Internados
2 Saint Moonrose
Notas iniciais
Eu finalmente havia chegado, depois de três horas de viagem, ao meu destino. Olhei pela janela do táxi, e vi um terreno enorme, por trás do portão de metal. O tamanho do lugar era intimidante, mas já era de se esperar.
O taxista parou de frente para o portão e me olhou pelo espelho retrovisor com a sua cara barbuda e suja.
–Cinquenta dólares, madame.
Enquanto lhe pagava, fiquei grata pelo preço ser bem mais barato do que esperado. Pulei do carro rapidamente e esperei o taxista me entregar a minha bagagem, que estava no porta-malas.
Quando ele me deu a minha maleta preta e a minha sacola de mão florida, lhe agradeci e me despedi rapidamente, desesperada para ficar longe do seu bafo de cigarro.
Logo quando o taxista acelerou para longe do lugar, um homem vestido em roupas pretas e elegantes apareceu do outro lado do portão, sorrindo.
–Posso ajudá-la? — Perguntou.
–Sim. Na verdade, eu sou uma futura paciente daqui. — Respondi, com uma risadinha nervosa. Era muito esquisito ter que dizer aquilo.
–Ah, mas é claro! — O homem respondeu. Logo, ele estava abrindo os portões para que eu entrasse. –Se me permite, qual é o seu nome? — Ele finalmente perguntou, enquanto andávamos em direção ao prédio. Tinha uma aparência velha e de que estava no estado de decadência, com suas paredes desbotadas e as plantas que subiam os muros, porém eu conseguia enxergar o potencial do lugar. A construção era nobre como a de um castelo medieval, e de tamanho similar.
–Luna Ashwood, senhor.
–Ah, sim, estávamos esperando por você. — Ele disse, me surpreendendo. -Eu sou Derek Ammonds. Um prazer conhecê-la.
–O prazer é meu. — Respondi. Era estranho como ele estava tratando com a situação tão formalmente, afinal eu estava prestes a me internar num hospício. Porém, resolvi ver no que ia dar.
De repente, o Sr. Ammonds parou, embora ainda estivéssemos longe da entrada do local.
–Sr. Roseville, por favor receba a Senhorita Ashwood. Agora eu vou indo.
Observei-o me deixar, logo depois de falar com um rapaz loiro, alto e bonito que eu não havia percebido antes, e que se encontrava perto de nós. Ele me observava calmamente com um sorriso simpático no rosto, e logo veio na minha direção.
–Olá, senhorita Ashwood. Aster Roseville. Prazer em conhecê-la. — Ele me cumprimentou, oferecendo a mão. Meus olhos se prenderam, por um momento, em seu pescoço. Um corte fundo lhe atravessava a garganta, mas não querendo ser deselegante, tentei ignorar.
–Prazer, Aster. Mas, por favor, me chame de Luna. — Respondi, estendendo a mão para apertar a sua. Mas ao invés de apertá-la, ele segurou-a delicadamente e a beijou.
–Seja bem vinda a Instituição Mental Saint Moonrose. — Ele disse, finalmente, depois de soltar a minha mão e me lançar outro sorriso.
–Obrigada. -Respondi, ainda meio desconcertada.
–Então... O que te traz aqui? — Ele perguntou depois de um tempo, enquanto andávamos pelo jardim até a entrada do prédio. Olhei-o sem entender. -Quero dizer, qual é a sua... característica especial?
Finalmente entendi o que ele estava querendo insinuar e dei uma risada baixa. Mas logo a minha expressão se tornou sombria, ao me lembrar, realmente, aonde eu estava.
–Se você não quiser me contar, não tem problema. -Ele disse rapidamente, ao perceber a minha mudança de expressão.
–Não, não é isso, é que... — Olhei de relance para o seu rosto, pensando que não teria nenhum problema se eu lhe contasse, já que ele me parecia uma pessoa simpática. Abri a boca para falar, mas senti um peso nas minhas costas. Logo, a face de uma velha, apodrecida e morta apareceu por cima do meu ombro, se contorcendo para olhar o meu rosto. Ela havia subido nas minhas costas e agora, enquanto me encarava com seus olhos podres, colocava o dedo indicador na frente dos seus lábios ressecados, indicando que eu ficasse em silêncio.
–Senhorita Ashwood? Você está bem?
A voz de Aster me fez desviar a atenção da velha, e eu a afastei do meu rosto com a minha mão, distraidamente, como se estivesse afastando uma mosca.
–Sim, não foi nada. E me chame de Luna. -Respondi, o acalmando com um sorriso que ele retribuiu.
–Sim, é claro, havia me esquecido. — Disse, com uma risadinha. Logo, voltou a andar, comigo lhe acompanhando.
Enquanto ele me contava fatos macabros sobre a história do lugar, me fazendo sentir como se eu estivesse entrando em um museu e não um hospício, eu olhei de relance por cima do meu ombro. A velha havia sumido.
Então eu me lembrei o que me fez parar neste lugar.
Fale com o autor