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18 Capítulo 18 - Invasão
Notas iniciais
Capítulo 18 – Invasão
A noite estava silenciosa demais e ainda era de madrugada quando o alarme de emergência soou pelos quatro cantos da loja de Urahara Kisuke, onde, antes, quase todos dormiam.
— O que é isso, Kisuke? — indagou Yoruichi, já se pondo de pé ao lado do loiro, que vestia suas roupas às pressas.
— Esse alarme.... Uma garganta foi aberta aqui dentro!
Um arrepio percorreu todo o corpo da morena; algo terrível estava prestes a acontecer, ela podia sentir isso em cada fibra de seu corpo e o grito agudo que ouviu apenas confirmou isso.
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Rukia dormia serenamente, enquanto Ichigo a observava sentado rente a janela aberta. Há dias havia adquirido o habito de observá-la dormir. Ato que só era possível graças a sua condição de ceifeiro de almas, o que o tornava invisível aos olhos da morena quando vestido com seu quimono preto.
Sentia que não podia perde-la de vista, precisava protege-la como ela o protegera um dia e por isso não conseguia pregar os olhos.
Suspirou, caminhando lentamente em direção a cama da garota.
Ela era tão linda!
Seu coração batia acelerado contra o peito só de observar sua pele pálida banhada pela luz prateada da lua. Já não conseguia negar os sentimentos que tinha por ela.
E seria um tolo se o fizesse!
Ela havia mudado seu mundo, parado a chuva de seu interior e de quebra, lhe dado algo pelo que lutar.
Nunca ninguém o tocara de tal forma.
A amava e vê-la se preocupar com outro, atormentava-o. Não podia perde-la, não novamente.
Hesitante, Ichigo deixou seus dedos escorregarem pela face de Rukia, desenhando todos os contornos delicados de seu rosto, buscando guarda-los somente para si, como seu maior tesouro.
Paralisou.
Sentir a macies da pele da morena despertou algo dentro de si, que ele imaginou não existir. Instintos primitivos que nunca o tomara antes, fazendo-o desejar senti-la mais a fundo, beber seu êxtase como nunca havia feito; no entanto, quando ele menos esperava, irises de um violeta vivo o encarava como se pudesse ver sua alma. Como se soubessem que ele estava ali, a deseja-la.
Tomado pela surpresa, o ruivo se afastou esbarando no criado-mudo do quarto, derrubando a foto que estava sobre ele.
— Mas, que merda...?! — murmurou Rukia ao se levantar, ainda meio sonolenta para pegar o porta-retratos, que Ichigo não havia reparado até derrubá-lo.
Silencioso, ele observou cada movimento da garota, que parecia assustada ao se dar conta que a foto havia caído sozinha.
— Certo, Rukia. Você acabou de descobrir que existem fantasmas, mas não precisa ficar paranoica — sussurrou para si mesma, enquanto voltava para cama.
Ichigo quis rir, mas sabia que precisava se segurar, a antiga Rukia o mataria se soubesse que ele a estava vigiando e a que estava a sua frente não agiria muito diferente. Gargalhar naquele tipo se situação poderia deixá-lo em uma má situação no futuro, quando a baixinha recuperasse a memória, pois Kon, com certeza, não ficaria de pico fechado, já que apenas ele e Urahara sabiam de suas rotineiras escapadas da noite.
Se sentando no chão, ao lado da cama de Rukia, Ichigo suspirou ao vê-la cair no sono novamente. Sentia um mal pressentimento toma-lo aos poucos, no entanto, ignorou aquele sentimento ao sentir seus olhos pesarem.
Não pode controlar o cansaço que o carregou para o mundo dos sonhos.
E com a luz da lua a banhar o quarto, o ruivo adormeceu, sem se dar conta do perigo que os espreitava. Os olhos do inimigo não estavam tão longe e os observava pela janela aberta.
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— Não! Uryuu... — mais um grito soou pelo ambiente, quando Yoruichi e Urahara encontraram Inoue caída ao chão, sozinha no quarto que dividia com Ishida desde que perderam a própria casa. — Eu preciso ir atrás dele... Ele... Ele não sabe o que está fazendo...
Lágrimas ainda caiam dos olhos da ruiva, quando a morena a alcançou, acolhendo-a em seus braços.
— O que houve, Ishida-san? — perguntou Urahara com seu tom de voz mais doce.
Não queria perturbar ainda mais a mulher, que parecia se despedaçar aos poucos.
— Ele... Ele se foi... me paralisou para não o seguir... seus olhos estavam frios. Uryuu deseja vingar nosso bebê — balbuciou com o rosto enterrado no ombro da amiga.
— Ele foi para onde, Orihime? — insistiu Yoruichi, puxando-a pelos ombros, fazendo com que a ruiva olhasse dentro de seus olhos.
No entanto, a voz que respondeu sua pergunta era grossa e não vinha da mulher chorosa a sua frente:
— Hueco mundo.
Grimmjow Jaegerjaquez deixou as sombras onde se mantinha escondido até então.
— Como sabe? — perguntou Urahara mesmo sabendo que aquela era a resposta mais provável.
— A Nelliel foi com ele. Eu os ouvi planejando essa missão suicida um dia desses — relatou dando de ombros.
Um silêncio tenso caiu sobre os quatro.
— Por que você não disse nada? — vociferou Orihime ao se levantar. Querendo direcionar toda sua raiva para o homem musculoso a sua frente.
— Não costumo me envolver na vida dos outros, ainda mais em casinhos extraconjugais... — desdém banhava sua voz, no entanto, a culpa o corroía.
Poderia ter evitado tudo aquilo. Parado Nelliel, mas não o fez e agora a mulher que aprendera a respeitar estava caminhando de encontro ao inimigo junto a outro, em busca de algo que poderia matá-la.
Suspirou frustrado, encarando Orihime. Suas palavras a feriram mais que do que esperava.
— “Casinhos extraconjugais”? — murmurou a ruiva.
Não. Ela não podia dar ouvidos a Grimmjow, seu Uryuu nunca faria isso. Orihime sabia disso, mas seu coração temia e o ciúmes crescia dentro de si.
Por que ele não a levara consigo? Tinha certeza de que podia ajudar, mas ele preferiu levar a arrancar e a deixar paralisada para trás.
Aquilo estava muito errado!
Respirou fundo, engolindo as lágrimas. Nada mais parecia certo a ser dito e nenhum deles estava a fim de iniciar um diálogo desnecessário, afinal, todos ali já tinham uma vaga ideia do que precisava ser feito.
— Urahara-sama — Ururu adentrou o quarto de Orihime às pressas com Yosen a suas costas, sem se dar conta do clima caótico que ainda habitava o ambiente. — Tessai-san pediu para alertá-lo de que outra garganta se abriu em Karakura....
— Mas que merda está havendo hoje? — resmungou o dono do lugar. — Em que lugar da cidade?
— Perto da residência de Rukia-chan e a reiatsu não parece nada amigável....
— O que? — indagou Yosen, que ainda não havia entendido o que estava acontecendo.
— Não faça nada sem pensar... — começou Yoruichi ao vê-lo se virar em direção a porta.
— O Ichigo está com a Rukia, Shintane-san... — declarou Urahara, sem saber que aquela frase não acalmaria o jovem rapaz, que sem esperar para ouvir o resto do relato, correu porta a fora.
Não poderia deixar Rukia nas mãos daquele ruivo idiota, não mais.
Sentindo a luz da lua iluminar sua face, asas negras nasceram para cortar o céu em um voo rasante. Nem humano nem shinigami, finalmente, Yosen liberara sua verdadeira forma de batalha.
Agora ele era forte o suficiente para proteger Rukia por si mesmo.
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A lua ainda brilhava no céu, iluminando as areias desérticas do Hueco mundo, formando uma bela paisagem para apreciadores da noite. Nelliel sentira falta daquilo no pouco tempo que estivera fora. Há anos aprendera a amar aquele lugar.
Porém, agora de volta ao lar, sabia que poderia perecer ali, mas seu coração ainda clamava por vingança e ao lado de Ishida Uryuu caminhava em direção a ela.
Nelliel Tu Odelschwanck não morreria em vão.
Finalmente, vigaria o seus e não se importava de morrer no processo desde que levasse a maldita monstruosidade que devorara seus irmãos junto a si para o esquecimento.
— Olha só quem chegou, Gigi? — um voz conhecida soou de repente pelo deserto, bem à frente dos dois invasores.
— Pois é, Lili. Não é que você estava certa?! — riu a outra voz ao adentrarem o campo de visão de Ishida e Nell.
— É claro. Eu nunca erro, não agora que possuo poderes de um Deus...
Um arrepio tomou todo o corpo de Nell, mas não um arrepio de medo e sim, de satisfação. Não precisara correr muito para encontrar os inimigos e aquilo era infinitamente, bom, tanto que um sorriso alegre se desenhou em sua face:
— Você não sabe? — perguntou encarando Glutton, que a olhava com um sorriso presunçoso em resposta. — Até deuses podem cair....
Um vento forte cortou o deserto quando Lanzador verde se força nas mãos da antiga espada número 3.
Ela estava de volta.
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