Interligados
8 Capítulo 8 - Once Upon a Dream
Notas iniciais
Annabeth acordou num sobressalto, estava suando e a respiração estava irregular. Enquanto tentava controlar a respiração olhou em volta e viu que estava em um quarto. Mas não era o seu quarto.
Então ela se lembrou de ter ido a Nova York com Percy, de ter bebido muito com Percy, de ter falado com Cindy, de estar no lago com Percy... E então o beijo, mas aquilo foi real, ou era um sonho?
Era difícil de dizer, o sol bateu em sua pele e Annabeth olhou para a varanda que tinha no quarto, caminhou até ela e apreciou a vista que tinha da floresta.
Sua respiração embaçava o vidro, o frio e o calor que tinha no quarto era aconchegante. Essa era uma das poucas coisas que ela gostava de Blood Hills.
Ela então decidiu sair do quarto, mas foi ela se virar que uma forte dor de cabeça a atingiu, Annabeth respirou fundo e massageando as têmporas saiu do quarto.
O corredor que tinha ali era enorme, com mais três outras portas, Annabeth desceu as escadas em formato de caracol e se deparou com uma linda sala. Os sofás eram de couro marrom, com estantes de livros na parede, uma mesa de centro entre os dois grandes sofás, uma lareira com uma estante em cima onde tinha alguns livros e desenhos, e uma enorme janela. Era a casa mais aconchegante que ela já havia visto, caminhou mais um pouco e parou quando chegou na cozinha viu Percy de costas assobiando enquanto fazia algo no fogão, a cozinha era moderna totalmente diferente da sala.
–Oi — a garota disse e se sentou na bancada que tinha.
–Oi, esta com dor de cabeça? — ele perguntou com um sorriso divertido no rosto quando se virou para ela.
–Muita — ela respondeu.
Ele foi até a bancada e abriu uma das gavetas uma caixa de comprimido e pegou água.
–Toma, vai ajudar — ela pegou o remédio e a água e colocou na boca — bem-vinda ao grupo dos porres, aberto 24h por dia.
Annabeth deu um sorriso.
–Obrigada — ele assentiu — então... Essa é a sua casa? É bem bonita.
–Obrigada, esta na família a gerações — ele se virou para o fogão e e continuou a fazer o que estava fazendo.
–O que esta fazendo? — Annabeth perguntou enquanto apoiava o queixo na mão.
–Estou fazendo panquecas com calda azul.
–Calda azul? O que vai nessa calda azul?
–Um mágico nunca revela seus segredos. Nesse caso, o chefe nunca revela seus segredos.
–Ok.
Percy colocou dois pratos em cima da mesa e logo veio com as panquecas.
–Vamos, prove — ele disse.
Annabeth levou a panqueca a boca.
–Esta maravilhoso, mas o que é essa calda maravilhosa? — perguntou e Percy sorriu divertido e ela entendeu que ele não contaria.
Annabeth e Percy comiam em silêncio, até que Annabeth biu através da enorme janela de vidro um borrão preto ( que parecia um cavalo) voar e pousar atrás da casa de Percy.
–O que era aquilo? — Annabeth perguntou e correu para fora da casa, com Percy atrás dela.
–O que foi Annabeth? — Percy perguntou enquanto tentava acompanhar os passos de Annabeth.
–Eu podia jurar que vi um cavalo voando e pousando aqui — ela começou a olhar em volta e viu o cavalo indo pra floresta. Ela pensou em ir até lá, mas já estava bancando a idiota. E ela não queria bancar a idiota com Percy.
Mas ela tinha certeza do que viu.
–Deve ter sido coisa da sua cabeça Annie, por causa da bebida — Percy disse parando na sua frente.
Ela duvidava que tinha sido sua cabeça, mas por hora era melhor falar que sim.
–É deve ter sido... Então, quer me contar o que aconteceu ontem? Porque eu só lembro de beber muito com você — não era totalmente mentira, mas ela queria ver o que Percy iria dizer.
Mas ele deu um sorriso malicioso e disse:
–Depois de bebermos eu levei você para o Empaire State e...
Ela sorriu, não tinha sido um sonho no final das contas.
Eles haviam se beijado.
–E...? — ela o incentivou a continuar.
–E... — ele se aproximou dela e passou os braços pela sua cintura e se aproximou mais enquanto ela passou os braços por sua nuca, ansiosa pelo o que aconteceria — você me beijou.
–Não lembro disso — ela disse e ele se aproximou mais.
–Tudo bem, vou te mostrar como foi — ele estava tão perto que Annabeth sentia seu hálito batendo contra sua pele.
Suas bocas estavam a um centímetro de distancia quando o celular de Annabeth tocou.
–Atende não — Percy disse.
–Deve ser a minha tia — aos poucos Percy soltou a cintura de Annabeth.
Ela não queria que ele tivesse soltado, mas ficou feliz ao saber que ele também não.
Pegou o celular e viu varias mensagens e ligações não atendidas, atendeu o celular.
–Aló?
–Annabeth, onde você esta? — disse Afrodite.
–Na casa da Thalia — depois eu falo com a Thalia, ela pensou — esqueci de te avisar.
–Tudo bem, mas que isso não aconteça novamente.
–Ok.
–E venha já pra casa.
–Ok, tchau.
Ela não deu tempo para a tia responder e desligou o celular, digitou o número da Thalia.
–Fala ai, loirinha — Thalia disse.
–Preciso da sua ajuda.
–Desculpe ligou para o lugar errado, o atendimento de ajudas é em outro número — disse com sarcasmo.
–É serio Thalia.
–Ok, manda.
–Para todos os defeitos eu dormi na sua casa para Afrodite.
–E por que? — perguntou desconviada.
–Depois eu te conto, só faz isso.
Ela ouviu Thalia bufar e sorriu.
–Ok, eu vou te ajudar.
–Valeu.
–Ta ta ta — e desligou o celular.
Ela foi ver as mensagens, se arrependeu no mesmo segundo. Eram mensagens de Luke, e algumas de sua tia.
"Annie, me desculpa eu fui um idiota. Não deveria ter feito aquilo, por favor me liga."
"Annie eu te amo, me liga, eu preciso falar com você. Vamos conversar."
"Por favor Annie, responde. Eu sei que eu errei, mas eu não consegui digerir o que você disse. Mas, agora, eu entendo. Me encontra na escola amanhã, e esclarecemos as coisas."
Ela não consegui ler mais nenhuma mensagem, sentia seus olhos arderem, mas as lagrimas, ela impedia que caíssem.
–Annie? — era a voz de Percy. Ela levantou o rosto e viu que ele a encarava.
–Oi?
–Tudo bem?
Não, não estava nada bem. Luke teria que aceitar o fim do namoro, Thalia apesar de ser uma boa amiga andava esquisita esses dias, Piper só ficava falando no Jason, o dia da morte de seus pais se aproximava cada vez mais, sem contar o fato de ela não estar entendendo seus sentimentos em relação a Percy.
Resumindo, nada estava bem, estava uma bagunça.
–Claro, mas eu preciso ir embora agora — mentiu, afinal, não precisava de mais uma pessoa com pena, ou para atormentar mais Annabeth.
–Por que? — ele perguntou.
–Minha tia mandou eu ir para casa, já que eu não avisei que dormiria fora — ela disse em um tom um pouco acusador.
–E a culpa é minha? — ele pergunta tanto ofendido quanto indignado.
–Se você tivesse me deixado em casa...
–Ah, pelo amor de Deus — interrompeu-a — eu te fiz um favor, ia ser pior você chegar bêbada na sua casa e sem ninguém para cuidar de você. Do que ficar aqui.
Annabeth suspirou, infelizmente Percy estava certo, e ela de tão frustrada que esta descontou na pessoa errada.
–Tem razão, desculpa, é só que... — ela tentou falar, mas era difícil achar as palavras certas — é melhor eu ir.
–E se eu disser que não quero que você vá? — ele perguntou e se aproximou mais de Annabeth.
–Por que?
–Sabe, Annabeth, você não é a pior companhia de todas. Tem gente muito pior por ai, que eu não aguentaria ficar perto.
–Ah é? — ele assentiu — bom saber. Mas, é melhor eu ir.
–Eu te levo. Minha casa é longe da sua — ela assentiu e seguiu Percy até a porta de vidro.
Mas assim que Percy entrou, Annabeth se virou para trás e viu uma movimentação das árvores e arbustos na floresta.
E naquele momento ela jurou que iria descobrir o que Percy Jackson tanto esconde.
Quando pararam o carro em frente a casa de Annabeth, Percy se virou para Annabeth.
–Esta entregue — ele disse sorrindo de lado.
–Obrigada Percy.
–Sempre que precisar.
Mas Annabeth não saiu do carro, estava se preparando pela bronca que viria, e se despedir da única pessoa que ela queria do seu lado.
Deixa de ser dramática Annabeth, ela pensou.
–Tudo bem Annie? — Percy perguntou como se não quisesse nada, mas quando Annabeth olhou nos olhos dele, ela viu que ele estava preocupado.
E sem pensar Annabeth agarrou a nuca de Percy e o beijou, ele não pareceu ficar surpreso e correspondeu ao beijo com o mesmo ardor que Annabeth.
Quando — infelizmente — o ar se fez preciso eles separaram a baca uma da outra e ficaram se olhando.
–Acho que vou perguntar se você esta bem mais vezes — Percy disse com a voz rouca e baixa, o que Annabeth achou extremamente sexy.
–Com certeza — ela disse no mesmo tom que ele. Percy sorriu — acho melhor eu entrar agora.
–Te vejo na escola.
–Amanhã, esta muito tarde pra ir para a escola — ela saiu do carro e ficou na janela.
–Amanhã eu venho te buscar, para irmos para a escola — ele disse ligando o motor do carro — e eu não aceito um não.
–Então vou te dar dois não — ela disse e Percy riu.
–Esteja pronta amanha — e quando Annabeth se afastou do carro, Percy acelerou.
Quando entrou em casa Afrodite estava em uma poltrona de costas e se virou devagar. Annabeth percebeu que ela estava imitando aqueles filmes de investigação, e que não seria um criminoso que seria interrogado, e sim ela.
Tal comparação quase fez com que ela risse.
–Sente-se Annabeth, você tem coisas para esclarecer.
E assim se foi uma hora da vida de Annabeth, ouvindo perguntas, respondendo, e mentindo.
Quando sua tia se deu por satisfeita deixou que Annabeth subisse.
Depois que tomou um banho, colocou uma roupa qualquer e ficou ouvindo música enquanto lia Shakespeare.
Annabeth ouviu batidas na porta e gritou:
–ENTRA! — foi até o som e desligou a música que tocava.
Piper entrou no quarto e fechou a porta atrás de si e foi até a cama de Annabeth.
–Oi — ela disse.
–Oi, e ai como foi na escola? — Annabeth perguntou enquanto se jogava na cama.
–Normal, professores chatos, lições chatas, todo mundo sabe que você e o Luke terminaram, o Jason veio falar comigo, o Sr. D ficou um século falando com a gente...
–O que? O que foi que você disse? — Annabeth perguntou.
–O Sr. D...
–Não, antes disso.
–Ah, todo mundo já sabe que você terminou com o Luke — ela olhou para Annabeth como se dissesse "sinto muito", e Annabeth já estava cansada de receber esse olhar das pessoas.
–Como?
–As paredes tem ouvidos — Piper deu de ombros, e Annabeth consegui dar um sorriso — brincadeira, uma garota viu quando vc terminou com ele e quando Percy te defendeu. Só se fala nisso agora na escola.
–Mas, co-como o Luke esta? — ela perguntou preocupada com o ex-namorado, apesar de tudo ele ainda era seu amigo.
–Ele te joga contra a parede e você ainda pergunta como ele esta? — Annabeth assentiu — você é louca. Mas caso queira saber, Thalia mandou ele pra enfermaria — Annabeth riu.
–Isso não me surpreende nem um pouco.
–É bem típico dela mesmo... Nas como você esta lidando com isso?
–Ainda estou aguentando.
Elas ficaram em silêncio por um tempo, ate Annabeth dizer:
–Hã, Piper eu estou com um pouco de dor de cabeça. Você pode...
–Claro, claro — ela assentiu freneticamente — qualquer coisa grita.
–Claro — e Piper saiu do quarto, e Annabeth acabou pegando no sono.
Annabeth estava andando na rua deserta enquanto tinha mais uma briga com Luke em quanto esperava seus pais chegarem.
–Eu já disse Luke, eu tenho que ficar com os meus pais, nós vamos para a casa do lago — Annabeth disse frustrada.
–Mas você vem falado isso a duas semanas, você anda distante.
–Luke, eu tenho que desligar agora.
–Annie.. — ela desligou.
Olhou em volta e viu um garoto deitado no meio da rua olhando a lua.
–Ei! — ela gritou e caminhou até o garoto que aos poucos foi se levantando.
–Annebell? — ele perguntou.
–Não, sou Annabeth.
–Perseu — ele se apresentou.
–O que fazia deitado na rua? — ela perguntou.
–Olhando as estrelas, elas me acalmam — ele disse.
–Dia ruim, hum?
–Século ruim — Annabeth riu — mas pela sua cara, não sou o único tendo um século ruim.
–Briguei com meu namorado — ela encolheu os os ombros e suspirou.
–Ah, o amor! — ela assentiu — eu já me apaixonei uma vez, talvez tenha sido meu maior erro.
–Por que? — Annabeth perguntou, realmente interessada na história desse desconhecido.
–Ela não me amava.
–Que vadia — ela disse com indignação e ele gargalhou.
–Concordo.
Ela suspirou e olhou para o céu, vendo o quão estrelado e brilhante estava.
–Bonito, não? — Perseu perguntou.
–Sim, então diga-me. O que as estrelas tem de tão especial? — Annabeth arqueou a sobrancelha e se aproximou mais de Perseu.
–Nada na verdade. Elas só... Representam algo que eu nunca vou experimentar — ele disse.
E quando ela ia responder ouviu um barulho de carro e viu que eram seus pais.
–São os meus pais. Tenho que ir.
–Espera. Eu não estou pronto pra voltar, achei que sim mas não estou.
Então Annabeth se viu rodeada por uma névoa e olhou para Perseu.
–Você vai esquecer que me viu, e que um dia me conheceu.
Annabeth acordou num sobressalto, e olhou ao redor, ainda estava no seu quarto. Foi só um sonho, na verdade, uma memória. Uma lembrança.
Mas ela tinha certeza.
Já havia conhecido Percy Jackson e descobriria seu tão precioso segredo.

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