Introspectana
14 Saga 2 Capítulo 4 - Grande Fábrica de Diversidades
Introspectana
Saga 2
Capítulo 4 parte 1: Grande Fábrica de Diversidades...
By Bolchen
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Um dia relativamente claro. O monocromático bege das ruas ligeiramente era tomado pelas cores verdes-vômito dos matos de cada jardim de cada casebre de Los Pegasus. Alguns sons de violência obscureciam as cores verdes mais claras, estas escurecendo a si mesmas por serem tão claras. Elas mesmas clarearam a visão escura, tornando-a maior.
Escurecida também eram as folhas das arvores esquecidas nos campos de algumas praças daquele bairro de Trove: Eram folhas que, com o vento pesado jogando-os aos lados, pesavam como chumbo leve. As folhas choraram na falta de lágrimas para significar melhor as suas vidas, tal como servintes... Tal como pôneis.
As casas... Velhas casas... Novamente no novo ser amedrontador de direitos e deveres. Escreviam uma carta em branco, demonstrando o esplendor de serem tiranicamente maiores que um casco ou, na sua colossal vida, surpreendiam pela sua velhice atemporal. Talvez as Princesas soubessem melhor disso do que as próprias torres de marfim de Canterlot.
As torres... Os arranha-céus feitos de nuvem e lágrimas... Lágrimas estas, frutos do canto triste de cada esquina, evaporadas águas dos olhos de cada garanhão e égua. O mundo daqueles tempos não era mais feito de alegria, de esforço: Era a escravidão neutra, impostas aos pôneis em forma de obrigação econômica. Serviam magicamente para um objetivo em forma de leis físicas macumbadas.
Essas leis físicas, já extrapoladas pela própria Introspectana, não choravam e nem pediam licença: Simplesmente foram deixadas pra lá. E Introspectana, no auge de sua falta de lágrimas para construir aquele mundo, simplesmente varria os que já invadiram o seu território, o seu velho acampamento de tantos anos: Sua velha casa em Los Pegasus.
Os viciados nas drogas feitas de Zap Apple e Arco-Íris caminhavam em zigue-zague para fora da casa da Intro. Estavam tontos e os seus olhos, uma íris colorida. Giravam tanto de sentido e existência que já nem mais existência era: Já estavam brancos de tanto o colorido girar e estar na velocidade da luz, tal como a velocidade com que eles consumiam essas drogas e deixavam os seus corpos.
Ela deu vários coices neles, agradecendo seu próprio presente para si mesma. Blitzfire também expulsava alguns daqueles potros, só que nesse momento ela agradecia a si mesma por ter dado coices neles. Talvez agradecimento a si mesmas por elas mesmas estarem, finalmente, em algum estado de espírito melhor que o usual. Acostumaram-se a essa rotina que estranhavam diariamente.
-Bom... Acho que esse é o último vagabundo daqui, Intro... – Disse, jogando um poldro para fora da casa.
-Assim espero... O foda é que teremos agora de limpar toda essa miséria e... -.
-Né não?! Parece até que eles nem sabem o que é uma privada! Que cheiro horrível! – Reclamou a pegaso, abafando o nariz.
-Pior se fosse se eles soubessem o que é privado... -.
-Hã?! O que? -.
-Marido da privada, sabe? -.
-Nossa Intro... Antigamente você fazia umas sacadas melhores... O que anda acontecendo com você ultimamente? – Exaltou-se, tentando animar a unicórnio – Se anima! Pelo menos agora temos um teto para morar! -.
-Foda-se o teto... Que os canos entrem bem no flanco dele e fiquem presos lá... – Voltou o seu olhar para a casa.
-Vamos... Me diga... O que há de errado! -.
-Eu simplesmente estou “nhennhéda”...-.
-O que?! – Se aproximou da unicórnio.
-Nhen nhé da sua conta, tá porra? – Respondeu, bem séria.
-Tá... Tudo bem então... Se é desse jeito que tu quer ficar, que fique então. Pelo menos assim eu estou de bem com a vida, ao contrário de você! -.
-Tão de bem com a vida que tá aqui comigo, praticamente nós duas parecendo duas putas trabalhando pra um Playhoof que, aliás, é o nome próprio do burro. Só nos faltava umas roupas decotadas pra completar o pacote... -.
-Mas nós já estamos nuas! Por que precisaríamos de roupas? Roupas é algo tão... Humano... -.
-Não me faça lembrar daquele puteiro de ontem, tá? -.
As duas se distanciaram por alguns instantes, cada uma indo para um canto. Súbito silêncio. Silencio este quebrado quando chegava o burro à porta aberta, com o seu jeito de sempre.
-Então, mana... Tu tá de boas agora com o teu apê de volta? -.
-Ah, Playhoof... Pelo menos agora temos um lugar pra ficar... – Respondia com a seriedade de sempre.
-Que bom... – Replicou, bravo.
Play então se sentou num dos sofás encardidos da sala de estar de madeira e secura. Olhava bravo para si mesmo. Estranhando, Intro perguntou, enquanto continuava a limpar a bagunça:
-Aconteceu algo de errado, Playhoof? -.
-Nada não... Umas treta feia apenas. Umas bagaça que tô me fudendo pra caralho agora... -.
-E o que seria? -.
-Porra, mana... – Voltou o seu olhar pra ela – É foda esses borocochô dos Apple me fudendo toda hora pra querer os bagulho deles... -.
-Eles querem alguma coisa? -.
-Eles num querem... Eles estão obrigando... E agora tô fudido... -.
-Mas o que eles então... Uh... Estão obrigando? -.
Ele se levantara de novo e direcionara-se para a unicórnio.
-É pra nóis expulsar uns motoqueiro truta fudido da Fábrica de Arco-Íris. Tamo ferrado, mana... Tamo ferrado agora... – Colocava os seus cascos em seu rosto, frustrado — Lá se vai a graninha pra eu namorar com a minha cavala, porra... -.
-Tudo bem, Playhoof... Mas como assim vamos ter de expulsar alguns motoqueiros? -.
-São uns barra pesada do caralho que pegaram a fábrica e agora fabricam o bagulho colorido. Os Apple num gostaram disso e, por eu tar devenu muito picho pra eles, agora é nóis que vamo ter de tomar o lugar... -.
-Não parece tão difícil... Será bem fácil pra mim... -.
-Mas descobri algo muito treta que vai fuder com a gente... -.
-O que é? – Estranhou.
-Uns contato meu disse que esses Flanco Branco sem talento conseguiram uma puta égua do caralho que tá dando porrada geral nos mano -.
-Não me parece tão perigosa assim... -.
-Tu lembra do Goliaz, o nosso manolo gigante? -.
-Aquele cavalo grande que morava na esquina aqui? Sei... -.
-Essa vadia o derrubou com apenas um coice... -.
-Tá... A porra ficou séria agora... -.
-Esses motoqueiros... Tudo banu de revoltado só porque não tem marca especial no flanco. Bando de flanco mole desocupado idiota sem marca e sem talento! Hahah! Flanco Branco! – Debochava.
-Uh... Playhoof... -.
-Uh? -.
-Err... Você não tem marca especial... -.
Por um momento o burro parou um pouco para pensar, embora o seu rosto neutro mostrava uma calada de boca súbita.
-Meh... Mas aí eu sou burro... -.
-Soa bem coerente que você seja burro... – Respondeu a pegaso, pegando no meio da conversa.
-Sou mesmo um burro e tenho orgulho disso, tá sua racista nojenta?! -.
-Não disse, Intro? Ele é burro mesmo. Nem conseguiu entender a piada -.
-Piada?! Que porra de piada tu ta... – Parou por um instante para refletir – Ah... Merda... Foda-se... -.
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-Porra, Plume! Por que temos que ficar de guarda nesse lugar? Quem é que vai querer essa porra de fábrica? -.
-Meu caro Clay... Você não percebe a oportunidade que temos de finalmente lucrar com esse lugar?! Os burros de Trove estão querendo fazer TUDO pra pegar essa fábrica! -.
-Ah Mas isso tá muito chato porra! Eu quero voltar pro clube! -.
-Humm... Tá já todo revoltadinho por falta de dar flanco, né Clay? Haha... -.
-Porra, Bill! Chega, ok? Eu quero apenas voltar pro clube meu! Grr... -.
-Uh... Só uma pequena pergunta: O que estamos realmente fazendo aqui, dentro dessa fábrica estranha, escura e... Assombrosa? – Falava, bem baixo.
-Calma, Touch... Se acalma, tá? – Respondeu o presidente, se aproximando dela e confortando-a – Estamos aqui porque precisamos tomar conta dessa fábrica por essa noite pra depois levantarmos dinheiro vendendo ela... -.
Lá estavam os quatro principais membros do clube, embaixo de apenas uma única luz do lugar.
-Não sei... Ultimamente ando sentindo algo estranho que pode acontecer e... Realmente estou temendo o que pode vir acontecer... -.
-Porra, sua vadia! Como pode ter medo se tu consegue derrubar todos nós de uma vez só?! Tu ta pior que servinte rasgadeira que dá por medo! – Reclamou Bill.
-Olha a boca, Bill... – Respondeu o Plume.
-Eu só não quero que saia alguém machucado disso... Não quero os meus cascos sujos de sangue depois... – Respondia a terrestre.
-Só estaria sujo de sangue se ela fosse virgem... Heheh... – Cochichou Bill pro Clayton, que estranhou a piada.
-Eu ouvi isso, Bill! – Reclamou o líder.
-O que foi agora, meu?! Eu não sei o que anda contigo, Plume! Tu tá ficando flanco-mole ultimamente, ficando com pena dessa vadia e até do Clayton! Agora o clube virou casa de caridade, é?! -.
-Bill... -.
-Não entendo isso porra... O que aconteceu com aquele “badass” mó fodido que chutava flanco das vadias pra todo lado e... -.
Bruscamente, o pegaso deu um coice no unicórnio amarelo, deixando todos surpresos naquele momento.
-Não lembre dessa época, tá?! Já disse que estou apenas tratando todos nós como Irmãos! E a Touch aqui é a nossa irmã, assim como você ou o Clayton, tá?! -.
-Urgh... – Se levantava, saindo sangue de sua boca – Esse clube tá ficando cada vez mais viado... Espero que um dia a gente não vire uma balada gay... -.
-Se um dia isso acontecesse você ia ser a Drag Queen da balada... E esse seu batom aí saindo da sua boca já é um bom começo... – Debochou o pegaso, ainda bravo.
-Bela piada, gênio... – Ironizou Bill.
Os dois se separaram, cada um indo pra um canto e ambos segurando uma besta de madeira preparada. O local se revelava exatamente como a fábrica de arco-íris, só que sem cor: Os maquinários relativamente limpos estavam abandonados. Não havia traço de arco-íris em lugar algum, nem mesmo nas próprias cores expostas dentro das máquinas. Faltava açúcar naquele lugar.
A noite não estava tão claro como de costume, embora isso aumentasse o brilho dos líquidos coloridos abandonados em alguns frascos largados por todo o local. Estranho... Nunca as cores estiveram tão separadas e brigadas entre si... Os frascos de vidro se rompiam algumas vezes, talvez porque não aguentassem tamanha briga interna.
Mas aquilo não refletia em nada o que Touch ou Plume sentiam: Estavam receosos justamente do contrário. Estavam receosos por uma harmonia possível, uma harmonia forçada em breve. As cores estariam guiando-os à luz da inexistência?
À noite... Os metais coloridos de cada máquina... Pareciam finalmente iludir uma cor verdadeira, aquela da verdade branca escura. Escurecidas paredes entre os pôneis, luzes incandescentes das lâmpadas fracas da fábrica. Não conseguia entender tudo isso...
Aliás... Que estranha escuridão... Tão difícil narrar nesse momento sem inspiração. Questiono, às vezes, porque é que essas cores não colorem melhor a minha narração... Escrevo, mas ao mesmo tempo a tela continua branca. Digito e digito... Mas nada sai além de um monte de coisas brancas... Seria esse branco a narração verdadeira?
Verdade inabsoluta...
Digressão instantânea... Essa forma de mudar de assunto, dentro de um motivo devagar, afinal... Não estou conseguindo enxergar cor alguma, mesmo naquele azul ou no verde. Estou presa numa cela de musas e cores brancas. Talvez as lâmpadas estejam cegando a minha escurecida e pálida íris. Escuro em nome do claro.
Touch... Seu toque de luz me fascina, ou não fascinaria? Por que será que a sua luz não está mostrando as cores dessa fábrica? Por que essa Fábrica de Arco-Íris está enojada da Touch? Parece que ninguém quer essa luz... Nem mesmo eu...
Essa luz pálida, medrosa e amedrontadora... Isso explicaria as reações Billísticas? Ou Plumáticas? Eu queria poder compor uma forma melhor de conseguir explanar esse ambiente, embora pareça que esteja claro. Não, meus leitores... Tudo está escuro demais... Não basta falar da máquina, do pônei ou das cores... Há algo que não se revela nesse capítulo que eu mesma não consigo significar...
Alguns diriam, até mesmo, como erro essa brusca busca por significar. Mas não é erro meu: É apenas eu. Eu poderia rodar tudo aquilo, mas as cores iam continuar estagnadas no mesmo lugar. É como se eu estivesse sonhando essa dormida, esse ronco enfadonho carregado de bafo estragado e notasse que, sonhando agora, eu esteja morto de significantes para a minha composição.
O toque de luz que tocava o pássaro voando não tocava o ar, mas o atravessava e atingia o coração, ofuscando. Não posso narrar pelo ambiente ou por eles, senão estaria me limitando a uma mera forma de naturalismo tangencial. Então acho que chegou a hora de narrar sem que as cores monocromáticas reflitam os seres daquele lugar, ou vice-versa. Já estou cansada dessa forma de comparar constantemente o ambiente em que estão, com eles...
E vendo mais a fundo nisso, percebe-se que eles tinham uma cor única dentro deles, mas essa cor era infra-vermelha ou ultra-violeta. Eram cores invisíveis, impossíveis de serem lidas ou vistas. Talvez por isso parecesse tão branco aquele lugar...
Touch... Ela emitia uma luz que caminhou parada dentro de uma caixa preta que estava visível por dentro quando tinha nenhuma iluminação...
Estou ofuscada por eles e não sei se conseguirei continuar essa narração... Mas tentarei...
Ainda mais vendo aquela potra estando insegura na frente da fábrica, pelo lado de fora, ao lado do Clayton. Este nada falava, nada respirava, às vezes. Prendia a sua respiração e mantinha o seu foco em vigiar o local, segurando a sua besta e estando em posição bípede. A nossa querida terrestre nada de arma utilizava, mas parecia bem preparada para lutar, embora na sua rotineira tremida interna.
-Então... Uh... Como vai, Clayton? – Continuava a olhar pra frente, estando muito nervosa e falando baixo.
-Vou bem... – Respondeu, bem neutro.
-Humm... Você sabe por que que o Bill é daquele jeito? -.
-Não sei e não quero saber... -.
Touch continuava a estranhar ele, tamanha concentração e olhar distante que se notava naquele terrestre de cores exóticas.
-Você realmente está bem? Você me parece um pouco... Triste... – Falava ela, compartilhando uma face mais triste naquele momento.
-Olha... Eu realmente adoraria MUITO conversar contigo, mas eu realmente só quero que me deixe em paz, tá? Tá beleza? -.
-Mas... Eu não gosto quando algum pônei está triste... -.
-Foda-se se tu não gosta. Vai lá dá pra eles, tá vadia? -.
Grosseiramente, ele se desviou da atenção dela, o que a deixou um pouco irritada. Embora calma e com voz baixa, resolveu retrucar:
-E depois não quer que te chamem de viado por rejeitar alguma garota, né? Pois tudo bem... Estou de saída... –.
A potra cinza caminhou para dentro do prédio, enquanto deixava solitário o garanhão roxo e cheio de solidão, como aquele coração que, embora colorido, estivesse sólido e impossibilitado de entrar coisas e entrecoisas. Já não era uma distribuição de toque de luz: Era a luz sendo jogada ao chão tal como pastel comprado e rejeitado quando dado.
Muito do que a rejeição de Clayton se desentende também fala para a compreensão, um amor sincero. Era daqueles que davam coice em nome de. E esse nome não era apenas um nome: Era nome que guardava em si uma tranca aberta, porém emperrada. Nomeada de forma a...
... nada. Talvez sua neutralidade demonstrasse nada a não ser revolta de nada. Mas acho que não é isso não... Ele era muito colorido. Talvez um toque de imobilidade fosse inerente a ele pelo simples fato de que a sua verdade colidia com a poesia mundana. Não aceitaria que pôneis estivessem numa comédia grega ou latina mesmo se essa comédia estivesse sem risos. Talvez ele esteja diariamente descansado demais...
Continuava a olhar, continuava a vigiar... O que mais fazia do que seguir o clube? Uma forma de encabeçar em si mesmo uns trotes para entreter a sua razão. Mas esses trotes eram universais e independentes: Acabaram se rebelando contra a própria alimentação. E por isso aquele potro se matava a todo instante...
Ele já avançou o sinal vermelho com a moto...
Por nada? Quem sabe... Estranhamente ele simplesmente fazia questão de que, tal como roxo era, crepúsculo ser e estar acima de outras cores, mas não estando ao mesmo tempo quando lia a poesia mundana. Talvez um excesso.
E quando é que ele terminava de ser definido? Nem eu e nem você podemos conseguir definir isso... Ele era roxo demais para as suas cores tornarem-se brancas.
Em nome de sua pedra.
E como toda pedra, nem a maior dureza do mundo impede de ser atingida por uma flecha. E foi mesmo: Uma flecha subitamente atingiu a sua perna direita, deixando-o ferido e uma perfuração bem aberta e com a flecha muito bem cravada.
-Argh! Irmãos! Eles já estão atacando! -.
Touch ainda não tinha entrado por completo, ouvindo o grito do Clayton e rapidamente correu de volta pra fora da fábrica. A falta de iluminação dificultava ambos enxergarem quem estava ali, com apenas uma lâmpada do poste da rua cobrindo os dois. Era um local aberto, sem cercados, havendo apenas eles, o poste da rua e a gigantesca fábrica atrás deles, com o visual típico de qualquer fábrica quadrada de concreto e chaminés.
Chegando até o potro, ela percebeu os seus ferimentos e chegou de supetão perto dele para tratar.
-Você está ferido! Deixa eu te ajudar e... -.
-Não é hora pra isso, porra! Agora estamos sendo atacados! -.
Ela se levantou no mesmo instante, tentando observar à sua volta a presença de mais algum potro. Nada ambos percebiam além do silêncio de suas apreensões. Parecia tudo como estava há alguns minutos atrás, só que com um pouco de sangue no chão.
-Estranho... Aonde é que eles estão, porra?! – Perguntava o potro ferido, bravo.
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-Tudo bem... Eu já derrubei aquele viado alí. O que devo fazer agora, Playhoof?-.
-Tu vai la cum teu bagulho aí e mete mais uma flechuda naquele cavalo arrombado-.
-Está bem... Mas onde está a Introspectana agora? -.
-Ela foi cum outros mano entrar cum boca de sirí pra meter pau em outros dois viados... -.
Blitzfire e Playhoof estavam escondidos atrás de um pilar de ferro, distantes da Touch e do Clayton. Blitz, em posição bípede, recarregava a sua besta de alta-tecnologia com um cartucho mágico de aço. Playhoof carregava consigo um pequeno pote quadrado.
-O que é essa coisa aí com você? – Perguntou a pegaso.
-Essa porra aqui? Só umas treta nova que consegui cum chifrodo que disse que funciona pra cacete! Disse que deita os mano em pouco segundos... -.
-Deitar? Seria tipo um sonífero ou coisa assim? -.
-Uh... É... Um sonífero que dura MUITO tempo, mana. Muito tempo... -.
Depois de alguns segundos, a pegaso finalmente recarregou a sua Besta e a posicionou em cima de suas asas e o burro preparava o seu pote.
-Agora? -.
-Agora! – Respondeu o burro.
E os dois saíram da pilastra, correndo em direção à luz que iluminava Touch e Clayton. Abruptamente, a pegaso atirou uma flecha mágica contra a Touch enquanto Playhoof corria até o garanhão com o pote abrindo aos poucos. Do pote, milhares de seres arredondados e coloridos saíam em direção ao terrestre, derrubando-o e o prendendo no chão.
Nesse momento, Touch consegue desviar da flecha de luz e ela começa a correr. Ela ainda não conseguiu ver quem era a pegaso.
-Porra! Aquela vadia tá fugindo! Pega ela! -.
-Já vou! – Respondeu a Blitz.
Imediatamente ela começou a perseguir a terrestre atirando suas flechas de luz contra a Touch. Em grande adrenalina e nervosismo, esta parou e voltou para trás, correndo em colisão contra a pegaso, que não conseguia atingir uma única flecha nela.
Subitamente, com os olhos constantemente fechados, a terrestre chegou perto da Blitz e deu um grande coice em seu rosto, fazendo-a voar em direção ao Playhoof, ambos caindo ao chão.
-Putz! Sai de cima de mim, sapata! -.
-Mais respeito, hein sua mula! -.
Touch correu em direção ao Clayton, que continuava preso ao chão. Ela tentava tirar aqueles seres de perto dele, mas sem sucesso. Já levantados, Blitz e Play andaram em direção aos dois.
-Olha olha... Se não temu uma cavala protegenu um viadão... O que tu acha que temo que fazer cums flanco-mole aqui, Blitz? -.
-Sei lá... Que tal matar primeiro o viado? Quero ver a eficiência dessa sua arma nova... -.
-Com muito pra... -.
-NÃO! Por favor! Sem mais mortes! Faço o que quiserem, mas não o matem! – Gritou a potra cinza, direcionando os seus olhos para aqueles dois.
-Humm... Será que finalmente tô cum sorte di comer uma boceta de servinte hoje? Que tu acha, manola? -.
-Eu adoraria ver mesmo é a arma em ação, porra! Quero ver como é que ela mata lentamente a sua vítima... Heheh... – Respondia a pegaso, bem estimulada.
-Puts mana... Tu mete medo desse jeito... -.
-O que agora? Você é um covarde, é? Quero ver sangue voando agora, porra! -.
-Mas visualiza os lucro, mana: É nóis cuma vadia só pra foder e um viado pra vender! Quer coisa melhor? -.
-Eu ouvi isso! – Disse o Clayton.
-Tu não tá bonzinho demais não pra um mano das ruas? – Perguntou a pegaso, ignorando o potro deitado.
-Respeito, caralho. Respeito, né pô? Cadê o respeito... -.
-Foda-se respeito! Eu quero essa sua arma em ação AGORA! – Gritou.
-Nem fudendo! Eu quero a vadia! -.
-Arma! -.
-Vadia! -.
-ARMA! -.
-BUCETAAAAAAAA!!!! -.
Enquanto os dois brigavam e a Touch estranhava, por um momento ela começou a tentar enxergar melhor os dois. Percebia alguma familiaridade. Algo que não estava se encaixando naquele momento e já tinha visto anteriormente. Provavelmente algo que não conseguia entender. A indignação rotineira dela sempre se manifestando nas horas mais inúteis. Até que...
-Você... É aquela pegaso que estava caída no chão... – Falou, perplexa.
-O... O que? – Respondeu de volta a pegaso.
-Você... Não está morta? -.
-O que está dizendo? Claro que não! Estou aqui inteirinha! Bem... Exceto pela flechada que a Intro me deu e me... Espera... O que isso tem haver comigo? -.
-Você... Conhece a Intro? -.
-Pera... VOCÊ conhece a Intro? Não sabia que a Intro andava com gente um tanto quanto... Uh... exótica... -.
-Eita porra! Num sabia que a mana andava cum esses doido maloqueiro! – Falou o burro.
-EI! EU OUVI ISSO! E ME TIREM DAQUI PORRA! – Gritou Clay.
-Tiro você porra nenhuma, viado! – Retrucou o burro.
-Calma aí... Como eu sei que a Intro confia em você, hein sua servinte? – Perguntou a pegaso.
-Eu... Eu... Uh... -.
-Eu sabia! Está nos enganando! Tu vai ver agora, vadia! – Retrucou a pegaso.
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Introspectana
Capítulo 4: Grande Fábrica de Diversidades...
Parte 2
By Bolchen
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Intro se espreitava por um pilar dentro da fábrica. Acompanhada de outra potra, se curvavam por detrás do mesmo e tentavam visualizar o local. Perceberam dois potros bastante separados de si, cada um em um canto, sendo eles justamente o Bill e o Plume. Essa outra potra que acompanhava a unicórnio era uma pônei terrestre Azul, mais alta que a Intro. Utilizava um rabo-de-cavalo na crina, de cor amarelada e com mechas de amarelo um pouco mais claro. Seus olhos vermelhos resguardavam um ar misterioso para si, refletido também em sua marca registrada: Um cadeado.
-Então Intro querida... Quando é que vamos expulsar aqueles gatinhos ali? -.
-Não sei, Keyhole... E afinal... Por que você tem que chamar todo potro de “gatinho”? Você realmente não mudou desde aqueles tempos... -.
-Ah amiga... O que posso dizer? Estou precisando aliviar as minhas ânsias e desejos do meu interior... Até porque... -.
-E quanto ao Playhoof? Então porque você namora com ele? -.
-Ih! Hahah!! – Ria, debochando – Ele é apenas um burro fracassado e feio! Se liga, Intro! Eu mereço algo melhor do que ele! -.
-Tipo um cafetão, né? – Ironizou, com sorriso malicioso.
-O que você está insinuando?! – Olhou diretamente, bem brava.
-Nada não... Apenas mostrando semelhanças e diferenças que regem o nosso mundo... Cê sabe... Aqueles meus papos introspectivos... -.
-Olha... Do jeito que cê fica falando sobre Introspecção e bla bla bla, eu as vezes suspeito que tudo isso não passa de um desejo seu por ser fodida e bem pra dentro e pro “interior”, se é que me entende... – Continuava bem brava.
-Só se isso significasse uma fodida profunda... -.
-Uh?! – Interrompeu.
-Cê sabe... O governo fode, todos os pôneis fodem... Enfim, é assim que funciona as nossas relações pôneis, Keyhole: A gente sempre acaba fodido no fim disso tudo... -.
-Por que eu fui começar sobre introspecção com você? Agora você não para mais de ficar falando dessas bobeiras chatas... ARGH! Eu vim aqui apenas pra gente ter grana pra sair com os gatinho! Ahn... – Se frustrava.
-Você é uma verdadeira tempestade em copo d’agua, Key... -.
-Se eu fosse eu já estaria soltando raios em você... -.
-Hã?! -.
— ...Nada não... Foda-se! Espero pelo menos depois a gente poder ir pro spá e reembelezar os nossos corpos e almas! – Falava, atuando de forma bem feminina – Espero que a gente consiga o dinheiro pra isso! Heheh! Ficarmos mais bonitas! -.
-Ou ficarmos menos feias também... -.
-O que você está insinuando?! -.
-Nada não... -.
E Intro preparava, de seu chifre, uma magia escura, quase que invisível aos olhos nus.
-E o que é isso que você tá fazendo? -.
-Isso e uma magia silenciosa. Evita chamar a atenção... -.
-Mas isso não faz sentido, querida. Não seria mais apropriado que essa sua magia fosse referida como “invisível”? -.
-Não porque silenciosa soa mais bélico pra mim... – Sorria, enquanto olhava para os dois potros.
A unicórnio acenou três vezes com os cascos. Depois da terceira, ambas correram até os dois potros, que estavam de costas para elas e distraídos. Intro primeiramente lança a sua magia contra o Plume, entretanto ele desvia antes que fosse atingido e, percebendo a movimentação, se virou e atirou a flecha contra a Intro, que também desviou.
A pônei amarela se lançou até o Bill, dando um coice nele, fazendo-o cair. Ela se jogou por cima dele, estando cara a cara com o mesmo.
-Humm... Que potro gatinho que cê é... – Sorria.
-Ei! Sai de cima de mim, vadia gorda! Ou senão... -.
Antes que pudesse completar a frase, ela jogou a sua boca em encontro com o pescoço de Bill, mordendo forte e jorrando sangue no mesmo instante.
-AAAAARGH! URGh... Ur... Urgh... – Gemia o unicórnio.
Desse movimento, bastante sangue saia de seu pescoço e rodeava o chão. A potra em cima dele se deliciava com cada canto de sangue que jorrava de dentro dele. O vermelho de seus olhos era um elemento intensificador dessa cor industrial. Os arco-íris estavam cada vez mais fortes nesse momento.
A potra sorria constantemente e continuava as sugar cada canto vermelho que surgia daquela mordida aberta. Engolia mais do que água nas arábias.
-Ahh... Que sangue delicioso... Meio alcoólico, mas serve de alguma coisa... Heheh... – Disse, se levantando – Intro... Você já acabo... Hã?! -.
Quando ela tornara os seus olhos vermelhos para a unicórnio, ela se deparou com uma grande luta entre Plume e a Intro: Enquanto a potra continuava a tentar lançar magias sobre ele, este se esquivava de todas as flechas lançadas, recarregando a sua besta de madeira assim que podia. Ao mesmo tempo, lançou uma flecha contra os cascos da Intro, esta utilizando os mesmos para coicear a flecha de lado e se desviar dela.
Estando em posição de ataque, a unicórnio deu uma fungada e começou a correr em direção ao potro. Este, já estando cansado e com poucas flechas, arriscou uma manobra naquele momento: De suas patas dianteiras, ele arrancou a ferradura azul e lançou contra a cabeça da unicórnio, acabando por até lançar a unicórnio a uma distância dele. Esta ficou com a cabeça sangrando, assim como o seu chifre bastante danificado. Ela tentou executar uma faísca com o seu chifre, sem sucesso.
-Urgh... Por essa eu não esperava... Esse motoboy é esperto, hein? – Disse, massageando a sua ferida.
Enquanto ela se levantava e gemia de dor, o potro também continuava dolorido: A arrancada brusca da ferradura deixou a sua pata ferida, sangrando nas laterais, embora teimando e ignorando a dor que estava lhe custando. Com apenas um dos cascos em jogo, utilizou as suas asas para recarregar a besta com uma das duas flechas que lhe restava. Recarregado, ele começou a voar, estando com um dos seus cascos segurando a besta.
Então ele voou diretamente contra a potra, olhando bravo e muito sério, embora voando baixo. Intro encarava-o brutalmente com ferocidade e raiva pela dor, embora na defensiva pela sua total desvantagem diante da sua tontura e a sua magia não estar funcionando. Ele chegou cada vez mais perto dela, com a besta apontando para os seus olhos até que...
-Senhora... Você tem que tomar cuidado e parar de ficar machucando os potros pelas costas. Imagina o que poderia ter acontecido se tudo isso acabasse pior ou até mesmo você morta! Eu não lancei a ferradura mais forte porque eu não quero matar ninguém aqui e... -.
-Espera... Por que você está sendo tão educado e bonzinho? – Perguntou a unicórnio – Você não vai me matar? -.
-Desculpe... Como assim educado, senhora? E te matar? Por que eu mataria a ex-diretora da associação? -.
-Hã? Você me conhece? Mas como que... Espera... – Olha direito para ele – Plume? É você?! CARALHO, PORRA! Tu virou motoboy depois que saiu da associação, meu pupilo?!-.
-Uh... Motociclista, senhora... Motociclista... -.
-Mas você está tão... Diferente... Mais calmo e gentil... Uma aura de mudanças e sintonias novas com realidades básicas do mundo... Parece até que... – Olhou mais de perto pra ele – Ficou mais gay... Heheh! – Debochou, com o seu típico sorriso.
-Aiai... Minha velha superiora e suas ironias. Você realmente nunca muda essa sua forma de ficar ironizando e analisando introspectivamente os pôneis, não? Até porque... -.
-ATRÁS DE VOCÊ! -.
Depois do grito da potra, subitamente ele olhou para trás e se desviou da ofensiva da Keyhole, que diretamente acabou se colidindo com a branca introspectiva e ambas acabaram se rolando pelo chão.
-O que você está fazendo, Key? Não era pra atacar ele! -.
-Mas eu não queria atacar ele! Até porque ele é muito fofinho! Eu queria é saber o gosto do sangue dele! E parece ser bem suave o gosto, só de ver como ele é um doce de pônei! – Dizia, de forma forçada e “mimada”.
-Urgh... Agora o que será que... Uh... Plume? -.
Tornando o seu olhar, Intro deparou-se com o seu velho pupilo perto de Bill, estando em completo choque e desespero. Com os olhos despejando águas pelo seu rosto, tentava chamar e clamar pela consciência do potro desmaiado.
Plume estava num tom diferente, num tom de calma, mas, ao mesmo tempo, um desespero pela vida alheia. Talvez um egoísmo, talvez não. Porém, ele continuava a clamar pela alma perdida daquele potro, embora nunca se soubesse se já não estivesse perdida antes mesmo de estar naquela situação.
Ele não parava de clamar e, ao mesmo tempo, pulsava freneticamente os seus cascos sobre os peitos de Bill, ao mesmo tempo em que fazia respiração boca-a-boca. Para irmãos, aquilo estava acima de qualquer má-intenção homossexual de pôneis sem razão. Ainda que o seu casco machucado clamasse a dor e a parada daquele gesto, ele ignorava e continuava a pulsar.
-Bill! Vamos, cara... Eu sei que tu tá vivo aí... Vamos... – Falava quebradamente, em desespero – Vadia! Sua vagabunda vampirada! Por que fez isso?! -.
-Foi malz, fofo... Acho que exagerei na mordida... – Tentava se desculpar, com um sorriso de culpa e sangue escorrendo de sua boca.
Vendo tal cena, Intro retornou para a potra azul, perguntando:
-Ele está morto? – Perguntava com bastante indiferença.
-Err... Acho que posso ter exagerado pelo momento, sabe... É que fiquei tão empolgada com esses gatinhos que acho que mordi mais do que devia... Heheh... – Se desculpava — ...Espero que eu não tenha matado ele... -.
-É... Não tem jeito... -.
A unicórnio se levantou, indo diretamente o potro que ressuscitava persistentemente o seu irmão. Agachando-se lentamente, num tom fúnebre, ela aproximou o seu rosto ao do Plume, colocando apenas a sua testa sobre a cabeça dele. Imediatamente ele interpretava o gesto, mas inconformado.
-Você ainda lembra disso, não? Lembra de como e quantos companheiros nossos morreram em nome de algo cego, algo que era a associação... -.
-Esse toque de cabeça... Não... Não pode ser... – Dizia, desesperado.
-Sinto muito, meu pupilo... É o gesto de pêsames da associação e você sabe muito bem o que estou tentando te dizer... – Movia a cabeça dele, aproximando a sua testa com a dele – Você agora terá de encarar as consequências... -.
-Não... O Bill não... Ele não... – Falava, inconformado e com os olhos bastante abertos.
-Desculpe, Plume. Ontem os nossos companheiros morreram por nada. Hoje... O Bill irá para... -.
-Por favor... Não fale nada, Intro. Por favor... -.
— ...Para o Hospital, seu bobo! HAHAH! -.
-Huh?! -.
Saindo de repente de perto do pegaso, Intro gargalhou e começou a rir, deixando tanto Plume desconsertado como a própria amiga, que estranhava assim como o sangue que saia da sua boca.
-Relaxa! Ele não está morto! Ele só precisa ir ao hospital. Lembre-se que esse gesto também significa “Ir para um lugar melhor” e, obviamente, um hospital é muito melhor do que aqui! Hahah! -.
-Minha mestra e suas peripécias. Você realmente não mudou nada desde a Associação, Senhora... – Falou, de repente direcionando o seu olhar para a potra azul – Mas você ainda vai pagar, hein?! – Apontou.
-Err... Desculpa... – Sorria com culpa, coçando os cascos na cabeça.
-Vem... Levanta-se! – Disse a unicórnio, cedendo os seus cascos — Vamos levar o seu amigo pro hospital e... -.
-Calma! Não precisa atirar desse jeito! AAAAAAAAAAAAAHH! -.
Subitamente, Intro olha e nota alguém correndo em sua direção. Ao mesmo tempo, diversas flechas saíam da escuridão e tentavam atingir a potra que viria a colidir-se com ela. E colidiu. Ambas caíram ao chão e rolaram até o Bill, ambos todos acabando por rolarem até baterem numa das máquinas de arco-íris.
E flechas continuavam a rolar por toda parte. Diante disso, Intro se levantava gemendo de dor de cabeça, estando o seu chifre mais ferido do que antes. A potra que se colidiu com ela era a Touch, agora também se levantando, embora gemendo mais de medo do que de dor. Subitamente, quando finalmente trocaram de olhares, reações contrastantes: Intro nada reagia e até estranhava a reação da Touch, que imediatamente reconhecia a unicórnio.
Espantada, a terrestre cinza perguntou:
-Intro... É você aqui? -.
-Uh... Eu te conheço? -.
-Não me reconhece? – Perguntou, um pouco transtornada, mas se recuperando na mesma hora – Humm... Deixa pra lá... Você deve ser apenas alguém familiar... -.
Intro estranhou no primeiro momento, até que, diante da virada brusca da potra cinza, viu a Marca especial dela e imediatamente conseguiu recognizar quem era.
-Touch! É você! Por Celestia... Você mudou! -.
-Intro... Por favor... Eu não... – Falava, receosa – Eu realmente não estou confortável nesse momento... – Rejeitava olhar para a unicórnio.
No mesmo instante de tantas imediações, ela lembrou do último encontro entre as duas. Era o mesmo instante de tudo broxar rapidamente, ambos os ânimos mortos. Enquanto Touch ficava olhando para os lados, Intro olhava para ela, mas com a cabeça bem baixa.
-Olha Touch... Eu juro que tinha uma explicação plausível para aquilo e... -.
-Eu sei que tem. Apenas e simplesmente... – Hesitou, tremendo um pouco – Não engulo ela... -.
-Touch... Eu não matei a Blitzfire! Ela tá viva! Aí atrás mesmo de você, perplexa ao lado do Plume, que também está estranhando a gente por descobrir que a gente se conhecia! -.
-Vocês duas se conheciam?! – Gritou o pegaso azul-escuro, na mesma hora.
-Apenas matei o Flume e... -.
-Não interessa... Matar é matar e nenhuma morte é justificável. Eu ainda te considero uma grande amiga, Intro, mas estou MUITO desapontada com a sua atitude e não sei se posso te perdoar tão cedo... – Disse, bem decepcionada.
-Touch... -.
Enquanto as duas ficavam se encarando, Blitzfire estava próxima de Plume e Keyhole.
-Então... Você sabe quem é aquela potra roqueira ali, amiga? – Perguntou a potra amarela para a pegaso ardente.
-Eu sei sim. É uma antiga ex-professora que acabou entrando no mundo do crime. Só agora que vi que é ela... Pobre coitada... – Suspirou — E pensar que a Introspectana destruiu a vida dela... -.
-O que? Como assim a Intro “destruiu” a vida dela? Eu sei que ela saiu da associação e talz, mas eu pensei que ela ainda estivesse na polícia! Ela não é mais da polícia? – Perguntou o presidente.
-Espera... Como você sabe que ela já foi da Associação, garanhão? – Perguntou a pegaso, tornando o seu olhar para ele.
-Jamais a Diretora que conheço faria algo assim e ainda mais com a pequena Touch! -.
-Se liga, mané! A Introspectana é uma grande vadia do crime! Ela não é o que você pensa que ela é! – Falava a Pegaso.
-Gente... EU ainda estou aqui, tá? – Disse Keyhole, chamando por atenção.
-Eu... Não... Então isso significa que... -.
-AAAAAAAHHHH PLAYHOOF NA ÁREA, FILHOS DA SERVINTE! MORRAM, MODARFÁQUERS, MORRAAAAAM!! -.
E chegava naquele momento o burro. Carregando duas bestas mágicas que atiravam flechas de forma automática, ele apontava para cima e atirava sem parar...
-AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHH! -.
-Uh... Playhoof... -.
-Ahhhh.... O que foi, Intro? – Parou de atirar, prestando atenção na potra.
-Cê sabe... Ninguém está guerreando com ninguém aqui e agora... -.
-Ah... Foda-se! Então agora essa porra qui é nossa e é nóis que vamo vender pros Apple e ganhar picho pras cavala! -.
-Opalá, Flanco-mole! Essa fábrica pertence aos Crusaders! Essa fábrica É NOSSA! – Gritou o presidente – De jeito nenhum vocês vão vender essa fábrica para a Mágia! -.
-Cala a boca, óleo fundido! É nóis aqui que agora vai conseguir grana e cêis vaum é pro cu dos diabo! – Retrucou.
-Calma lá, mano dus gueto sei lá que porra! É nossa a fábrica! -.
-Não! É minha! -.
-Nossa! -.
-Minha! -.
-Quer calar a boca vocês dois, porra?! Que merda, viu... –.
-Cala a boca, Intro! – Gritou os dois – Espera... Você conhece ela?! – Falaram ao mesmo tempo.
-Minha Princesa Luna... Quantas coincidências que estão acontecendo hoje... O que mais pode dar errado? – Perguntou a professora.
Nesse momento, um grande feixe de luz se transpassava por todas as janelas do teto da fábrica, brilhando à procura de algo. Junto com o feixe, um grito cercado de traição.
-Aqui é a Associação De Controle de Magia e vocês todos estão presos! -.
-Merda... É a Associação, Intro... Recolher! – Gritou o burro.
Imediatamente todos começaram a correr por todos os lados até uniformemente escolherem a única saída viável daquela fábrica. O presidente desesperadamente correu até Bill, carregando-o nas costas enquanto retornava para a Touch:
-Vamos, Touch! Temos que ir agora! -.
-Espera um pouco... – Gritou ela.
Touch correu subitamente até a Intro, virando a cara dela com os cascos e resguardando um olhar sério contra a potra. Intro estranhava, enquanto ao fundo se entalavam na porta a potra azul, o burro e a Blitzfire.
-Até logo, Intro... -.
-Até... Acho que agora... -.
-PORRA! TIRA O SEU FLANCO GORDO, KEYHOLE! – Gritava o burro.
-PENSEI QUE TU GOSTASSE DO MEU FLANCO, SEU VIADO! -.
-QUER PARAREM DE GRITAR?! TEMOS QUE SAIR E ESTAMOS PRESOS AQUI AAAAAAAAAAHHH MERDA!! – Gritava a pegaso.
Então, Intro rapidamente se recompôs e tratou de empurrar os três da porta, enquanto do outro lado da fábrica fugiam os outros três pôneis.
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Parecia que a luz do helicóptero resplandecia melhor agora a minha visão sobre aqueles pôneis fugindo da fábrica. Agora conseguia perceber algo diferente naquilo tudo: Aquilo já era um arco-íris despedaçado. Aquilo eram as cores mortas formando um arco-íris sem vez e sem pimenta. Por que a pimenta desse colorido não é tão forte quanto antes? Será que falta algum calor a mais ou a menos?
E os pôneis que fugiam daquele lugar... Aquela prisão de ventre de três almas era como uma prisão de pôneis: Se prendendo em momentos exatos, em justos momentos inconvenientes. Talvez a falta de senso de existência própria, tal como sermos uma só coisa...
Uma só coisa... Talvez por isso não seja mais o roxo e nem o arco-íris as cores mais unidas. Talvez o preto e o branco sejam as cores mais contrastantes e sublimes justamente por serem o tudo e o nada ao mesmo tempo: Todas as cores e nenhuma delas juntas.
Essa era a fábrica de dilemas. Fábrica de diversidade de coisas e pôneis. Os cascos ensanguentados de duplo sentido, do sacrifício ao puro egoísmo. Talvez uma forma também de encontro de coisas diferentes num caos harmônico.
Algo mais poderia acontecer diante daquilo tudo?
Era a profundeza de cada chão... Sabia-se que tudo que guardavam nada mais eram do que a quebra de conjuntos e, pela quebra, se abatiam em nome do próprio investimento econômico interno. Por isso crises econômicas eram tão frágeis e fáceis de surgir também...
Eram essas crises que mostravam melhor essas cores... Seria a falta delas o problema de eu tentar significar tudo isso? Não sei...
Às vezes, o próprio fato da Keyhole vampirizar as coisas também mostra que não se distanciava muito de outros pôneis: Simplesmente arrombava fechaduras e suas decifrações. É talvez uma tentativa desesperada de conseguir decifrar o indecifrável, tudo através da forma vermelha desesperada de surpreender ou mesmo acabar em situações constrangedoras com os seus semelhantes...
Talvez por isso Keyhole fosse... Aliás, Plume, Touch, Keyhole e Blitzfire serão partes importantes daqui pra frente. Serão quatro pôneis de tão vasta forma de fazer acontecer que talvez já superem a Introspectana há bastante tempo.
Não tenho muitas certezas a respeito da narração, entretanto... Ela não desperta o que deveria despertar. Talvez o mito Introspectano deva continuar um mistério para sempre, se for necessário.
Mas sempre se percebe que a fábrica é apenas uma parte disso tudo. As próximas narrativas são uma incerteza imprevisível de surgimento. Talvez nem haja mais Introspectana agora? Eu queria acreditar nesse enredo, mas ele mesmo não acredita ninguém.
Talvez agora Touch deva dar uma iluminada melhor nas almas dos pôneis, ou então acabará caindo no esquecimento e até mesmo voltando a ser professora sem voz...
Talvez agora Introspectana deva ser cancelado ou pausado... Embora a primeira opção seja a mais tentadora diante dessa falta de existência plena pro enredo, embora um flanco caísse bem nessas horas para apelar um público. Alguns questionaram-me a respeito de me importar demais com a figura do leitor e que eu deveria parar com isso, mas aí que está o problema: Toda a história da literatura o leitor foi deixado de lado. Não quero cometer esse mesmo erro dos antepassados críticos.
A depender de teoria crítica de leitura, o leitor é mais importante que o autor. Por isso que quero que leiam essa história, ou senão ela deixa de existir. Vocês falam que o importante é escrever, mas sem leitura isso aqui é porra nenhuma. Isso é pros críticos que falam que eu deveria me importar mais em gostar de escrever: A leitura é “a hemorragia permanente por que a estrutura (...) desmoronaria” (Barthes, Roland. “Da Leitura” p.52).
Mas eu sou calmo e paciente. Ainda creio que o medo dos leitores irá se cessar daqui a algum tempo. Pelo menos é o que eu espero, assim como a Touch, a Intro e todos os outros pôneis que compõem essa grande história.
Espero que venha um amanhã para isso...
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-AHHHHHHH! SEUS FILHOS DA SERVINTE! VOCÊS AINDA ME PAGAM UM DIA, SEUS ESCROTOS! – Gritava Clayton, correndo de moto pela avenida com um dos cascos machucados, sendo perseguido pelo helicóptero da polícia.
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