Intimacy

19 Capítulo 19


Notas iniciais
Gente, como eu disse, não deu para postar ontem porque minha semana está tensa. Só mais um dia, yay! :) E como eu sobrevivi até agora sem maiores escoriações, rs, fiquei feliz e decidi dedicar um tempinho para escrever. Eu tinha dito que não gostava de por o Cadu como vilão, porque eu tenho até uma dozinha dele, mas depois de ontem... o Cadu está de brincadeira com a minha consideração! rs. Beijos.

Quando Clara chegou à casa de Helena, a família já estava reunida. Os dois cumprimentaram à todos e se juntaram à mesa. Comiam enquanto conversavam sobre assuntos aleatórios, coisas de família. Todos estavam felizes, despreocupados, menos Clara e Helena, as únicas que sabiam o propósito dessa reunião.

– Então, está tudo muito bom, a família reunida, jantar maravilhoso, mas tem alguma ocasião especial? — Chica perguntou para Helena.

Helena ficou nervosa sem saber o que dizer e olhou para Clara.

– Tem sim, mãe. — Clara foi quem respondeu. — Ivan, vai lá pro quarto da Luiza com a Rosa, por favor?

Dessa vez Ivan nem discutiu. Pegou sua sobremesa e foi.

– Aconteceu alguma coisa, Clara? — Chica perguntou, agora preocupada.

– Aconteceu. Eu pedi à Helena que organizasse esse jantar para eu fazer um anúncio. — Clara engoliu em seco vendo toda a família lhe encarar. — Depois de muito pensar sobre o assunto, eu e o Cadu… nós estamos nos separando.

Sons e expressões surpresas vieram de todos, menos Helena e Nando.

– Você e o Cadu, não. Você está se separando do seu marido. — Nando disse.

– Nando, por favor. — Clara disse.

– Como assim se separando, minha filha? O que houve? Estava tudo bem, ou pelo menos parecia.

– Nem parecia não, mãe. A única coisa que eu e Cadu temos feito ultimamente é discutir, e eu acho que todo mundo já tinha percebido isso.

Helena afirmou com a cabeça tentando dar um certo apoio à irmã.

– Mas, assim? Do nada? Isso é normal, todo casal passa por isso.

– Como do nada? Não é do nada. Isso já vem se estendendo há algum tempo, não é uma crise comum de casal, e eu finalmente pus um ponto final.

Nando fez um som de deboche, cruzando os braços.

– Mas, Clara. — Chica falava de novo. — Vai acabar com seu casamento de dez anos assim? Será que não valeria a pena dar uma segunda chance?

Clara suspirou. — Eu pensei muito nisso, mãe. Mas, não. Eu.. eu não quero dar uma segunda chance.

– Não quer? — Perguntaram surpresos.

– Até porque não é você quem tem que “dar” outra chance, foi você quem traiu o seu marido. — Nando falou e todos ficaram muito surpresos.

– Clara! — Chica falou.

– Que traí que o quê? Você não se mete no que você não sabe. Eu não traí o Cadu, eu o respeito demais para fazer uma coisa dessas. Nós nos seguramos o tempo todo.

– De quem vocês estão falando, pelo amor de Deus? — Chica perguntou.

– Da fotógrafa, é claro.

E como se possível os olhos de Chica se arregalaram mais ainda, e agora também os de Ricardo, que expressou alguma emoção sobre o assunto pela primeira vez.

– U-uma mulher?? Você traiu o Cadu com uma.. uma.. — Não conseguia falar.

– Com uma mulher. — Nando completou.

– Eu não traí o Cadu. E o que que é heim, Nando? Está fazendo o que aqui, cara? Veio botar lenha na fogueira, só? Isso aqui é assunto de família, da minha família, e pelo que eu sei cunhado separado não tem tanta participação assim, não. Eu não traí o Cadu. — Falou batendo a mão na mesa.

– Mas.. e a mulher? — Chica se perguntou porque Clara negava a traição mas não o “fator mulher” da história.

Clara suspirou. Não queria que fosse assim, contar tudo de uma vez.

– Eu… A Marina… — Suspirou. — Eu.. nós estamos juntas sim. — Falou pausadamente. — Agora que eu pus tudo em pratos limpos com o Cadu, nós estamos, agora. — Enfatizou.

Chica olhou para Ricardo horrorizada. Ninguém falava nada. Helena limpou a garganta querendo dizer alguma coisa para ajudar, mas sem saber o quê.

– Ah, gente, o que.. o que importa que é uma mulher? — Luiza falou. — Eu só acho que.. ai, tia, é uma mudança drástica, né? E num sei, é seu casamento em jogo, vocês duas se conhecem há tão pouco tempo.

– Exatamente. Vai abandonar a família só por causa de uma mulher — falou com desprezo — que mal conhece. — Nando falou.

– E o que você entende de família, Nando? — Seu olhar carregando acusações que todos podiam ler. Clara, que estava em pé, pôs as mãos na mesa para encará-lo. — Não, não é só pela Marina. É esse o nome dela. Mas não é só por ela. É por mim. — Bateu em seu peito. — É pela minha felicidade, ela me faz feliz. Nós estamos… apaixonadas. — Falou ainda com certa dificuldade. — Eu sei que não é fácil entender, não foi para mim, poxa. Pelo amor de Deus, isso não está acontecendo de uma hora para outra, não. Não está sendo fácil para mim. — Chorava agora. — Mas é o que eu quero, e eu vou lutar pelo o que eu quero. Não vou desistir de uma chance com ela por medo, por comodismo. Você não tem o direito de dizer que eu estou abandonando minha família, porque eu não estou. Eu estou me divorciando. E mesmo o Cadu… eu pensei tanto no Cadu, no nosso casamento. Esse tempo todo….

– Pensou o caramba! Se tivesse pensado não estaria fazendo isso.

Clara gritou as próximas palavras. — E se não tivesse pensado tinha me jogado nos braços dela no dia em que a conheci! Traição ou não.

Todos ficaram surpresos com a sinceridade em sua voz.

– Clara! — Chica falou novamente.

– Eu sei que a situação é diferente, mãe. Mas a senhora está agora tendo uma segunda chance para ser feliz, com o Ricardo, depois de anos. Eu estou fazendo o mesmo. — Clara se virou para sair.

– Clara, você sabe que tem o meu apoio. — Helena falou.

– Meu também. — Disse Felipe.

Olhou para os dois agradecida.

– E vamos combinar que Cadu nunca foi o marido perfeito que vocês fingem. — Foi a única coisa que Juliana falou sem nem tirar os olhos da sua comida.

Depois de um tempo em silêncio, Chica disse.

– Então você é…

– Sapata. — Nando falou, recebendo olhares de desaprovação.

– Mas você nunca foi. Essa mulher.. — Chica tentou de novo. E Ricardo pegou sua mão. Seus olhos pedindo para ela parar. Não queria que ela ofendesse sua prima.

– Eu não queria me meter. — Ricardo disse. — Nem defender minha família, mas já defendendo. Eu conheço bem a minha prima, e ela não estaria se metendo no meio de um casamento se não fosse sério.

Clara sorriu para ele agradecendo. — E não sei mãe, o que a minha relação com ela faz de mim. Eu só sei.. que me faz feliz. Como há muito tempo eu não era. E eu acho que isso não é novidade para ninguém mais. — Fez menção de sair, mas sua mãe falou de novo.

– Você tem certeza disso?

– Tenho. — Foi só o que disse. — Ivan! — Chamou.

No mesmo instante, Cadu entrou no apartamento.

– Então eu já não sou nem convidado para as reuniões familiares? — Cadu falou escaneando o cômodo. — Pelo menos ela num tá aqui ainda roubando o meu lugar.

Clara olhou para ele com raiva e chegou bem perto, apontando o dedo em seu rosto.

– Você nunca mais ponha as mãos na minha mulher!

Ivan entrou na sala, mas não a tempo de ouvir.

– Vamos. — Clara pegou sua mão e começou a sair, ainda um pouco impressionada que tivesse dito aquilo, daquele jeito. Minha mulher. Era algo com o qual ainda teria que se acostumar, mas não soava mal, não mesmo.

Cadu também ainda estava absorvendo a frase e não foi atrás deles. Olhou para a mesa e viu todos olhando de volta e sentiu uma vergonha imensa pelo que Clara tinha dito. Saiu batendo a porta e resolveu ir beber.

Entraram em casa.

– Mãe? — Chamou preocupado com sua mãe que estava com os olhos vermelhos.

– Vai ficar tudo bem, meu filho! — Se abraçaram. — Agora ó, vamos dormir, porque já passou da sua hora.

– Sabe que eu te amo, né?

– Eu também te amo, mãe!

Pôs Ivan na cama, sentou na sua e chorou, mas logo lembrou de ligar para Marina. O telefone mal tocou uma vez. Marina estava em sua casa andando de um lado pro outro com o celular na não.

– Clara? Graças a Deus, tá tudo bem? — A voz dela era preocupada, o que causou um sorriso no rosto de Clara. Não porque ela estava morrendo de preocupação, mas sim por causa do jeito que Marina cuidava dela.

– Tá, tá tudo bem. Só… não foi nada fácil. — Chorou. Eles ficaram preocupados, sabe? Falaram algumas coisas, o Nando provocou, o Cadu apareceu.

– Onde você está?

– Em casa.

– Estou chegando aí.

– Marina, não precisa, está tarde…

– Claro que precisa. Me espera. Eu… eu já chego aí, beijo. — Desligou, pegou suas chaves e saiu correndo.

A campainha tocou, Clara abriu a porta e correu pro abraço de Marina.

– Tô aqui. Vai ficar tudo bem. — Marina falava beijando sua cabeça e passando a mão em seu cabelo.

– Entra. — Clara falou com um sorrisinho e as duas sentaram no sofá abraçadinhas. — Devia ter deixado você vir comigo, todo mundo já sabe.

– Como assim?

– O Nando falou tudo, ele é piolho do Cadu.

– Mas, e aí?

– Como te falei, diversas reações, minha mãe.. ficou.. preocupada. Mas deixa pra lá. — Se aninhou em Marina

– Cadê o Ivan?

– Dormindo, tadinho do meu bichinho.

Marina a beijou.

– Clara, você sabe que.. sabe que eu te amo, né? Eu não queria que você estivesse sofrendo…

Falou com os olhos cheios de água.

Clara sorriu segurando seu rosto.

– Larga de ser boba, você me faz feliz como ninguém. — Beijou-a e ficaram agarradinhas no sofá.

Clara já estava caindo no sono quando Marina falou.

– Acho melhor eu ir andando.

Clara se levantou.

– Tá louca, Marina? Uma hora dessa? Fica aqui.

Marina sorriu.

– Adoraria. Mas como a gente ia explicar pro Ivan amanhã? E sua família? Todo mundo mora aqui, acho que tá cedo ainda pra eles me pegarem dormindo aqui.

– E daí? Deixa pra lá. Tá tarde, Marina.

– Você sabe que eu estou certa. — Falou com um sorrisinho triste passando o dedo em seu queixo.

Clara suspirou. — Tá bom então. Mas vou esperar você chegar, me liga. -

Andaram juntas até a porta e se despediram com um beijo.

Ainda estavam abraçadas quando Clara abriu a porta.

– Eu sabia que te encontraria aqui. — Cadu falou chamando a atenção das duas, completamente embriagado, se apoiando no batente. Foi entrando.

– Cadu, fora daqui. O Ivan está dormindo. Não vai fazer barraco.

– Bom mesmo porque a conversa é só entre nós três.- Apontou. — Clara e seus dois maridos.

– Não procura encrenca, Cadu… — Marina começou e ele interrompeu.

– Eu ainda não estou falando com você. — Apontou o dedo em sua cara, raivoso, falando alto. — Eu só vim dar um aviso, pra vocês duas.

– Se você insistir nessa loucura, Clara… — Virou-se para Marina. — E você presta bem atenção nisso, já que você diz que se importa tanto com a minha mulher. Se você insistir nisso, eu tiro o Ivan de você. E você nunca mais vai ver o seu filho. — Falou pausadamente.

Clara arregalou os olhos. — Você não pode fazer isso. — Sentindo seu coração apertando no peito.

– Eu tenho meus direitos. Eu te acuso de traição, com uma mulher ainda por cima.

– Cadu pensa no nosso filho. O Ivan só vai sofrer….

– Foi você quem não pensou. — Se exaltou. — Presta bem atenção no mal que você está fazendo à ela, Marina. — Pronunciou seu nome com desgosto. — Sou eu o marido dela, eu quem a ama. Você só quer… — Gesticulava.

Marina se pôs entre Cadu e Clara.

– É impressionante como nós dois somos diferentes, Cadu.

– Claro. — Riu.

– Que amor é esse que você diz ter? Que ao invés de lutar pelo amor da Clara, você precisa ameaçar a sua mulher, como você diz com tanto peito, para mantê-la em casa? — Falou provocando.

Tudo que aconteceu depois foi como numa fração de segundos. Cadu se enfureceu com a acusação, até porque sabia que era verdade.

– Sua desgraçada. — Lhe esbofeteou.

Clara olhou para Marina preocupada pondo a mão sobre a sua que estava em seu rosto, na face ferida, e olhou com raiva pro Cadu pronto para avançar nele com punhos, garras e tudo mais. Enquanto Cadu, num momento breve de sobriedade causado pela adrenalina, se assustava com o que tinha acabado de fazer. Nunca tinha tocado numa mulher assim antes. Marina chorava, mas se preparou para se defender.

– Pai? — Ivan falou assustado. Tinha acordado com a gritaria e presenciado a agressão.

Todos se viraram para ele.