Intocáveis

3 A Ovelha


Notas iniciais
Desculpa a imensa demora meu deus, a inspiração simplesmente não vinha e quando vinha...era para capítulos futuros ai ferrou né. Mas ai está o novo capítulo hehe :) Espero que apreciem.

Capítulo 2 – A ovelha

Mesmo após ter recebido aquele soco que devia me deixar irado, eu apenas ri e a encarei com certo desafio nos olhos e ela retribuiu. Mas agora não era hora para isso e o mais importante era que eu deveria tentar descobrir mais sobre ela e o que significa isso do dormitório do Lobo estar de volta.

Freya: Ei, vamos lá, me ajuda está bem, eu agradeço -risos.

Eu: Okay, okay, eu ajudo mas só se você me prometer uma coisa.

Freya: Vish, que coisa cara?

Eu: Conte-me um pouco mais sobre você.

Freya: Fechado, mas ai você me conta um pouco sobre a escola e essas coisas.

Eu: Fechado.

E foi assim nossa noite, divagando sobre coisas idiotas enquanto fumávamos alguns cigarros, arrumávamos algumas caixas e então tomávamos um gole de uma bebida que achamos na casa. Conforme o tempo passava mais coisas eu ia descobrindo, e mais fascinado eu ficava, caralho essa garota é louca!

Eu descobri que ela tem dezesseis anos, já foi expulsa de oito escolas e já se mudou de quatro, é filha de um casal que tem alguma ligação com armas, eita essa garota é perigosa! E sim, eu convivo com Frehat faz uns oito anos e não fazia a mínima idéia de que seus pais estavam ligados a armas, me senti uma merda de amigo agora hein, puta que pariu.

Eu: Me diz uma coisa que agora bateu uma puta curiosidade, como você foi aceita em tanta escola sendo expulsa tão freneticamente?

Freya: Meus pais são ricos, se bobear conseguiria entrar até naquelas escolas para esses filhinhos de papai dóceis, amáveis e com fama de perfeitinhos.

Eu: Nossa, é difícil até imaginar a última vez que estive em uma escola que não seja essa, faz sei lá, uns dez anos.

Freya: Porra, quantos anos você tem?

Eu: Vinte e quatro, mas eu sei que parece que tenho menos, nem precisa comentar, pois já recebo elogios demais sobre isso ta bom.

Freya: Olha lá, a pessoa nem se gaba demais hein, tá se achando a última bolacha do pacote rapaz? Pois ai está seu erro, você é no máximo é aquele do meio que a gente come pensando ‘meu deus que saco, quero chegar logo na última’.

Eu: Puta merda, dá um desconto cara, eu tenho vinte e quatro com cara de uns dezoito, deixa eu me achar piveta!

Freya: Tá me chamando de piveta é? Eu tenho dezesseis, velho desgraçado!

E bom, ficamos nessa briga estúpida e engraçada por mais uns minutos até eu tomar um baita dum tombo enquanto carregava uma caixa, e bom... o engraçado foi que eu tropecei numa camisinha e por algum motivo insano da física ela voou na minha cara e Freya começou a rir tipo assim, demais mesmo, e a risada dela é escrota demais. Sério, ela ri parecendo um vilão de desenho animado com algum tipo de problema pra respirar, ai ela ri meio maleficamente e tosse, recupera o ar e tudo isso enquanto ri, sério, é medonho.

Freya: Qualé a dessa cara assustada cara?

Eu: Nossa você falou cara duas vezes cara, mas então, é porque sua risada é escrota demais.

Freya: Por que você me chamou de cara se eu não sou um cara? E minha risada não é escrota, só é diferente.

Eu: Diferente é a minha risada, que eu pareço um cu de pessoa quando do risada, sério, parece até que sou um intragável chato demais. E sei lá, do que eu posso te chamar fora de cara, cara?

Freya: Ta, sério, para cara, meu cérebro já não ta mais acompanhando cara. Mas pode me chamar de Freya mesmo, e do que eu posso te chamar?

Eu: Ta bom, vou te chamar de loba e você pode me chamar de qualquer coisa que quiser, alías seu nome completo é só Freya VonHauser?

Freya: Sim, e o seu é só Vladmir Kaiser?

Eu: Na verdade é Vladmir Pallaci Van Kaiser, é longo demais então eu falo só Vladmir Kaiser.

Freya: Vou te chamar de Pallaci a partir de agora, imagina que louco se alguém morar em você?

Eu: Como assim?

Freya: Pallaci me lembra palácio, e pessoas moram em palácios.

Eu: Não não, chinelos moram em palácios.

E digamos que isso continuou por mais horas e horas de pura idiotice e infantilidade, até arrumarmos toda a sala do lugar só faltando a cozinha, os quartos, os banheiros, o porão, o sótão, a sala de jantar, a sala de lazer e o armazém que fica atrás do prédio em que estamos.

Eu: Por que caralho o nosso amado diretor quis que você sozinha viesse arrumar esse lugar sendo que ele é rico e pode contratar alguém?

Freya: Porque eu quis arrumar sozinha, pra conhecer melhor o lugar sem ninguém transitando por ele nem nada do tipo.

Eu: Mas então por que diabos você pediu minha ajuda se não quer ninguém transitando por aqui? Você é retardada?

Freya: É porque eu senti que você conhecia esse lugar muito bem, e achei bom ter a sua ajuda.

Eu: Como você sabe que eu conheço esse lugar muito bem?

Eu olhei hiper mega assustado pra ela pensando ‘Thay com peitos?’, e ela deu uma gargalhada escrota que eu não entendi na hora, mas só depois fui reparar que na parede da cozinha do dormitório tinha uma foto minha com a Carla e o Pedro.

Freya: Velho, eu to com um sono da porra e to indo dormir, porque ainda tenho que arrumar essas porras desses outros cômodos, e isso vai ser difícil demais, e to exausta e eu acho que eu perdi meu óculos.

Eu: Mas desde que cheguei aqui eu não te vi de óculos, e alias se quiser amanhã eu venho te ajudar a arrumar as coisas, to com vontade de faltar nas aulas mesmo, e se quiser trago alguns amigos pra ajudar também, quem sabe terminemos antes do diretor falar que vai reabrir essa bagaça de delicia de dormitório.

Freya: Nossa cara iria ajudar demais, eu sei que sou forte demais e tudo mais né, afinal, vai dizer que não pareço com uma lutadora profissional?

Eu: Não. Você é uma pintora de rodapé garota, claro que não parece, alias você trabalha com o Papai Noel né?

Freya: Ta, eu sei que sou baixa e tals, mas mesmo assim você tomou um baita soco de mim hein cara. E não, não trabalho, por quê?

Eu: Porque você é um duende. – resolvi ignorar o comentário sobre o soco, chegou a ser constrangedor relembrar que tomei um soco bem no meio da fuça.

Freya: Nossa cara se mata cara.

E novamente começamos a dizer ‘cara’ que nem dois retardados, e eu comecei a rir, o que fez com que Freya me olhasse com uma cara abismada.

Freya: Isso sim é medonho, você não sabe rir com entusiasmo cara, isso é medonho demais velho.

Sim, eu não sei rir com entusiasmo por algum motivo insano da criação, sempre que vou rir parece que estou sendo sarcástico e isso já me rendeu várias brigas.

Freya: Agora vai lá cara, e valeu ai pela ajuda sr.estranho que no começo era estranho mas agora já é mais conhecido e não me contou quase porra nenhuma sobre a escola, mas como me ajudou na mudança vou ignorar isso e deixar para outra vez, do vstrechi.

Eu: O que diabos é isso?

Freya: É até o próximo encontro em russo.

Eu: Atá..Arriverderci! –eu fiquei encarando ela esperando ela perguntar o que isso queria dizer mas ela só continuou me encarando. – Não vai perguntar o que significa?

Freya: Não, eu falo italiano.

E ela bateu a porta na minha cara e eu pude ouvir sua gargalhada e um comentário numa língua desconhecida, mas que me pareceu muito desagradável e debochado.

Enquanto estava voltando para o meu dormitório dei de cara com Dakota me encarando com piedade nos olhos, ela parecia murmurar algo que não pude ouvir e depois desviou o olhar, e começou a caminhar para o dormitório dos Lobos.

Abriu as portas e entrou, é assim que Dakota Maquiavélle sempre agiu, ela pode abrir qualquer porta que se imagine e é por isso que está aqui. Invadiu arquivos secretos do governo e como ‘castigo’ está aqui faz uns 12 anos. Às vezes eu fico me perguntando quais são seus motivos, mas acho que vai demorar a descobrir, Dakota gosta de ser misteriosa.

Quando eu olhei para longe vi que Dakota conversava com Freya e aquilo me deu medo, mal conheço Freya, mas não quero imaginar o horror que seria ela e Dakota juntas, mas ignorei e voltei a andar.

Quando percebi que estava sem sono e com tédio, eu fui visitar a Carla. Carla é apenas uma estudante nem um pouco pacifica, ela já foi líder dos Leões, mas se cansou já que quando se é um líder você precisa seguir algumas regras digamos assim.

Bom, agora vou detalhar isso dos dormitórios. É o seguinte, nós somos divididos em cinco.

O dormitório do Dragão é para onde vão alunos perigosos e descontrolados, em sua maioria aquele tipo que se alguém esbarrar já parte pro soco, e eu sou o líder desse dormitório. A cor do nosso uniforme é branco e vermelho.

O dormitório do Leão é para onde vão alunos que costumam praticar bullyng, os típicos populares das escolas normais, eles são os ‘reis’ e são fortes e inteligentes, em sua maioria tem boa aparência ou pais ricos, ou os dois, Frehat Von Hauser é o líder deles. A cor do uniforme é branco e amarelo.

O dormitório do Veado é um tipo especial de dormitório, é o único que age totalmente sobre as ordens do diretor, são alunos que tem grande facilidade em saber das coisas, é basicamente um dormitório de fofoqueiros e seu líder é Thay Shibuya. A cor do uniforme é branco e verde.

O dormitório da Coruja é bem fácil de explicar, é para onde vão os alunos excepcionalmente inteligentes que deixam várias pessoas no chinelo e sua líder é Dakota Maquiavélle. A cor do uniforme é branco e azul.

O dormitório dos Pássaros é para onde os alunos que costumam ser mandados para cá em grupos vão, eles só agem em times e sua líder é Park Jin. A cor do uniforme é branco e cinza.

Agora sobre o dormitório do Lobo, costumava ser para onde alunos que tinham forte envolvimento com crimes bem perigosos para o governo iam, eu, por exemplo, tive a infelicidade de ser descoberto enquanto roubava arquivos secretos e batia em algumas pessoas importantes, mas quero deixar isso para contar depois. O dormitório foi fechado já que descobriram que juntar pessoas extremamente ‘barraqueiras’ não foi a melhor idéia.

A regra que fez Carla desistir de seu posto de rainha da escola foi ‘Não bata nos membros do seu dormitório, a menos que aja uma justificativa razoável’, o problema é que ela gosta de bater e pressionar os outros mentalmente sem motivos.

Quando bati na porta do seu quarto ela me atendeu na hora, aparecendo na minha frente com um sorriso malvado que me fez pensar ‘ai tem merda’.

Carla: Bom dia meu dragãozinho favorito.

Eu: Carla, já é de madrugada.

Carla: E daí? Se eu quiser que seja dia, vai ser dia.

E ela nunca para com essa mania de se achar a dona da razão, mas não a culpo, ela teve uma vida bem perturbada. Ela me contou a uns três anos atrás porque é assim e admito que, até eu seria assim se tivesse passado pela mesma situação. Querendo ou não ela viveu em um jogo de poder por toda sua infância, com pais que só mostravam a ela que poder é tudo, e a deixou assim, uma pessoa fria que talvez vá morrer sozinha. Carla é uma ótima pessoa mesmo com os vários defeitos, a instabilidade que faz as pessoas se afastarem dela eu acho que a deixa mais divertida, somos dois idiotas fazer o que.

Eu: Posso entrar? – fui direto como sempre.

Carla: Claro, entra ai e ignora a bagunça, quer uma cerveja?

Eu: Claro que quero, não sei nem porque você ainda pergunta hein.

Quando eu entrei dei de cara com o quarto da Carla como sempre, com uma garota na cozinha enrolada num lençol e o lugar desarrumado.

Eu: A noite foi boa?

Carla: Claro que foi, olhe para essas curvas.

Eu ouvi um grito vindo da garota, mas a mesma pareceu nem se mexer.

Carla: O que aconteceu para você estar aqui a essa hora?

Eu: Eu conheci uma garota que está me deixando curioso demais, cara você tem que ver ela, ela é incrível e puta merda, forte demais hein.

Carla: Sério cara? Não é a tal da garota que estão todos falando?

Eu: Como assim ta todo mundo falando dela? Isso é estranho já ontem no refeitório só o Thay e a Flame sabiam da existência dela.

Carla: Tem um boato correndo por ai, já que um aluno qualquer viu ela falando com um garoto, e esse garoto sumiu faz umas horas e nem o Thay sabe onde ele ta.

Eu: Ah nem me importo, mas alias amanhã você quer ir comigo ajudar ela a arrumar o dormitório dos Lobos.

Carla: Okay, eu vou.

O bom da Carla é que mesmo ela se achando a dona da razão, ela não fica perguntando sobre tudo e se deixa na curiosidade, o que poupa vários minutos de explicação, ela acha que seu tempo é precioso demais para ser desperdiçado com explicações.

Após conversarmos um pouco sobre algumas idiotices ela me serviu um pedaço de pizza e uma cerveja, e ficamos lá comendo e jogando conversa fora.

Não tem nem muito que dizer sobre nossas conversas, foram sobre como estão nossos relacionamentos e ela fez várias brincadeiras com o fato de eu estar escrevendo um diário e me chamou de vadiazinha.

Após a garota com quem ela estava transando começar a surtar por algum motivo e então nós sairmos vazados do quarto dela e irmos passear no pátio, de forma descompromissada e apenas rindo que nem idiotas, lembrando que ambos estamos de pijamas. Mas acho que não comentei que ela estava de pijama...ah tanto faz.

Não sei nem exatamente como descrever o que achamos no pátio, é algo que achávamos as vezes, ossos. Não de humanos, assim eu espero, mas de animais. Existem alguns cachorros na área, e temos um estudante com alguns problemas que as vezes gosta de digamos que, decepar animais, a nossa sorte é que são só animais e não humanos. Existem todos os tipos de pessoas na nossa escola, é bastante estranho conviver com elas no começo, mas depois você percebe que tem problemas como qualquer uma.

O osso era diferente do habitual, tinha alguns restos de carne nele, mas nem ligamos e o jogamos longe, não estávamos com animo para reportar isso o Thay ou qualquer outro membro dos Veados, quando mais alguém achasse a pessoa que reportasse isso.

Sim, por aqui nós basicamente não nos importamos muito com o que acontece e acho que a única coisa que não temos aqui é um canibal, seria bem medonho, tipo assim, medonho demais. Tem sociopatas, psicopatas, bipolares, e mais algumas coisas que estou com preguiça de lembrar.

Não sei mais o que falar sobre o que fizemos, só algumas piadinhas e apostamos uma corrida e apenas isso, e então Carla se foi já que afinal, ela precisava terminar um trabalho da faculdade e eu fiquei lá zanzando, eu tinha inúmeras coisas para fazer mas no momento andar parecia a mais interessante. E só então parei para me perguntar, o que diabos a Dakota estava fazendo no dormitório dos Lobos.

Acho que amanhã eu pergunto, vai ser bem melhor e mais fácil e quem sabe Freya já tenha ido dormir, nem sei mais que horas são já que agora eu estou deitado na minha cama narrando nesse diário como foi o meu dia, sim minha memória é incrível. Mas continuando, enquanto eu decidia voltar para o meu quarto encontrei no chão do pátio uma foto, vou ter que descrevê-la, pois a mesma saiu voando e caiu no lago, e sim temos um lago na nossa escola.

Mas então, era uma foto de Freya em frente a um tumulo, com um vestido preto e longo, óculos escuros e carregando um buquê de rosas brancas. No verso da foto estava escrito o seguinte ‘Ela não pode ir ao funeral de Raphael, ninguém permitiu.’ Após ler o vento se intensificou e carregou a foto até o fundo do lago, e sem muitas escolhas eu voltei para o meu quarto com várias perguntas na mente.

O que Dakota estava fazendo no dormitório do Lobo, onde está o garoto que sumiu, de que animal era aquele osso, o que aquela foto significava e por que Flame escreveu aquilo. Sim, foi Flame quem escreveu as palavras no verso da foto, reconheço aquela letra feia de longe, sorte a dela que ela prefere registrar em imagens, se fosse por escrito a coisa iria ficar feia.

E acho que a coisa que estava mais me incomodando era o fato de eu saber que conhecia um Raphael, mas não saber quem é. Eu tenho certeza que conheço alguém chamado Raphael, mas como minha memória incrível não está funcionando agora, acho que nunca vou lembrar, então vou fazer uso da força bruta.

Amanhã eu vou falar com o Thay.

Agora eu vou ir dormir que ganho mais, já que amanhã vou ter que ajudar a arrumar o dormitório do Lobo.

Acordei finalmente me livrando daquele pesadelo que me persegue todas as noites, acho que não sou o único ser assombrado pelo passado, já que aqui nessa escola muitos sofrem por isso. Nós que estudamos aqui somos pessoas ruins, alguns já mataram, outros roubaram, espancaram e muitas outras coisas que tenho preguiça de listar, são poucos aqueles seres bondosos nessa escola e normalmente eles se escondem, o que é lógico a se fazer já que são como um pequeno rebanho de ovelhas e o resto da escola é uma matilha de lobos.

Eu lembro que uma vez conheci uma garota assim, ela foi mandada para cá já que seu irmão sociopata quase matou um homem importante, e então ele jogou a culpa na coitadinha, não demorou três meses para ela cometer suicídio aqui. Eu vivo em uma escola peculiar em que pessoas boas são raras, existem sim pessoas boas, Park é uma delas, ela é uma pessoa extremamente gentil que está sempre buscando ajudar os outros, só que se juntar ela com seu grupo a garota vira um demônio, alias ela foi um dos motivos para aquela garota se suicidar, pensando nisso eu esqueci o nome daquela garota.

Era alguma coisa com M, Merlin? Meilin? Mara? Ah, sei lá, algum dia eu lembro, não é como se eu fosse o melhor com nomes, sem ofensas pela coitada morta, mas convenhamos né, ela era só uma aluna entre muitas, não vou me lamentar por uma garota com quem conversei algumas poucas vezes. Não é a primeira que morre nessa escola e duvido que seja a última.

Mas bom ignorando tudo isso eu me arrumei rapidamente e de forma simples, uma calça, camiseta e meu all star que nunca amarro os cadarços dele. Todo mundo olha pra mim como se eu fosse um esquisito por isso, sei lá é meio incomum achar alguém que faz isso, é que meu pé é grande ai nem rola deixar o all star amarrado, mas ignorando isso o meu caminho até o dormitório dos lobos que é a uns 300 metros de distância foi pacifico até, se não contar o fato que o Pedro e o Nathaniel.

Pedro é um dos meus melhores amigos nesse lugar, estudante de ciências, gente boa pra caralho, honesto mas é o cara mais bravo da escola, ele é o mais cabeça quente e em questões de força física um dos mais fortes, o soco dele dói demais. Ele tem 26 anos e é brasileiro e acho que a habilidade mais macabra dele é que ele sai ótimo em qualquer foto, é assustador demais, a Flame tem um ódio mortal porque até hoje nunca tirou uma foto ruim dele.

Nathaniel é o cara que vive arranjando briga, não vou com a cara dele por dois motivos, ele é neo-nazista e não curto essa galera e uma vez ele comprou briga comigo e nós empatamos, sei lá, sou infantil e odeio perder. Fora que ele tem um grupinho digamos assim na escola que é bem perigoso e vive se metendo em briga.

Pedro e Nathaniel se odeiam, já que a irmã caçula do Pedro é negra e Nathaniel quando soube disso resolveu ficar atazanando por causa disso, neo-nazista de merda.

Bom os gritos estavam bem loucos e rolou dois socos do Nathaniel e uns cinco do Pedro e ele estava gritando tipo assim, muito alto mesmo e eu entrei no meio dos dois para parar a briga como sempre.

Pedro: Não se mete nessa merda que é hoje que quebro a cara desse branco de merda.

Nathaniel: Você pode ser branco mas tem a alma de um negro seu babaca.

Pedro: E se eu fosse negro qual seria o problema?

Nisso eu já tinha perdido meus tímpanos e já estava cansado de ser ignorado, eu estava no meio dos dois e parecia que eu era um fantasma.

Eu: Olha aqui Nathaniel se manda desse lugar, eu to sendo legal mesmo você tendo mexido com meu amigo, eu estou te avisando sobre isso.

Quando Nathaniel estava preste a me acertar um soco algo voou nele que depois eu descobri que era uma cadeira, e o pior é que o desgraçado nem moveu um músculo, ou deu um gemido de dor, nada, continuou com cara de filho da puta, sorrindo como se nós fossemos uns idiotas.

E então eu descobri de onde veio a cadeira, ao olhar para trás eu reparei na cor chamativa dos cabelos, eram ruivos, Freya estava atrás dele sorrindo e com os punhos apertados. Só que dessa vez eu percebi algo diferente, um cicatriz enorme em sua perna esquerda, ia do calcanhar e então ia em espiral contornando sua perna e ia até a coxa, no mínimo pelo jeito, não pude ver mais já que ela usava um saia e na outra perna tinha duas cicatrizes que pareciam ser de tiros.

Bom, não sei se quem ler esse diário vai se apegar a detalhes de vestimenta mas vou tentar descrever um pouco, ela estava com uma saia preta e curta, uma regata cinza, algumas pulseiras e um all star preto cano baixo e usava três colares, um com uma cruz, um com uma foice e outro com um lobo, e só então eu vi suas tatuagens, seu corpo tinha várias tatuagens, principalmente nos braços, nas pernas só algumas e parecia ter algumas nas costas também e no peito. Mas só prestei atenção em duas. Uma no pescoço, estava escrito “We’re all mad here” em uma linha reta no lado direito do pescoço, e na coxa estava escrito “Hells is empty and all the devils are here”, mas havia muitas outras mas nem prestei atenção.

Na verdade eu tive que me preocupar mais em tentar parar Nathaniel mas não funcionou, não se passou nem alguns segundos e ele acertou um soco em cheio na cara de Freya, e ela revidou com um chute nas costelas dele e então ele jogou ela no chão mas na hora que foi meter o pé na cara dela, ela chutou o joelho dele de um jeito que ele caiu no chão na hora, mas o filho da puta em momento algum demonstrou dor e nem ela.

Freya: Alias por que vocês estavam brigando?

Nathaniel: Por coisas idiotas.

E ele saiu do refeitório, que era onde estávamos, como se pudesse simplesmente abandonar a briga numa boa e sair andando como se nada tivesse acontecido.

Freya: Cara gente boa.

Pedro: Gente boa o cacete, por mim eu já teria queimado a cara dele inteira, e ele te deu um soco.

Freya: Podia ser pior, ele poderia ter achado que sou frágil, alias eu não devia ter chutado ele, agora minha perna ta doendo, que droga.

Eu: Por que ta doendo?

Freya: É que a um tempo atrás eu tomei dois tiros numa perna, e fui esfaqueado por um maluco na outra perna, e quando uso elas demais, elas ficam doendo, tipo, eu ando normal e corro de vez em quando, mas elas doem bastante até. E alias quem é você? – E apontou para Pedro.

Pedro: Ah, esqueci de me apresentar, sou Pedro de Moraes, muito prazer e você deve ser Freya correto? Ouvi falar muito de você, bem e mal.

Freya: Ah...legal te conhecer. E quem era aquela cara?

Eu: O nome dele é Nathaniel, líder do grupo dos neo nazistas da escola, melhor não mexer com ele, o cara é bem casca grossa, acho que ninguém nunca conseguiu derrotar o cara, ele é simplesmente insano, já queimaram o braço dele e o infeliz continuou com essa cara de foda-se.

Freya: Isso é bem legal, algum dia eu entro numa briga com ele.

Eu: Provavelmente você vai sair bem machucada hein.

Freya: Ei baby, eu sou intocável, ninguém jamais vai me alcançar.

Eu: Que coisa estranha de se dizer, mas acredite nessa escola você provavelmente não vai durar tanto tempo.

Freya: Então está apostado, se eu continuar numa boa mesmo arranjando pelo menos duas brigas por semana, você vai ter que...

Pedro: Dançar num pole dance ao melhor estilo vadia, cara...isso seria épico demais.

Bom, nós continuamos andando e falando besteiras e eles me fizeram aceitar a aposta, e estou até com medo de perder.

Quando chegamos ao dormitório dos lobos Carla estava lá com o pessoal reunido e isso é algo bom, mais gente para ajudar. Lá estavam Frehat, Park, Flame, Thay, Dakota, Kane e Aleksander, eles são meio que parte do meu circulo de amigos, somos todos unidos na maioria das vezes e andamos juntos, claro que muitas vezes estamos brigando e tacando o foda-se para tudo, todas essas pessoas são especiais, mas depois falo sobre isso.

Freya foi abraçar seu irmão e cumprimentar ele, que retribuiu tudo com um sorriso no rosto e com muita simpatia, e então ela se apresentou para o resto do pessoal e nós começamos a arrumar o dormitório.

E cada um trouxe uma bebida para nos acompanhar nessa árdua jornada de limpeza. Enquanto cada um fazia sua parte, falando sobre coisas aleatórias e idiotas, um comentário deixou tudo com um clima mais tenso.

Kane: Acharam um aluno morto perto da nossa escola, lá na floresta, e ele estava sem alguns órgãos e sem a perna, me fizeram ir lá pra reconhecer ele e admito que é bem grotesco o estado em que ele estava.

Kane é assistente do diretor, muito gente boa e sabe botar ordem nas coisas, normalmente quando dá alguma treta mais séria que o normal, como assassinato e o diretor está em viagem, é ele quem vai reconhecer o corpo, ajudar os policiais na investigação.

Park: Mas eai, quem era?

Park é definitivamente uma das pessoas mais legal que conheço, a garota é gentil demais mas ainda sim é um demoniozinho, ela quando está em grupo faz da vida de todos um inferno, ela é o tipo de pessoa que quando está longe dos populares ou do seu grupinho, ela age de forma verdadeira, mas perto deles ela age de uma forma diferente e violenta e é facilmente influenciada pelos outros, sempre querendo atenção e destaque.

Kane: Um aluno do curso de química, não vou lembrar o nome, não era um aluno conhecido e agora que está morto nunca vai ser conhecido pelo jeito, mas foi bem horrível a forma que encontraram ele e pelo o que entendemos em outras partes da Califórnia e de alguns países tiveram vários assassinatos assim, as vitimas são jogadas numa floresta, normalmente perdem algum órgão ou membro do corpo, eu fico curioso para saber do que se trata isso. Duvido que seja tráfico de órgãos.

Aleksander: Pelo o que você disse, chuto que é canibalismo, ultimamente isso vem ganhando certa popularidade em alguns lugares, estão dizendo que as pessoas comem as outras para absorverem sua energia, isso é bem grotesco cara, imagina alguém comer você? E não faça essa cara Thay, eu digo no sentido literal.

Nessa mesma hora Thay fez uma cara de ‘ai que delicia’. Mas bom, Aleksander é aquele cara que é bom em tudo mas é preguiçoso demais, chega a passar com notas baixíssimas em várias provas apenas por preguiça de escrever as coisas, ele já foi chamado para ser líder de vários dormitórios, aceitou mas desistiu na primeira semana de todos, ele ficou com muita preguiça de organizar as coisas.

Dakota: Bom, um aluno chamado Alisson achou um osso no pátio hoje, imagina que louco seria se fosse da vitima?

Dakota bem...ela é uma garota misteriosa e muito inteligente, quando ela quer ela sabe ser uma insuportável e até mesmo quando ela não quer ela é uma insuportável, acho que só tem isso para falar sobre ela.

Eu: Alias eu vi esse osso de madrugada, eu e Carla vimos.

Carla: É verdade, nossa aquele osso estava meio envolto por carne, deu até vontade de guardar comigo e assustar alguém com ele. – risos.

Freya: Falando em canibais, fiquei com fome agora.

Eu: Meu deus, você tem problemas garota, e cara, bem vinda ao grupo você é demais e nós gostamos de você, mas se ficar chato nós vamos dizer tchau tchau.

Freya: Quem poupa o lobo sacrifica a ovelha.

Eu definitivamente não entendi aquilo, senti que algum dia iria entender mas na hora pareceu impossível de compreender.

Freya: Alias, acho que vou te chamar de ovelha.

Eu: Por quê?

Freya: Você parece com uma, fofo, indefeso e algum dia será engolido pelo lobo mau.

Tá, eu definitivamente não entendi nada do que ela disse, cara, eu sou um dos mais fortes daqui, que absurdo, mas melhor deixar pra lá e continuar arrumando o lugar. E só agora percebi que ela tem dentes afiados, e isso é bem assustador.

Eu: Alias o que tem para comer?

Freya: Só um pouco de carne, comi quase tudo noite passada.

Bom, eu fui petiscar alguns pedaços da carne, que estava deliciosa e voltei a arrumar o dormitório e conversar junto com a galera. Essa garota parece esconder algo mas estou com preguiça de descobrir, depois eu pergunto pro Thay.’

Continua...

Notas finais
Espero que tenham gostado e vou fazer o possível para escrever o próximo o mais rápido possivel. E deixe um review, não mata e faz essa autora feliz :) Até o próximo capítulo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.