã.
‒ Ei... Você parece meio doente. Foi por isso que você voltou? O Inu-Yasha sabe que você está doente?
Surpresa, Kagome fita o vazio. Sua dor de cabeça está insuportável, mas não á ponto de deixa-la com amnésia.
‒ Quem? ‒ ela encara o irmão.
Sem entender, Souta dá de ombros.
‒ Inu-Yasha... ‒ ele espera alguns minutos, mas percebe que o nome não causou reação alguma na irmã ‒ O homem cachorro, sabe? O seu... Namorado!
Kagome fica em silêncio, mas depois cai no riso.
‒ Homem cachorro? Namorado? Souta eu não... ‒ de repente, o nome lhe causa uma pontada no coração e a lembrança perfeita do sorriso do Inu-Yasha lhe vem à cabeça.
O coração da Kagome martela pesadamente enquanto ela sente uma dor terrível no peito.
‒ Inu-Yasha. Eu... ‒ ela não entende o que acabou de acontecer com a sua memória, mas sabe que há algo de errado.
Como? Como isso aconteceu? Eu me esqueci de quem é o Inu-Yasha por alguns momentos... Isso é estranho e terrivelmente impossível. Apavorada com o andamento dos seus pensamentos e com o que acabou de acontecer ela pensa.
‒ IMana? ‒ Preocupado Souta se aproxima da Kagome e se ajoelha diante dela.
‒ Está tudo bem. ‒ ela sorri falsamente ‒ E o Inu-Yasha está bem também! Eu não estou doente. Não se preocupe Souta!
Kagome vira o rosto para esconder a sua preocupação estampada na face, enquanto tenta descobrir o significado de tudo aquilo.
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