Intrusos no meu sapato.
6 Capítulo 6 - Inicialização.
Notas iniciais
Estava custando para eu acreditar em tudo que estava acontecendo comigo. Primeiro, a irmã da minha bisa é idêntica a minha irmã. Segundo, provavelmente minha bisa é um tipo de bruxa. Terceiro e o mais importante, a minha irmã está presa dentro de um jogo. O quê? Isso seria impossível, se eu não tivesse presenciado cada segundo dessa confusão. Bom, se eu teria que “ resgatar “ Catarina, eu teria que conhecer as regras do jogo. Entrei em meu quarto, hesitei segundos antes de entrar, como medo que Catarina Cinquenta, quer dizer, Samantha estivesse lá. Ela não estava, e isso era bom. Abri o zíper da minha mochila, peguei as folhas, e com a bússola em minha mão, segui em direção ao porão.
Desenrolei o mapa sobre o chão de madeira do porão e ele era enorme. Em seu centro estava desenhado um castelo velho com duas torres diferentes, mas ambas tinham janelas enormes com grades. Tinham dois caminhos que cortavam por direção opostas que chegavam no castelo, um dos caminhos em seu lado estava desenhado árvores velhas e com suas folhas negras, também tinha desenhado no meio do caminho um búfalo, o que me fez pensar; se o objetivo da bisa era fazer um jogo, para resgatar a tal juventude Ortiz, porque tão complicado ele é? Vai entender. O outro caminho era uma estrada branca, tinha vários pássaros desenhados em seu lado e seguindo mais para frente, havia uma montanha e um portal desenhado. Eu só tenho vivenciado trevas, quem saiba o caminho branco signifique um pouco de luz. No começo dos caminhos havia cinco casas, cada uma com um símbolo desenhado; Fogo, Água, Vento, Terra e um escrito “NARRADOR”. Atrás do mapa continha mais informações, com as regras.
“O jogador que dominará o fogo, devera segurar o símbolo embaixo de seu indicador, sob a casa do elemento fogo, no caminho escolhido.
O jogador que dominará a água, devera segurar o símbolo embaixo de seu indicador, sob a casa do elemento água, no caminho escolhido.
O jogador que dominará a terra, devera segurar o símbolo embaixo de seu indicador, sob a casa do elemento terra, no caminho escolhido
O jogador que dominará o vento, devera segurar o símbolo embaixo de seu indicador, sob a casa do elemento vento, no caminho escolhido
O jogador que será o narrador, devera segurar o símbolo embaixo de seu indicador, sob a casa do narrador, no caminho escolhido
O narrador terá a possibilidade de criar novos caminhos e situações para escapar de possíveis perigos. Se o narrador morrer, todos os outros jogadores morrem, e o jogo acaba. Escolha seu narrador com sabedoria.
As casas representam a inicialização do ponto de partida de cada jogador. Escolha a sua, e qual elemento irá representa-lo por meio dos símbolos. Os jogadores devem posicionar o elemento embaixo de seu dedo indicador sob a casa escolhida. O narrador deverá ler o texto em seguida e a inicialização do jogo começará.
הדם שלו, הוא זרק אותו לאבן, הקללה חזרה לקדמת הבמה, בתו של בנו הרביעי של הקטור, המשחק הוא הדרך להציל אותה. “
Eu ainda não entendia o que estava escrito nesses símbolos, e vovó provavelmente também não saberia. Então eu tinha dois grandes problemas. O primeiro seria onde eu arranjaria outros quatro jogadores que topariam participar de um ritual, e o segundo era como eu iria traduzir o que estava escrito. Acho melhor irmos por partes, e acho que já sei onde eu posso conseguir quatro jogadores. Só tenho que descobrir como convence-los.
***
Já era sábado anoite e faltava menos de uma hora para a festa começar. Eu tinha mentido para meus pais, falando que Catarina tinha passado a noite na casa de uma amiga. Vovó confirmou para eles, e caíram na mosca. Mas fizeram-me “ ligar “ para ela, e avisar que eles queriam ela essa noite na festa, e eu não sabia o que eu faria. Eu estava terminando de vestir meu blazer quando bateram na porta do meu quarto, e minha mãe entrou. E para piorar tudo, acompanhada de Alex.
– Steven, filho. A senhorita Kanvagash veio acompanhada de seus pais, e ela disse que é uma colega sua, então eu a deixei subir. Se comportem.
Minha mãe fechou a porta, e a atmosfera entre mim e Alex ficou tensa. Eu não conseguia falar nada quando meu olhar se cruzou com sua incrivelmente beleza. Ela não é tão alta e nem tão baixa, e eu adoro com seus cabelos negros caem sobre seus ombros como uma cascata. Seus óculos atrapalham um pouco o lindo verde de seus olhos, e ela estava usando um vestido preto que apagou totalmente o seu brilho. Mas ela continuava linda. Eu sorri para tentar cortar esse clima, e ela sorriu de volta.
– Alex! Que bom que está aqui. Eu preciso de sua ajuda.
Eu contei a ela boa parte da história, não a parte da juventude dos Ortiz, mas especialmente sobre o jogo. Ela assentia cada vez mais que eu a contava mais e mais, e eu achei impressionante ela não achar que era maluquice da minha cabeça. Também comentei que precisávamos de mais três jogadores, caso ela topasse participar. Eu disse que eu sabia quem poderia ser, mas não sabia como convence-los. Ela me disse que primeiro eu deveria apresenta-los, e depois era para deixar com ela. Cada palavra que ela falava, soava tão corajosamente que até me convenci que aquilo era a coisa certa a fazer.
A porta do meu quarto se abriu e me cortou quando eu conversava com Alex. A figura da minha irmã apareceu na porta, mas era Catarina Cinquenta. Ela usava um lindo vestido vermelho, e seus cabelos estavam estilizados até o ponto que dava para perceber que não era minha irmã.
– Sua namoradinha, Steven? – Ela sorriu, e Alex enrubesceu.
– Namoquê? Saman...- Ela me lançou um olhar impassível quando eu estava prestes a dizer seu verdadeiro nome.- Catarina. Essa é Alex, uma amiga da escola.
Alex acenou para Catarina Cinquenta, que apenas desviou o olhar da garota, para mim.
– O que estão tramando?
– Nada. – Como em um concerto, eu e Alex falamos juntos.
– Nada? – Samantha perguntou.
– Nada. – Respondemos.
Samantha lançou-nos seu último olhar e fechou a porta. Eu havia contado para Alex sobre essa parte, dela ter raptado minha irmã. E para ela acreditar, eu tive que mostrar a mensagem da bússola. Bom, pelo menos eu acho que Samantha se passaria como Catarina na festa, e esse era um problema a menos.
***
A festa já fazia algum tempo que havia começado, e eu tinha certeza que meus amigos já tinham chegado. Mandei um dos empregados avisa-los e convoca-los para esperar eu e Alex na sala de jantar, com todas as portas e janelas fechadas. Juntos, eu e Alex empurramos o portão que dava acesso a sala de jantar, e assim que o atravessamos, três cabeças se viraram para nós, sorrindo. Meus melhores amigos do verão de 2013; Marina O’Ryan e Chris e Anna Hauser.
– Stev! – Comemorou Marina, que de tão baixinha que é, teve dificuldades para me abraçar. Marina é o tipo de garota que não consigo ver mais que uma amiga, ela é mega fofíssima, e tem lindos cabelos caramelizados que deslizam pelo seu ombro que dão destaque aos seus olhos azuis.
– Quanto tempo, Stev. – Disse Chris, que como de costume usava uma touca que chegava a cobrir seus olhos. Nem em uma festa formal como a que meus pais estão dando, ele não larga sua touca.
– Você nem estava com tanta saudade dele assim, Christopher. – Interrompeu Anna, que me abraçou tão forte que me sufoquei em seus cabelos loiros. Anna é tão linda que chega a doer.
O problema do três é que, como são filhos de pais ricos, sempre tiveram o que quiseram, e uma vantagem naquele momento, era que nunca levavam desaforo para a casa.
– Galera, preciso da ajuda de vocês. Não tenho tempo para explicar, nem nada do tipo. Ah, aliás, essa é Alex.- Apontei para a nerd e eles sorriram para ela, menos Anna. – E ela também vai me ajudar, como eu espero que vocês ajudam.
– Desembucha, Stev. – Pediu Anna.
– Preciso que vocês joguem um jogo comigo.
– Tipo no seu x-box e tal? – Indagou inocentemente, Marina.
– Eu queria que fosse.
– E porque nós faríamos? – Disse Chris.
– Porque assim provariam que não são crianças como aparentam ser. – Retrucou Alex, e mantive meus lábios em uma linha firme para não rir.
– O que te faz pensar que somos crianças? – Desafiou Anna.
Alex não precisou dizer nada, apenas olhou de soslaio para Marina que agora, tentava freneticamente arrancar uma roupinha de uma boneca menor que meu polegar. Todos rimos e eles aceitaram participar do jogo, que eu e Alex fizemos questão de mencionar que aquilo seria totalmente diferente de tudo que eles já haviam jogado ou imaginado. Bom, ou como eu esperava.
Deixamos a sala de jantar e passamos pelo salão principal, avistei a irmã de Marina, Victória, babando em cima do irmão dos gêmeos Hauser, o Matthew.
– É incrível como a Vic ainda gosta dele. – Comentei.
– Ela é um pé no saco. – Respondeu Anna.
Seguimos em direção ao porão, sentamos no chão em volta do mapa, e expliquei a eles como funcionava o jogo. Ou como eu esperava.
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