Intimacy
25 Capítulo 25
Notas iniciais
No outro dia, pela manhã, Clara se encontrou com Nando. Cadu não tinha aparecido, mandou só o advogado, o que já não deixava Clara nada feliz.
– Você tem é sorte que o Cadu resolveu cooperar, e se vocês se entenderem eu posso até cuidar de tudo sozinho, não vai precisar de outro advogado.
– Sorte. — Zombou.
– Cadu quer ter os mesmos direitos que você sobre Ivan.
– Mas ele vai morar comigo.
– Ele queria deixar Ivan decidir.
– Fazer o menino decidir entre os pais? Sério isso? — Clara zombou novamente. — E é claro que ele podemos ter os mesmos direitos, eu sou a mãe, ele é o pai. Mas tem que ter comunicação. E o Ivan vai morar comigo.
– Se.. o Ivan for morar com você, se… ele quer ter direito a no mínimo 3 dias por semana com ele. Os dias não precisam ser fixos, sendo 3 tá bom. Os finais de semana vocês alternam.
– Tudo bem.
– Você.. você vai acabar indo morar com aquela mulher, não vai, Clara?
– Primeiro, não fala assim dela! Eu e “aquela mulher”, a Marina, não conversamos sobre isso ainda. Mas um dia, claro, é natural.
– Cadu não quer o Ivan morando com ela.
Clara riu. — Cadu não tem que querer. Se eu for morar com ela, o Ivan vem junto, é claro. Ela e o Ivan se dão super bem, eu tenho certeza de que ele iria adorar.
– Ele tem o direito de não querer que seu filho seja criado no meio.. no meio de uma…
– No meio de uma relação homossexual? Ah, faça me o favor, Nando! No que isso influenciaria o Ivan? Ele não está sendo enganado, ele já sabe o que eu e a Marina somos, e ele não se importa. E quer saber de uma coisa? Pode perguntar. Pode perguntar para ele se ele vê algum problema em morar com nós duas, Cadu não queria que ele escolhesse? Pode perguntar. Meu filho sabe a mãe que tem. Sabe que a minha história com a Marina é verdadeira, e ele não viraria as costas pra mim por preconceito, não. E é claro que ele vai morar comigo, porque eu não vou deixar o Cadu criar meu filho na sombra machista e preconceituosa dele não. Ele é um ótimo pai, mas não vou deixar ele por caraminholas na cabeça do meu filho só porque ele não gosta de ter sido trocado pela Marina! Faça me o favor. — Se levantou. — E não precisa passar recado para ele não, que eu mesma farei isso. Senão você ainda chega lá e distorce todas as minhas palavras. Tô por aqui com vocês dois! — Saiu.
Como Cadu não atendeu suas ligações, Clara deixou recados de voz, falando tudo o que tinha dito para Nando e mandando ele criar coragem de vir falar com ela na próxima vez ao invés de só mandar o ‘amiguinho’. E então contou sobre o encontro para Marina.
– Ele quer fazer o Ivan escolher.
Marina balançou a cabeça. — Que ideia a do Cadu! Fazer o menino carregar uma responsabilidade dessas? Tomar uma decisão com medo de magoar um dos pais!
– Pois é. Meu bichinho.
– Mas, você está com medo? De, se chegar à esse ponto, o Ivan não..
– Não. Não. O Ivan é louco pelo pai, mas é um garoto esperto, ele sabe que.. ah, sei lá. O Cadu sempre foi bom pai, mas pai solteiro? Nunca. Se eu não estivesse ali ó, todos os dias, lembrando ele de fazer as coisas, deixava tudo pro lado. O Ivan sabe bem.
Mais tarde, Clara, Marina e Ivan estavam almoçando fora juntos. Marina e Ivan faziam palhaçada com as batatas fritas enquanto Clara ria feliz. Feliz porque Marina e seu bichinho se davam tão bem. Ela até fazia aviãozinho para os dois,.
– Ai, meu Deus, duas crianças eu tenho agora. — Falou rindo.
Marina ia responder, mas viu Clara perdendo o sorriso.
– Que foi?
– Aquela mulher está te encarando novamente. — Falou baixo e largando a comida.
Marina olhou para os lados e viu Vitória, que agora se aproximava. Clara fechou a cara. Ivan percebeu a diferença e se concentrou em sua comida.
–Marina em um momento família? Olha que eu nunca imaginaria isso. Tô vendo que a Clara te transformou. — Olhou para Clara. — Quem é esse menininho?
– Meu filho. — Clara falou num tom nada amigável.
– Seu filho? — Olhou para Ivan de novo e depois para Marina. — Posso me juntar a vocês?
Clara já ia responder, mas Marina entrou na frente.
– Como você disse, estamos num almoço de família. Uma outra ocasião, quem sabe?
– Mãe, vamos lá pedir aquela sobremesa de chocolate?
– Daqui a pouco, Ivan. — Clara não tirava os olhos de Vitória.
– Ah, mãe, senão não vai dar tempo, daqui a pouco tenho que ir pra escola.
Vitória sorriu. Marina olhou para Clara, com seus olhos dizendo que tudo bem ela ir.
– Tá bom. — Clara se levantou a contragosto. — Vamos logo. — Falou baixinho para Ivan.
Assim que Clara saiu, Vitória se abaixou e falou no ouvido de Marina.
– Jeito simples e mãe? Não me diga que ela largou o marido por você?
– O que você quer, Vitória?
– Largou? — Riu. — Sua bandida.
– O que você quer?
– Nossa, Marina, não precisa ser rude, só estou brincando. — Se sentou do seu lado, virada pra ela. — Quero você. — Falou séria.
– Chegou tarde demais.
Vitória olhou para Clara que também a olhava. — É sério isso?
– Seríssimo. A Clara é a minha namorada e eu gostaria que você a respeitasse. Pode começar parando de olhar para mim desse jeito.
– É impossível olhar pra você de outro jeito, meu amor. — Sorriu. — E eu que nunca te imaginei sendo mamãe de família. — Falou em zombaria.
– Sinal de que nunca me conheceu realmente. Eu posso ter aproveitado muito a vida, sim. Mas todo o tempo tudo o que eu queria era encontrar ela. — Falou enfatizando. — Aquela com quem eu largaria tudo para construir uma família.
Vitória olhou para Marina com a expressão séria. — Poderia ter sido eu. Você queria que eu voltasse para o Brasil para morar com você.
– Isso foi há um bom tempo. — Olhou para ela. — E você perdeu sua chance.
Vitória abriu a boca.
– E quer saber? — Marina olhou para Clara e Ivan que já estavam com a sobremesa. — Acho que não. Não poderia, não. — Sorriu para Clara.
Clara já estava retornando à mesa e portanto Vitória decidiu partir, mas não sem um último sorriso irônico.
– Vou te procurar. — Saiu.
O resto do almoço não foi nada bem. Por mais que Marina ainda tentasse manter o clima de brincadeira com Ivan, Clara não estava nada feliz com aquela visita. Deixaram Ivan na escola e voltaram para o estúdio. Depois de um tempo num silêncio constrangedor, Clara perguntou.
– O que ela queria?
Marina olhou para Clara.
– Não olha para mim assim que eu não tirei os olhos daquela mulher. Vi muito bem ela cochichando no seu ouvidinho aí.
– Besteira, Clara.
Clara olhou para ela não acreditando. — Marina, ela quer se aproximar de você de novo, cheia de segundas intenções e você vem me dizer que é besteira?
– É besteira porque eu deixei bem claro que não estou disponível e não vou responder às suas investidas.
Chegaram no estúdio. Clara desceu batendo a porta do carro.
– Clara, não fica brava comigo, poxa. Eu não fiz nada.
– Não tô. — Respondeu andando na frente.
Marina suspirou e foi atrás.
Quando entraram, Marina nem teve tempo de procurar pelas meninas. Clara pegou sua mão e saiu puxando-a para a casa. Entraram no quarto e Clara trancou a porta. Se virou para Marina ainda com uma carranca no rosto.
– O que você quer que eu faça?
– Se ela chegar mais perto de você, eu não vou pagar de educadinha, não Marina! Eu vou mostrar para ela de quem você é! — Falou com tom ameaçador chegando perto de Marina.
Marina sorriu. Não devia rir da situação, mas gostava de ver Clara com ciúmes dela.
– Ah, é? — Brincou. — E de quem eu sou? — Falou passando a mão no cabelo de Clara.
– Vou te mostrar também. — Clara empurrou Marina contra a parede e a beijou ardentemente.
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