Notas iniciais
Opa, mals a demora, mas eu quase não estava mexendo no pc. Só pelo celular. E hoje eu consegui tempo :)
Ah, não se importem, quando eu escrevi esse capítulo, estava morrendo de vontade comer doces.

Embry a levou para vários lugres de La Push. Várias casinhas apareciam e desapareciam enquanto os dois andavam por entre lojinhas de artesanato, de bicicletas e até mesmo de peças para carros; ele a fazia rir e, sinceramente, ela gostava disso. Pelo menos ele sabia quem ela era. E não diz que gostaria de matá-la.

Os dois andaram mais um pouco e pararam em frente a uma loja, onde vendia doces de vérios tipos.

— O comércio aqui está crescendo — ia explicando Embry. — Não a ponto de encher esse lugar. Mas dá para sobreviver. Quer comer algo? — perguntou ele a Ane, que fitava os doces de aparência apetitosa.

Ane corou ao virar-se para Embry; mas este sorria abertamente para a garota.

— Eu não sei... quero dizer, parecem ótimos, mas...

— Então você quer — interrompeu-a Embry, com os olhos brilhando. — Vem, vamos entrar. — E puxou Ane para dentro da lojinha.

Ao entrar na loja, Ane sentiu o ar mudar: de gélido e vento que cortava a pele, para o ar quentinho com aroma de inconfundíveis tortas de chocolate, bombas de creme, entre outras. Havia mesas e cadeiras de plástico, espalhados pelo local apertado, mas aconchegante.

Embry a conduziu até um balcão, onde uma senhora, de cabelos já grisalhos e expressão bondosa, estava. Ela sorria para ambos gentilmente.

— Olá, Embry — disse a velha senhora.

— Oi, Nana — cumprimentou, animadamente, Embry. — Essa aqui é a Ane.

— Olá, Ane.

— Oi — disse Ane com timidez. Nana sorriu.

— Então, o que você e sua namorada vão querer? — perguntou Nana sorrindo. Ane e Embry coraram com o comentário.

— Nós não... nós não somos namorados, Nada — apressou-se Embry a dizer e, olhando para Ane, continuou: — Somos amigos.

— Ah, então, nesse caso, peço desculpas — disse Nana sem demonstrar vergonha.

— Tudo bem — respondeu Ane.

— O que você vai querer? — perguntou Embry, preferindo esquecer o que foi dito. Ane olhou para o mostruário. Havia tantos doces, que ficava difícil escolher um. Embry, parecendo ler os pensamentos da garota, falou:

— Pode escolher mais de um.

Mas Ane balançou a cabeça e apontou para o mostruário.

— Eu quero essa torta de pêssego — disse Ane.

Nana abriu o vidro, cortou um pedaço bem avantajado, o colocou num prato descartável, pousando no balcão e olhou para Embry.

— Tem alguma promoção? — perguntou ele.

— Tem. Aquelas bombas sortidas — Nada apontou para as bombas na vitrine.

— Quanto custa?

— Cinco dólares — respondeu prontamente Nana. — Mas, com mais um dólar, você leva essa tortinha de morango.

— Ah, então eu quero essa promoção, também — disse Embry. — Quanto fica?

— Dez dólares.

Embry deu o dinheiro e sentou-se com Ane à uma das mesas de plástico.

— Tome — Embry empurrou a tortinha brinde para Ane. — Presente — e começou a comer.

Os doces estavam realmente bons. Ane terminava de comer sua tortinha de morango e observava Embry comer a segunda promoção de bombas (ele era um lobisomem nas horas vagas e, portanto, setia uma fome sobre-humana).

Ane lambia o creme, quando o celular ela tocou. Ane virou o celular e viu que era Nessie que estava ligando. Apertou o Send e falou:

— Oi, Nessie.

— Aonde você se meteu? — perguntou Nessie. Embry escutava com atenção os gritos de Renesmee. — Uma hora você estava em um tronco e na outra você desapareceu? Aonde você está?

— Primeiro: se acalma. Segundo: você estava muito ocupada com Jacob. E terceiro: eu estou com o Embry — respondeu Ane. Houve uma pausa significativa do outro lado da linha.

— Ah — disse Nessie por fim. — E onde vocês estão?

— Numa lojinha de doces.

— Fala que vamos para casa deles — sussurrou Embry.

— Estamos indo para casa de vocês. — Disse Ane. Ouviu-se um barulho do outro lado da linha e Jacob falou ao telefone:

— Traz umas bombas e umas tortinhas para mim! Diz para Nana que depois eu pago.

— Está bem Jacob, está bem. Até daqui a pouco — disse Ane e desligou o celular.

Ane e Embry pegaram os doces de Jacob e saíram para o gelado de La Push.

A casa de Jacob e Renesmee não era tão longe da loja de doces. Seguiram um caminho enlameado, juntos, rindo e conversando; nem perceberam quando chegaram à casa de Jacob.

Nessie e Jacob ouviram os dois chegando, rindo alegremente. Os dois trocaram olhares e assentiram. Foram até a porta para receber os convidados e viram que Ane segurava a mão de Embry sem se abalar. Jacob fez uma careta: aquilo não era saudável.

— Embry! — exclamou Jacob animado.

— Fala, Jake — acenou Embry, soltando momentaneamente a mão de Ane. — Trouxe seus doces.

— Hum... Vamos lá para trás comê-los — disse Jacob e, olhando de esguelha para Nessie, continuou: — Tem gente aqui que vai querer.

— Ridículo — Nessie revirou os olhos. — Entre, Ane.

— Até aqui a pouco, Ane — Embry sorriu, seguindo Jacob para trás da casa. Ane sorriu.

Nessie deu espaço para a garota passar e, logo em seguida, fechou a porta. Ane, que já estava familiarizada com a saca de Nessie, se sentou no sofá e esperou que Nessie sentasse ao seu lado. Quando esta se sentou, ficou olhando para Ane.

Ane estreitou os olhos, com um sorriso no canto dos lábios. Ninguém disse nada durante alguns minutos. Até que Nessie quebrou o silêncio.

— Então... você e Embry...

— O que tem eu e ele? — perguntou Ane sem entender.

— Me conta tudo! — exigiu Renesmee.

— Mas não há nada o que contar — respondeu Ane. — Nós andamos, rimos e comemos alguns doces. Só isso.

— De mãos dadas? — Nessie ergueu uma das sobrancelhas. Ane corou feito um tomate.

— Ah! Isso foi … — tentou explicar Ane, mas sem muito sucesso. Ela não sabia o que dizer nem o que pensar. Para ela, não havia nada... ou será que havia e ela não reparara? Embry era bonito, isso era verdade; ele era bom para Ane, fazia-a rir quando ninguém mais fazia; Embry cuidava dela... Aquilo queria dizer alguma coisa?

Não. O coração de Ane batia por Will. Embry era uma pessoa legal e era seu melhor amigo... Mas seria errado estar com ele?

Nessie a observava ponderar, de sobrancelhas erguidas.

— Ane — chamou-a Nessie e Ane a olhou —, isso não é... traição. Infelizmente, Will não se lembra de você.

— É errado com Embry, Nessie. — Disse Ane. — Não posso fazer isso com ele — mas Nessie balançava a cabeça; Ane suspirou indignada. — Claro que é, Renesmee! O meu coração bate pelo Will, Nessie. Não vou fingir que é real.

— Você gosta do Embry?

— Claro que gosto — respondeu Ane como se aquilo fosse óbvio.

— Então por que raios é errado? — perguntou Nessie exasperada.

— Porque não é o suficiente — exclamou Ane. — Tenho medo de magoá-lo! Se é o Will que está na escola, é apenas um intervalo.

Nessie suspirou e fitou Ane com intensidade.

— Então aproveite este intervalo e experimente coisas novas, Ane. Porque o futuro é incerto — disse Nessie.

Ane engoliu em seco e olhou para janela

— Eu não sei, Nessie. Eu amo o Will. Não sei se suportaria magoar Embry. E nem sei se ele gosta de mim desse jeito, de qualquer forma — suspirou Ane e olhou Nessie. — Eu não magoá-lo, Nessie. Embry é importante para mim.

— I sso é algo que vocês vão ter de resolver. Tente ser feliz, Ane! Sei que você ama o Will, mas... Embry gosta de você.

Ane se levantou.

— Vou ver. Eu tenho que ir — murmurou Ane. Nessie havia deixado Ane confusa; ela precisava pensar e falar com Embry.

Nessie a olhou ir, com o olhar triste.

— Tente experimentar o intervalo, Ane. Talvez seja menos doloroso — disse Renesmee a Ane, antes que esta batesse a porta.

(…)

Ane apertou o peito, sentido um vazio a preencher. E se esse vazio pudesse ser ocupado novamente? Não completamente, é claro — o lugar de Will sempre permanecerá nela —, mas que pudesse fazê-la sentir-se melhor? Contudo, a culpa iria corroê-la por dentro. Aquilo seria o mesmo que usar um objeto descartável. Como ficaria o coração dele? Partido?

Os dedos da garota roçavam o número de telefone dele. Ela ligaria para Embry? Para falar o quê? “Ah, Embry, posso usar você para curar a minha depressão? É só enquanto o Will não volta para mim.” Claro que não. Estava decidido, Ane não ligaria para Embry. Embora houvesse uma vozinha irritante lá no fundo de sua mente, dizendo que não era errado. Era verdade que Ane ficava encantada com a presença de Embry; era verdade que Embry era o tipo de garoto que qualquer menina gostaria de ter como namorado: gentil, carinhoso e engraçado; era verdade, também, que ele era lindo. Tudo que uma garota queria num garoto...

Ane ia ligar, afinal?

Não sabia.

— Argh! — grunhiu a garota, largando-se na cama. O ar gélido, mas calmo, adentrava o quarto de Ane.

— O que foi? — A voz de Embry surgiu no peitoril da janela aberta. Ane levantou-se, assustada. Um grito prendera-se na garganta inchada da garota.

Ane olhou para a porta que, por sorte, estava fechada. Ela lembrou-se Will esgueirando-se por sua janela tantos anos atrás.

— O que você está fazendo aqui? — sussurrou Ane com resposta. — Ficou maluco?

Embry entrou no quarto de Ane, sem fazer o menor barulho. Ele olhou o quarto de Ane para depois olhá-la.

— Precisava falar com você — murmurou ele, olhando para o celular de Ane, com o número dele no visor. — Você ia me ligar? — perguntou, surpreso. Ane corou.

— Sinceramente, eu não sei. — Respondeu Ane. — O que você queria falar comigo. — Ane quis mudar de assunto. Embry pareceu sair de seus devaneios e olhou para Ane.

— Bem — ele começou, desconfortável.

— Pode senta-se aqui — disse Ane indicando o lugar vazio ao seu lado na cama. Embry corou, mas sentou ao lado da garota. — Continue.

— Obrigado. Bem, eu tive uma conversa com Jacob hoje — disse ele e Ane assentiu, lembrando-se da própria conversa com Renesmee . — Ele me perguntou se eu sentia algo por você. E eu respondi que sim — Ane engoliu em seco. — Jacob disse que não é saudável para mim, sabe. Eu estou revivendo o que ele viveu com Bella. Você é apaixonada por outro e eu por você. Ele me disse que a escolha é minha. Ou eu fico com você, se você quiser, é óbvio, ou sofrer e deixar que você se resolva com Will.

— E qual opção você escolheu? — sussurrou Ane, sem olhá-lo.

— Aí, é que está — disse Embry com tanta intensidade, que Ane teve de olhar para ele. Embry parecia pegar fogo. — Eu não escolhi, pois, a minha escolha depende da sua.

Ane não sabia o que fazer. Ouviu as palavras de Nessie, ecoando, pela milésima vez, em sua cabeça... “O futuro é incerto... Tente experimentar o intervalo, Ane... Talvez seja menos doloroso...” O que ela faria? Aceitaria experimentar o intervalo? Mesmo que pudesse magoar o outro?

— Olha, não estou pedindo para você se apaixonar por mim — sussurrou Embry. — Só não gosto de vê-la sofrer.

— Está pedindo para eu tentar? — perguntou Ane.

— Não estou pedindo nada, Ane.

— E se eu magoá-lo no fim? Não vou poder suportar isso, Embry — disse Ane com a voz embargada, os olhos verdes cintilando de lágrimas.

— Eu não sei o que vai acontecer no fim, Ane. Mas, seja qual for, eu vou apoiar sua escolha.

— Você é tão bom, Embry — Ane murmurou. Embry riu.

— Não sou assim tão bom — respondeu ele.

Ane, então, o olhou com mais clareza. Ele não era apenas bonito. Era ele todo. Embora seu verdadeiro ocupasse o maior espaço em seu coração, Embry tinha um lugar ali. Não era suficiente, mas era alguma coisa. Ela não sabia se era amor ou amizade, só sabia que era alguma coisa com significado. E ele estava tão perto agora, que Ane nem precisava fechar a janela para se aquecer. Só agora ela tinha plena consciência de Embry.

Sem raciocinar, Ane selou seus lábios nos de Embry. Não era como beijar Will, é claro. Porém, os lábios de Embry de Embry eram macios e pareciam se mover com precisão com os dela, que Ane nem se preocupou que seus pais estivessem a um quarto de distância. Ela só sentia Embry e em como seu beijo era carinhoso.

As mãos de Embry desceram até parar na cintura de Ane e a puxou mais para si. Onde ele tocava, parecia que a pele de Ane ia irromper em chamas; os dois não ousavam parara. Ane sentiu seu peito colar no de Embry e pôde ver que o coração dele batia na mesma frequência do dela.

Mas não havia somente eles dois. Havia, também, aquela vozinha, que enxergava a confusão que isto seria. Ane não ousou ouvi-la, pois, se ouvisse, iria parara com o momento mais feliz que tivera em dois anos sem Will.

Quando, enfim, se separaram, ambos perceberam que estavam enroscados na cama de Ane, cujo o rosto corava fortemente. Ela o olhou.

— Por favor, não quero que isto — ela apontou para si mesma e depois para Embry —, nos leve a algo que eu não conseguirei cumprir.

— Ane, eu sei que é... errado. Para nós dois — acrescentou, vendo a expressão da garota. — Eu estou errado por levar isto adiante, sabendo que você não me ama como ama o Will. Mas eu prefiro viver este momento, do que ficar só imaginando, mesmo que doa depois.

— É o que eu mais temo — disse Ane acariciando os cabelos de Embry. Ele sorriu com o carinho.

— Vamos só... tentar — falou Embry. — Eu sei que não me ama, Ane. Só precisa gostar.

— E eu gosto — disse Ane com a voz fininha. Embry sorriu novamente, encolhendo os ombros.

— É só o que eu preciso — e beijou o topo da cabeça de Ane.

Notas finais
Espero que gostem e...
Comentem!