Notas iniciais
Sei que demorei, mas está aí :)

— Você está melhor, filha? — perguntou Susana, servindo o café de Ane.

A menina olhou para a mãe, pensando na tarde anterior na casa dos Cullen e com Embry. Ele fora tão gentil e engraçado, fazendo-a rir de verdade em meses. Ela estava se recuperando, aos poucos.

— Sim... Quero dizer, mais ou menos — respondeu Ane. — Ainda penso nele.

— Calma, querida. Ele vai voltar. — Sorriu sua mãe, amorosa. Ane lembrou-se da desculpa que dera à mãe de que Will fora para um hospital em outro país. Que ridículo. — Ele vai ficar melhor.

— Tomara — murmurou a garota, mal tocando no café. — É melhor eu ir, mãe. — Susana a olhou e depois olhou para as panquecas despedaçadas, mas intocadas. Suspirou.

— Você vai voltar para casa? Ou vai ir para a casa de Nessie? — indagou Susana. Ane levantou-se e pareceu pensar no assunto.

Olhou para sua mãe, que tinha feições preocupada e saudosa. Ane resolveu que era hora de passar um tempo com sua mãe; fazia tempo que ela não ficava com a família. Já com a mochila nas costas, Ane disse:

— Volto para casa, mãe.

Susana sorriu, com os olhos iluminados.

— Que bom, Ane! Tlavez, eu tenha uma surpresa para você.

Ane a olhou, curiosa.

— Surpresa?

— Sim — respondeu sua mãe. — Mas não vou dizer nada agora. Você vai se atrasar. — E empurrou Ane para a porta. — Ah! — foi até a cozinha e voltando com algo nas mãos. — Pode ir de carro hoje... acho que você já está pronta.

— Isso é sério? — perguntou Ane, admirada e surpresa.

— Claro! — sorriu Susana. — Agora é melhor você ir. Você não que chegar atrasada, não é?

— Não... — disse Ane, olhando para as chaves.

— Então vejo você mais tarde — sua mãe falou enquanto Ane ia para o Picasa de Susana.

A garota estava surtando quando abriu a porta do carro. Assim que entrou, Ane colocou as mãos no volante e lembrou-se de uma conversa de tantos anos atrás com o Will. Ela pedira a ele que a ensinasse a dirigira. Riu sozinha no carro, lembrando que ele dissera sim.

Mas, essa aula tão esperada, não veio. Aquela noite fora estranha; Ane descobrira que Will guardava um segredo que ela nunca descobriria. Suspirou. Então, não houve outro jeito: Jacob e Michel — pai de Ane — a ensinaram a dirigir. Jacob fora paciente, já Michel... ficava morrendo de medo que Ane batesse com o carro.

Ane dirigiu pela estrada molhada de Forks, para chegar à escola de mesmo nome. Desejava Will ao seu lado, segurando sua mão e rindo com ela. Mal percebeu que já havia passado os portões da Forks High School e entrava no estacionamento cheio; a única vaga desocupada, era ao lado da Mercedes que ela vira no outro dia.

Parou o carro ao lado da Mercedes e saiu à procura de Renesmee. Era incrível como só tinha uma amiga naquela escola enquanto em Nova York sempre tivera várias. Contudo, ter vários amigos, não importava mais. Ane sabia que Nessie seria sua amiga para sempre e que só as duas poderiam compartilhar coisas que não pertenciam ao mundo real. Se estivesse em Nova York, seria cega igual as outras pessoas. Sua casa era Forks agora.

Ane caminhou com o capuz na cabeça — a chuva fina caía — até a entrada, onde Nessie sempre esperava com Jacob ao seu lado. Estranhou que Renesmee não estivesse ali; ela nunca faltava. Talvez estivesse no lado de dentro.

Ela entrou e não viu Nessie em lugar algum. Aquilo a deixou preocupada. Seu coração começou a pulsar freneticamente, as palmas de suas mãos começaram a suar: era o medo de ser abandonada. Virou-se e viu uma aglomeração de garotas em torno de alguma pessoa. Ane balançou a cabeça e foi para a primeira aula, de inglês. Entrou e viu apenas o senhor Carter sentado à mesa e alguns garotos.

Ane sentou-se em sua carteira no fundo da sala. Os garotos que ali estavam, a olharam com uma expressão indagadora no rosto. A garota corou, pois ninguém — nenhum garoto e nenhuma garota — a olhava. Talvez fosse porque Ane era a única garota na sala de aula.

— Senhorita Bell — chamou o professor.

— Sim, professor — respondeu a garota.

— Por que só a senhorita está aqui? — Ele ergueu uma das sobrancelhas. — Onde está o resto da turma?

— Eu não sei — disse Ane.

— Ah — um garoto louro falou —, devem estar todas em volta daquele metido.

Ane virou-se para o garoto.

— Metido? — O garoto louro a olhou.

— Ah, não — revirou os olhos. — Achei que você fosse a única que não gostasse dele! Quero dizer, vocês dois eram próximos, antigamente, pelo menos.

— Espera um minuto — disse Ane, balançando a cabeça. — Como assim próximos?

O garoto a olhou, como se ela fosse louca.

— Não sabe? — Ane negou com a cabeça. — O Will voltou.

— O... o quê? — gaguejou ela.

— É, Ane. Ele voltou, só que mais metido. Ele era bem mais legal antes — respondeu o louro, cujo o nome Ane ainda não descobrira. —Pensei que tivesse brigado com ele e ficado do nosso lado. Não foi isso o que aconteceu? — O garoto franziu o cenho.

— Não. Eu... eu nem sabia que ele... que ele havia voltado — murmurou Ane.

A porta, então, foi aberta e Nessie entrou, sem fôlego. Cumprimentou o professor e foi se sentar ao lado de Ane, que estava estupefata.

Nessie se virou para Ane e depois olhou para os garotos na sala.

— Ele voltou. — Respirou fundo. — Ele está aqui — e abaixou a voz. — Tia Alice o viu tomando a decisão. É o Will mesmo.

O coração de Ane pulava e pulsava em seus ouvidos, tudo começou a girar e a ficar escuro. Will voltou, Will voltou. Foi só nisso que Ane pensara antes de desmaiar.

(…)

— Saí de cima dela, Jason — a voz do professor Carter chegou aos ouvidos de Ane.

Ela podia sentir braços a envolvendo, segurando-a. Ane abriu os olhos. Viu o rosto belo de Renesmee a segurando no chão, viu o garoto louro, os outros meninos e o professor Carter, em volta dela.

Ouviu Nessie suspirar de alívio junto com o professor. Ainda estava um pouco desnorteada, mas, a lembrança de que Will voltara, ainda estava em sua mente. Não podia acreditar naquilo.

— É melhor levá-la para enfermaria — disse o senhor Carter.

— Não. — Respondeu Ane. — Eu... eu estou bem.

— Tem certeza? — O professor Carter ergueu uma das sobrancelhas.

— Absoluta — e olhou para Nessie. — Me ajude só a levantar. — Nessie assentiu e a colocou em pé, ajudando-a a sentar-se em sua carteira.

O professor a olhou mais uma vez e voltou ao seu posto em frente ao quadro, quando as outras garotas entraram na sala. Senhor Carter, já irritado, olhou para as garotas.

— Vocês todas vão ficar até depois da aula. Detenção — disse ele. — Agora comecem a copiar.

As outras garotas, emburradas, sentaram-se e pegaram seus cadernos. Ane e Nessie trocaram olhares e seguiram o exemplo das outras.

— Bem feito — sussurrou Jason, fazendo Ane e Nessie rirem.

A aula correu bem, depois do episódio do desmaio de Ane e da detenção das garotas. Quando a aula acabou, todos guardaram o material para segui a próxima aula. Ane não queria (de jeito nenhum) ver Will. Tinha medo do que ela podia ver no rosto do garoto que, um dia, fora seu amado.

Todos saíram da sala; Ane junto com Nessie. Ambas podiam ouvir as garotas reclamarem da detenção que receberiam no fim da aula. Nessie revirava os olhos a cada comentário que as outras faziam. Nessie era linda. Poderia ser facilmente aquelas garotas populares; porém, não gostava de muita atenção para si mesma. Mas, mesmo assim, ela conseguia ter os olhares de todos por onde passava e ser invejada por todas.

As duas pararam no corredor apinhado de gente e olharam em volta.

— Por que você demorou? — perguntou Ane.

— Eu estava caçando e logo depois recebei a notícia de Alie — sussurrou Nessie; Ane fez uma careta. Olharam em volta novamente e viram que o corredor estava esvaziando. — Vejo você no intervalo.

— Ok.

Ane a observou seguir o extenso corredor e logo depois seguiu o próprio caminho. Sua próxima aula era a de espanhol. A única aula que Ane não tinha com o Will. Suspirou, adentrou a sala e sentou-se no fundo, em uma das últimas carteiras.

Colocou o capuz e escondeu o rosto nos braços, ainda não acreditando que aquele cara metido era o Will. Fechou os olhos, contendo as lágrimas que queriam escapar. Um burburinho das garotas chegou a Ane. Ela não queria levantar o rosto, mas o fez mesmo assim.

Ali estava ele, em toda a sua glória. Parado, com um sorrisinho malicioso nos lábios, seus olhos castanhos não eram mais os mesmos (ela nem sabia de que cor eram), as roupas não mostravam mais uma pessoa alegre e sim uma fútil, que só pensava em ficar na moda, que só pensava em si mesmo. Afora essas características, era ele. Os mesmos dentes brancos, os lábios grossos e macios, o rosto másculo e o cabelo castanho curto. Vê-lo assim — tão Will e não tão Will —, fez uma lágrima solitária escorrer pelo rosto branco de Ane.

Ele, então, a olhou. Não era um olhar de reconhecimento. Pareceu atravessá-la, sem aquecê-la como sempre acontecia quando ele a olhava. Parecia, simplesmente, que ele não a conhecia. Saber aquilo a fez querer chorar. Ane secou as lágrimas rapidamente com a manga do casaco e desviou o olhar.

A professor mandou todos se sentarem, inclusive Will, e pediu silêncio. Por onde ele passou, arrancou suspiros e comentários das garotas e pareceu gostar da atenção. Só não conseguiu comentários de Ane, que ainda se recusava a olhá-lo.

Will sentou-se bem ao lado de Ane, justamente por esta não ter dito nada e por outra coisa, também, mas que ele não conseguiu descobrir.

— Oi — disse Will a Ane, sorrindo. — Meu nome é Will.

A garota se virou para vê-lo, com ódio puro no rosto. Se ele viu isso, não se incomodou nem demonstrou.

— Não. Você não é o Will — falou a garota. Ele a olhou surpreso e confuso, pela primeira vez. — Agora, se você deixar, eu quero prestar atenção na aula.

— É, Will — disse uma menina de cabelos lisos e castanhos claros. — Deixa ela para lá. Uma louca — e arregalou os olhos de forma dramática.

— Buh! — exclamou Ane para a garota, que se assustou. — Cala a boca vocês dois.

— Eu não falei nada, louca — Will disse. Ane lutou para não chorar quando ele falou aquilo.

— Disse agora. — E virou o rosto, sinal de que aquela “conversa” havia acabado.

Notas finais
Espero que gostem e...
Comentem!