Internato
15 Capítulo 15
Notas iniciais
~só quando estava escrevendo o próximo capitulo percebi que escrevo a história toda em 1ª pessoa, mas fiz o final desse em 3ª e.e já foi corrigido, não houve alterações na história (apesar que eu adorava aquela ultima frase... )
Alicia
Esse lugar parecia um labirinto. Só que era somente um caminho – não havia como se perder. Quando, finalmente, o caminho se abriu, encontrei o que parecia ser uma enorme piscina. Na verdade, parecia um lago, uma nascente. A água escorria dali para dutos abertos nas laterais, e iam sei lá para onde.
Do outro lado do reservatório, perto de outra dessas luzinhas que mais pareciam aquelas de emergencia, havia uma escada. Me equilibrei na borda da piscina e atravessei. Subi a escada e encontrei outro labirinto.
Este segundo era menor. Só apenas algumas curvas fechadas e pronto, encontrei outra escada, agora descendo. Seguida por outra e outra. Até que saí num lugar um pouco mais iluminado e que parecia ter sinal de vida.
–x-
Nas paredes escuras havia canos metálicos expostos, e junto, vários fios elétricos. Parecia um gato muito bem feito. Mas ainda assim, parecia um gato.
Pra direita tinha uma parede de onde saia os canos e os fios, como uma central de distribuição amadora. Havia saída para vários canos, vários encaixes para fiação, algumas válvulas. Mais de metade parecia quebrada.
Segui para o outro lado, e quando tinha uma bifurcação, eu seguia a linha principal dos encanamentos.
Tinha um lado que parecia um dormitório. Consegui ver algumas roupas estendidas nos fios.
Por fim, encontrei alguém. Era um garoto.
Devia ter minha idade e altura. Pelo que consegui distinguir, tinha os cabelos quase encaracolados e era ruivo. Ele estava mexendo em alguns fios.
– Ei – chamei
Ele me olhou e me examinou por um momento.
– Uma novata – disse, com um sorriso estranho – Pensei que não teríamos mais ninguém.
– Legal, você fala minha língua — murmurei
– Novata, vou ter que te explicar muita coisa.
Eu abri a boca pra perguntar outra coisa, mas fui interrompida por uma sirene alta e comprida.
– Venha – ele disse com urgência, guardando suas ferramentas – Voce não vai querer perder o jantar no seu primeiro dia.
–x-
Viramos alguns corredores — ok, vários corredores -, e depois de uma breve escuridão, um salão enorme se abria à nossa frente. Assim como tudo o que eu vira após o elevador, as paredes eram de tijolos de pedra, esverdeadas com a umidade. O teto, pelo menos uns cinco metros acima, também me parecia ser de pedra — ou concreto, quem sabe. Porém, era ofuscado com uma forte iluminação: parecia um ginásio escolar. Também se assimilava a um ginásio em tamanho. Retangular, talvez 20 por 45 metros. E ok, isso com certeza era um refeitório.
Diversas mesas de madeira, firmes e compridas, se estendiam ao longo do salão. Na ponta oposta à qual eu e o garoto viemos, havia uma espécie de janela com um portão de metal, exatamente como em uma escola.
E tal qual, uma fila se estendia junto à parede.
Estanquei. O garoto deu mais alguns passos antes de notar que eu não estava mais o acompanhando. Voltou com uma expressão confusa no rosto.
– Alguma coisa errada?
Abri a boca, mas não consegui dizer nada. Meu estomago apertou e eu senti uma vontade louca de sair correndo. Um sensação tão ruim que me deu náuseas. A ultima vez que senti isso... foi na manhã em que Galdi nos deu a missão que resultou na morte de Leon.
– Isso aqui é uma versão Gangster de um típico colégio americano. Nada a temer. Voce teve motivos pra vir parar aqui, então ninguém aqui deve te assustar. Ah, meu nome é Arth. Arthur, mas ignora o final – e piscou
– Alicia – murmurei, tentando sufocar a sensação que crescia em meu peito
– Então Alicia, vem comigo e eu vou tentando te explicar como as coisas funcionam aqui. Primeira coisa, voce reparou nessa cicatriz na sua nuca?
Ela assentiu
– Então, Eles implantaram um chip ultra-mega-avançado, coisa do Pentagono, NASA e outras repartições secretas do governo americano. Esse aparato é uma versão eletrônica do Peixe Babel.
Eu tive que rir com essa referencia.
– Voce entendeu? – ele parecia besta
– A resposta é 42? – indagou, e podia jurar que os olhos dele brilharam — E eu tenho algumas teorias sobre a Pergunta Fundamental, mas prefiro não pensar muito a respeito.
– Claro que não. Ninguém quer que o Universo se aniquile e o processo de evolução recomece. Seria um saco simplesmente deixar de existir.
Acabei sorrindo.
– Ahn... Arth? Vamos direto ao ponto? Que merda é esse lugar?
– É uma prisão. Eles chamam de Internato, mas pra mim é uma piada idiota. – ele deu um riso seco – Afinal, não vamos sair daqui nunca.
– Só num caixão – murmurei
– Nem assim Alicia – me lembrei que o Advogado tinha dito a mesma coisa — E aí vamos para a parte mais importante. Onde o Internato foi construído – e então sorriu para a mulher que estava servindo as refeições, colocando os pratos na bancada – Bom dia Heizy! O que temos de bom hoje?
– Bom dia Arth – ela tinha olhos gentis, e algumas rugas de expressão na pele morena, destacando ainda mais os traços indígenas – Acredite ou não, tem carne de verdade nisso. Deve ser de terceira, mas veio de um animal. Isso é um grande progresso.
– Ah, Heizy, essa é a Alicia. Chegou hoje. Alicia, a Heizy é nossa mãe.
– Para de exagero, garoto. Só acho que já que vocês vão ficar aqui pra sempre, é bom ter alguém que cuide de vocês.
– O que eu disse? Mãe.
– Pega logo sua bandeja Arthur. Tem fila, sabia?
Ele riu e pegou duas bandejas de isopor, passando uma para mim. E então duas garrafinhas de água, repetindo o ato.
– Alicia – chamou Heizy quando nos afastamos alguns passos -, apesar de tudo, seja bem vinda.
Senti que sorria.
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