Intersecção
2 Capítulo 002 - Clyia.
Notas iniciais
Sutilmente. Movimentos sutis e gentis, até que com apenas um movimento brusco, a escuridão surgiria aos olhos daquele a qual acertar era meu objetivo. Seria apenas um disparo para que tudo acabasse... A não ser, é claro, que alguém espantasse-o.
Respirar devagar e fraco era uma das primeiras regras que um Arqueiro de Elite deveria saber, pois, se não o fizesse com calma e suavidade, com certeza sua presa correria e notaria sua posição, e isso é o que os Arqueiros querem de menos. No caso, eu, Cliya, possuía um desafio em mãos: caçar o meu jantar. Parece fácil, já que minha arma é de longa distância, mas, desde a última guerra, aparentemente os animais ficaram mais "espertos". Malditos, isso devia ser
proibido. Naquele exato momento, um veado era o que estava em minha mira, não era suficientemente gordo para me alimentar por dias, mas era comida. Ficava apenas ali, pastando a grama da região com suas orelhas levantadas... Filho duma putinha, essa irreverência dos animais em relação ao mundo e ao perigo me emputecia, nem ligavam para morrer, como isso era aceitado... Parecia desatento, mas, um barulho fora de hora se quer e eu não iria comer naquela noite. Eu PRECISAVA daquele veado desgraçado.
- Vamos... — sussurrava em pensamento, enquanto mantinha o olhar fixo à minha presa.
Tudo estava favorável para um disparo perfeito: o vento, a posição, a envergadura do arco, a flecha. Ele não me via, eu estava deveras longe e deitada na planície. Era perfeito. Sem delongas comecei a contagem para matá-lo em apenas uma flechada naquela cabeça que seria minha refeição.
- Seis... Cinco... Quatro... Três... Dois...
- AAAAAAAAAAAAH!!
Um grito, simplesmente do nada, soou no horizonte e com o susto de tal eu vi minha presa fugir diante de meus olhos. Ainda tentei levantar o arco mais uma vez que abaixei após quase infartar com o susto, posicionei para onde o animal ia e atirei, mas, falho. Ótimo, alguém me deve carne hoje. Segurei minha vontade de falar coisas obscenas até Deus e após um longo suspiro e vários chutes no chão de frustração sem fim, decidi esquecer aquele fracasso e levantei-me. Mais tarde iria aproveitar o tempo de sobra e ver se havia alguma notícia no centro...
- AAAAAAAAAAAAAH!!
Outro grito viera logo após meus pensamentos encerrarem. Senti meu coração pular mais uma vez com tal e, deixando de lado minha própria vida por um segundo, cogitei o fato de alguém poder estar sendo atacado... Droga, agora eu teria que ser uma heroína também? Mas que porra, falta mais nada para acontecer hoje. Recolhi meus pertences do chão e sem pensar muito no que poderia estar acontecendo, pulei da elevação a qual estava, corri em direção aos gritos. Os gritos, no caso, vinham de algum lugar próximo aonde eu estava... Aproveitei a deixa, uma descrição de minha pessoa me cairia bem. A menina que vos fala, com aproximados 16 anos de idade nas costas, possuía os cabelos negros como a noite, longos como uma caichoeira e lisos como chapinha. Os olhos eram verde-claros e sua pele era pálida. Não o suficiente para chamá-la de assombração quando vagava pela escuridão, mas suficiente para dizer que esta precisava tomar Sol. Era
baixa, 1,65 metros no máximo e basicamente era isso de fisionomia, suas medidas não eram exageradas nem muito poucas, suficientes para se chamar "Mulher". De vestes usava um top desgastado na cor preta, com um shorts curtíssimo na mesma cor, uma bota de soldado, famoso coturno, também preta, meias três-quartos azul-marinhas e amarrado à cintura, uma jaqueta na mesma cor que as meias. Por fim então, uma faixa vermelha aos cabelos, prendendo-os em um único rabo de cavalo alto. Ninguém diria que aquela coisinha baixinha e cor-sim, cor-não, era uma Arqueira da Elite... Ninguém que não tivesse olhos, já que o arco gigantesco em suas mãos e um aljava, onde se põe as flechas, com talvez 40 flechas estava preso à cintura. Apesar de tudo, o tempo de descrição fora o suficiente para que eu chegasse à uma distância razoável dos gritos e, ao fundo, vi os autores de tais: O
chão abaixo de mim começou a tremer. Para que não caísse, eu me abaixei e segurei-me ao solo, aguardaei os tremores passarem... Gozado, não é comum nessa época do ano tremer tanto no reino de Londres. Ainda mais subirem montanhas! Montanhas subindo na minha frente! Quê era aquilo?! Eu tentei me levantar e correr para não ser pega pelos tremores ou me ferir com essas elevações!
- MERDA MERDA MERDA!!! — Corria. Tentava...
Cai no chão mais uma vez, os tremores só aumentavam, derrubei minha aljava e meu arco no chão estabanadamente, cobri minha cabeça com as mãos, temerosa de que algo viesse a me atingir na cabeça... Droga! Que péssimo dia! Pra quê a vida nesse mundo tem que ser tão difícil? Já não basta estar em guerra?!
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!
Esses gritos não param! Mas que saco! ...Bom... Foi falar que eles foram diminuindo. Engraçadamente os tremores começaram a parar. Que bom, não foi tão ruim assim... Me virei, havia uma elevação de 10 metros na minha frente. Mas que merda é essa... Hoje é alguma data comemorativa de estranhices ou é impressão minha?
- Que beleza, viu... — Resmungou.
Pegei meu arco e coloquei a aljava na cintura, sacando uma flecha e a colocando no arco, pronto para o que viesse naquela montanha recém nascida... Subia a elevação, não era tão íngrime mas dificultava um pouco subir com só os pés, usei algumas poucas vezes as mãos para evitar cair. Dez metros não é uma altura legal para sair se ralando e caindo ladeira abaixo. Cheguei no topo. Mas como esperado, caí para dentro dele, esfolando por inteira e toda estabanada, gritava vários " AI! " e " UFF! " na minha bela descida. Cai de bruços ao chão. Parei finalmente.
- Ô... DROGA! — Berrei furiosa, me levantei e ainda segurava minha flecha e meu arco.
Assustei-me com a cena: Dois garotos no chão em torno de... Sangue e vômito! Ah não, tive que me segurar para não vomitar também! O cheiro era insuportável! Tapei minha boca com a mão, enojada, tentava respirar em meio de um ar tão nojento... Meus olhos lacrimejaram de nojo... Olhei os garotos que estavam ali. Eram dois jovens : Um de cabelo grisalho e o outro de cabelos castanhos. Os dois usavam um uniforme idêntico. Seriam espiões? Mas... Olhei o estado deles, não tinha como ser! Além do mais, eram roupas como um suéter e calças, não eram uniformes de guerra. De onde eles vieram? Mirava para eles a flecha, temia que eles se movessem e me atacassem. Me avancei de passinho em passinho, engoli seco e tentei fazer o menor barulho possível enquanto respirava e andava: Regras primordiais dos Arqueiros. Demorei um tempo, deve ter sido o medo que fez a noção do tempo se prolongar... Estava a um pé de distância do grisalho. Cutuquei-o levemente com o pé. Nada. Só roncava. Deitado em uma poça de sangue. Quanto nojo. Cutuquei ele mais uma vez, para ter certeza que estava realmente dormindo. Nada. Chutei-o violentamente. Nada.
- Hm... — Murmurei, abaixei o arco e me ajoelhei próxima dele, evitando encostar na poça de sangue e vômito.
O garoto estava de bruços, virei ele para ficar com a face para cima. Começou a cuspir e tossir! PUTA MERDA! Apontei o arco e a flecha para ele. Estava se engasgando com o vômito, cospiu para o lado, parando de tossir e voltando a respirar normalmente... Dormia ainda, agora de barriga para cima. Me ajoelhei de novo, olhei para ele, passei a mão em seu cabelo, olhei suas feições... Gozado, ele me era conhecido. Já havia visto ele mas não sabia aonde. Fui para o de cabelos castanhos... Que cheiro horrível no ambiente... Porquê haviam vomitado e cospido sangue? Adolescentes... Devem ter bebido... Putos... Mas não tinha cheira de álcool, bom, que seja. Virei o de cabelos castanhos também para vê-lo mas... O quê?
- Watachi?! — Sussurrei espantada.
Era Watachi! Quarto na posição de comando das Tropas Revolucionárias Humanas de Libertação! " O Punho da Terra "... O quê ele estava fazendo ali? Aliás... Era REALMENTE ele ? Onde estavam suas cicatrizes? Mas... Era totalmente parecido com Watachi que conhecia das tropas! Não, ERA ele! Não era possível... Mas... E se os Metamorfos fizeram uma trapaça com a gente e clonaram um Watachi para nos confundir? Era um espião tentando coletar informações? Certamente era! Não podia ser o Watachi que conhecia! Puxei a flecha e mirei na sua cabeça, pronta para matá-lo.
- Não tem como eu poder te agradecer por tudo que você fez para mim até hoje... — Essa frase se disse na minha cabeça, enquanto eu via Watachi olhando para mim, sorrindo.
Quando eu vi aquilo eu parei. Fiquei pasma... O Watachi que vi agradecendo era idêntico a ele... Porque? Ele era um espião! Mas... Ele havia me agradecido... Pelo quê? Eu nem conheço o das tropas, quem dera esse aí! Aos poucos foi soltando o arco da flecha... Não consegueria matá-lo... Mesmo sabendo que ele não é o verdadeiro... Mas lembra tanto ele, como era possível algo como aquilo? Clonagem? E qual era o propósito dele? Eles estavam em estado de choque... Tanto o grisalho quanto o clone... Eu devia... Não... Não tem como eu levar eles para minha cabana... Eu não faço ideia se são amigos ou inimigos... Mas estavam indefesos. E pareciam não ter aonde ir. É claro que não! Estavam desmaiados!
- Clyia...
Sussurrou uma voz. Era a mesma de que ouviu agora a pouco! Olhei para o de cabelos castanhos... Sua boca estava aberta, mas não pareceu falar mais nada... Só respirava. Eu tinha que levar eles para a cabana... Eu vou cuidar deles e quando acordarem eu quero respostas. Afinal, eu estou no comando daqui, eu tenho uma arma e eles parecem ter... Livros? Que inútil. Devem ser deles também... Medicina? Folheei um pouco ele... Estava tudo em inglês... Nada de anormal... Fechei ele e os coloquei em uma mochila que estava em minhas costas. Olhei para os dois e suspirei... Não ia ser fácil levar eles para casa. Além do mais, eles eram maiores do que eu. Deviam ter o quê? 1,70 ou 1,80 de altura? Eu tinha bem menor tamanho e porte. Peguei os dois um em cada ombro e comecei a subir o maldito morro. Não estava acostumada a levar peso, só meu arco e flecha e no máximo algum animal de porte médio... Não dois bruta montes. Okay, eles não eram nem malhados, mas não eram nenhum pouco leves. Subia aquela montanha levando os dois. Parecia que a montanha ia crescendo cada vez mais... Sacanagem. Depois de tanto penar eu cheguei no topo, novamente a palhaçada se repetiu, eu tropecei e fui rolando ladeira a baixo com os dois, me separando deles, deixando cair meu arco e rolando.
- AAAAH! — Gritei apavaroda.
Rolei por mais uns dois minutos. Parei no chão. MAS QUE DROGA! PRA QUÊ FUI LEVANTAR DA CAMA HOJE?! Maldita vigia. Olhei para os lados, os dois estavam ali, parados no chão... Dormindo. Dormindo? Tá de sacanagem. Eles caíram 10 metros direto e nem acordaram? Estavam mortos por acaso? Não... Eles respiravam. Mas que se foda. Maldito pensamento de Arqueiro... Um dos lemas : Sempre pense a longo prazo! Pense antes de pensar em agir. Peguei essa mania, agora minha situação é bela... Carregar dois dorminhocos cheirando à vômito e sangue. Pior que tá não fica né? Me levantei, tirei a poeira que ficou na minha perna a mostra e bati minha mão na jaqueta que vestia, que saiu do preto para o marrom com a aterrissagem perfeita. Ajeitei o top, peguei os paspalhos um em cada ombro novamente e continuei a caminhada, quase me ajoelhando para levá-los.
- Tomara que isso valha à pena. — Reclamei.
Ajeitei os dois no chão, cobrindo-os e tirando suas roupas, para ver se havia algum ferimento ou corte. Não tinham nada, nem cicatrizes nem machucados... Só estavam sujos com a queda e fedendo levemente. Passei um pano umidecido em suas faces, nos braços, no peito e nas pernas. Bem depressa, não queria que eles acordassem e me vissem fazendo isso! Era só o que faltava eles me achassem que era uma pervertida ao invés de sua salvadora. Pronto... Estavam limpos... Limpo do melhor jeito possível e do que eu poderia oferecer, eu morava literalmente em uma casa humilde. Como eu vivia de vigia para a Divisão de Arqueiros de Elite das Tropas Revolucionárias Humanas de Libertação, eu sempre estava ali em uma pequena cabana, para no caso de tropas inimigas invadirem a cidade principal, que era Londres, do nosso quartel general eu ir avisá-los. A capital não ficava tão longe, eram só meia hora de corrida sem parar. A cabaninha improvisada era de madeira, eu tinha três cômodos separados: Um cubículo dividido por uma porta de madeira sem maçaneta e um chuveiro, meu banheiro; uma cama feita com dois colchonetes costurados um ao outro, uma pequena estante e uma lamparina na estante, junto de outros livros, um canivete, um facão e vários laços de cabelo, embaixo havia algumas caixas com roupas que era meu guarda roupas improvisado, e do lado dessa roupas eu tinha várias outras botas, coturnos, jaquetas penduradas na parede, dois arcos de reserva e várias outras flechas perto dos arcos em suas respectivas aljavas, era meu quarto; e por fim a minha sala, que era um espaço que deixava em aberto, onde a porta mal fechava direito, tinha que por algumas pedras para impedir que ela abrisse de noite e me assustasse ou me desse um resfriado, era o maior comodo da casa... Bom, maior porque ele tinha 3x5 metros e a casa toda 7x7 metros. Eu também não ligava tanto para a casa em que dormia, passava o dia inteiro fora dela, vigiando, caçando... Cozinhava do lado de fora mesmo, o teto da minha casa mesmo que tivesse alguns poucos buracos onde a chuva passava quando aparecia,era insuportável o cheiro de queimado que ficava, as janelas eram duas, uma na sala e outra no quarto e não eram tão grandes e ventiladas. A água eu tinha que procurar em um riacho que dava de uma hora ou duas de caminhada daqui ou pegar da cidade. Tomar banho eu evitava para economizar água para beber ou limpar alguma carne de algum animal. Chegava à ficar uma semana sem banho ou mais. Fiquei com nojo nos primeiros meses de vigia de pensar nisso, mas... É a adaptação né...
- Fu... — Bufei... Cobri os dois com um edredon cada. Os edredons estavam velhos e um pouco rasgados, mas os protegeriam do frio da noite e dos ventos que sopravam ali fortemente.
Watachi... Como ele era parecido... Ele parecia indefeso também. Como um nenê... A vontade que me deu de acariciar a bochecha dele e o rosto dele começou a tomar contade mim pouco a pouco... Sempre fui encantada por ele, o espírito de líder que tinha, a gentileza, seus ideiais... Nunca entendi, os de posto de segundo e terceiro nem se comparavam a ele, porque ele estaria em quarto? Injustiça! Ah, deixa isso para lá... Estava com fome e a noite estava chegando... Vou deixar para comer quando eu for caçar na floresta aqui por perto no dia seguinte... Tirei minha jaqueta e minha meia três quartos e meu coturno... Me joguei na cama de bruços, abraçando meu travesseiro... Tentei dormir um pouco... Os garotos talvez amanhã acordariam bem já. Espero.
- Hehee! Que belo filhote de veado! — Eu dizia sorridentemente!
Que beleza! eu havia arranjado comiada para o almoço e para a janta! Acho que fui recompensada por ontem em ter ajudado os dois rapazes! Tudo bem que deveria dividir a comida com eles quando acordassem, mas tinha muita carne, era um veado alias, era deveras grande. Estava meio complicado carregá-lo, mas era muito mais fácil do que quando carreguei os dois adolescentes no dia anterior. O sol estava quase a pino. Dava para eu usar o fogão de sol, tinha que buscar o papel aluminio e a forma para esquentar a carne do cervo, além do facão para tirar a pele dele... Talvez eu pudesse usar a pele dele como cobertor ou coisa do gênero, ela era bem macia e gostosa. Quantos coelhos em uma tacada só!
- Hehe... — Ria gostosamente.
Nada como pegar o seu próprio almoço. Estava chegando perto de casa. Só queria mesmo era comer, nas minhas costas eu tinha deixado o arco e flecha, carregava o filhote de veado com as duas mãos, segurando pela a cabeça e o puxando assim. Conseguia levar ele nas costas, mas estava com preguiça do mesmo, e levar os dois rapazes de ontem me acabou, só de levar esse veado já estava me custando o bem estar de minhas costas. Finalmente deixei o filhote morto ali no chão. Ufa! Que peso nas costas... Mas valeu a pena a caminhada. Entrei na casa, sorrindo, para procurar o que precisava... Mas, o inesperado me aconteceu... O suposto Watachi havia acordado, e estava de pé, sem a camisa e só de calça, olhando para si e depois olhou para mim, que acabei de entrar. Tirei o sorriso da cara.
- Quem é... — Eu não entendi o que o garoto disse, talvez ele estava falando outra língua... Japônes? Parecia...
Ele havia acordado! Não podia deixar ele agir! Peguei uma flecha na aljava, peguei meu arco, puxei a flecha, chutei o garoto e ele caiu sentado no chão, pondo as costas na parede, eu coloquei meu pé que calçava o coturno no ombro dele e apontava a flecha na sua cabeça.
- QUEM É VOCÊ?! ME DIGA SEU NOME! — Gritei, exigindo respostas.
- CALMA! VOCÊ NÃO ESTÁ ME ENTENDENDO! - O garoto teimava na outra língua... Ele não entendia inglês ou estava me enganando?
Forcei ele, empurrei meu pé mais forte contra o ombro dele e encostei a ponta do arco na cabeça dele.
- SEU NOME! ME DIGA! — Falei alto.
- CALMA MOÇA! — Falou inglês finalmente.
Finalmente algo. Estava me emputecendo com o garoto.
- Eu não sei se você fala inglês, japonês ou qualquer outra coisa...
- MAS EU FALO INGLÊS! — Falou o muleque desesperado, me interrompedo.
- CALA A BOCA! — Chutei a face dele, sem deixar de mirar a flecha nele.
Ele foi para o lado, me olhou assustado. Queria respostas e rápido e ele não estava me satisfazendo.
- Eu quero seu nome. Agora. Sem mentir.
- Watachi... Meu nome é Watachi! Meu sobrenome é Dotekken! Por favor... Não me machuca... — Pedia ele, me olhando com medo.
- Wata...Chi... — Eu ainda mirava nele com vontade de matar... Mas meus olhos diziam outra coisa... Eu estava pasma...
Como era possível... Watachi?
- VOCÊ ESTÁ MENTINDO?! — Perguntei, tentando manter a integridade.
- NÃO! É VERDADE! MEU NOME É DOTEKKEN WATACHI! POR FAVOR! ACREDITA EM MIM! — Pediu ele, protegendo a face com os braços.
Ele estava tão aflito... Com tanto medo... Ele não parecia mentir... Ainda mais com esse estado deplorável, do que adiantaria mentir? Eu estava no comando, apontando uma flecha nele... Por mais que eu acreditasse que era um fajuto, ele não mentiu...
- Watachi... Não acredito...
Inacreditável...
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