Intimacy

11 Capítulo 11


Notas iniciais
Queria dizer que eu adorei a Vanessa mandando a Clara se resolver, hahaha.

Marina viu Clara partir com Cadu. Sentiu um aperto no coração. Vanessa estava certa, ser a segunda opção na combinava com ela. Sabia, claro, que era mais que isso para Clara. Sabia que Clara estava numa situação complicada e que tinha que ser paciente. Estava sendo paciente desde o início. Mas saber não torna nada mais fácil.

A situação também era complicada para ela. Tão diferente de tudo com o que estava acostumada. Clara não se parecia com as outras mulheres do seu passado. Era mãe de família casada. Ela que sempre tocou a vida num ritmo acelerado, pra ontem, estava aprendendo a ter que esperar. Ela que sempre foi a sedutora, estava sendo completamente dominada por esse sentimento, por ela. Estava perdidamente apaixonada, pior, ou melhor, estava amando. Mas isso não era problema, Marina gostava da mudança. De ter uma pessoa para quem daria tudo, com quem gostaria de fazer planos. Um grande amor.

Mas ela, que sempre se entregou de corpo e alma em suas aventuras, em suas paixões, estranhava ter que se conter, e logo agora que estava vivenciando um sentimento tão único. Teve muitas paixões, claro. Mas nunca teve outra Clara. Não teria outra Clara.

Vê-la com Cadu depois do que houve entre elas foi diferente. Antes sentia tristeza e inveja. O cara é muito sortudo por ter a mulher que tem, sem nem mesmo a merecer. Agora sentia tristeza e ciúmes. Riu de si mesma se lembrando da conversa com Clara na praia. "E desde quando não sentir ciúmes é defeito?" Não devia ter ciúmes, ele é o marido dela afinal. Mas de alma? De alma a Clara é dela, sabia disso.

Clara também não estava feliz com aquele dia. Mal conseguiu dormir, até pulou da cama mais cedo, quanto mais cedo a visse, melhor. Saiu antes de Cadu se levantar, os medicamentos o derrubavam. Procurou por Marina no estúdio, ainda não estava lá. A encontrou na sala nua da cintura para cima enquanto Vanessa massageava suas costas e conversavam. Clara sentiu-se arder de raiva novamente.

– Clarinha, meu Deus, vem aqui. — Disse tristezinha e estendendo a mão. — Poxa, Clara, você não me dá notícias, uma explicação, eu estou morrendo de preocupação.

– Eu sei, Marina. Desculpa. É só que.. ai, minha cabeça está uma bagunça. — Olhou para Vanessa. — Pode nos deixar sozinhas, por favor?

Vanessa abriu a boca para discutir.

– Van, por favor. — Marina pediu, e ela saiu.

– Então, me conta. — Marina falou se sentando e puxando a toalha para se cobrir.

Clara não disse nada só olhou para ela, com uma expressão curiosa. Pensando no quanto não gostava que Vanessa ficasse pegando nela.

– O quê?

– Nada. — Disse puxando-a para um abraço. — Me desculpa, Marina. Me desculpa, eu queria tanto ter falado direito com você.

– Tudo bem. — Disse, mesmo que estivesse chateada.

Ao ouvir aquelas palavras, Clara se permitiu curtir o abraço. Apertando-a forte. Suas mãos nas costas nuas de Marina, como queria fazer toda vez que a via não tão vestida. Sentiu o cheiro de seu cabelo. E, claro, que todas as células de seu corpo registraram o fato de que seus seios encostavam-se aos dela, e de que havia apenas uma fina toalha os escondendo. Sentiu-se arder novamente, mas uma sensação diferente dessa vez, a sensação que Marina causava. Beijou sua bochecha se afastando. Marina deu um sorrisinho.

– Clara, eu… Eu queria te perguntar uma coisa.

– Pode dizer, Marina, pode perguntar.

– Eu não quero te cobrar nada, eu só..- suspirou — eu quero saber se nós estamos na mesma página. Se queremos a mesma coisa, entende?

– Claro. — Clara pegou sua mão. — Eu quero você, Marina. — Falou sorrindo.

– Eu quero você, Clara. Toda. Eu quero ser sua, quero que você seja minha, quero o amor, a paixão, os filmes e pipoca no sofá, os domingos a tarde, Ivan, eu quero tudo de você.

Clara sorriu emocionada e acariciou seu rosto. — Eu também quero te dar tudo isso.

Sorriram encostando as testas uma na outra, e Marina deu um beijinho em seu nariz.

– E ó, o convite pro Ivan não foi só formalidade não, viu? Queria muito que a gente fizesse qualquer coisa juntos qualquer dia. Eu ficaria muito feliz.

Clara sorriu. Gostava muito de saber que o carinho de Marina se estendia à Ivan. Afinal, eram um pacote.

“Como eu amo você.” Pensou.

Saiu do estúdio pronta para falar com Cadu, tinha que resolver essa história. Mas ao chegar em casa não encontrou o marido.

– Helena? Que cara é essa? Tá tudo bem? Cadê o Ivan e o Cadu?

– Ivan tá ali em casa. O Cadu tá no hospital, Clara. — Falou séria.

– No hospital? — Falou com os olhos arregalados. — Ai, meu Deus o que houve dessa vez? Ele desmaiou de novo?

– Sim, no bistrô. Foi mais cedo e..

– E por que ninguém me ligou??

– Sabe como é o Cadu. Quando a gente ficou sabendo ele já estava acordado a caminho do hospital e disse que era bobagem te ligar. Mas acho melhor você dar um pulo lá agora.

– Não, claro. Claro que vou. — Falou pegando sua bolsa e saindo com Helena.