Intocáveis
2 A loba
Notas iniciais
Intocáveis
Capítulo 1 – The She-wolf
Caminhando de volta para a Terra na qual diziam que Nikolai acharia suas respostas, o garoto rumou a capital da Rússia, em busca de uma construção dignas de pessoas com muito dinheiro, como diziam que eram seus antecessores.
Ao chegar ao endereço se viu incrivelmente extasiado tamanha era a beleza do local, com detalhes modernos e dignos da alta sociedade. A adentrar o local que agora possui um ar sombrio, como se a anos ninguém jamais tivesse pisado lá, se direcionou ao porão onde sua mãe adotiva, Carla, disse que estava o que buscava, a história por trás de sua família real eviu como era uma verdadeira bagunça, parecia com uma casa de alguma rocker dos anos 80’, os pôsteres rasgados na parede, garrafas de bebidas jogadas no chão, no carpete ainda podiam ver manchas de algo que parecia ser sangue muito antigo, o local definitivamente demonstrava a época em que seus antigos moradores viveram, os anos mágicos como muitos chamavam, no qual as pessoas de hoje em dia desejavam viver, a era do rock, do pop, do punk e de tudo que você podia imaginar.
Existiam alguns violões e guitarras pendurados na parede, uma réplica de sabre de luz, pôsteres de filmes antigos tais como Laranja Mecânica, Psicose, Star Wars, O Poderoso Chefão, Scarface e muitos outros, pôsteres de bandas como Ramones, The Beatles, The Clash, Sex Pistols, Dead Kennedys, Jimi Hendrix, Bob Dylan, Chuck Berry, David Bowie e muito outros ícones da música. Aquele porão era um paraíso para muitas pessoas fãs desses anos e os anteriores, na parede havia quadros com autógrafos, numa mesa várias caixas com vinis, mas o que mais de destacava era um baú negro em cima da mesa ao lado dos vinis.
Ao se aproximar viu que havia um bilhete em cima do baú, e nele estava escrito o seguinte:
“Para Nikolai, com amor papai e mamãe ♥”
Dentro do baú haviam várias fotos espalhadas, álbuns de foto com vários temas como casamento, formatura e etc, fitas de vídeo, e o que mais se destacava entre tudo era um diário negro e bem acabado pelo tempo, na capa estava escrito de forma simples “Diário” e ao lado dele uma carta, na qual jovem a pegou e leu.
††
“Vamos começar pelo básico, onde tudo começou com quem começou e por que começou. Você meu filho hoje vive num mundo no qual a paz e a guerra estão equilibradas, mas existiu uma época em que a guerra era dominante e sua mãe era chamada de Atena, mas hoje ela é apenas uma estátua que carrega a glória de um povo caído.
Infelizmente Nikolai as noticias são bem tristes, jamais te contaram pois temiam que você crescesse de forma ‘peculiar’, afinal seu pai matou tua mãe que foi conhecida por muitos como um verdadeiro monstro.
Eu quero te contar uma história meu filho, eu, seu pai, Vladmir, sou um assassino por muitos conhecido e espero do fundo de minha pobre alma que você pelo menos me aceite como seu pai, nem que seja por alguns simplórios minutos. Mas vamos começar a história logo, tudo que precisa saber está nesse diário filho.
Queria que você pudesse desfrutar da caligrafia de sua mãe, ela é maravilhosa, mas infelizmente ela está morta e leia até o final e faça seu próprio julgamento sobre minhas ações.
Com amor, seu pai Vladmir Kaiser.”
O garoto certamente achou que isso era uma piada de mau gosto no começo, mas então após juntar os fatos viu que aquilo jamais poderia ser tratado como uma piada. O mundo estava decaído, se livrou de toda a guerra mas parecia que a vida e a liberdade ia se esvaindo dele, o garoto quis saber como um dia o mundo foi e porque todos os amigos de seus pais diziam que eles foram os culpados disso, com os vazios e cheios de nostalgia.
Nikolai: Acho que é melhor eu ler de uma vez tudo isso, afinal batalhei por isso.
O garota falou em voz alta sendo seguido por um riso abafado da melhor amiga que fez questão de vir com ele, Alisha.
Nikolai: Está rindo do que?
Alisha: Bom você passou a vida toda bisbilhotando em tudo quanto é canto procurando informações sobre seus pais e quando acha fica com medo do que pode encontrar, isso é engraçado. E olhe como nós parecemos incríveis juntos.
Nikolai deu uma gargalhada, trazer Alisha foi definitivamente a melhor escolha, ela sabia como animá-lo e aliviar o clima e a garota tinha uma bela de uma cabeça de vento, não sabia se concentrar em nada. Mas ela tinha razão, quando olhou para o espelho os dois parecem (e são) incríveis.
Nikolai e Alisha
Alisha: Viu, é fácil rir quando está comigo! Eu devia alias fazer stand-up.
Nikolai: Ah cala a boca sua metida a depressiva.
Os dois logo cairam na gargalhada e se olharam com lágrimas nos olhos de tanto rir, e deram um rápido High-Five que era comum entre eles, a maioria mal tinha sentido como esse, mas os fazia rir como nunca.
Alisha: Nikolai olhe ali na parede, quem é aquela?
A garota apontou para um quadro na parede que continha a foto de uma linda jovem, e na foto Alisha percebeu uma coisa, ela e Nikolai tinham olhos iguais e alguns traços um tanto quanto parecidos.
Nikolai olhou para o quadro e logo reconheceu, a moça era a mesma de um quadro que havia na casa de sua mãe adotiva. Ela e sua mãe pareciam muito próximas e logo o garoto percebeu que aquela jovem era sua mãe e sentiu os olhos lacrimejarem.
Alisha: Nick por que está chorando?
Nikolai: Sei lá, é meio esquisito olhar para esse quadro – ele pegou o quadro na mão e observou, com as lágrimas caindo no mesmo. – e pensar que ela é a mulher que procurei a vida toda, que me impediram de conhecer e que me deu a luz, aquela que tenho o prazer de chamar de mãe, e isso me deixa triste.
Alisha: Ei se anime você finalmente viu como ela é, desde criança sonhou com isso então porque está triste?
Nikolai: Alisha entenda, ela é a mulher que mais me influenciou, na qual a minha mãe sempre falava com um sorriso enorme no rosto, a mulher que me fez conhecer pessoas como o Thay, a Alicia, o Frehat, a Chiwa, Alex, Misha...E agora que a vejo penso que só ouvi histórias dela, mas jamais pude toca-la nem nada, isso me entristece. E nem ao menos vejo uma foto dela e de meu pai aqui. Você que tem de tudo, sabe de tudo e viveu com seus pais não sabe como isso machuca.
O garoto logo percebeu que havia escolhido as palavras erradas e encarou o chão sem saber o que dizer, nunca foi o melhor com desculpas e não é agora que isso mudaria. Ainda observando o chão ouviu barulhos altos e um em destaque de algo caindo no chão, olhou para frente e viu Alisha segurando uma foto pequena.
Nikolai: O que é isso?
Alisha: Bom...eles se parecem com seu pai e sua mãe hehe.
A garota realmente era inácreditável, ele podia ter sido o quão grosso pudesse que ela faria o impossivel para agrada-lo e ela sempre conseguia. Maldita metidinha a depressiva que tanto amava.
Nikolai: Obrigado por tudo sua idiota, valeu por me apoiar.
Alisha: Para de ser meloso e olha logo na foto seu idiota, e depois eu sou a depressiva que sai chorando por ai e querendo cortar os pulsos.
O garoto agarrou a foto e a observou, sorrindo que nem idiota, era outra foto que havia na casa de sua mãe adotiva. Ela dizia que os amigos da foto quiseram matá-la por tirar a foto sem saberem, mas no final acabaram rindo e pegando uma cópia da foto.
Ele riu imaginando com os dois devem ter ficado furiosos com isso, mas no final percebeu que deviam ser ótimas pessoas, para não terem surtado por anos por causa disso. Ao virar a foto esta escrito o seguinte:
“Desculpa por ter tirado a foto num momento tão inconveniente, mas não pude perder a oportunidade. Amo vocês dois, e parabéns pelo casamento hehe. Amei terem nos convidado para a lua de mel ♥”
Alisha: Como assim? Meu deus quem diabos convida outras pessoas para a lua de mel?
Nikolai: Bom, acho que quando lermos tudo nós vamos descobrir qualé que é dessa história. – O garoto riu e se deu conta de que ainda estava com o quadro nas mãos. – E alias vou colocar esse quadro de volta na parede.
Ao caminhar até a parede em que estava o quadro viu que embaixo do prego que sustenta o quadro estava escrito em letras garrafais:
“Te amo sua desgraçada, você é a melhor coisa que já me aconteceu ♥ Ass: Vladmir
Te amo seu retardo, você é um baita dum idiota, mas é meu idiota ♥ Ass: Freya”
Alisha: Freya, que nome lindo hein, seus avós tiveram bom gosto.
Nikolai: A letra dela é linda, meu pai estava certo. E ei Alisha, isso é incrivel.
Alisha: O que é incrivel?
Nikolai: Como eles se amam, sei que é ruim julgar sem saber a história, meu pai matou minha mãe mas ainda sim sinto que ele tinha motivos, e que ela lhe agradece por isso. Eles parecem se amar tanto, ainda que talvez não estejam mais aqui, sei que seja no céu ou em outra vida eles irão se reencontrar e se amar de novo. É esquisito dizer isso, mas de tudo o que já ouvi e que vejo aqui, é como se fosse uma história única, sobre um amor verdadeiro e incrivel, e isso é lindo Alisha. Talvez a realidade seja bem diferente do que estou imaginando, mas espero que cumpra com minhas expectativas.
Alisha: Nikolai, ele matou sua mãe, pare de sonhar! – A garota se exaltou em ódio. – Odeio lembrar que você viveu a vida toda chorando sozinho por sua mãe estar morta, você viveu amaldiçoando quem é que a matou, caso ela tivesse sido assassinada. E agora me diz que esse homem que a matou a amava? Não brinque comigo, ele é um assassino.
Nikolai: Alisha saiba de uma coisa, quando você realmente ama alguém do fundo do seu coração, é necessário machucar essa pessoa em alguns momentos. Se eu fosse sei lá um terrorista e eu te amasse do fundo do coração, iria machucar seu coração e a mandar para longe de mim, pois não guentaria ver você me amar mesmo sabendo que talvez no dia seguinte eu seja executado, eu esteja na prisão, ou seja, chamado de monstro, eu desistiria de minha felicidade por você entende.
Alisha: Mas ainda sim isso não foi só um coração partido, foi assassinato Nikolai! – A cada palavra a garota estava mais estressada.
Nikolai: Se eu tivesse cancêr Alisha, e estivesse morrendo e perdendo o sentido da minha vida, vendo as pessoas se prenderem a mim, eu me lamentaria pela minha vida toda, pois além de perder o que sempre foi meu objetivo, a liberdade, eu ainda estaria impedindo as pessoas de cortarem relações comigo, pois eu ainda demoraria um pouco a morrer. Eu odiaria que elas me vissem em estado terminal, eu iria me amaldiçoar para sempre por fazer minha irmãzinha me ver desse jeito. Se você tivesse como me matar e dar um jeito em tudo isso, dar as pessoas a chance de me verem por último como um garoto que ainda pode sorrir, e me poupar de todo o sofrimento, o que você faria? – A garota se manteve em silêncio diante da questão, estava sem argumentos. — É assim que as coisas são Alisha, o amor pode ser fatal, mas ei vem cá e me da um abraço, relaxa ta sua metidinha a depressiva.
E foi isso que ela fez, o abraçou e então os dois já estavam em paz novamente, como era de se esperar e melhores amigos.
Alisha: Agora vamos parar com toda essa melosidade e abre logo esse diário que estou curiosa demais homem!
Nikolai riu e o fez, pegou o diário e os dois se sentaram no chão mesmo, um ao lado do outro ansiosos para saber a história por trás das origens de Nikolai, ambos ansiosos abriram o diário que era bem simples, mas com a primeira folha já toda escrita numa letra muito...eles tem que admitir que linda. E então começaram sua leitura silenciosa com seus olhos atentos. Mesmo que Alisha não seja ligada a Nikolai por sangue, quando soube que alguém poderia vir nessa viagem com ele, o mesmo a escolheu pois sabe que se pode dividir algo com alguém, esse alguém é Alisha, sua melhor amiga e a pessoa mais incrivel que já conheceu. Os dois trocaram um olhar breve, que iria significar o inicio de outra história, mas isso fica para depois, voltando ao diário.
“15 de abril de 1978,
Eu acordei hoje imaginando que seria um dia inovador, sabe aquela sensação estranha de que algo vai mudar o rumo da sua vida? Eu estou com ela e isso é definitivamente muito revigorante. Mas infelizmente meu dia começou mal e eu já acabei tropeçando e caindo de cara no chão e ouvindo xingos do meu companheiro de quarto, Frehat, o cara mal acordou como eu, e já vem xingando (bom, melhor do que acordar tropeçando.), mas logo eu e ele tivemos um de nossos momentos incríveis em que basicamente usamos telepatia – risos.
Olhamos para o relógio com os olhos esbugalhados, estávamos atrasados pra caralho, e isso não é algo bom, pois hoje teríamos aula com a professora demônia Prada, o nome mais esquisito que já vi mas melhor nem comentar.
Eu e Frehat viemos correndo para a escola, melhor nem comentar sobre os tropeços, xingos e trapalhadas do caminho. Nossa sala fica no segundo andar, e isso nos fez enfrentar a ‘hora do rush’ escolar, é um sofrimento sem descrições para chegar à sala, isso porque eu e Frehat somos quase reis da escola, eu imagino então aqueles que não são temidos como nós na escola. Sim, nós somos incríveis. Nós somos leão e dragão.
Ao chegar a minha sala dei de cara com o lugar vazio, sinal de que chegamos adiantados, mas provavelmente em alguns poucos minutos a sala já enchia, esse povo daqui ama ficar só transitando no corredor e conversando com os amigos. E Frehat foi fazer isso, voltando ao corredor maligno que te deixa espremido que nem sardinha, mas quase toda a escola ama. E eu fiquei lá no meu lugar de sempre, última carteira do lado da janela, sei que é clichê até mas eu amo esse lugar, é o melhor para dormir.
Enquanto estava imerso em meus devaneios ouvindo uma música pelo meu walkman, que era quase um artigo de luxo, havia conseguido de uma tia minha que veio do exterior, e isso é definitivamente uma criação alada, eu estava olhando para a janela e vi uma imagem nova, nunca havia visto aquele ser pela escola, e acredite, eu acho que consigo contar nos dedos quantas pessoas ruivas tem na escola, e aquela não era uma dessas pessoas. Era uma garota ruiva totalmente deslocada em meio a aqueles uniformes brancos com algumas variações de cores, que depois comento sobre isso dos uniformes e de dragão e leão e outras coisas. Mas agora estava mais preocupado em encarar a garota, enquanto aquele sentimento que estava quando acordei só aumentava.
Mas agora vou indo, a professora Prada está a dois minutos de chegar, e sem perceber a sala já estava lotada, faltando só algumas pessoas.
Nossa aula foi definitivamente uma das mais tediosas do ano até hoje, a professora Prada pelo que eu entendi estava doente de alguma coisa que não me pareceu muito importante de fazer parte de minha memória incrível. Uma coisa que acho bom comentar desde já, eu estou escrevendo esse diário, pois acho que seria incrível se sei lá, 60 anos no futuro alguém achasse e o lê-se sobre a minha vida e pensasse ‘uol como isso é legal!’.
Mas ainda com tudo acontecendo aquela garota não saia da minha mente e estava começando a ficar perturbado com isso, pois era algo estranho ver caras novas depois que o ano letivo começa já que essas pessoas são transferidas para essa escola sob circunstancias especiais e além de tudo são apresentadas a mim, Frehat, Thay, Carla e Dakota, pois nós iremos avaliá-las e decidir em que dormitório irão residir. Mas essa garota não nos foi apresentada, mas é melhor não ficar pensando nessas coisas e só ir pegar meu almoço antes que eu fique sem, pois mesmo sendo incrível como sou ainda sim não sobrevivo sem me alimentar. Quando cheguei ao refeitório logo se iniciou uma conversa entre os mais populares, incluindo eu.
Thay: Caras, é sério, puta merda o diretor é muito incrível, estou seriamente cogitando a idéia de dar para ele, Vladmir você que é quase o filho dele acha que é uma boa idéia?
Eu: Não, não e não, acredite você estará ferrado se fizer isso, se você acha que a Carla é meio hardcore, aquele cara me fazia ouvir gritos toda noite. Você não está preparado para isso japa.
Thay: E você não está preparado para conhecer a ruivinha ainda ‘Dragãozinho’. Alias que bonitinho você encarando ela pela janela com aquele olhar de curiosidade.
Eu: Como você sabe disso?
Thay: Oh pobre Vladmir, não conhece o amigo que tem? Eu sei de tudo meu jovem.
Eu: Então me diga quem é a ruivinha!
Thay: Ta, eu sei de quase tudo.
E foi assim que pensei que jamais descobriria quem é a mesma já que o Thay que era o cara que sabia de tudo que acontecia na escola, não sabia quem era ela. Até a Flame chegar com uma ótima novidade.
Flame: Quando você diz ruiva, você quer dizer esta daqui?
Flame me entregou uma foto que fez meus olhos brilharem em êxtase de tanta alegria, pelo menos sabia que a garota existia.
Flame Nervaill é a garota que basicamente tem tudo registrado em fotos, todos os estudantes, brigas, prêmios, eventos, quase tudo esta registrado em seus inúmeros rolos de foto.
Antes mesmo que pudesse chegar a demonstrar minha alegria, Frehat tirou a foto de minhas mãos e a encarou surpreso e de boca aberta.
Thay: Você conhece essa garota Frehat?
Frehat: Claro!
Eu: Qual é o nome dela? Onde ela estuda? De onde ela vem?
Eu estava em choque, pois finalmente descobriria tudo sobre ela, sei que é esquisito, mas a sensação de não conhecer essa garota me fazia sentir inferior, pois como um dragão eu devia conhecer a todos.
Frehat: O nome dela é Freya Von Hauser, e ela é minha irmã!
Eu: O que? O que ela está fazendo aqui?
Frehat: Sei lá, mas acho que isso só pode significar que essa bastarda conseguiu!
Eu: Conseguiu o que? – Frehat ficou em silêncio por um tempo. — Cacete desembucha logo!
A essa altura do campeonato o refeitório todo parou só para prestar atenção na conversa.
Frehat: O trono do lobo, pronto falei, agora podemos voltar para a parte em que vamos almoçar simpaticamente?
Tá, isso foi um choque para todos no recinto, acho que já é hora de explicar como as coisas funcionam por aqui e onde estamos.
Pra começo de conversa estamos num internato na Califórnia para jovens ricos e problemáticos e acreditem ou não, em sua maioria ricos, garotos e garotas abandonados por tudo e jogados aqui. Alguns como eu cresceram aqui, começaram lá na quinta série e já estão na faculdade daqui. Somos divididos em três, a faculdade, o ensino médio e o fundamental. Além disso somos divididos em outros cinco que são os dormitórios:
Dragões, Leões, Corujas, Veados e os Pássaros.
Isso até agora é o maximo que vou falar mas depois explico mais detalhadamente essas coisas, no momento toda a minha atenção estava focada em Frehat.
Thay: Sei que é estranho, mas me conte mais sobre isso Frehat, estou curioso.
Tá isso sim é um milagre, o cara que sabe de tudo que acontece na escola estar curioso.
Frehat: A minha irmã é uma pessoa instável entende por isso ela recebeu o apelido de LDC, Lobo Duas Caras, e muitos outros sabem, ela é a típica garota que é de bem com a vida, mas ultimamente isso vem mudando a ponto de mudar de ‘geniazinha popular’ para ‘suspeita de assassinato em série’ e as coisas só vão piorando e pelo jeito meu avô a colocou aqui a força.
Eu: E porque ela mudou tanto?
Frehat: Isso eu não sei muito bem, só me contaram que ela viu pessoas morrerem e depois fecharam a boca. Então me façam um imenso favor e não mexam com ela nem nada, evitem chegar perto dela se possível.
O resto do dia não sei explicar como foi, pois bem, voltei ao meu dormitório e tirei um cochilo demorado enquanto pensava sobre aquela garota, desde que Frehat me falou sobre ela venho com um pensamento de que a conheço de algum lugar sabe, como se compartilhássemos algo e... Ta parei to passando tempo demais com o Thay.
Boa noite.
16 de abril de 1978,
Acordei já devia ser coisa de três da manhã e não conseguia sequer fechar os olhos, é como se eu tivesse tomado sei lá, litros e mais litros de café. Frehat não estava em sua cama como de costume nessa noite, esse cara dorme em tudo quanto é canto, e lá pras seis ou sete da manhã ele resolve dar as caras aqui. A verdade sobre o Frehat é que ele não é meu companheiro de quarto e alem de tudo ainda está no dormitório errado, mas é legal aturar ele então nem ligo, fora que o fato de ele ser o líder dos Leões não ajudou na hora da escolha do companheiro de quarto e o dele é um pé no saco, o garoto é um doido perfeccionista que quis arrumar meu quarto.
Não lembro muito bem o que aconteceu, mas em suma eu duvidei quando o Frehat disse que o novo companheiro de quarto dele é um doido varrido e ele falou que ia convidar o garoto para passar uma noite no meu quarto, eu obviamente aceitei pensando ser só um exagero da parte de Frehat, e acontece que eu estava enganado e o garoto era doido.
Uma coisa sobre mim é que se não consigo dormir eu passeio pelo campus e observo as construções antigas da nossa escola. E foi exatamente isso que fui fazer, vestindo um pijama pois sei que apenas eu e algum garotos e garotas frequentam o campus, e eles costumam estar chapados demais para pensar em algo como ‘olha só, ele está vestindo uma samba canção’. E nisso adentrei o dormitório que eu costumava frequentar quando tinha por volta de 16 anos e era meu lugar favorito até ser fechado por ser uma desordem total já que pessoas como eu, Frehat, Carla e muitos outros fizemos daquilo um inferno, aquelas foram definitivamente bons tempos que ainda hoje me fazem sorrir.
Enquanto passeava pela construção pensava em cada momento feliz que já passei lá, e como o lugar ainda é bem cuidado mesmo tendo sido abandonado a seis anos. Cada mobília, quadro quebrado, pôster rasgado, até mesmo algumas garrafas de vinho permanecem no mesmo lugar como se o dormitório tivesse sido fechado a poucos minutos.
Enquanto subia as escadas para o térreo, decidindo deixar a nostalgia para depois e nesse momento só sentir o ar e pensar na vida, e isso inclui a irmã de Frehat que neste momento esta na minha frente, assim como eu esta apoiada nos murinhos do térreo com um olhar pensativo, e então percebi que ela também estava ouvindo música, havia um rádio onde estava tocando Hit the Road Jack, bom pelo menos me certifiquei de uma coisa, ela parece ter bom gosto.
Eu: Olá. – Eu falei tentando ser simpático, acenando minha mão em direção a ela e mantendo uma distancia considerável.
Freya: Oh meu Deus, não havia visto você ai. Alias quem é você?
Eu: Desculpe ser inconveniente senhorita, mas a vi aqui e fiquei curioso, nunca havia visto você por aqui.
Freya: Ah me desculpe, vou me apresentar, meu nome é Freya Von Hauser e sou nova aqui, cheguei ontem e o diretor ia me apresentar para a escola mas eu estava muito cansada da viagem que fiz para cá, e acabou ficando para outro dia a apresentação. E quem é você?
Eu: Meu nome é Vladmir Kaiser, sou do dormitório dos Dragões, e o que você faz aqui senhorita?
Freya: A partir da semana que vem esse dormitório vai ser reaberto e eu vou morar nele, então o diretor já me deixou aqui, de onde você é Vladmir? Pelo sotaque chuto que é da Itália.
Eu: Sim sim, e você eu julgo ser da Rússia pelo seu ‘r’ puxado – risos.- mas como assim vai ser reaberto? Não ouvi falar sobre isso.
Freya: Era para ser uma surpresa e tal, então finja que não ouviu nada e quando o diretor contar faça uma cara de surpreso.
Ambos nos olhamos e começamos a rir que nem idiota, não entendo porque diabo Frehat quis me impedir de conhecer ela, é tão maravilhosa e encantadora.
Freya: Alias você conhece meu irmão Frehat? Era preciso falar com ele, mas esse lugar é gigante e confuso, e as pessoas parecem intimidadoras demais e me da medo de perguntar.
Eu: Claro que conheço, ele é meu companheiro de quarto haha, alias ele me falou de você Freya, ele costuma dormir no meu quarto então qualquer coisa é só ir lá qualquer dia, eu fico no quarto 457 do dormitório dos Dragões.
Freya: Farei isso o mais rápido possivel, alias já que parece ser uma ótima pessoa e é bem grande você poderia me ajudar a mover algumas caixas no dormitório e arrumar algumas coisas?
Eu poderia sim recusar, tinha todos os motivos já que além de ser uma completa estranha a garota ainda era considerada perigosa, mas no momento eu estava pouco me fodendo e resolvi ajudar e saber mais sobre ela. E sim, eu sou grande e ela é quase um ratinho perto de mim, eu tenho um metro e oitenta e seis, ela deve ter por volta de no máximo um metro e sessenta e cinco.
O jeito que ela andava e o seu olhar me fizeram pensar que ela realmente se encaixava no titulo de Loba, e isso fez com que uma pergunta me viesse a mente e eu infelizmente acabei soltando ela.
Eu: Alias, por que seu apelido é Loba-Duas-Caras?
Freya: Ah sei lá, só me apelidaram assim e eu jamais entendi, mas não é o meu apelido mais conhecido digamos assim, o meu mais conhecido é bem mais simples.
Eu: Qual é?
Freya: A Loba/The She-Wolf.
Era certamente um apelido que condizia muito bem com o seu jeito, simplório e fatal como uma loba, não é nenhum animal que se destaca mas ainda sim é mortal e isso me maravilhou nela, e me fez soltar um riso abafado.
Freya: Porque está rindo?
Eu: Certamente, é um ótimo apelido que se encaixa bem em você, mas me parece que seu tempo já se foi, você parece indefesa demais para ser perigosa gatinha.
Certamente aquela garota não era nem metade do que seu irmão dizia, ela era pequena, magricela e com um leve ar fatal, mas leve demais para ser algo. Mas eu certamente me enganei e a resposta veio em seguida a minha frase, o soco que ganhei foi certeiro e doeu demais a ponto de eu cambalear para trás e sentir minha cabeça arder, mesmo tomando inúmeros socos a minha vida toda esse foi o único que me fez tremer, e minha visão embaçou e meus sentindos se aguçaram, e eu juro ter sentido um tipo de selvageria vindo da direção dela e quando minha visão se normalizou pude ver seus olhos brilhando, me dando muito medo, essa garota é insana.
Freya: O lobo pode perder os dentes, porém sua natureza jamais.
“De volta ao presente.
Alisha e Nikolai estavam pensando em como aquilo era confuso até que ao olharem para a frente eles viram algo que não tinham notado, uma caixa muito bem cuidada, ao se aproximar e pegar a caixa viram que a mesma era muito pesada e parecia ser feita de vidro, e diferente de tudo lá a mesma tinha um frio que se destacava, embrulhada em um papel negro e elegante, acima havia um bilhete escrito:
‘A cabeça da loba. Só abra depois que ler o diário. ’
Aquilo era certamente estranho e despertava uma enorme curiosidade, mas eles deixaram para lá, preferiram seguir o que o bilhete dizia e terminar de ler o diário. Mas então Nikolai notou que na outra extremidade do porão havia outra caixa, e quando a pegaram ela era igual a outra, mas com outro bilhete.
‘O que o dragão ouviu. Abra agora.’
Quando Alisha e Nikolai abriram havia duas fitas VHS e no verso da primeira estava escrito ‘A queda’ e na segunda estava escrita ‘The Funeral’. Colocaram a primeira fita no walkman que tinha na mesa e começaram a ouvir.
Era tudo uma gritaria frenética e alguns sons de bala, no fundo podiam-se ouvir pessoas urrando de dor e outros gritando algo como ‘Segure-a Vladmir! Segure! Nós já estamos chegando ai!’ e o som das balas começava a aumentar cada vez mais, o som de algo cortando, de choro, era como assistir um áudio gravado em uma guerra. Ele se perguntava quando aquela fita iria acabar, pois era tudo tão agonizante, até que acabou a fita com uma voz baixa dizendo ‘Eu te amo Freya, me desculpe’.
Já a segunda fita era uma música calma e melancólica, que parecia ser acompanhada pela chuva, tudo calma e algumas palavras eram ditas, mas pareciam ser carregadas junto a chuva para as profundezas da terra, e tudo se tornou um completo desconhecido.
Aquilo tudo era muito estranho, as caixas apareceram do nada como se fosse algum tipo de mágica, os dois podiam jurar que aquelas caixas não estavam lá antes. Mas resolveram ignorar pois a curiosidade em terminar de ler o diário falou mais alto.”
Continua...
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