Into the Potterverse
12 Capítulo 11
Scarlet estava em casa.
Apesar de amar Hogwarts, ela sentia tanto a falta de estar n'A Toca.
Aquela casa foi seu lar pelos últimos anos. Um lar que o orfanato nunca foi, e que Grimmauld Place nunca seria, apesar de ter todos aos que ela amava lá. Se ela não tivesse aquela habilidade de aparatar sem restrições, certamente teria ido pela Rede de Flú até o Ministério da Magia e procurado por seu pai, que certamente estaria trabalhando.
Ou talvez ele estivesse na casa de Sirius para alguma reunião. Certamente todos tinham reparado no seu desaparecimento de três ou quatro dias. O tempo se passou tão rápido que ela nem percebeu.
Em parte isso era por causa das garotas. Queria ter se despedido melhor, se soubesse que a saída seria tão apressada.
Amaria se houvesse uma forma de se comunicarem, mas sabia que seria arriscado demais tentar.
— Certo, vamos lá... — murmurou para si mesma.
Estava no quarto que dividia com Ginny.
Fechou os olhos, respirou fundo, tentando esvaziar a sua mente.
Sua cicatriz do estrunchamento às vezes ardia, como que para lembrá-la que precisava ser prudente. Não era porque podia aparatar em lugares imperturbáveis que ela não estrunchava.
Visualizou o momento em que leu o pergaminho de Grimmauld Place com o segredo, quando foi levada junto com seus irmãos para aquela casa. Imaginou a arquitetura do quarto que dividia com Ginny e Hermione...
Sentiu a sensação familiar na altura do umbigo antes de desaparatar.
Teve apenas alguns segundos para entender o que estava acontecendo.
Dois gritos foram escutados no ambiente, um saindo da sua própria garganta. Ela virou de costas e aproveitou que estava bem em frente à porta do quarto para sair. Apoiou-se contra a porta depois que a fechou.
— Scarlet? — escutou o grito de George de dentro do quarto.
Quarto errado.
Menos de um minuto depois, a porta abriu-se de novo.
Dessa vez, o garoto não estava só de cueca.
Era patético, considerando que ela cresceu cercada de tantos garotos, mas sua mãe nunca deixava que ela ou Ginny vissem os seus irmãos sem roupa. E ela se lembrava de ouvi-la gritar com Rony porque ele sempre esquecia de pôr a camisa antes de sair do quarto.
— Scar! — George a abraçou, ignorando o que aconteceu há pouco — Nós estivemos tão preocupados, você desapareceu...
— Eu sei — respondeu, apesar de ser uma resposta estúpida.
— Fred! Mamãe! Venham aqui! — ele voltou a gritar por cima de seu ombro.
Ela definitivamente estava surda, mas não importou-se.
Pôde escutar os gritos da Senhora Black no andar de baixo.
— Ah não, George, você acordou o quadro! — Ginny lamentou, saindo de seu quarto diante da algazarra.
Mas ela não manteve a sua expressão por muito tempo, logo também pulando em cima da irmã, que ainda estava sendo abraçada pelo gêmeo.
— Nunca mais faça isso na sua vida inteira, Scarlet Weasley! — a caçula a ameaçou.
— O que está acontecendo? — sua mãe apareceu com uma frigideira em uma das mãos, agoniada pelo grito do filho.
Esse momento repetiu-se conforme os seus irmãos presentes na casa iam ver o que estava acontecendo.
— Eu não consigo respirar — Scarlet resmungou, apenas para incomodar, pois sentia-se bem perto de sua família.
— Oh, meu amor, o que aconteceu? — Molly pôs as mãos em seu rosto, procurando com os olhos por algum ferimento novo.
— Quando você não apareceu, nós ficamos muito preocupados — Fred repetiu o que o gêmeo disse antes.
— É, fiquei sabendo — ela murmurou, enquanto a mãe continuava a escaneá-la.
— Porque você sempre sai aparatando por aí — continuou George — Então pensamos "Se ela tivesse sido presa, ela poderia..."
Ele não completou.
Eles tinham pensado que ela talvez tivesse sido sequestrada por Comensais da Morte.
Não pôde evitar um tremelique ao pensar na possibilidade.
— Você está com frio? — sua mãe reparou logo em seu estremecimento — Algo dói?
— Não, mãe, eu tô bem — respondeu Scarlet, sabendo que apesar disso ela não se acalmaria.
— Venha, preciso te checar. Meninos, por favor, afastem-se.
Molly Weasley era uma mãe extremamente zelosa e preocupada.
— Mãe, eu tô bem — ela repetiu, soltando o braço de seu aperto com facilidade — Eu...
Então franziu o cenho.
Fred, George, Ginny, Rony, Harry, Hermione, sua mãe, Sirius talvez estivesse em algum lugar por ali, Bill deveria estar trabalhando, Charlie não estava mais na Inglaterra...
— Cadê o papai?
Ele teria ido até lá junto com os seus filhos.
A expressão de todos mudou. Seus irmãos decididamente desviaram o olhar, evitando-a, enquanto sua mãe ficou mais séria.
— Querida — ela acariciou o seu cabelo —, o seu pai se machucou no Ministério...
Scarlet não ouviu mais nada depois disso.
Se ele estava machucado e não estava ali, ele só podia estar no St Mungos.
Os gêmeos pareceram perceber a sua intenção, mas nem mesmo a sua mãe que estava mais próxima conseguiu impedi-la de aparatar na recepção do enorme hospital.
— Com licença, estou procurando por Arthur Weasley — ela aproximou-se da recepcionista.
— Primeiro andar — a mulher disse, procurando por entre os papéis —, segunda porta à direita na Enfermaria Dai Llewellyn, mas... Ei!
Ela não esperou, foi até as escadas e saiu procurando onde ficava a tal enfermaria.
Uma enfermeira estava trocando os curativos de seu pai, então esperou que ela saísse para entrar na enfermaria.
— Pai, o que houve com você? — Scarlet foi logo para a cadeira ao seu lado, mas falando com um tom de voz baixo para não incomodar os outros pacientes.
— Scar, é você? — Arthur forçou-se a sentar na cama — Graças a Merlin. Estivemos tão preocupados...
— O que aconteceu? Parece que você foi...
— Picado por uma cobra — ele completou, antes que ela dissesse algo nada a ver com aquilo.
— Uma cobra?
E ele precisava ficar lá por isso?
Seu pai indicou para que ela se aproximasse dele.
— De Você-Sabe-Quem — sussurrou — Não sabiam qual era o veneno, mas deixe-me ver você. O que aconteceu?
Ela se lembrava muito vagamente de escutar os adultos falarem sobre uma cobra no Ministério da Magia na outra dimensão, mas não prestou a menor atenção na conversa.
Aquele Arthur Weasley não tinha sido picado, estava bem. Por que justo o seu pai tinha que...? Aquilo não era justo.
— Scarlet — sua mãe puxou a cortina ao redor da cama, aproximando-se deles com um olhar repreensor no rosto —, não pode sair aparatando dessa forma por aí!
— Me desculpe, mamãe. Eu precisava ver o papai.
A Srª Weasley hesitou, não conseguindo brigar com a filha adotada.
— Onde esteve? — seu pai repetiu a pergunta.
Ela contou a eles sob murmúrios sobre o outro universo, lançando um olhar desconfiado para as outras camas ao lado.
Não gostaria que um espião de Voldemort escutasse tudo.
— Só de pensar o que poderia ter acontecido... — sua mãe murmurou, aflita.
— Mas não aconteceu nada — Scarlet respondeu, olhando para as próprias mãos — E caso encerrado.
— Scar, tem algo que queira nos contar? — perguntou Arthur.
O seu jeito tranquilo de perguntar as coisas era bem diferente do modo preocupado e às vezes até mesmo autoritário de sua mãe.
— Todas essas garotas que foram comigo para esse outro universo eram irmãs do Harry — ela disse —, assim como eu.
Se seus pais não estavam muito convencidos da história dos mundos paralelos, agora estavam menos ainda.
— O que acha de conversarmos com Dumbledore sobre isso? — sua mãe sugeriu — Quero dizer, querida... Não faz sentido isso.
— Eu sei, eu sei que não faz sentido — Scarlet respondeu — Eu nunca consegui ver qual era o sobrenome que constava na minha ficha do orfanato, mas nós sabemos que Dumbledore me mandou para aquele lugar, sabemos que ele mandava dinheiro... Quero dizer, por que ele faria isso?
Sabia como terminaria aquela conversa.
Seus pais saberiam finalmente que ela sempre tinha sido irmã de Harry.
E provavelmente se convenceriam sobre a existência de outras dimensões, já que Dumbledore atestaria isso.
Mesmo depois do que aconteceu quando foi para A Toca, eles ainda confiavam no diretor. Não tinham muita escolha, não era? Ele era o único que fazia uma resistência real contra Voldemort, apesar de tudo. Ele era um bruxo poderoso e diretor de Hogwarts, mesmo que ele tivesse mandado-a para um orfanato trouxa que a maltratava.
O que importava é que ela nunca mais voltaria para aquele lugar, e isso já fazia muito tempo.
— Vamos deixar o seu pai descansar — sugeriu sua mãe, depois de um tempo.
— Quando ele receberá alta? — Scarlet perguntou, ansiosa.
— Logo — respondeu seu pai, tentando tranquilizá-la com um sorriso calmo — Agora obedeça a sua mãe.
Planejava assim que chegar à Muy Nobre y Antiga Casa dos Black contar aos seus amigos e família sobre o que tinha acontecido, mas sua mãe a parou no corredor da recepção, antes que chegassem à lareira de acesso.
— Querida, eu peço para que não conte aos seus irmãos sobre essa história de outros universos — ela pediu, ajeitando a gravata do seu uniforme.
— Mas, mãe — tentou protestar.
— Todos temos tido muito o que pensar com esse acidente de seu pai. Não sei se é muito seguro contar a eles sobre isso, entende? E quanto ao Harry, espere que conversemos com Dumbledore primeiro...
— Eu não vou mentir para ele.
— Não estou pedindo para que minta. Estou apenas dizendo que... é melhor nos certificarmos primeiro, certo?
Molly parecia preocupada.
Ela por um acaso pensava que Scarlet deixaria de tratá-la como mãe, ou que se afastaria de seus irmãos por saber que Harry era seu irmão biológico?
— Mãe — ela disse firme, chamando a sua atenção antes que fosse levada até a lareira —, você é a minha mãe. O meu pai é o meu pai. E Bill, Charlie, Percy, Fred... Todos eles são meus irmãos. Independente de qualquer coisa. Sabe disso, não sabe?
A Srª Weasley deu um sorriso, antes de abraçá-la.
— Eu sei, querida. Eu sei.
Mas ao mencionar o nome de todos os seus irmãos, ela sentiu-se culpada.
Ela não via George como um irmão.
Sua mãe com certeza surtaria se um dia descobrisse isso.
Ninguém nunca aceitaria, independente de ser adotada ou não.
Forçou um sorriso para a sua mãe, antes de pegar na sua mão e ser acompanhada até a rede de flú.
Pensando bem, não teria sido tão ruim ficar em outro universo. Um universo em que não tivesse crescido ao lado dos gêmeos, e portanto ninguém a trataria estranho por estar com ele.
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