Intimacy

17 Capítulo 17


Clara entrou na casa de Helena.

– Mãe! — Ivan correu para abraçá-la. — Mãe, o que tá acontecendo? Você e o pai sumiram!

– Eu sei, meu filho. Desculpa. — Falou segurando seu filho. — Mamãe já vai te explicar tudo. Ó, mas antes vamos terminar aquele almoço ali, heim? — Sentou com ele na mesa comendo um pouco. Ficava se perguntando onde Cadu estava, tinha deixado claro que queria conversar com Ivan na sua presença.

Ivan comeu com pressa, estava curioso para saber o que a mãe queria falar.

– Pronto. Terminei.

Clara riu. — Vamos lá pra casa, vem. — Pegou sua mão.

Entraram em casa.

– Ó, mãe, não quero ouvir aquele negócio de que num é assunto para criança, não. Eu quero saber de tudo.

– Vai saber de tudo, meu filho. E quando foi que você virou esse homenzinho, heim? — Falou fazendo cócegas. Riram juntos. — Agora vem cá. — Levou o filho para o sofá.

– Ivan, o que a mamãe vai te dizer é uma coisa bem séria. — Segurou sua mão.

– Eu sei, a senhora está triste, mãe.

Clara acariciou seu rosto.

– Filho, você sabe por que as pessoas se casam?

– Porque elas se amam. — Falou subindo os ombros.

– Sim, porque elas se amam e querem viver a vida juntos, dividir tudo. Mas, além do amor tem que ter paixão, companheirismo, cumplicidade, felicidade. Um monte de coisas juntas. E às vezes, tudo isso dura para sempre. Mas, às vezes não. E quando isso acontece, o casamento acaba. As pessoas se separam. Pedem o divórcio. — Uma lágrima rolou pela face de Clara.

– Mãe, a senhora tá separando do meu pai?

– Estou, meu filho. Eu e seu pai estamos nos separando.

Ivan começou a chorar. — Mas, por que, mãe?

– Porque como eu disse, — engoliu — a gente não tinha aquilo tudo mais.

– Eu sei. — Ivan falou cabisbaixo. — Vocês agora só vivem brigando.

– Pois é, meu amor. E essas brigas machucam muito a gente e você também. Então chega a hora que o melhor é se separar.

– Quer dizer que a gente não vai morar junto mais?

– Não, não vamos. Seu pai vai sair de casa, procurar outro lugar pra morar, e a gente fica aqui.

Ivan olhava para o chão com os olhos cheios de lágrimas.

– Mas, filho, você vai poder ver seu pai sempre que quiser, todo dia. Ele nunca vai deixar de ser seu pai. Não vai deixar de estar perto. Só não vai estar aqui o tempo todo mais.

– Ele nunca esteve aqui o tempo todo. Mas eu vou sentir falta do meu pai.

– Eu sei, meu anjo. — Clara enxugou suas lágrimas. — Mas olha só que bom, você vai ter duas casas. Seu pai vai ter que te comprar brinquedos novos, roupas, — falou gesticulando feliz, tentando animar o filho — tudo em dobro agora.

Ivan deu um sorrisinho.

– Mas, mãe, você não vai ficar triste sozinha?

– Eu não estou sozinha, meu amor. — O abraçou forte. — Eu tenho você! — “E a Marina.” Pensou.

Continuou segurando Ivan assim, como se ele ainda fosse seu bebezinho, sempre o ia ser.

– Você sabe que eu te amo, né? Que essa separação não muda nada do que eu ou seu pai sentimos por você, certo?

– Eu sei. — Falou fungando. — Só queria que estivesse tudo bem.

– Vai ficar tudo bem.

– Mãe, você não ama mais o papai?

– Não, filho. Eu.. eu ainda gosto muito do seu pai, ele sempre foi meu amigo, mas não o amo mais.

– Por quê? Você ama outra pessoa?

Clara ficou surpresa.

– Teria algum problema? — Falou pausadamente.

– Não sei. Depende.

– Ninguém vai substituir seu pai, filho. Pode ter certeza. — Passou a mão em seu cabelo. — Agora o que acha de a gente ir lá na casa da Marina? Acho que a gente pode tomar banho de piscina. — Falou baixinho como que contando um segredo.

– Oba. — Ivan sorriu, ainda meio triste.

Cadu entrou em casa.

– Pai. — Ivan correu até ele enquanto Clara enxugava suas lágrimas. Pela expressão dos dois, percebeu que já tinha perdido a conversa. Clara olhava para ele com uma expressão decepcionada por ele não ter aparecido mais cedo.

– Desculpa não ter chegado antes para conversar com você, filhão. — Ivan o abraçava forte, e Cadu olhava para Clara como que culpando-a pelo sofrimento do filho.

– Mamãe disse que vai ficar tudo bem. A gente até vai…

– A gente vai dar um passeio. Ivan, vá pro seu quarto se arrumar.

– Um passeio?? — Falou alto com Clara. — Você não tá pensando em levar o meu filho…

– Sem escândalo, sem birrinha, Cadu. Não te interessa onde nós vamos. — Clara interrompeu. — Minha conversa com Ivan foi bastante franca, ele sabe porque nós estamos separando, mas não sabe da Marina ainda… Foi interrompida.

– Ahh, então ele não sabe o porquê, realmente. — Acusou.

– E nós vamos manter assim até a hora certa. — Advertiu. — Não tenta fazer a cabeça do meu filho contra mim ou ela. Não tenta. Vai ser pior para você.

– Isso nós vamos ver.

– Não faz isso, Cadu. Você não é assim.

– O que será que me aconteceu, heim, Clara? — Perguntou sarcástico.

Parou por um segundo respirando fundo. — Por favor. Pensa no nosso filho. Você não vai querer fazer o Ivan passar por um divórcio difícil e acabar crescendo com dois pais que nem se falam.

Aconteceu, Cadu. Nosso casamento acabou. Eu estou apaixonada pela Marina. Eu entendo a sua mágoa, mas isso não te dá o direito de sair fazendo besteiras por aí. Eu nunca quis te machucar. Agora, você machucar nós dois por querer é outra coisa.

– “Vambora”, filho! — Chamou.

Ivan deu um último abraço apertado no pai.

– Te amo, pai.

– Também te amo, filho.

Clara saiu com a mão no ombro de Ivan.

– Mãe, por que a gente não podia falar pro meu p ai que nós vamos tomar banho de piscina na casa da Marina?

– Porque o seu pai, filho.. seu pai não gosta da Marina.

– Por quê? A Marina é tão legal!

Clara sorriu. — Coisa e adulto.

– Ih, já vem com essa história de novo.

Clara riu e mandou um sms para Marina.

“Eu e Ivan estamos chegando aí. Foi tudo bem. O Cadu não apareceu, só no final. O bichinho tá meio triste e como ele é doido numa piscina, eu nos convidei, rs… tudo bem?”

– Logo você vai entender, meu amor.

Marina sorriu. Pediu à um funcionário que fizesse uma limpeza rápida na piscina e correu para o quarto. As marcas roxas já estavam aparecendo onde Cadu havia a segurado e ela não queria que Clara visse. Não sabia se devia contar ou não. Por fim, decidiu trocar de blusa, por uma que cobrisse as marcas. Agora, se fossem mesmo tomar banho de piscina, não teria outra escolha. Piscina ou não, mais cedo ou mais tarde Clara veria as marcas.

Quando chegaram, foi na porta recebê-los, toda feliz. Deixou Cadu para trás.

– Marina. — Ivan a abraçou.

– E aí, garotão? — Abraçou de volta. — Saudades de você. Demorou a vir me ver, heim?

– Eu sei. Não foi culpa minha, já tinha falado com a minha mãe.

Marina olhou para Clara fingindo estar brava.

– Depois a gente dá um jeito nela. — Falou brincando com Ivan. — Tá tudo bem?

Falou cabisbaixo. — Papai não vai morar em casa mais. — Parou arregalando os olhos. — Tudo bem eu falar, mãe?

Clara assentiu.

– Mas minha mãe disse que vai ficar tudo bem.

– Vai, vai sim. — Marina falou consolando Ivan. Dava dó ver uma criança tão pequena ‘tristinha’ assim. — Mas aqui, ouvi dizer que você adora uma piscina!

– Olha esse piscinão. — Ivan já estava animado novamente. — A gente pode nadar?

– Claro que pode, meu bem. Vamos lá. Vem se arrumar, vem. — Clara sorriu vendo a interação dos dois. Marina não tinha experiência com crianças, mas já gostava de Ivan há muito tempo. Afinal, era o pacote Clara. Queria aprender o que pudesse, pois queria mãe e filho felizes.

– Pode deixar suas roupas aqui.

– Eu já estou de sunga.

– Mas falta o protetor solar. Aposto que não passou.

– Tá aqui, ó. — Clara pegou na bolsa.

– Deixa eu passar? — Perguntou para Clara.

– Cla-claro. Algum problema, Ivan?

– Não.

– Então vamos lá, me ajuda, eu passo nas suas costas e braços, você passa nas pernas.

– Não esquece o rosto, gente. — Clara falou sorrindo e dobrando as roupas de Ivan.

Saíram para a área de lazer.

– Filho, espera só um pouquinho para secar o protetor, viu. E não vai pro fundo. Pega seu macarrão. Toma cuidado.

– Eu sei, eu sei, mãe. Vocês não vão entrar?

– Vamos sim, daqui a pouco. — Clara respondeu.

O cachorro latiu.

– Marina, eu posso ver seu cachorro?

– Ih, o cachorro é grande, heim, filho? Vai ter medo, não?

– Minha mãe nunca deixou a gente ter cachorro.

– Ivan, e como a gente ia criar um cachorro daquele tamanho num apartamento?

– Ele é grande, mas é mansinho. Vem cá. — Andaram de mãos dadas e Clara foi atrás.

Marina apresentou Ivan e logo ele já estava sem medo. Começaram a correr, brincando na grama. As duas riam assistindo. Vez ou outra, Marina fazia o cachorro correr atrás de Ivan por brincadeira, que saia correndo pela casa. Clara estava admirada.

– Ivan, fica aí brincando, que eu e a Marina vamos nos preparar para a piscina. Não entra nessa água sem a gente, viu?

– Tá, mas não demora.

– Ah, moleque abusado. — Falou brincando..

Quando entraram em casa, estavam sozinhas.

– Você não existe, sabia? — Clara falou segurando seu rosto e roubando um beijo.

– Como foi a conversa?

– Melhor do que eu imaginei. Meu filhote já está crescendo. — Falou com uma caretinha.

Marina sorriu.

– Mas o Cadu mesmo só apareceu no final, querendo achar ruim que a gente estava vindo pra cá. — Suspirou. — Ai, Marina, estou com medo de ele fazer alguma coisa. Deus queira que não. — Abraçou Marina brevemente. — Mas, vamos deixar o Cadu para lá porque a gente tem o dia todo só para nós. — Falou animada. Clara puxou Marina pelos braços para beijá-la novamente, mas percebeu a careta que a fotógrafa fez quando foi tocada.

– O que foi?

– Nada.

– Ai, num me fala que.. — Abaixou a voz, olhando ao redor. — Não me fala que foi uma daquelas marcas que eu te deixei, não tinha visto.

– Clara..

– Não, deixa eu ver. Ai, Marina, desculpa. — Falou puxando a manga da blusa para cima.

Quando viu as marcas roxas, arregalou os olhos.

– O- o que é isso, Marina? Isso não estava aqui hoje cedo, não. O que aconteceu?

– Clara..

– Não, nada de Clara. Me fala. — Olhava para os braços dela preocupada, passando o dedo de leve.

Marina engoliu seco. — O.. — limpou a garganta. — O Cadu… esteve aqui.

– O quê??? — Clara falou mais alto do que pretendia. — Ele o quê? O que ele fez com você? Meu Deus, Marina, olha só para isso! — Sentiu as lágrimas descerem pelo seu rosto. — Ah, mas eu vou matar o Carlos Eduardo, eu não acredito que ele fez isso. — Começou a andar pela casa, brava, discando no celular.

– Não, Clara, me escuta. Me dá esse celular.

– Não, Marina. Eu vou..

– Escuta. — Pegou em seu rosto. — Não foi tão ruim quanto parece, eu te falei que fico com marcas à toa. A gente cuida disso depois.

– Não importa. — Clara falou baixinho chorando.

– Ó, não chora. O Ivan tá aqui e não vai gostar de te ver desse jeito. — A abraçou. — Ele veio tirar satisfações, assim que você saiu. A discussão ficou agitada e ele me pegou pelo braço gritando. Mas agora tá tudo bem, Clara. — Beijou sua cabeça.

– Tudo bem? Não tá nada bem. Ele te machucou. Pelo amor de Deus, me desculpa. Me desculpa, me desculpa. — Falou olhando nos seus olhos.

– Desculpar o quê? Você não tem culpa nenhuma disso. — Enxugou suas lágrimas e beijou seus lábios levemente. — Deixa isso para depois.

Clara olhava para as equimoses.

– Agora vem, você ouviu o Ivan, heim? — Falou animada. — A gente não pode demorar!