Intimacy

27 Capítulo 27


Notas iniciais
Gente, que dó da Marina! hahah Estava lá toda manhosa com a Clara. E falando nela, que raiva da Clara!

Clara ficou abraçada com Marina, assistindo sua amada dormir, passando a mão em seu cabelo. Era incrível o quanto estava feliz, tinha a mulher mais maravilhosa ao seu lado. Parecia que tudo já estava tomando seu rumo certo agora. Cadu abaixou a crista, Ivan aceitava sua nova relação sem problema algum, melhor ainda, adorava Marina. E ela que achou que seria difícil se adaptar, percebeu que não. Afinal, como poderia ser difícil se adaptar ao que mais queria? Marina havia lhe dado a oportunidade de vivenciar uma felicidade maior, felicidade alegre. Estava tudo certo.

No entanto, sua cabeça ainda estava preocupada. Essa Vitória, que tinha aparecido sabe-se lá de onde, não saia de sua cabeça. Sentia ciúmes do jeito que ela olhava pra Marina. Sua Marina. Sentira raiva por ela zombar que Marina estivesse com ela. E mais que tudo, sentia medo. Desde que ela apareceu, que Clara fazia comparações entre as duas. Não sabia se ganharia uma competição contra uma mulher como a Vitória. Marina a amava, sabia disso, mas já a amou algum dia também.

Não demorou muito e Marina acordou com um sorriso, beijando seu ombro.

– Sua dorminhoca!

Marina riu. — Ainda bem que não tinha ensaio hoje. — Selou seus lábios. — Porque você me deixou exausta! — Beijou de novo, ficando por cima dela.

– A gente não fez nada o dia inteiro, Marina. Sinto que a Vanessa vai me matar quando a gente sair daqui.

– Eu não deixo. — Beijou seu pescoço. — Eu te protejo. — Mordeu.

Clara riu. — A gente bem que podia tomar um banho, né?

– Podia mesmo. — Roçou o nariz subindo pelo seu pescoço e parou para beijá-la mais uma vez antes de se levantar. — Espera aí que eu vou lá arrumar para nós. — Beijou sua testa.

Tentou se levantar, mas Clara não deixou, trocando mais alguns beijos.

– Vai agora senão você não sai daqui mais!

Riram, e Marina saiu.

– Vem. Já tá pronto. — Chamou alguns minutos depois.

Clara entrou no banheiro.

– Banho de banheira? — Abraçou Marina por trás. — Que delícia!

Clara sentou e Marina sentou entre suas pernas, fechando os olhos e adorando o abraço.

– Não vai dormir de novo, heim?

Riu.

Clara distribuía beijos subindo do seu ombro até o pescoço.

– Hmm.. por mim, a gente não saía daqui mais nunca. Por mim, você — Marina se virou pra ela. — Não saía daqui mais nunca.

Clara pegou o shampoo para lavar o cabelo de Marina.

– Que foi? Tá calada.

– Não, nada.

– Tem certeza? — Marina insistiu. — Eu consigo ver daqui esses neurônios fervilhando aí, ó. — Apontou para sua cabeça, fazendo Clara rir.

– Ai, eu não queria falar, Marina. Ainda mais agora. Mas não tô conseguindo tirar isso da minha cabeça.

– Pode falar, Clara. Você sabe que pode falar tudo comigo.

Clara suspirou. — Tem certeza que é besteira, Marina?

Não precisava perguntar pra saber do que ela estava falando. — Clara..

– Não, porque ela já mostrou que não está de brincadeira. E.. eu sei que você está comigo, mas e aí? E você? Acha o quê, disso?

– Acho que ela é um abusada de chegar aqui e querer se meter entre a gente. Só isso.

– Tem certeza?

– Não estou te entendendo, Clara.

Clara suspirou. — Olha eu sei que você… essa mulher e você, vocês tiveram uma história. Ela mesma disse que talvez tenha sido a mulher mais importante da sua vida. — Falou com ciúmes.

– Clara..

– Não, me deixa terminar. E vocês são bem parecidas, têm os mesmos gostos, a mesma vivência. Nós duas somos tão diferentes que.. você sabe que todo mundo estranha que você tenha se apaixonado logo por mim. Eu também, sabe? Será que você não vai se sentir tentada à voltar com ela que é assim do seu nível, e eu.. eu sei que você nunca foi presa à ninguém antes.. — Clara parou vendo a expressão de Marina. — Marina…

Marina olhava para ela magoada.

– Como você pode pensar tão pequeno assim do que eu sinto por você, Clara? Me incomodava o suficiente que todo mundo parecia pensar assim, mas você também? — Marina se levantou, enxugando uma lágrima que ameaçou escorrer.

– Não, Marina. Vem cá. Eu não quis… — Tentou pegar sua mão.

– Vou terminar no outro banheiro. — Se enrolou na toalha e saiu.

– Eu não quis dizer isso. — Disse sozinha, já que ela já tinha saído. — Droga, Clara.

Afundou na banheira se odiando.

No outro banheiro, Marina não impediu as lágrimas de descer. Já tinha ouvido essa história de todos, Cadu, Vanessa. Cadu mesmo disse que não duvidava que Marina abandonasse Clara pela primeira mulher ‘mais gostosa’ que aparecesse em sua frente. Se encostou na parede, deixando a água cair por seu corpo. Mas ouvir Clara dizer o mesmo, duvidar de seu sentimento depois de tudo? Não era nada fácil. Sabia que não era, nem tinha sido nenhuma santa. Mas quando se apaixonava, se entregava de corpo e alma. E sua alma já havia sido dada à Clara desde aquela primeira exposição. E ela sabia, por mais que todos os outros duvidasse, sabia que dessa vez não era só mais uma de suas paixonites. Dessa vez era amor. Não conseguia nem imaginar sua vida sem Clara mais. Qualquer plano que fazia, fosse para um futuro mais próximo ou distante, Clara estava envolvida. Era assim que queria.

Quando Marina abriu a porta do banheiro, enrolada na toalha, Clara já estava lá, vestida, mas toda descabelada.

– Me desculpa, me desculpa. — Falou num tom suave, com cara de quem também estava chorando. Pôs as mãos em seu rosto e beijou levemente seus lábios e a bochecha.

– O que mais eu preciso fazer para você acreditar no meu amor? — Marina perguntou segurando as lágrimas e querendo manter a postura.

– Não, nada. — Abraçou-a. — Nada, meu amor, não. Você sempre fez tudo por mim. Eu acredito em você. Eu sinto seu amor, Deus, eu consigo vê-lo, Marina. Me desculpa, eu não queria ter dito aquilo. Eu só… eu estou insegura. Igual eu sempre tive medo que a Vanessa te reconquistasse, mas você já tinha deixado bem claro que não queria nada com ela mais. Mas essa Vitória, é novidade. E ela. — Limpou a lágrima que queria sair de seus olhos. — Ela é toda.. — gesticulou para Marina. — assim como você, e eu..

– E você é quem eu amo, Clarinha! — Dessa vez foi Marina quem segurou seu rosto. — Ei, acredita em mim. — Pediu abraçando-a.

– Eu acredito. Me desculpa, por favor. É besteira, esse meu ciúme idiota.

Marina assentiu.

– Eu sei que tive um passado bem populoso, mas.. eu nunca olhei para você ou te tratei como mais uma..

– Eu sei, pelo amor de Deus, eu sei. Me desculpa.

– Você é minha dona. Já se esqueceu?

Sorriram.

– Estou me sentindo a mulher mais sortuda do mundo do seu lado. — Clara disse. — Não quero te perder por nada, pra ninguém.

– Eu te amo.

– Eu também te amo! — Clara beijou sua testa e a abraçou novamente.

– Bom, tá ótimo aqui, mas eu ainda tenho que vestir roupa. — Se levantou sorrindo e Clara acompanhou.

– Você podia ficar hoje. Sinto tanta sua falta à noite, podia ficar todo dia. — Falou procurando alguma roupa, enquanto Clara arrumava seu cabelo.

Clara sorriu. — Hoje não dá. Eu tenho que ir na casa da Helena… — Parou. — Sabe o que eu acho?

– Hmm?

– Acho que está na hora de você conhecer minha família. — Marina olhou para ela.

– Quer dizer — riu. — Conhecer, você já conhece todo mundo, né? Eu digo ser apresentada formalmente. — Falou rindo. — Se você quiser, é claro.

– Ai, que medo! — Sorriu. — Mas é claro que eu quero!

– Hoje é aniversário da Leninha, todo mundo vai estar lá. O que acha de você vir comigo?

– Hoje? Ai, meu Deus, é muito em cima, Clara! Eu..

– Tá tudo bem. Tá tudo bem. Não precisa ser hoje. Eu entendo.

– Não, não é nada disso. É só que. — Olhou as horas — Tá bom, mas a gente tem que sair agora! Porque se eu vou encarar a família Fernandes, eu tenho que ir no salão, tenho que ir no shopping comprar algum presente, tenho..

– Salão, Marina? É só um aniversário e não precisa de presente, imagina!

– Claro que precisa, Clara. Claro que precisa. Quanto mais pontos ao meu favor eu conseguir, melhor. Porque à essa altura eu devo estar no negativo com a sua família. — Sorriu e selou seus lábios. — E você tem que vir escolher o presente.

Clara e Marina passaram o resto da tarde no shopping. Clara mandou mensagem pedindo ao Cadu que fosse buscar Ivan, porque tinha que comprar algum presente para Helena.. Foram no salão, fizeram cabelo e unhas, e foram às compras. Na dúvida de o que comprar e o medo de errar, acabaram levando uma caixa de chocolates e flores.

– As flores a gente dá pra Helena ou pra sua mãe?

– Há! Flores para minha mãe, Marina? Que coisa mais antiga. — Riram.

– Preciso conquistar minha sogra, ué. -Falou beijando seu rosto.