Intimacy

5 Capítulo 5


Notas iniciais
"Triste pra mim." Que dozinha da Marina. :(

– Vai aonde assim toda arrumada?- Perguntou Vanessa de bom humor, até então.

– Vou ver a Clara. – Disse feliz. – Ela esqueceu essa pulseirinha aqui e eu vou levar como desculpa pra vê-la de novo. Está cedo, eu sei. Mas, e daí? Já estou com saudades mesmo.

Vanessa fechou a cara. – E o Cadu?

– Ah, o Cadu provavelmente já está lá cuidando do restaurante dele. Clara disse que ele passa o dia todo lá. Tchau. – Saiu sem dar chances para que Vanessa tentasse fazê-la mudar de ideia.

Clara saiu do banho pra encontrar Cadu esperando-a no quarto com olhar furioso.

– Ai, Cadu. Cadu chega. Chega dessa conversa. – Foi em direção à sala. Cadu foi atrás.

– Não, Clara. A Marina está passando dos limites e você está deixando com a desculpinha de que ela é sua amiga e blá blá. Vai pra cama dela por amizade também?

– Eu não estou acreditando que estou ouvindo isso, Carlos Eduardo.

– Ela não tinha nada que se meter na nossa família. Você é uma mulher casada, ela não tem vergonha na cara não?

– Não fala assim da Marina! — Clara advertiu.

– Ela você defende, né Clara? Tudo de bom pra Marina. Não pode magoar a Marina, não pode.. ah, pelo amor de Deus. O que que é Clara?

Marina se aproximou da porta do apartamento de Clara, mas parou antes de bater porque ouviu a voz do marido da assistente, e não parecia nada feliz.

– Me diz logo a verdade. Você acha que eu sou bobo? O que é? Tá apaixonadinha pela Marina, é isso? Você mal tem deixado eu encostar em você esses últimos dias.

Marina arregalou os olhos.

– Cadu, pelo amor de Deus.

– Fala. – Se exaltou. – Você está apaixonada por ela?

– Não, Carlos Eduardo, eu não estou apaixonada pela Marina. A Marina é uma mulher e nada mais do que minha amiga, pelo amor de Deus, chega. Eu não quero ficar ouvindo gritaria por causa desse seu ciumezinho idiota. Chega.

Marina piscou tentando conter as lágrimas que ela nem percebeu que estavam lá. Saiu de lá com o coração apertado. Estava mesmo tão enganada? A Clara não sentia nada por ela? Ela nem hesitou em responder. Tudo bem que ela não esperasse que ela dissesse assim pro Cadu, mas.. ela nem hesitou. Correu de volta pra Santa Tereza sem nem olhar pra rua direito, com os olhos embaçados, visão turva, quase bateu o carro algumas vezes. Entrou em casa.

– Ué, já voltou? Que que foi? Não estava te esperando tão cedo...

– Você venceu, Vanessa. Foi isso que aconteceu. Tá feliz? – Falou com os olhos cheios de lágrimas. – Eu perdi. – Falou baixinho. – Quebrei a cara. – Sorriu ironicamente com os lábios tremendo. — Correu pro quarto, e chorou.

Enquanto isso Clara sofria em casa devido à discussão com o marido.

Durante todo o fim de semana, Marina permaneceu cabisbaixa. Não conseguia parar de ouvir aquela frase. “Não, não estou apaixonada pela Marina.” Vanessa estava certa, era desejo, era tesão, curiosidade até.. mas não era amor. Não tinha vontade de sair da cama, de se arrumar. Não entrou em contanto com Clara uma vez sequer, o que deixou a dona de casa preocupada.

– Pra provar que eu não sou essa megera toda que você pensa, — Disse Vanessa entrando com uma bandeja com almoço pra Marina. — Eu vim te alimentar e trouxe um filminho pra gente ver.

– Eu sei, desculpa ter falado daquele jeito. — Marina a abraçou. — Mas eu não estou afim.

– Ah, mas vai ficar. Não saio daqui enquanto a gente não ver esse filme.


Clara checava o celular o tempo todo, esperando uma ligação ou até um sms. Nada. Estranho. Será que Marina não estava com tanta saudade quanto ela? Será que.. estava se divertindo por aí? Tanto que nem pensava em nela? Clara sacudiu a cabeça tentando espantar esses pensamentos e parar de pensar na Marina. Quis muito ligar, mas estava se sentindo insegura. Não queria atrapalhar nada. Era melhor não.