Introspectana
1 Prólogo
Prólogo
Nas grandes terras que já foram férteis, as terras de Equestria, vivia uma pônei reclusa, de dificuldades para ver e enxergar, mas enxergando como qualquer outro pônei. Enxergava um mundo obscuro, não mais habitavelmente tão belo como fora nos tempos de ouro. Não havia aquelas magias gigantescas, bombas, armas, guerras ou destruições. Mas as decadências eram totalmente fáceis de notar.
Não havia, nessas terras, as mesmas emoções de união que houve antes. Não havia escassez, mas também nem abundância. Era a decadência de todos os recursos naturais, mas sem guerras gigantescas também. A cada momento, uma Celestiana olhada para o horizonte sem perspectivas. Mas, ao mesmo tempo, pôneis levando a vida normalmente, em casas que já foram bonitas antes. Cinza ou o escuro não havia, mas podiam-se ver as cores do medo e da escuridão.
Essa pequena engraçada, a potra dos olhos azuis de um céu que já fora a que ela queria ver, mas nunca viu. E a sua crina amarela, o ouro que procurava. E a sua pele, o branco procurado. Seu nome, Introspectana, aquela que vem para tentar enxergar aquele céu que procurou sempre, mas sabia que, pra isso, iria ter de se sacrificar: Agora, na sua morte inevitável, na verdade a morte existencial, era a hora de aventuras. Não tão violentas ou tão sanguinárias, mas certamente muito estranhas. E a sua marca registrada? Estava meio borrada pra ver.
Não, meus pequenos pôneis, não haverá morte, sangue ou dores desnecessárias durante esse conto contado em nome de uma lição para a humanidade, mas sim a dor de ser. Não mais a dor Celestiana, da dúvida, mas da absoluta certeza e, talvez, do mais absoluto mundo a se enxergar.
Nessa Equestria de tantos anos passados – 100 anos para ser exato – Numa Equestria sem Elementos da Harmonia, sem uma Celestia ou Luna e somente o próprio ser jogado à sua existência, mas na verdade, muito calmo, calmo mesmo. A economia girando normalmente e, ao mesmo tempo, pôneis normais subindo ao poder de todas as cidades, daquela era de decadência em todos os sentidos aos pôneis.
Muito de tudo nada mais havia. E agora, de Manehattan até Ponyville, via-se apenas uma cultura em nome da simplicidade sem aquela profundidade buscada tanto e assiduamente por outros pôneis, principalmente pela Roxa da Harmonia.
Cada cidade vivendo uma industrialização decadente, as usinas elétricas inexplicavelmente parando de funcionar e tantos recursos ficando cada vez mais escassos. Por um lado, isso retraiu os conflitos que Equestria gerava com outras nações que desejavam as suas férteis terras. Por outro lado, a população, ano após ano, diminuía de tamanho sem razão aparente. Não, ao contrário do que poderia acontecer, não se começou rebelião alguma em nome dos últimos recursos que ainda restavam. De Cloudsdale, apenas se escutava meramente os pôneis aproveitando o momento, sem pressa, sem escândalo.
É incerto, até hoje, qual seria o motivo de toda essa escassez. Analistas afirmavam sempre que era porque não havia mais elementos da harmonia, e outros diziam que era porque os pôneis precisavam reencontrar o sentimento de amizade que perderam. Mas apenas Introspectana sabe o real motivo e ela fará de tudo para concertar o que os pôneis erraram.
Ela calmamente, de sua carroça elétrica, acordava pelo amanhecer. E acordada, em sua rotina entediante pela manhã, o de sempre: escovar a crina e a cauda, lavar o rosto, executar a magia de eletricidade e andar por toda a imensidão da Equestria de terras desérticas, mas coloridas. Sua carroça de madeira, aparência extremamente simplificada e com um motor arcaico elétrico, andava devagar, mas suficientemente autônomo.
Naquele caminho, dava-se para ver um imenso deserto e uma cidadela ao fundo, com um caminho sinuoso até ela, donde aquela potra jovem estava a marchar. Devagar, mas estava chegando até a cidade. Andando, andando...
E chegou a uma placa tão simples quanto era a sua carroça, e nela se escrevia:
–Bem-vindos à Ponyville-.
Chegando perto de Ponyville, podia ver que as casas velhas se misturavam com as novas: O contraste entre tantas casebras de madeira e palha com as de concreto, e sem algum enfeite. Janelas simples de vidro, quadradas ou circulares, com portas com as duas divisas típicas, mas simples. Todas, cinzas ou brancas. O mesmo branco da pele de Introspectana.
Chegando, podia ver mais pôneis andando em carroças motorizadas, mas bem mais conservadas do que a que ela andava. Algumas eram tão simples com a dela e outras... Também simples, mas feitas de aço ou ferro, geralmente bem montadas e com traços longos sem curvas. Algumas tinham até traços agressivos e futuristas, mas no fundo o motor era mais fraco que a de um pônei.
O chão não era mais a terra e a grama, substituídas por um chão de pedra. Provavelmente, foi construída na época em que os Unicórnios tinham muito poder mágico.
Naquelas redondezas, podia-se ver uma típica hotelaria de Equestria. Estacionando, ela diretamente ia para dentro do Hotel, até que um estranho garanhão esbarrou lateralmente na Introspectana. Raivoso, xingou:
–Sua Mula idiota! Olha pra onde vai!-.
Ela nada reagiu, mas depois que aquele pônei de crina vermelha e pele amarela foi caminhando, ela foi seguindo os mesmos passos. Calmamente, até que o potro começasse a perceber que estava sendo perseguido por ela. Desesperado, correu até um canto, após uma esquina. Virando, se escondeu num vão entre dois prédios, inutilmente para dar vantagem a aquela potra. Os olhos dela já não refletiam a pacificidade de antes, e o azul tornara-se preto.
Virando a esquina, entrou no mesmo beco, aonde via-se aquele potro já desesperado, notando a postulação sádica que ela, agora, estava tomando.
–Espera! Por que está me perseguindo?!-.
–Não se preocupe. Não farei mal algum. Muito pelo contrário-.
Então, a sua aura de magia, um branco puro, tomava conta da silhueta do garanhão. Ele estava paralisado naquela parede velha, mas a todo momento, conseguindo ser penetrado pelos olhos da introspectiva. Chegava cada vez mais perto do tremulento.
–Prepare-se para o seu fim e o início de outro-.
–O que?-.
Encostou o seu chifre na testa do garanhão. Uma Cascada na barriga e uma falta de ar em seguida. Paralisado e olhos grandes, caiu no chão sem se mover. Inutilmente, tentava dar um chute, sem sucesso.
Ela então se volta para trás.
–Você parece ter sido um pônei muito ruim com todo mundo. Você foi-me bastante útil agora. Você está purificado-.
–Como... Assim... Quem é você – Dizia, meio tonto – O que você deseja?-.
–Nada, você já fez o que eu queria. Agora leve uma vida feliz e seja bom às outras pessoas-.
–Sim...- Desmaiou.
Ela, com um sorriso malicioso, começou a caminhar de volta ao Hotel, deixando o potro desmaiado ali mesmo. Da malícia, um plano a executar.
À Instrospectana, introspectivamente sugando o errado e o certo.
À Introspectana, a grande purificadora de mundos.
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